<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149</id><updated>2011-12-30T20:03:13.859-08:00</updated><title type='text'>Lentilhas Vesgas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>170</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6687592451325185741</id><published>2011-12-30T08:16:00.001-08:00</published><updated>2011-12-30T20:03:13.873-08:00</updated><title type='text'>Previsões para 2012</title><content type='html'>&lt;div&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Janeiro:&lt;br /&gt;Queima de fogos em Copacabana e queima de braços de turistas&lt;br /&gt;Kassab anuncia aumento-surpresa da tarifa de ônibus, passando de R$ 3 pra R$ 4,90&lt;br /&gt;Chuva  mata, chuva destroi, chuva não para. Globo faz campanha para  arrecadação de donativos para flagelados das enchentes. Arrecadação  recorde para as vítimas do Piauí. Exército rouba todos os donativos&lt;br /&gt;Fevereiro:&lt;br /&gt;Bicheiro dono da Mangueira diz que apuração dos votos foi marmelada&lt;br /&gt;Bicheiro dono da Gaviões arma o maior barraco&lt;br /&gt;Dono da Salgueiro desmaia no meio da apuração&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Tropa de Elite 2 eliminado da corrida ao Oscar&lt;br /&gt;Março:&lt;br /&gt;Líder  do FMI diz que o gato subiu no telhado. 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É um estabelecimento pouco caloroso, em que os atendentes não são dispersivos, porém evitam um contato mais amigável com seus frequentadores. Tem aquele ar meio blasé, que te deixa em dúvida se você deve se sentir confortável ou intimado pela antipática ostentação. Claro que, sem sombra de dúvida, dá de goleada em qualquer doceria ou padoca. Para deixar impregnado no ambiente aquele cheiro orgástico e sinestésico de um doce dionísico que acabou de sair do forno, o tal lugar fabrica, de hora em hora, a iguaria que o colocou em todos os guias gastronômicos como o melhor da cidade: o mil folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi num domingo à tarde que o dito cliente entrou na doceria. Pelo seu olhar atônito e inebriado, todos os funcionários perceberam se tratar de um marinheiro de primeira viagem.&lt;br /&gt;Para bajular a reputação do lugar, o cliente inicia um discurso ufanista à primeira balconista que o atende:&lt;br /&gt;Boa tarde. Ouvi falar que vocês têm o melhor mil folhas de São Paulo. Tô muito curioso pra conhecer. A gente acabou de passar por um longo e exaustivo processo de concorrência. Eu visitei várias lojas, mas nenhuma delas atendeu aos critérios mínimos de preço, qualidade e sabor. Por isso, resolvi passar aqui.&lt;br /&gt;A atendente fica lisonjeada e retribui os elogios.&lt;br /&gt;Pois não, senhor. Obrigada pela escolha. Realmente, esse doce tem muita saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo que poderia ganhar um lucrativo e espontâneo filão de mercado, sem falar na dita cuja fidelização de cliente, a atendente pega o seu talher de alumínio brilhante e prepara-se para colher o melhor, o mais fresquinho, o mais vistoso e o mais perfumado doce da translúcida incubadora de quitutes.&lt;br /&gt;Antes de a balconista manifestar seu gesto, o cliente prefere tirar algumas dúvidas. Assim como uma parcela razoável de clientes deste país, este caso específico fez uma série de cursos e especializações, MBAs, mas conhece pouco do riscado daquele tipo de aprendizado que se adquire na prática. Neste caso, a confeitaria de doces.&lt;br /&gt;Pera, pera... antes de você me dar o doce, eu queria saber umas coisinhas, diz o cliente.  Queria saber se aí tem realmente mil folhas.&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;Claro que, diante de uma indagação inusitada como essa, a balconista não poderia esboçar outra reação que não fosse de incredulidade.&lt;br /&gt;É, a ética e a transparência fazem parte dos critérios de contratação de fornecedores. Se a gente adquirir um mil folhas sem as mil folhas, isso pode dar um problema danado com o departamento de Compras. Nossa empresa passa constantemente por processos de auditoria e avaliação de patrimônio. Por isso, volto a repetir (em um tom mais enfático): ESSE MIL FOLHAS TEM MIL FOLHAS?&lt;br /&gt;Olha, senhor... veja bem... nosso confeiteiro é o melhor da cidade... ele capricha bastante... mas a gente nunca contou o número de folhas não senhor.&lt;br /&gt;Tá bom, vai... OK então... whatever... se tiver umas 890, tudo bem... a gente justifica pro Financeiro como perda decorrente de margem de erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atendente volta a pegar o doce, quando é novamente interrompida.&lt;br /&gt;Outra coisa... é frente e verso?&lt;br /&gt;??&lt;br /&gt;É. Quero saber se tem recheio na frente e no verso de cada uma das folhas.&lt;br /&gt;Olha, nosso mil folhas é bem recheado.&lt;br /&gt;Ah, tá... legal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente se inicia o mesmo processo: atendente tenta pegar o doce, cliente faz mais perguntas.&lt;br /&gt;Mais uma coisinha... desculpe... como é o refile dessas folhas?&lt;br /&gt;???&lt;br /&gt;O refile. Como elas são cortadas? Tem faca especial?&lt;br /&gt;A balconista pensou numa resposta bem mal-educada, mas preferiu ser mais polida na tentativa de ganhar o cliente.&lt;br /&gt;Não é um corte especial não. É um corte padrão da massa feito pela máquina importada que temos na cozinha.&lt;br /&gt;Ah, certo... Então me vê um mil folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atendente esboça um sorriso incontido. Venceu a barreira da dúvida. Agora é só aguardar a cara de prazer do cliente e recolher o dinheiro pra depositar no caixa. Ponto, foi pra conta.&lt;br /&gt;Só que, na relação entre clientes e fornecedores, a coisa nunca sai tão fácil assim. A coisa é mais complicada do que licitação pública. E o cliente, assim como todos os outros clientes, assim como todos nós, são pessoas. E pessoas são indecisas.&lt;br /&gt;Peraí. Última coisinha, juro. Lembrei agora. Quanto custa?&lt;br /&gt;Como a casa não estampa aquela famosa tabela de preços nas suas paredes pra não “sujar” a estética clean do ambiente, a pergunta do cliente fez todo sentido. Claro que a maioria dos frequentadores que lá costumam abarcar não se preocupam muito com esse pormenor. O que não quer dizer que o cliente não tenha razão em perguntar.&lt;br /&gt;R$ 8,00 a unidade, senhor.&lt;br /&gt;O quê??&lt;br /&gt;OITO REAIS.&lt;br /&gt;Mas isso é um absurdo! Totalmente fora do nosso orçamento.&lt;br /&gt;O dinheiro é de fato a ponte entre as amizades. É ele o responsável por deixar homens de negócios cada vez mais próximos e pessoas cada vez mais distantes. Toda relação corre o risco de estremecer quando o assunto é dinheiro. Caem as máscaras. E foi justamente a partir desse momento que a balconista não fez mais questão nenhuma de esconder sua irritação com o consumidor em questão.&lt;br /&gt;O cliente ainda tenta acalmar os ânimos e contornar o clima de mal-estar:&lt;br /&gt;Olha, sei que é um momento estressante, mas somos parceiros. Vamos buscar a melhor solução, OK? Se vocês retirarem essa camada de açúcar do topo, lógico que chegaremos a um acordo tranquilamente.&lt;br /&gt;Isso está fora de cogitação.&lt;br /&gt;Se eu quiser levar um doce de 500 folhas, quanto daria pra fazer?&lt;br /&gt;???&lt;br /&gt;Não, não precisa ser a metade do valor não! Vocês têm o trabalho de preparar o produto, aquecer os fornos, faço questão de pagar mais do que 50% do custo. Sei lá, uns... R$ 5,00, pode ser?&lt;br /&gt;???&lt;br /&gt;Vai ser bom pra você, vai ser bom pra nós dois. Você me vende um 500 folhas, eu prometo voltar aqui mais vezes, indico o estabelecimento pra minha rede de contatos, vocês aumentam o faturamento, todos saem ganhando.&lt;br /&gt;A atendente faz uma cara mostrando que está muito irritada.&lt;br /&gt;Vamos fazer diferente então. Se não dá para cortar na carne, vamos ganhar em volume. Vamos supor que eu tenha que fazer uma festa. E nessa festa vai ter muitos convidados. Teria como você me passar um orçamento para 100, 200, 500, 1.000 e 5.000 unidades?&lt;br /&gt;Mas afinal, de quantos doces o senhor precisa?&lt;br /&gt;Então, não posso dizer agora. Estou apenas fazendo um levantamento de preços para uma eventual necessidade.&lt;br /&gt;O senhor vai fazer uma festa e não sabe quantas pessoas vai convidar?&lt;br /&gt;É só para balizar melhor a planilha de custos, só isso. Vocês querem ou não querem que eu seja o cliente de vocês?&lt;br /&gt;Mantendo o tom de uma relativa animosidade, a balconista responde com ironia polida para esconder sua raiva:&lt;br /&gt;É que, num caso extremo, atípico como esse, se por ventura o senhor precisar de uma quantidade gigantesca, teremos que reestruturar nossa equipe. E precisaríamos de um prazo um pouco maior pra dar conta da demanda, tipo 5 dias úteis.&lt;br /&gt;Como? Não, não tenho esse prazo. Assim que batermos o martelo, vou precisar dos doces com urgência. Um dia de prazo, dois no máximo. Afinal, vocês topam ou não topam? Senão, vou procurar uma doceria que faça.&lt;br /&gt;É IMPOSSÍVEL fazer 5.000 doces de um dia pro outro. Nem que a gente contratasse TODAS as docerias da região pra fazer freelance pra gente.&lt;br /&gt;OK, vamos então deixar essa suposição pra depois. Me vê aquele mil folhas ali.&lt;br /&gt;Pois não, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recheio é do que mesmo?&lt;br /&gt;Recheio de creme. É o padrão do mil folhas. O recheio é de fabricação caseira. Usamos ingredientes da melhor qualidade.&lt;br /&gt;Ótimo! Ótimo! Excelente!&lt;br /&gt;(Rosto feliz da balconista).&lt;br /&gt;A história parece ter encontrado um desfecho satisfatório. Mil folhas saído da vitrine, agora desfilando seu aroma no balcão, bem abaixo do nariz do cliente.&lt;br /&gt;Olha, é o seguinte. Com certeza, vocês fazem o melhor mil folhas de São Paulo. Talvez o melhor do país. Deve ser uma delícia esse mil folhas... de creme. Só que eu queria ver mais algumas opções.&lt;br /&gt;?????&lt;br /&gt;Isso mesmo! É natural num processo de concorrência o fornecedor mostrar sua criatividade, seu empenho. Sei lá, queria ver algumas sugestões fora da caixa. Mil folhas de doce de leite, de goiabada, de frutas vermelhas, massa de tapioca... tá vendo como eu também sou criativo? Hehe... Se a gente sentar aqui, trocar uma ideia, rabiscar umas propostas no papel, a gente consegue se diferenciar do mercado fácil, fácil. É só ter um pouco de boa vontade que a gente conquista a liderança.&lt;br /&gt;Olha, meu senhor. Meu caríssimo senhor. Eu também gosto de mil folhas. E gosto mais ainda de dinheiro. Seria uma honra muito grande ter o senhor como nosso principal cliente. Mas pra mim já chega. Estou abrindo mão da venda antes mesmo de concretizar essa venda. Não dá certo. O senhor quer uma coisa, eu vendo outra. Nada pessoal. E pro senhor não sair com uma imagem abalada da nossa empresa, que demorou quase 20 anos pra construir a reputação que tem, faço questão de oferecer esse mil folhas ao senhor, sem custo nenhum. Cortesia da casa. Sem negociação, sem nada. Por favor, aceite a oferta e experimente o melhor mil folhas da cidade. De graça.&lt;br /&gt;O cliente ficou meio sem jeito, mas não quis demonstrar.&lt;br /&gt;Imagina! De jeito nenhum! Assim a senhora me ofende! Faço questão de pagar. Tudo bem, nossa negociação não foi das melhores, mas o mercado é assim. A economia obriga a gente a tomar essas atitudes. Nada pessoal também. Mas somos como uma empresa. Com regras, com missão, valores. E não posso aceitar esse doce de graça porque senão isso pode ser caracterizado como suborno. E a gente valoriza a ética e a transparência, conforme já falei. Por favor, não vamos criar esse clima. É nas dificuldades e nos desafios que criamos as oportunidades. Viu? Nossa negociação criou a oportunidade de eu experimentar o seu mil folhas, e você não vai precisar arcar com o prejuízo, pois faço questão e vou pagar seu valor integral! Só que vou precisar da notinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A balconista olha pro cliente. O cliente olha pro doce. E o doce não vê a hora de ser devorado e acabar logo com essa angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem... acho que vou pegar o mil folhas lá perto de casa, que também é muito bom. Por favor, pode me ver aquela coxinha?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-9153424346347158355?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/9153424346347158355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=9153424346347158355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/9153424346347158355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/9153424346347158355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/12/mil-folhas.html' title='Mil folhas'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4890104050598051477</id><published>2011-11-29T10:04:00.001-08:00</published><updated>2011-11-29T10:04:36.193-08:00</updated><title type='text'>Lula no Céu</title><content type='html'>Após algum tempo morto, desempregado e perambulando as galáxias, Lula resolve fazer um estágio no Céu, a mais importante e premiada agência de Propaganda.&lt;br /&gt;Carregando seu portfólio, Lula entra na agência. Fica encantado com sua suntuosidade, com o pé direito triplo da recepção, seguranças espalhados pelo hall. É uma agência asséptica, toda branca, que ostenta colunas góticas e um enorme quadro de Klimt.&lt;br /&gt;Vim falar com o diretor de Criação, diz Lula.&lt;br /&gt;Imediatamente, a lacônica recepcionista desliga o interfone e pergunta: Qual o nome do senhor?&lt;br /&gt;Luís Inácio da Silva.&lt;br /&gt;O senhor tem hora marcada?&lt;br /&gt;Sim, marquei com ele ontem por telefone.&lt;br /&gt;A recepcionista olha pra baixo, pega o interfone, balbucia uma sílabas incompreensíveis com o interlocutor. Desliga o interfone, recompõe-se, cria um sorriso falso e diz pro Lula:&lt;br /&gt;O senhor pode olhar para a câmera, por favor? Segundo andar, primeira à direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula dirige-se à Criação, espera sua vez de ser atendido num sofá de veludo preto. Folheia rapidamente as últimas páginas de uma Meio &amp;amp; Mensagem bem antiga, mais ou menos de 2045. Fecha a revista, inicia um nervoso e aflito sapateado sobre o chão de madeira laminada. Começa a assobiar uma música que não existe. Para. Pega seu iPhone e começa a mandar algumas mensagens, quando é interrompido pelo diretor de Criação, um senhor alto, esguio, camisa preta, barba grisalha por fazer e brinco na orelha esquerda.&lt;br /&gt;Aceita um café? Água?&lt;br /&gt;Não, obrigado.&lt;br /&gt;Então vamos entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí? Fala um pouco de você.&lt;br /&gt;Olha... veja bem... eu nasci e cresci numa cidade bem pobre. Nunca fiz faculdade, sempre me sustentei. Entrei nesse mercado por mérito próprio, nunca tive uma indicação. Comecei a fazer meu portfólio lá no Sindicato, na hora do almoço. Aí fui batalhando, batendo de porta em porta... já fui em tudo quanto é lugar: periferia, cidades do interior, Jardins. Meu último emprego foi como Presidente do Brasil, não sei se o senhor já ouviu falar... Batalhei pras minhas ideias serem aprovadas, briguei com quase todo mundo da agência. Mas no final consegui o apoio de quase 90%. Não foi fácil, mas foi muito bom. Tanto é que eu renovei meu contrato.&lt;br /&gt;E por que saiu de lá?&lt;br /&gt;Agora eu tô em busca de novos desafios.&lt;br /&gt;E você chegou a trabalhar em alguma agência grande? Estados Unidos, China, Canadá...&lt;br /&gt;Não, mas meus amigos me disseram que quem trabalha no Brasil consegue emprego em qualquer lugar do mundo, hehe...&lt;br /&gt;Vamos ver sua pasta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de exibir seu extenso portfólio, Lula explica ao avaliador que, além dessas campanhas que irá apresentar, fez também uma série de atas, emendas constitucionais, projetos de lei, mas preferiu não trazê-los para não deixar a entrevista maçante.&lt;br /&gt;Nesse momento, o diretor de Criação coloca seus óculos de armação de casco de tartaruga. Sai da sala o amigo e entra o mestre, o doutor, o auditor publicitário que irá decidir o futuro profissional de quem está à sua frente.&lt;br /&gt;À medida que o diretor de Criação folheia cuidadosamente o portfólio, Lula explica cada uma das peças, num tom meio apreensivo e com uma certa insegurança. Sem dar ouvidos às explicações, o diretor não esboça nenhuma reação sequer, mantendo sua postura de distância e frieza. A lenta virada de página e o olhar fixo em cada detalhe dos anúncios mostra o quão rigoroso é o analista, como se estivesse diante de um experimento científico.&lt;br /&gt;Ao terminar de ler a última página, o diretor olha vagamente pro infinito e fala, num tom ao mesmo tempo misterioso e contemplativo:&lt;br /&gt;Muito boa sua pasta. Muito boa.&lt;br /&gt;Lula fica aliviado. Acabou de passar no vestibular da vida.&lt;br /&gt;O diretor de Criação volta ao início da pasta e folheia rapidamente as peças, só pra constatar que não deixou escapar nada. Acrescenta:&lt;br /&gt;Eu só tiraria algumas coisas. Esse aqui... reforma tributária... tá com cara de anúncio-fantasma. Esse aqui, do Renda Mínima, também. E esse aqui, o Bolsa-Família, é bem criativo, mas tenho a impressão de que já foi feito.&lt;br /&gt;Finaliza seus comentários:&lt;br /&gt;E também mudaria um pouco a ordem. Tenta colocar esse aqui do PAC em primeiro, pra causar impacto. Deixa os “menores” pro final, como esse aqui do Ministério da Defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a angústia do teste aos moldes do American Idol, Lula quer saber se essa avaliação positiva irá lhe redner momentos de glória, de fama. Se, com sua pasta, Lula poderá conseguir um lugar ao Céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo a cara de curiosidade de Lula, chega o momento do diretor jogar o balde de água fria.&lt;br /&gt;Bom, você sabe... estamos passando por um processo de reestruturação. Ontem ficamos até de madrugada em reunião com a diretoria pra discutir benefícios, essas coisas. Mês passado a gente implantou um programa de qualidade de vida. O departamento dos anjos não precisa mais vir de branco, pode vir de preto, se quiser. Acabamos de alugar uma bateria e um teclado pra substituir as harpas. O piercing foi liberado pros apóstolos. A gente quer fazer daqui um lugar bacana de se trabalhar. Perdemos muitos bons profissionais pra concorrente lá do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;Sei, a Inf. Muito boa agência, ouvi falar.&lt;br /&gt;É... (resignado em admitir) é boa... mas lá o dono escraviza os funcionários, faz todo mundo trabalhar fim de semana, o cara é um tirano. Pessoal estressado, lá é um inferno. Fica na Berrini, a Berrini também é um inferno.&lt;br /&gt;É, mas ouvi dizer que eles andaram ganhando muitas contas. A Apple estava com vocês e foi pra eles.&lt;br /&gt;Pois é, mas eles não são éticos nos processos de concorrência. Abrem mão do percentual de agência só pra ganhar conta. Chamam freela pra concorrência e depois mandam embora. Conselho de amigo: se eu fosse você e recebesse uma proposta deles, recusava. Não se deixe cair em tentação.&lt;br /&gt;Claro. Mas eles estão ganhando o mercado.&lt;br /&gt;Por isso que a gente tem que se adaptar aos novos tempos. Vê só, tem uma porrada de agência criativa e premiada que hoje não consegue pagar suas contas. A Grécia, por exemplo. Puta agência premiada pra cacete. Tá demitindo até os pica-grossa. Ontem mesmo 3 da diretoria foram pra rua. E olha o que te digo: a Espanha vai ser a próxima. Aqui já estão falando em passaralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor de Criação, que não é bobo nem nada, usa todo esse clima de pessimismo pra concluir sua linha de raciocínio e não se passar por um déspota insensível.&lt;br /&gt;Toda essa remodelagem que estamos fazendo aqui tem um custo. A gente não pode mais perder os talentos pra concorrência. Por isso a gente não tá contratando.&lt;br /&gt;Lula tenta sua última sorte:&lt;br /&gt;Tá, mas eu topo vir aqui de graça. Trabalhar no Céu iria fazer um bem danado pro meu currículo. Eu ia poder acompanhar o trabalho de excelentes profissionais. Me contrata, vai... nem que seja pra me colocar num cantinho. Fazer clipping das ações sociais, visita técnica em Honduras, no Haiti, e nos países subdesenvolvidos, tento acordo de paz na Síria, faço levantamento estatístico de terremotos... eu preciso muito desse emprego.&lt;br /&gt;Embora quisesse dar uma oportunidade a Lula, o diretor se vê obrigado a ser taxativo:&lt;br /&gt;Lula, sua pasta é muito boa. Boa mesmo. Com certeza, você vai ser recolocado rapidamente. Mas não aqui. Tá vendo aquele redator ali? Foi ele quem criou as palavras do bem que estão na moda: sustentabilidade, responsabilidade social, politicamente correto, orgulho gay, transparência... O dono veio falar comigo que queria a cabeça dele semana passada, eu é que segurei as pontas e pedi pra ele ficar. Aqui, eu só teria como justificar a contratação de um puuuta profissional, como a Madre Teresa de Calcutá, o Gandhi, o Nelson Mandela... ou quem já passou pelas agências fodonas, como Holanda, Suécia, Dinamarca... e mesmo assim, teria que brigar por salário com o Financeiro, que fechou as torneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor de Criação pega uma caneta e uma folha de papel em branco, pronto para anotar as indicações típicas de fim de entrevista.&lt;br /&gt;Eu conheço aqui umas ONGs... você já foi falar com as Casas André Luiz?&lt;br /&gt;Já, mostrei a pasta lá 3 vezes.&lt;br /&gt;Dorina Nowill?&lt;br /&gt;Só dão estágio pra filho de cliente.&lt;br /&gt;Fundação Abrinq? O dono é muito amigo meu.&lt;br /&gt;Vi anúncio num blog no mês passado. Mandei e-mail com link de portfólio e eles não me retornaram até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor de Criação anota umas indicações na folha e entrega ao Lula, sem perder seu ar de otimismo.&lt;br /&gt;Tá aqui. Procura essas pessoas e depois me retorna. E se você tiver alguma campanha nova e quiser me mostrar antes, fica à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que o imperador do Brasil voltou à sua realidade. Descendo de elevador e depositando seu crachá de visitante no compartimento à esquerda da catraca de saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4890104050598051477?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4890104050598051477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4890104050598051477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4890104050598051477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4890104050598051477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/11/lula-no-ceu.html' title='Lula no Céu'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1864514554286092295</id><published>2011-11-25T08:57:00.000-08:00</published><updated>2011-11-25T08:59:03.782-08:00</updated><title type='text'>Muda ou não muda?</title><content type='html'>Atualmente, trabalho numa agência de endomarketing e campanhas internas. Nosso principal cliente é o banco Itaú, que tem como slogan de campanha, em todas as esferas e para todas as disciplinas do marketing, a frase “O mundo muda. E o Itaú muda com você”. Para ilustrar esse conceito, foram escalados diversos perfis de público, reforçando a base teórica de que o mundo de hoje é diferente do mundo de ontem. Os nerds que assumiram os principais cargos das empresas, as pessoas se conectando e interagindo em qualquer lugar do planeta, o efeito-estufa e a vocação para a reciclagem, a sustentabilidade como plataforma de gestão e discurso de campanha, a linguagem cada vez mais visual e menos verbal, os emoticons, as diversas gerações frequentando shows de rock, tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, tem um outro comercial no ar, do novo Fiat Palio, que segue o caminho inverso ao afirmar que, desde os tempos de Adão e Eva, o mundo não mudou tanto assim, com exceção do automóvel propagado. É um túnel do tempo ao contrário, mostrando diversas situações de rompimento das relações entre casais. As mesmas desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo que se vangloria de mudar a cada instante, como se o hoje diferente do ontem fosse a única forma de mensurar o progresso e a transformação, tendo a acreditar que, de fato, quase nada mudou na nossa história. Não tenho orgulho disso não, muito pelo contrário. Acho frustrante constatar que ainda somos medievais no que diz respeito às formas de governo, às maneiras de a sociedade se organizar e se relacionar, ao comportamento humano. Mudanças consumistas, que provam que o iPad 2 é totalmente diferente e revolucionário em relação ao iPad pioneiro de mercado, é claro que existem. Mas essa é uma constatação epidérmica e paliativa. Na essência, o ser humano é estanque. Fatos históricos praticamente se repetem. E não creio que seja a velocidade das informações ou os avanços tecnológicos que irão trazer essa real percepção de mudança. Essa visão é conveniente para quem detêm o mercado. Mudança concreta, significativa e verdadeira, nem daqui o lançamento de 10 gerações de automóvel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1864514554286092295?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1864514554286092295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1864514554286092295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1864514554286092295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1864514554286092295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/11/muda-ou-nao-muda.html' title='Muda ou não muda?'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2206539895603523792</id><published>2011-11-10T11:30:00.001-08:00</published><updated>2011-11-10T11:30:49.402-08:00</updated><title type='text'>Luzes, câmera e muitas luzes</title><content type='html'>Do ponto de vista cinematográfico, posso dizer que encerrei a 35ª Mostra SP com chave de ouro vendo Mexican Suitcase, um documentário sobre fotos perdidas da época da Guerra Civil Espanhola. Mas, no que diz respeito ao exercício da cidadania, este epílogo foi um vexame. Cheguei minutos atrasado na sessão e, logo em seguida, vejo uma moça trocando de lugar e sentando-se no cantinho da sala. Ela abre seu laptop e começa a trabalhar... no meio do filme. Mesmo imaginando que o fato de se sentar isolada da aglomeração fosse motivo suficiente para fazer o que bem entendesse, ela levou um justo cartão amarelo. Advertida por uma amiga minha, que dirigiu-se a ela para dizer que aquele mini-holofote atrapalha os demais espectadores, ela fingiu que não ouviu ou fez corpo-mole para tomar alguma atitude em respeito a todos os cinéfilos que entraram na sala... para ver o filme. Já cansei de mencionar que minhas intervenções aos falantes são voto vencido, mas felizmente nessa sessão estive acompanhado de pessoas mais criteriosas, que usam métodos mais ortodoxos para mandar os incomodantes calar a boca ou apagar as luzes, do tipo “desliga essa porcaria” ou algo que o valha. Inconformada com a solicitação geral da plateia, e não é que a moça sai esbravecida, pisando forte e resmungando? Para se ter uma ideia, ela até foi aplaudida quando finalmente se retirou da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já escrevi aqui que algumas sessões da Mostra foram tumultuadas, nesse sentido. É quando se junta a surdez das velhinhas dos Jardins, que lotam o Cinesesc e adjacências nas sessões vespertinas e não param de tagarelar, com a falta de educação de uma (quero acreditar) restrita parcela do público jovem, insaciável, que encara o ato de se ver um filme como uma aula facultativa que se pode cabular, o recreio fora de horário, o momento revolucionário de usar a força da expressão na sua temperatura máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste notar, e parece ser um fenômeno irreversível, que a cultura Cinemark esteja invadindo a “cinefilia de arte” da região da Paulista. Conversar durante um filme tornou-se um hábito digestivo, como se fosse o respiro entre uma cena e outra. As advertências das vinhetas são inócuas quando tocam nesse assunto. Até mesmo a vinheta do Cinesesc faz uma ressalva: “cochichar vale”. Não, cochichar não vale. Em certos casos, o balbucio quase silenciosos do ranger silábico das consoantes atrapalha mais do que um bate-papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já passei por experiências terríveis. Teve uma vez que um casalzinho metido a besta da fileira de trás se sentiu ofendido e o brutamontes do namorado levantou-se para exibir seus músculos, dando a entender que estava MUITO disposto a resolver a questão na porrada. Teve outro dia (no Belas Artes, quem diria!) que o estúpido me respondeu: “tá incomodando? Vai sentar lá do outro lado”. Outra vez (no Unibanco Arteplex!) um casal ao meu lado que não parava de fochicar e, quando eu pedi silêncio, à minha maneira corleônica de ser, o besta-quadrada deu a entender que, pelo fato de pagar o ingresso, tinha o direito de fazer o que quisesse na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído verbal, todavia, virou algo do passado. Hoje os folgados, como bem foi exemplificado acima, usam toda a modernidade e tecnologia ao seu alcance para incomodar os outros com requintes de malvadeza, egoísmo e gigabytes. É comum esbarrarmos com pessoas que ligam o celular a toda hora, não param de enviar torpedos e e-mails, entram nos chats e precisam, a qualquer custo, mandar via Twitter o resumo de cada cena a que estão assistindo. É a geração Y, verdadeiros lanterninhas e caga-lumes do escurinho que, com seus smartphones e aplicativos, cospem sobre o cidadão cinéfilo de bem. Uma juventude que não entende porra nenhuma de democracia, que acha que ser revolucionário é botar o pezão na cadeira da frente, que entende que liberdade é falar alto no meio da sala, entrar rindo e gritando, sair jogando pipoca no chão. Esses são os caras-pintadas do Século 21, fachada de um comportamento de mercado que vende uma sociedade conectada, integrada e sustentável, mas que no fundo não passa de um bando de individualistas, mercadologicamente egocêntricos, apoiadores retrógrados do bullying social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus 43 anos, faço parte de uma geração jurássica, uma minoria em extinção que faz “shhh” na sala. Devo ser visto como um chato, um xiita. Para a horda desembestada, quem incomoda a sessão sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que fazer para mudar esse estado das coisas? Sinceramente, perdi minhas esperanças. Meu ponto de vista ganha a adesão somente das pessoas que concordam comigo e nunca cometeram tais atos de barbaridade nos cinemas. Para dialogar com os infratores dos bons modos, só mesmo à base do confrontamento. Não adianta o diálogo. Ninguém vai mudar de opinião. O tagarela não vai deixar de ser tagarela por se sensibilizar à petição. Muito pelo contrário, provavelmente. Vai se sentir insultado, moralmente diminuído, e vai querer usar da falta de educação a sua pior arma. Existe uma lista de reivindicações dos cinéfilos que são verdadeiras causas perdidas. A meu ver, a sociedade caminha para uma direção muito estranha. Cinema é vendido como diversão, como entertainment. Em tempos de simultaneidade e de informações descartáveis, exigir concentração para a apreciação da arte é um esforço inútil. A relação do cinema com seu público é das mais efêmeras. O cinema é como um show de rock, uma tanda. E o filme, um palco paralelo da atração principal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2206539895603523792?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2206539895603523792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2206539895603523792' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2206539895603523792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2206539895603523792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/11/luzes-camera-e-muitas-luzes.html' title='Luzes, câmera e muitas luzes'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7046142324907640690</id><published>2011-11-04T12:54:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T04:25:10.146-08:00</updated><title type='text'>35ª Mostra SP: balanço final</title><content type='html'>De um modo geral, a avaliação que faço da Mostra deste ano é bem positiva. Claro que teve seus problemas, aos montes, mas é bom ressaltar que é a primeira Mostra-órfã desde a sua criação, e o fato de o Leon falecer às suas vésperas teve uma série de implicações. Como já falei antes, algumas medidas tomadas talvez foram, conscientemente ou não, uma tentativa de resgate dos bons tempos de Mostra, enquanto que algumas intempéries talvez possam servir de lição para as edições futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma questão prática, resolvi listar os pontos fortes, os pontos fracos e as medidas indiferentes do festival. Eles não estão necessariamente apresentados em ordem de importância ou de peso, mas creio serem, no meu julgamento pessoal, os fatores mais relevantes para a sua avaliação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontos fracos da Mostra:&lt;br /&gt;Digital: definitivamente, este foi o problema mais grave da Mostra. Foram esses filmes que geraram o caos total. Ainda não estamos preparados a absorver esta tecnologia. Incompatibilidade de formatos, exibição fora dos padrões de conversão, equipamentos de projeção precários, e por aí vai. Hoje, a divisão não é mais dicotômica película/digital. Existem, para atrapalhar um pouco mais essa lógica, os diversos suportes do digital, que quase nunca se conversam. Nas próximas edições e nas futuras salas de cinema, os organizadores e exibidores vão ter de trocar os ultrapassados projecionistas por hackers. Ausência de áudio, imagem tremida que lembra um DVD pirata, imagem congelada, cores esmaecidas, interrupção abrupta da projeção, foram alguns dos problemas causados pelo famigerado digital.&lt;br /&gt;Programação I: além dois problemas em si, o digital foi também um dos principais responsáveis pela caótica programação. Todo ano, improvisos, retenções na alfândega e quetais fazem com que a programação inicialmente desenhada seja prejudicada. Mas este ano foi campeão. Principalmente na primeira semana, os problemas foram hercúleos. Nem dava tempo para anunciar as trocas de filmes. Em alguns dias, recebi e-mails que eram verdadeiros relatórios, tamanhas as substituições e cancelamentos. Teve casos de filmes que mudaram de sala e isso foi noticiado no horário do começo da sessão. Essas mudanças de última hora também comprometeram a troca de ingressos. Soube de filmes que sofreram alteração umas três vezes numa única sessão. Teve filme que atrasou quase 1 hora e, só após esse vácuo, os espectadores foram avisados do cancelamento da sessão. Testes de áudio e de legenda minutos antes do filme começar eram comuns. O guia de programação oficial da Mostra, aquele retangular, serviu apenas de referência. O Guia da Folha, então, apenas para as sinopses curtas.&lt;br /&gt;Programação II: é sabido que alguns filmes, graças ao boca a boca, crescem durante a maratona e caem no gosto do público. E, em muitos casos, não dá para se prever o sucesso ou o fracasso de um filme, principalmente aqueles dirigidos por iniciantes. E, ainda por cima, sabemos como é complexo organizar uma grade de programação, pois tem de se levar em conta o formato/suporte do filme, sua duração, as exigências contratuais, o período de disponibilidade em São Paulo, entre outros fatores. Mas, ainda assim, vale frisar que a Mostra ainda não nos trouxe um modelo ideal de programação. É um desperdício assistir ao insignificante Maria My Love no espaçoso e vazio Cinesesc, que serviu de refugo frustrado para quem não conseguiu ingresso para ver o concorrido Las Acacias. O coreano The Day He Arrives foi programado pra passar no cubículo Cineartinho (Livraria Cultura 2). Na minha modesta opinião, não vejo problemas em passar um mesmo filme outras vezes na mesma sala, em vez de se tentar o rodízio completo. É possível programar melhor os filmes que ganharam festivais no exterior, filmes de diretores consagrados, filmes dos queridinhos da Mostra, filmes que fazem parte do fetiche dos cinéfilos. Parece óbvio, mas vale lembrar que concentração de público é que nem concentração de renda. Colocando na medida do possível os filmes mais concorridos em salas maiores, menos espectadores ficam do lado de fora. Com isso, vendem-se mais ingressos. E, quanto mais ingressos vendidos, mais dinheiro entra pros caixas da Mostra.&lt;br /&gt;Uruca: como se não bastasse, esse ano também foi atípico em outras questões. O filme Habemus Papam teve as primeiras sessões canceladas porque, de acordo com o que ouvi falar, a empresa de legendagem foi assaltada. Outros filmes também foram cancelados na primeira semana porque a empresa de serviços expressos de envio de mercadorias não era cadastrada, impossibilitando o rastreamento. Houve queda de energia no Cine TAM. Muitos foram os casos de queima de luz do projetor. Nas próximas vezes, sal grosso no sal de prata.&lt;br /&gt;Monitoria: antes de entrar no mérito da questão, vale ressaltar que muitos coordenadores dos monitores, em especial o que ficou de plantão no Unibanco Arteplex, soube conduzir com eficiência a sua função, mostrando-se ágil e atento aos inúmeros problemas e procurando trazer soluções imediatas dentro do possível. Mas a grande equipe de subalternos, principalmente os marinheiros de primeira viagem, os mais novinhos e colegiais, pareciam estar lá para fazer figuração. O público espera uma brigada de incêndio treinada e orientada para agir rapidamente em casos de emergência mas, em vez disso, encontra uma meninada desinformada, alheia e indiferente aos obstáculos e sem preparo algum para controlar a fúria dos pagantes ou atuar de maneira exemplar na condução das medidas improvisadas. Alguns até que são simpáticos e esforçadinhos, mas de boas intenções o Inferno tá cheio. Era comum ver os bilheteiros do próprio cinema se desdobrando e driblando a inércia dos novilhos. Já que a Mostra convoca uma farta equipe para fazer número e, com suas camisetas verdes, propagar o evento para as demais áreas e espaços, sugiro que, nas próximas edições, um dos monitores fique dentro da sala o filme inteiro para observar as falhas de projeção e que outro fique com um Nextel na mão para comunicar remotamente os problemas ao projecionista ou a alguém da Central. Fico com a impressão de que a monitoria foi orientada única e exclusivamente para distribuir e recolher as cédulas de votação.&lt;br /&gt;Unibanco Arteplex: sem dúvida alguma, o QG do caos. Shopping center já é uma aberração em si. Junte-se a isso um evento importante em suas dependências. Acrescente a época das compras de fim de ano e você pode ter uma noção aproximada do Apocalipse. Embora as bilheterias tenham sido relativamente rápidas no fluxo de venda de ingressos, foi insuficiente para evitar filas que, em alguns horários de pico, aproximavam-se das Lojas Americanas do andar de baixo. Apenas alguns milímetros separavam as filas que se formavam na entrada das salas. Correria, barulho, fuzuê, muvuca, lotação, tudo isso é pouco para tentar definir o pandemônio em que se transformou o relativamente calmo centro de compras da região da Augusta. Me senti no Armageddon.&lt;br /&gt;Shhhhh: é notório perceber que o público da Mostra tá mudando, tanto pela faixa etária quanto pelos gostos, costumes e comportamentos. Natural. A Mostra, além de exibir filmes, não deixa de ser um recorte social e cultural da cidade. Infelizmente, boa parte dessa nova safra trouxe a cultura Cinemark para dentro das salas do Adhemar de Oliveira. Em outras edições, meus amigos cinéfilos, igualmente rigorosos nas condições de silêncio que se exige ao se assistir a um filme, rogavam a quietude já nos primeiros segundos pós-vinheta. Mas em muitas sessões deste ano eles parecem ter desaparecido, e o comportamento egoísta imperou. Falatórios, cochichos, pipoca, chutes na cadeira da frente, atitudes típicas de blockbuster estavam ali nos ditos “filmes de arte”. Uma pena. Perde o público, perde o festival, perde a cinefilia. Como se não bastasse, a geração Y dos cinemas entende que a conectividade deve existir 24 horas por dia. Um bando de lanterninhas de luxo, vaga-lumes de plantão mandando e-mails e twittando em seus iPhones cada cena do filme.&lt;br /&gt;Cariocas: com a volta do Rock in Rio ao Rio, o FestRio atrasou uma semana em relação ao calendário dos anos anteriores. Sua semana de repescagem encavalou com a primeira semana da Mostra. Com isso, muitos amigos nossos, frequentadores habituais, encurtaram sua estadia em Sampa,ou chegaram no final da Maratona, ou simplesmente não compareceram.&lt;br /&gt;Repescagem: acredito que a organização da Mostra deve fazer um esforço sobrenatural para segurar os filmes no festival, mas os cinéfilos não podem deixar de lamentar, na semana de reprise, a ausência dos bem avaliados Era Uma Vez na Anatolia, Elena, Um Mundo Misterioso, Las Acacias, O Desaparecimento do Gato, The Day He Arrives, Hanezu, Desapego, O Dedo, Tudo pelo Poder, Forgiveness of Blood, Low Life, O Garoto de Bicicleta, Habemus Papam, Vulcão, Respirar, Neve em Kilimanjaro, entre outros.&lt;br /&gt;Ingresso grátis: por se tratar de órgãos públicos, o MIS e o Cinusp poderiam continuar oferecendo sessões gratuitas. Ou, pelo menos, cobrar o valor simbólico de R$ 1,00, como fazem o Olido e o Centro Cultural. O Matilha Cultural também deixou de abrigar a Mostra este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem cheira nem fede (aspectos indiferentes da Mostra):&lt;br /&gt;Belas Artes: no começo do ano, o fechamento dessas salas causou comoção, indignação e criação de comunidades no Facebook. É triste notar, mas parece que o paulistano vem se acostumando à sensação de abandono do atual abrigo de mendigos. A riviera cinéfila paulistana não fez a mínima falta.&lt;br /&gt;Pedala: o discurso de sustentabilidade encontra-se presente em todas as empresas. O metrô e a Prefeitura criaram medidas, ainda que mínimas e paliativas, em prol dos ciclistas. Mas eu não vi uma viva alma que tenha se utilizado das bicicletarias da Mostra para se locomover entre uma sala e outra.&lt;br /&gt;Coletiva: a Renata de Almeida avisou que, a partir do ano que vem, pretende rever como  e em que momento será realizada a coletiva de imprensa que apresenta o júri. O café da manhã, vale dizer, estava ótimo. Mas os jornalistas não tinham o que perguntar e os convidados não sabiam o que dizer. Situação constrangedora. Talvez seja o caso de organizar um evento menor ou posterior às escolhas dos filmes, para se criar, pelo menos, a curiosidade de esclarecimento dos critérios de seleção dos filmes mais votados pelo público.&lt;br /&gt;Primeira vez: com exceção das retrospectivas, das cópias restauradas e das sessões do vão livre do MASP, a Mostra este ano optou pela primeira vez por exibir filmes nunca antes exibidos, nem mesmo em festivais. De acordo com a matéria do crítico Cássio Starling Carlos, da Ilustrada, isso só fez valorizar o FestRio. Concordo em parte, ou seja, discordo do seu ponto de vista. Claro que seria muito saudável a Mostra trazer os filmes louvados nos demais festivais. Mas é bom lembrar também que a Mostra traz o pacote completo, dos mais conclamados às porcarias inquestionáveis. Os filmes do Almodóvar, presença garantida na Mostra, responsáveis pelas maiores confusões nas filas, esse ano ficaram de fora. Em contrapartida, a distribuidora preencheu outras salas vizinhas com um monte de pré-estreias de A Pele que Habito, talvez pra pressionar a organização do festival ou para concorrer diretamente com ela. O ineditismo não significa necessariamente um ganho de qualidade. Pra mim, a Mostra não ficou melhor nem pior em relação às edições anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontos fortes da Mostra:&lt;br /&gt;Calor humano: nem o invernico e as baixas temperaturas fora de época, nem o gelo do ar-condicionado das salas, foram capazes de esfriar o encontro caloroso dos amigos cinéfilos. Pra mim, a Mostra é algo que vai além dos filmes. É um prazer reencontrar as pessoas que você só vê uma vez por ano ou acabou de encontrar na semana passada. A Mostra proporciona a troca de ideias, o convívio, o debate, o crescimento pessoal em torno de um assunto que se desdobra em vários. A Mostra é o encontro, seja por meio das afinidades e interesses, seja por meio do saudável conflito de opiniões.&lt;br /&gt;Menos é mais: com certeza, o enxugamento de cerca de 40% dos filmes (de quase 500 pra quase 300) foi um progresso. Se os problemas apresentados se deram com essa quantidade, imagine então com um acervo maior. A Mostra abandonou um pouco aquele gigantismo e espero que mantenha essa tendência. Não apenas para controlar eventuais problemas de rotina. Um número menor de filmes faz com que eles sejam programados mais vezes, dando mais oportunidades aos espectadores. Com menos filmes, os cinéfilos podem respirar a arte, reter as cenas, dialogar com eles.&lt;br /&gt;Retrospectiva: mais uma vez, a Mostra surpreendeu. Talvez seja o ponto forte do festival. A escolha dos homenageados prova que a organização é desprovida de preconceitos e estereótipos. Do radical ao clássico, é possível apreciar cinema na sua forma mais pura e mais ampla. As retrospectivas trazem um grande material para o entendimento da Sétima Arte no seu aspecto mais vivo, tanto no tempo como no espaço. Cinema de pesquisa, cinema de acervo, cinema de contemplação. É o cinema em perspectiva, longe das amarras e dos rótulos.&lt;br /&gt;Herzog: não assisti ao outro documentário trazido pela Mostra, mas a exibição em 3D da Caverna dos Sonhos Esquecidos reergue a discussão em torno dos formatos e do que de fato é cinema comercial. A tecnologia em terceira dimensão utilizada neste impressionante documentário prova que o recurso não precisa ser necessariamente aplicado como truque de bilheteria e não se restringe aos gêneros mais acessíveis (terror, aventura, animação, filme-catástrofe, etc.). Aqui, o 3D tem uma função verdadeira: trazer aos nossos olhos a textura, as ranhuras, as estalactites de um mundo que o diretor ressuscita. A Caverna é um respiro, uma jornada pela descoberta. Dizer que se trata de uma obra-prima é pouco.&lt;br /&gt;Cinema russo: Fausto, Elena, Sábado Inocente, Movimento Reverso. Fazia tempo que os cinéfilos não viam cinema de qualidade de um determinado país em peso num mesmo festival. Com a abertura de mercado, tende-se a acreditar que a arte dê aquela relaxada e que os realizadores deixem de produzir trabalhos que fazem jus à fama do passado. Não é o caso da atual Rússia escolhida pela Mostra.&lt;br /&gt;Thiago Stivaletti: esse rapaz não só cresceu na Mostra, mas também cresceu junto com ela. De assessor de imprensa que cobria cabines, passou a exercer um papel fundamental no bom andamento do festival. A forma clara, sucinta e organizada de apresentar as informações mais relevantes ou cobrir eventuais lapsos de memória durante a coletiva de imprensa, a mediação nos debates do ciclo Filmes da Minha Vida, esses e outros eventos fazem do Thiago não apenas um assessor, mas quase um cônsul. Se continuar com essa mesma competência, aliada à sua simpatia e seu cavalheirismo de lorde inglês, esse moço vai longe...&lt;br /&gt;Zzzzzzz: A Doença do Sono, Noites de Insônia, O Outro Lado do Sono, O Homem que Não Dormia. Conforme o diário da Vanessa Bárbara, na Ilustrada, esse ano foi propício para se dormitar nas salas. Esse foi o tema do ano. Nada como um revigorante cochilo para quem vê filmes por dúzia. Às vezes, compensa entrar na sala e descansar no conforto da poltrona nos filmes invisíveis da Mostra para recarregar energias para os filmes mais significativos e mais barulhentos, quando o sono torna-se quase impossível. Trabalhos soporíferos, todo festival tem. Que bom que a Mostra assumiu essa postura já nos títulos dos filmes.&lt;br /&gt;MIS: ir no contrafluxo da muvuca costuma render boas experiências. Foi o caso da sessão de Sábado Inocente. Sala vazia, dominada somente por cinéfilos e críticos. Durante o filme, silêncio sepulcral.&lt;br /&gt;Remaster: ouvi dizer que a primeira sessão de Taxi Driver foi bem complicada, e que o vermelho do filme estava tão apagado quanto o de balinha de padoca. Soube depois que foi um erro do projecionista, que trocou os padrões de conversão. Nas sessões seguintes, parece que a apreciação deste clássico foi de 100%, bem como de Laranja Mecânica na telona, sem as bolinhas tapa-sexo dos tempos da censura. Amarcord, 1900, O Leopardo, todos esses trabalhos ganharam nova roupagem e, ao que me consta, dignos de edição de colecionador, deixando ainda mais nítidas as marcas do cinema perfeccionista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7046142324907640690?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7046142324907640690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7046142324907640690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7046142324907640690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7046142324907640690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/11/35-mostra-sp-balanco-final.html' title='35ª Mostra SP: balanço final'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-925618369906738634</id><published>2011-11-01T12:36:00.000-07:00</published><updated>2011-11-01T12:37:57.863-07:00</updated><title type='text'>35ª Mostra SP - Cut, de Amir Naderi (Japão, 2011)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Arte em carne viva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarcar na experiência de “Cut” é quase envolver-se em um ritual primitivo na busca pela essência. Afinal, o que é a metalinguagem senão um exercício ao encontro uterino de sua própria estrutura para a reflexão de questões maiores? Esse é o intróito do filme. Planos fechados, longos, sem diálogos, com raríssimas intervenções sonoras do ambiente. Pode-se dizer que se trata de uma ruptura aos padrões acelerados, nos takes e na ilha de edição, dos blockbusters de hoje. Cenas e planos que trazem a referência da nouvelle vague e dos discípulos deste movimento. Planos inertes de visitas aos túmulos dos cineastas consagrados, como Ozu e Kurosawa. É o rotulado “cinema de arte” falando sobre o próprio “cinema de arte”. Logo em seguida, vem a apologia. Um discurso inflamado do protagonista, com seu megafone, fugindo da polícia, escondendo-se nos escombros de prédios em ruínas de uma metrópole decadente do Japão. O personagem alardeia para os quatro cantos que o cinema atual se rendeu aos modelos comerciais de produção, que não existe mais cinema de autor, que cinema hoje é somente entretenimento, que a arte se rendeu aos mecanismos das bilheterias, entre outras frases prontas. E, para combater esse mercantilismo no qual a arte se transformou, exibe cópias de seu acervo em espaços alternativos, como sacadas de prédios, para os cinéfilos da resistência. Essa é a verdadeira essência da contestação de “Cut”. Tratar o cinema como uma obra itinerante, viva, orgânica, que invade espaços, dribla o poder, encaixa-se nas ranhuras dos arranha-céus para dialogar com seu público. Cinema que respira, cinema que transborda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num segundo momento, o filme dá uma reviravolta. A máfia japonesa sequestra o idealista para fazer com que ele acerte uma dívida deixada pelo seu irmão antes de ser assassinado pelos capangas da Yakuza. Sem recursos e sem alternativas, o personagem se vê obrigado a juntar renda num prazo mínimo para saldar esse déficit. Dá a cara a bater, ou melhor, vende ela. Rifa seu corpo para que os mafiosos possam dar-lhe socos, como se o banheiro da espelunca fosse a quermesse da pancadaria, com sangue no lugar da groselha em copinhos ou da barraca de beijos. É a roupagem “lado B” dos filmes igualmente vangloriados pelos cinéfilos, na linha de Takashi Miike. Nesse aspecto, guarda semelhanças com “Tokyo Porrada” por transformar a violência em espetáculo. “Cut” é a arte do corpo, o close nos limites entre a beleza da contemplação de Ozu e a fragilidade dos ossos de Shin'ya Tsukamoto. E esse fragmento do filme é que abre o campo semântico do título. Pode se referir tanto aos cortes secos da película, ao enxugamento dos excessos, quanto as feridas estampadas da carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que possa trazer esse respiro ofegante em prol da arte, “Cut” soa mais como um filme ingênuo e panfletário. Tarantino, por exemplo, sai-se bem melhor quando utiliza as mesmas referências na própria imagem e não no discurso. “Cut” conduz com competência o espectador na mesma paixão pelo cinema, mas isso é causa ganha. Há uma sequência interessante em que aparecem alguns nomes de filmes e de diretores consagrados, fora da diegese das cenas de porrada. Uma espécie de lista do diretor dos 100 filmes a se assistir antes de morrer. Sim, o cinema do passado, dos letterings, está sucumbindo perante os socos das imagens do cinema-violência atual. Mas essa relação doentia de paixão está muito mais presente nas intenções do que em seu organismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-925618369906738634?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/925618369906738634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=925618369906738634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/925618369906738634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/925618369906738634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/11/35-mostra-sp-cut-de-amir-naderi-japao.html' title='35ª Mostra SP - Cut, de Amir Naderi (Japão, 2011)'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4411711616849552285</id><published>2011-10-31T11:38:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T11:39:15.917-07:00</updated><title type='text'>O câncer não é do Lula</title><content type='html'>Em primeiro lugar, quero começar o texto verbalizando todo o meu apoio ao ex-Presidente, Lula, e minha torcida para que sua recuperação seja rápida e que seu tratamento corra da melhor maneira possível. Agora, vamos aos meus comentários sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre pelas redes sociais um montão de posts e mensagens criticando e repudiando a ironia que se faz em relação ao câncer da laringe do Lula. Pessoas que não admitem uma comparação entre os fatos, talvez mostrando a opinião de que um erro não justifica o outro. O artigo publicado no blog do Gilberto Dimenstein, inclusive, enaltece algumas características de governo do ex-Presidente. Antes de continuar, um parênteses: a maioria das reações sobre o estado de saúde do Lula clamava para que a figura pública mais importante do país nos últimos anos fosse internada em uma unidade do Sistema Único de Saúde, o SUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que um assunto doloroso como esse deve ser tratado com toda a lisura e respeito.  Dessa vez, acredito que o momento específico não é dos mais convenientes para se fazer piadinhas, correndo-se o risco de eu ser mal interpretado, perder amigos e a minha credibilidade alcançada. Também não torço para que o Presidente seja tratado com demoras e com sofrimento. Mas o que no fundo rege esses posts malditos, revoltados, é um sentimento coletivo de indignação que não pode ser ignorado e, tampouco, censurado. Talvez um ou outro tenha se concretizado de maneira abusiva, agressiva e pouco democrática, o que acho condenável. Mas, de fato, é mesmo triste conceber a ideia de que a elite, principalmente aquela que representa o povo, vá se tratar nos melhores hospitais da América Latina, frente à realidade paralela de um país que investe quase zero na Saúde, na Educação e na Segurança, pra não falar de outros serviços igualmente precários. É ingênuo pensar que o governo PT promoveu a igualdade dessa nação. E, quando uma figura pública aparece na mídia em seus carros blindados, com sua tropa de elite particular, ou que visita o SUS apenas em época de campanha eleitoral, isso só revela a ampliação do distanciamento entre quem precisa desses serviços e quem os torna viáveis e acessíveis. Se a exaltação dos comentários do Twitter, do Facebook e de algumas celebridades incomodou os correligionários e simpatizantes do partido de situação, ao menos ela trouxe à tona uma questão que revela a incoerência de governança desse Brasil das capitanias hereditárias. Se os serviços públicos são apresentados como os mais modernos e eficientes, se eles pretendem ser, numa atitude arrogante de quem assina os contratos, uma referência continental, por que então não podem ser usados por parlamentares? Esse que é, e continua sendo, o grande abismo brasileiro. Quando os internautas se manifestam com revoltas virtuais do tipo “veja o que é bom pra tosse”, “experimente do seu próprio veneno”, isso é visto por alguns como uma atitude descabida para o delicado momento. Eu acho que a verdadeira luta não é contra o câncer que assola os presidentes latinoamericanos, mas sim contra os lobbies dos planos de saúde, contra a negligência dos hospitais da periferia da Baixada Fluminense, dos erros médicos corriqueiros em hospitais de base. Sim, esse discurso é desgastado e o sistema que rege esse estado das coisas está falido. Mas é bom lembrar que foi essa “esquerda” que lutou pela igualdade de bens e direitos, pelo acesso de todos aos serviços de qualidade, e que os ganhos em modernidade devem ser compartilhados por toda a sociedade. Senhor Luiz Inácio da Silva, eu não quero que o senhor seja tratado pelo SUS, até porque EU jamais gostaria de ser tratado ali. E, já que essa comparação é lida como um desrespeito ao seu estado clínico, gostaria ao menos de saber então se eu e todos os indignados da internet podemos comparecer ao Hospital Sírio-Libanês. Apenas para fazer uma visita ao senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4411711616849552285?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4411711616849552285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4411711616849552285' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4411711616849552285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4411711616849552285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/o-cancer-nao-e-do-lula.html' title='O câncer não é do Lula'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8744619288258806546</id><published>2011-10-31T04:53:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T04:54:51.960-07:00</updated><title type='text'>Atitude digital</title><content type='html'>Manifesto público da Associação Brasileira de Cinematografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;  &lt;b&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Atitude Digital&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;b&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;A  ABC (Associação Brasileira de Cinematografia), que tem como associados  os técnicos responsáveis pela criação da imagem e som do audiovisual  brasileiro, vem a público manifestar sua crescente preocupação com a  forma com que os seus trabalhos vem sendo apresentados ao público, e  propor uma ampla discussão ao longo de toda a cadeia produtiva  (técnicos, produtores, realizadores, finalizadores, distribuidores,  laboratórios, imprensa especializada&lt;/span&gt;&lt;sup&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:10pt;" lang="EN-US"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/sup&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;, autoridades e instituições do cinema). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Esta  iniciativa ganhou urgência face aos problemas técnicos constatados pela  ABC durante a exibição de muitos filmes nas últimas edições dos  principais festivais e mostras realizadas no Brasil, e também na  divulgação pelas emissoras de televisão, e tem por objetivo buscar, em  conformidade com todos os envolvidos, a melhor forma de preservar a  qualidade do audiovisual brasileiro, adotando padrões técnicos  universais e aperfeiçoando os procedimentos ao longo do processo  produtivo. Esse é um momento de acelerada transformação tecnológica -  com todas as dificuldades e percalços que isso implica, e à ABC cumpre  agir no sentido de assegurar ao público a melhor qualidade possível na apresentação da obra audiovisual. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;A cadeia produtiva no foto-químico&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Até alguns anos atrás o percurso das nossas imagens e sons entre o momento da sua captação e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;apresentação poderia ser descrito como: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Filmagem &amp;gt; Laboratório &amp;gt; Montagem &amp;gt; Finalização &amp;gt; Copiagem &amp;gt; Projeção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Tradicionalmente,  era responsabilidade do Diretor de Fotografia dominar a técnica da  filmagem, do laboratório processar a película dentro de padrões rígidos  que garantissem a qualidade do registro fotográfico, e do Exibidor  projetar os filmes também dentro de padrões que permitissem a reprodução  fiel da imagem e som concebidos na origem por Produtores/Diretores,  Diretores de Fotografia, Diretores de Arte e Equipe de Som.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ao  Diretor de Fotografia cabia indicar equipamentos e procedimentos  técnicos necessários para a impressão no negativo da imagem concebida  para o projeto. Era de sua responsabilidade garantir a obtenção de uma  imagem de qualidade compatível com o grau de investimento financeiro e  artístico de todos os envolvidos no processo de produção e criação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Para  garantir a preservação da qualidade da imagem e som foi necessário  desenvolver uma metodologia e criar padrões técnicos de referência para  todos os processos.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:rgb(247, 104, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Diretores  de Fotografia, Técnicos de Laboratório e de Projeção se pautaram por  eles visando garantir a excelência do espetáculo cinematográfico.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A revolução digital trouxe a falsa esperança de que a&lt;/span&gt;&lt;span style="color:rgb(247, 104, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;qualidade  do original seria integralmente preservada ao longo da cadeia de  produção. Além disso, o digital inaugurou a facilidade de acesso (preço e  acessibilidade), aos equipamentos (hardwares e softwares) por parte dos  produtores e técnicos .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Com o desenvolvimento da&lt;/span&gt;&lt;span style="color:rgb(247, 104, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;tecnologia  digital, que multiplicou formatos, mídias e codecs  (codificadores/decodificadores), surgiu uma enorme diversidade de  caminhos para as nossas imagens, da captação até a exibição.  Expandiram-se as possibilidades criativas e com isso tornou-se  imperativo o estabelecimento de uma metodologia e de padrões rígidos  como a que havíamos alcançado no foto-químico. A facilidade das  interfaces amigáveis, de certa forma mascara a complexidade crescente  dos equipamentos e processos. Um erro numa fase intermediária muitas  vezes só aparece quando da exibição da peça finalizada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;A  partir de 1999 a tecnologia DLP Cinema (Digital Light Processing), foi  aprovada pela indústria cinematográfica norte-americana, sem que  entretanto fossem criadas normas técnicas ou padrões definidos para  regulamentar o que passou a ser chamado de &lt;b&gt;Cinema Digital&lt;/b&gt;. Na  ocasião ficou estabelecido que sob essa denominação estariam aquelas  exibições realizadas com uma resolução espacial superior a 2K (2 mil  pontos por linha). Seis anos se passaram até que a DCI (Digital Cinema  Initiatives), um grupo formado a partir das majors de Hollywood,  publicou em um documento abrangente estabelecendo as especificações  técnicas para o cinema digital com o intuito de estabelecer limites de  qualidade tão altos quanto o filme 35 mm&lt;/span&gt;&lt;sup&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:10pt;" lang="EN-US"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/sup&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;.  Esta iniciativa foi encampada pelo meio cinematográfico e pela SMPTE  (Society of Motion Picture and Television Engineers) que mais tarde  criou um padrão específico para atender tais requisições.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;No  Brasil, com a alegação de que a produção independente, que hoje migrou  maciçamente para o digital, não teria condições de gerar rendas para  cobrir os custos da instalação de salas com o padrão DCI, foi adotado  informalmente um "padrão brasileiro" que reuniu elementos de hardware e  software já existentes no mercado para atender a um modelo de negócio  considerado factível pelos empresários da distribuição e exibição  digital. Este padrão está sensivelmente abaixo daquele adotado  mundialmente para o cinema digital. Como profissionais da imagem e do  som sabemos que o aumento de variáveis no processo digital traz junto o  crescimento da probabilidade de erros. Daí a necessidade de se aumentar o controle e não diminuí-lo como muitos  erroneamente acreditam, e de adotar normas universais que venham  disciplinar a cadeia produtiva do audiovisual.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O  registro da imagem cinematográfica e do som implica investimento  significativo de capital, criação artística e conhecimento técnico.  Existe um processo de construção destes registros a partir de conceitos  concebidos pelo núcleo criativo que devem ser preservados até sua  apresentação seja ela em salas de exibição, televisores, computadores  pessoais ou dispositivos portáteis. Ao escolhermos nosso equipamento de  captação estamos definindo uma série de especificidades para nossas  imagens que devem ser preservadas ao longo do caminho através de um  workflow adequado, testado e aprovado pelo produtor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Outro  aspecto que preocupa a ABC nesse momento de transição tecnológica, é a  ausência de cursos de atualização, reciclagem e formação de  projecionistas e técnicos em projeção digital. Por outro lado, o  sucateamento das sala de exibição em suporte foto-químico, consequência  da ausência de investimento numa tecnologia cada vez mais considerada  como em vias de desaparecimento, levou a qualidade da exibição nas salas  de cinema ao patamar mais baixo que se tem notícia até hoje entre nós.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Nesta  conjuntura, a ABC manifesta sua preocupação com o acúmulo de erros e a  falta de controle de qualidade em todas as etapas do processo,  especialmente na masterização e na exibição, o que compromete o trabalho  de todos os envolvidos na criação da imagem e do som (Diretores de  Fotografia, Diretores de Arte,Montadores, Figurinistas, Tecnicos de Som,  Mixadores, Editores, etc). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Como ação inicial, estamos estabelecendo um Grupo de Trabalho dentro desta Associação, com o objetivo de preparar e divulgar as &lt;b&gt;Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais&lt;/b&gt;;  documento que descreverá em detalhe os procedimentos mínimos que  assegurem a preservação da qualidade - com a reprodução fiel da imagem e  som, da captação até a recepção final da obra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A  experiência do espectador diante das obras audiovisuais é nosso bem  maior. Deve ser preservado e aprimorado. Para tanto, convidamos a todos  os interessados a se unirem à ABC neste esforço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;São Paulo , 28 de Outubro de 2011 &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;Presidente&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;Vice-Presidente&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;Secretario&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Tesoureira&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Carlos Pacheco&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Adrian Teijido&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Rodrigo Monte&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Maritza Caneca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Membros do Conselho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Affonso Beato, Alziro Barbosa, Carlos Ebert, Henrique Leiner,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Jacob Solitrenick, Jose Francisco Neto, Jose Roberto Eliezer,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Lauro Escorel, Lito Mendes da Rocha. Lucio Kodato,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="yiv370394325MsoNormal" style="margin:0cm 0cm 0pt;"&gt;  &lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Marcelo Trotta, Nonato Estrela, Pedro Farkas, Roberto Faissal, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:baskerville;font-size:18pt;" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Tide Borges.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8744619288258806546?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8744619288258806546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8744619288258806546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8744619288258806546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8744619288258806546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/atitude-digital.html' title='Atitude digital'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1388605192850123359</id><published>2011-10-26T13:27:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T13:28:35.303-07:00</updated><title type='text'>35ª Mostra - Nota de esclarecimento: projeções digitais</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:14pt;"&gt;A &lt;b&gt;35ª Mostra&lt;/b&gt; gostaria de esclarecer os recentes problemas em projeções digitais em algumas sessões do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização do festival tem a maior preocupação com suas projeções e seu público. Ao convidar um filme para fazer parte da sua programação, ou ao selecioná-lo, a Mostra contata os seus produtores e fica a cargo deles a decisão sobre o formato do filme a ser enviado.  Cada vez menos os produtores se dispõem a produzir cópias 35mm, mais caras que as cópias digitais. Mesmo alguns filmes clássicos exibidos na Mostra em suas apresentações especiais foram restaurados digitalmente e nos são enviados no formato DCP com alta resolução (2K). Como foram apresentados em Cannes, Berlim e outros grandes festivais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos esclarecer que a Mostra não dá preferência aos formatos digitais, e sim às cópias 35 mm, uma vez que elas têm mais possibilidades de exibição nas salas que fazem parte do circuito da Mostra.&lt;br /&gt;Mas neste momento vivemos o impasse da digitalização do cinema e das salas de exibição. E, como apontam reportagens recém-publicadas nos grandes jornais, os mercados europeu e americano encontram-se num estágio muito mais avançado do que o brasileiro no que se refere ao equipamento digital das salas de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neste ano, cerca de 50% dos filmes que confirmaram sua participação na Mostra vêm em formato digital – por opção dos produtores, e não do festival. Para esta edição, houve a preocupação de fazer uma parceria com o Polo Cinematográfico de Paulínia para se ter mais projetores 2K que exibem DCP. Com o aluguel de três projetores DCP, o número de salas que exibem o formato durante o evento aumentou de três para seis. Ainda assim essas seis salas se deparam com uma grande demanda de filmes desse formato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direção da Mostra também teve a preocupação de não mais exibir DVcams para melhorar a qualidade da projeção. Os filmes internacionais recebidos em formato digital são encodados (convertidos) no padrão de exibição Mobz – os nacionais são encodados diretamente pelas produtoras – e são exibidos por ela e pela Auwe, as duas únicas empresas de projeção digital que operam nos cinemas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização da &lt;b&gt;35ª Mostra&lt;/b&gt; está ciente dos problemas ocorridos nas projeções digitais e está colocando todo o seu empenho em resolvê-los junto aos fornecedores, exigindo um padrão de excelência que faça jus a nosso público.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1388605192850123359?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1388605192850123359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1388605192850123359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1388605192850123359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1388605192850123359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/35-mostra-nota-de-esclarecimento.html' title='35ª Mostra - Nota de esclarecimento: projeções digitais'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4341812224940922076</id><published>2011-10-26T12:13:00.001-07:00</published><updated>2011-10-26T12:13:45.563-07:00</updated><title type='text'>Made in China</title><content type='html'>Muito se fala sobre a fragilidade econômica mundial pós-crise, mas o que eu fui constatar hoje é outro tipo de fragilidade. Já fiz isso algumas vezes, todos já fizeram. Entrar numa dessas lojas genéricas que estampam um cartaz feio, onde se lê “tudo a partir de R$ 1,99”, algo assim. Só que o máximo que a gente faz, na maioria das vezes, é bisbilhotar, olhar de longe com aquele olhar periférico sobre tal estabelecimento. Num caso ou outro, comprar algo mais à mão, de preferência numa gôndola próxima a saída e àquele fiscal de plantão, do lado de fora, atento a todos os movimentos. Hoje foi diferente. Fiz uma espécie de pesquisa de campo, de escavação. Entrei numa dessas lojas populares de esquina, pejorativamente apelidadas de “ching-ling”, pra tentar entender um pouco melhor por que o tal BRIC é a pedrinha no sapato da outrora soberana e atualmente desmoronada economia norte-americana. Como se fosse um detetive, fiz uma investigação, uma perícia minuciosa em cada um dos estreitos corredores do estabelecimento comercial. Lá se tem de tudo... de inútil. A não ser que você seja um consumidor inveterado de baralho, copo de plástico ou luminárias decoradas. Difícil imaginar que cada um dos artefatos será utilizado mais do que três vezes. E é curioso como essas lojas não têm cara, não têm identidade alguma. Num mesmo concorrido espaço, você pode encontrar desde um grampeador até uma concha de sopa. Esqueça a durabilidade, a exigência dos padrões técnicos, a obediência às normas métricas e científicas observadas no processo industrial de fabricação. Só de olhar, é bem capaz de você conseguir entortar alguns objetos. É assim que a China vem ganhando o mundo: oferecendo produtos com preços lá embaixo e qualidade mais embaixo ainda. Essas bugigangas são tão efêmeras quanto o estado eufórico de prosperidade dos países ditos emergentes. O próprio desconforto do lugar te obriga a fazer uma visita apressada, no máximo uma investida ao soslaio em algum artigo mais exótico. Tudo é muito amontoado, sem qualquer criério de ordem, organização, gênero ou espécie. Senti-me dentro de um confuso e abarrotado caldeirão de paella, a ser confundido com a paisagem caótica da espelunca. Mas acho saudável esse tipo de peregrinação. De vez em quando me considero um hipócrita ao conversar ou divulgar marcas e produtos de outra realidade social. Entrar numa dessas lojas é como estabelecer aquele contato próximo com o povo, tipo o aperto de mãos e o beijinho na testa das crianças que os políticos fazem em época de campanha eleitoral. A loja em questão em nada lembra aquela arrogância perfumada de shopping center. Tudo é feito e pensado para você entrar, comprar e sair rápido. E nem pense em tropeçar próximo a alguma prateleira. Lá você pode avistar um informe em papel sulfite A4, escrito em caneta hidrocor, bem claro e objetivo, sem a delicadeza das meias-palavras: “quebrou, pagou”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4341812224940922076?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4341812224940922076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4341812224940922076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4341812224940922076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4341812224940922076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/made-in-china.html' title='Made in China'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1248136888085356748</id><published>2011-10-26T11:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T11:15:05.840-07:00</updated><title type='text'>Do mito à Mostra</title><content type='html'>Recentemente, escrevi um artigo apostando em uma reciclagem retrô da Mostra, que, por todos os motivos pessoais e pela perda inestimável de seu criador, encontrou campo fértil para se humanizar. Em seu recente texto publicado no blog, o crítico Zanin Oricchio pede essa humanização e o exercício compreensivo da cidadania a todos os cinéfilos que fingem não ver os problemas pelos quais a organização do festival vem passando. Concordo em parte com meu colega e amigo. De fato, a Mostra é muito maior do que o consumo de um produto, representado por um ingresso picotado. Mas, assim como em qualquer segmento de atividade, os profissionais envolvidos (humanizados ou não) precisam se adequar às novas épocas e aos novos processos. E o desfalque do líder do time, por mais comoção que possa gerar, não se justifica por si só para esse congelamento no tempo. De nada adianta, por exemplo, continuar solicitando ao almoxarifado uma fita corretiva, em tempos de tablets e netbooks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque, salvo exceções, venho encontrando um distanciamento cada vez maior entre as expectativas de começo de maratona e os resultados que ela vem proporcionando. Os fatores são inúmeros, expostos ou não. Chegamos a uma cifra quase infinita de cancelamentos de sessões, alterações sem prévio aviso, atrasos, confusões. Se fizermos um paralelo entre a Mostra e outros festivais congêneres, igualmente nababescos e desengonçados, veremos que ela não é muito diferente do Rock in Rio, da Virada Cultural, das maratonas teatrais ou de qualquer outra olimpíada artística de grande porte. Não estamos ainda preparados para abraçar toda essa grandiosidade, tanto na sua proposta quanto nos seus efeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da Mostra propriamente dita, andei percebendo muitos problemas em relação aos formatos dos filmes. Como alguns já sabem, a esmagadora maioria dos filmes é apresentada em digital. Mas hoje, não basta apenas fazer a divisão dicotômica película/digital. Assim como o filme de rolo comporta diversas bitolas (16mm, 35mm, 70mm), o digital também apresenta diversas espécies, cada uma com sua idiossincrasia e suas limitações específicas. E nem todas as salas estão equipadas com projetores compatíveis com cada formato. Isso também ocorreu no Festival do Rio. E é bom lembrar que recentemente o circuito Arteplex trocou de empresa fornecedora, encerrando seu contrato com a Auwe Digital. Ou seja, todos ainda estão se adaptando às necessidades do momento. Agora há pouco, acabei de receber um e-mail da assessoria de imprensa justificando que o filme do Herzog não será exibido em alguns horários porque a empresa de envio do material não é autorizada pelo festival, o que impede o rastreamento do objeto. Enfim, estamos  nos deparando aos poucos com uma gama complexa de restrições e imprevistos, decorrentes da modernidade, da tecnologia, de um modelo econômico que impôs estas regras sem consultar a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso afeta, é lógico, a correria do dia a dia dos cinéfilos. Numa espécie de efeito-dominó, um probleminha técnico da primeira sessão de uma determinada sala acaba afetando toda a programação corrente da data. Em poucos filmes a que assisti, já presenciei testes de áudio, filme sem legenda, trechos sem som, interrupções, sequências erradas (algo equivalente ao jurássico “rolo trocado”), isso sem falar naquelas tremedeiras de cena típicas de DVD pirata. Vale ressaltar que o filme da Naomi Kawaze está com uma qualidade muito boa, mas ele é um oásis no deserto. Para compensar, outros tantos estão beirando uma experiência sofrível de apreciação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso ser categórico e falar por todos, mas muitos de meus amigos cinéfilos são suficientemente “humanizados” e sensíveis à causa. E estão condolentes com esta situação e não abrem mão do prazer cinéfilo. Mas certas questões exigem muita paciência. Afinal, vale ou não vale a pena enfrentar o desconforto das filas, o estresse dos horários apertadinhos, a sonolência, a fome, o trânsito, a chuva, e, ao se sentar à poltrona (ou no chão, em alguns casos mais concorridos), deparar-se com tudo isso? Confesso que é da nossa natureza querermos ser os primeiros, os pioneiros das descobertas, e nos dirigimos à Mostra como quem precisasse fincar a bandeira na Lua. Mas muitos filmes aguardados já estão comprados pelas distribuidoras do país, alguns deles com datas previstas de estreia em circuito. Tenho minhas dúvidas da relação custo/benefício que a Mostra nos traz. Embora com outra roupagem, os problemas são antigos. Entretanto, continuamos apostando nela. E sofrendo com nossa ansiedade e com nossas angústias. Esse é o nosso combustível, por mais incoerente que possa parecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1248136888085356748?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1248136888085356748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1248136888085356748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1248136888085356748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1248136888085356748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/do-mito-mostra.html' title='Do mito à Mostra'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2252206858060728698</id><published>2011-10-19T13:31:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T13:34:41.020-07:00</updated><title type='text'>Leon e a Mostra</title><content type='html'>A matéria da Daniela Thomas publicada na Ilustrada do dia 17 de outubro é uma merecida homenagem ao fundador da Mostra de Cinema de São Paulo, Leon Cakoff. Um tributo necessário a quem foi um herói da resistência: lutou contra a censura, a ditadura e, principalmente, ao pensar pequeno da maioria dos distribuidores nacionais, acomodados em suas zonas de conforto para lançar somente filmes mais acessíveis e pouco questionadores, como as aventuras e ações em 3D, as insossas comédias românticas, e por aí vai. Daniela deve ter seus motivos pessoais, talvez tenha nutrido uma relação muito próxima e afetiva com Cakoff. Mas não creio que o óbito do mentor da Mostra seja argumento suficiente para um artigo tão hiperbólico, quase fanático, construído e enaltecido com a descrição de um empurra-empurra mas com a louvação monumental de um obelisco. Prefiro deixar registrado um epitáfio mais justo, passionalmente mais comedido como é de minha natureza, mais calcado na importância da Mostra para a história da Sétima Arte em São Paulo e na qualidade de seus pré-lançamentos e suas retrospectivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como alguns poucos sabem, minha mãe fez uma espécie de voto de protesto e deixou de frequentar a Mostra, questão de uns 3 anos pra cá. Por mais compreensível e justificável que fosse o motivo alegado pelos organizadores, a atitude prepotente de coibir sua presença num determinado tipo de sessão, praticada por um imberbe e incompetente assecla, criou um mal-estar sem precedentes para quem tanto apoiou a causa e ajudou a divulgar o evento. Num misto de adesão ao movimento, aliada à minha falta de tempo, também diminuí consideravelmente minha presença nas sessões da Mostra. Mas não é o momento mais adequado para nos lembrarmos de coisas ruins. A Mostra foi um marco fundamental na quebra de paradigmas em relação às escolhas de filmes a ser lançados. Melhor reter na memória o autógrafo que minha mãe guarda do então garoto Quentin Tarantino, o tagarela hiperativo que carregava debaixo do braço o seu longa de estreia, Cães de Aluguel. Ou o encontro com Alexander Sokurov. Ou o momento em que ela subiu ao palco e entregou o troféu a Marco Tulio Giordana por seu filme Os Cem Passos. Coisas assim. Minha mãe cansou de dar entrevistas e aparecer em alguns veículos de comunicação, mas infelizmente a abordagem do fato, na maioria dos casos, se deu pelo aspecto sensacionalista da cisa. Um equívoco, a meu ver. O motivo da minha mãe ver os filmes da Mostra não é aquela brejeirice de escapar dos afazeres domésticos e se esconder em uma sala de cinema, como se estivesse cabulando aula. Pelo contrário. O que leva minha mãe aos filmes é o encontro. É poder ver, num único dia e em um único lugar, as culturas, as línguas, os costumes e os traços complexos e multifacetários do ser humano. E bons exemplos nunca faltaram. É justo lembrar, a Mostra nos trouxe o prazer de desvirginar Haneke, Kiarostami, Dardenne, Assayas, Gitai, entre tantos outros. Contudo, coincidência ou não, pelos fatores acima enumerados, mais a grandiosidade que o evento adquiriu, a Mostra aos poucos foi deixando de ter a minha cara. Perdi completamente aquela ansiedade, aquele frisson incontido pelos tão aguardados 20 dias de um estado simultâneo de deleite e fadiga. Quanto maior ficou, mais visível ficaram seus sinais de desgaste. No decorrer dos anos a Mostra, é notório dizer, infelizmente sofreu muito com sua desorganização, com suas falhas técnicas, atrasos, retenções na alfândega, cancelamentos, etc. Isso sem falar na péssima qualidade de exibição de alguns filmes, principalmente aqueles que rodam os festivais do mundo inteiro e nos chegam em uma tosca versão “demo”. E, quando um dia foi dito, em coletiva de imprensa, que o público pagante representava uma porcentagem mínima para arcar com os custos totais do festival, ficou claro esse distanciamento cada vez mais acirrado dos cinéfilos e uma preocupação ainda maior em agradar a interesses de patrocinadores e mecenas. A Mostra foi perdendo seu cromossomo genético da vanguarda, do garimpo, da descoberta do inédito. Deu-se a entender, com a calvície e o passar dos anos, que o contestador Leon entrou no sistema. Um sistema mais centro-esquerda, cinematograficamente falando, mas ainda assim um sistema, regido por regras e interesses próprios. O então rebelde da tirania promovida pelo AI-5 passou a ser meramente um viabilizador cultural, um encurtador de distâncias, um mediador de um debate que deixou de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer queira quer não, a Mostra estabeleceu um pacto com a cidade, com o circuito dito alternativo, com o cinéfilo paulistano. E, como todo pacto, existe a solidariedade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Não deu para ficar incólume ao texto do Cakoff publicado na Folha no começo do ano, um artigo com cara de despedida, uma espécie de testamento jornalístico-cultural. Ali, o organizador tornou pública sua doença, sabiamente não dissociada da Mostra. Difícil dizer se este câncer foi uma disfunção citológica, uma vontade divina ou a somatização do fardo de se carregar nas costas o maior evento cinematográfico de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dada a importância deste evento, seus realizadores foram se tornando não menos importantes. Natural, até. Negociar com investidores, posar ao lado de autoridades civis, dar entrevistas, tudo isso ajudou a inflar egos na proporção de suas responsabilidades. Em situações públicas, por exemplo as coletivas de imprensa, a aparição midiática do casal era o reflaxo do brilho e do glamour que o cinema proporciona. Leon e Renata surgiam minutos antes da cerimônia se iniciar, algo que tomava as mesmas dimensões do tapete vermelho do Oscar. Entretanto, por uma obra do destino, na última coletiva, a esposa de Leon e coorganizadora da Mostra, Renata de Almeida, esteve ali, próxima aos jornalistas, durante quase todo o receptivo. Naquele dia, Leon já estava internado e, por conta desse infortúnio, a Renata estava visivelmente abalada, ameaçando o tempo todo despejar sua primeira lágrima em virtude de sua aflição e ansiedade. É a primeira vez em que ela, depois de muitos anos, comanda sozinha este barco. Bem no ano em que o Brasil tem uma mulher à sua frente de governo. E, talvez por uma soma de fatores, senti a Renata muito mais próxima, mais descalça, mais orgânica. Os agradecimentos a toda a equipe foram sinceros e não protocolares. E, provavelmente devido a toda essa vulnerabilidade, a essa fragilidade humana, ouso arriscar um palpite de que a Mostra tem tudo pra ser uma das melhores dos últimos anos. Foi falado que, por uma decisão ainda do Cakoff, que a Mostra iria abandonar um pouco seu gigantismo megalomaníaco. Isso, em termos práticos, diz muita coisa. Afinal, é mais fácil domar 300 leões do que quase meio milhar deles. O risco da coisa fugir do controle cai um pouco. Com um número mais restrito e a opção de se exibir somente filmes inéditos (tirando as retrospectivas), o cinéfilo pode encontrar mais tempo para ver, digerir, depurar e reter os filmes. Que é a principal característica de um festival. Este ano, a Mostra tá mais para um menu degustação do que para um rodízio, o que é melhor e mais saboroso para todos. Mas não é só por isso. Retraindo-se a quantidade de películas e estipulando-se uma seleção mais criteriosa de seus títulos, a Mostra encontra maiores condições de resgatar seus valores mais antigos e mais intrínsecos, preteridos por essa pressa efêmera de correr atrás do próprio rabo. Seria um saudável paradoxo ver nessa Mostra o diálogo com o mundo atual, em sintonia com a reciclagem retrô de posturas das edições passadas. Talvez tenha sido esse o maior legado do Cakoff: fazer com que voltemos a experimentar os filmes na tentativa de descobrirmos a nós mesmos, como fazíamos no começo. O resto é grandiloquência panfletária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2252206858060728698?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2252206858060728698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2252206858060728698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2252206858060728698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2252206858060728698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/leon-e-mostra.html' title='Leon e a Mostra'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3447057273624043328</id><published>2011-10-05T14:17:00.001-07:00</published><updated>2011-10-05T14:17:34.141-07:00</updated><title type='text'>Estupro à democracia</title><content type='html'>“Sabe qual é o cúmulo da mira? Transar com uma grávida e acertar o ânus do feto”. Essa piada eu conheço faz muito tempo. E já ouvi algumas vezes, sem qualquer tipo de represália ou algum esboço de reação adversa. É uma anedota típica de roda de amigos. Um pouco indecente e de gosto duvidoso talvez, mas não se trata de um texto imoral ou proveniente de uma visão de mundo torpe e abjeta. Pra você ter uma ideia, foi MINHA MÃE quem me contou essa piada pela primeira vez. Ou seja, não é propriedade restrita e limitada dos comediantes mais, por assim dizer, transgressores, malditos ou simplesmente boca-suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, o comediante e apresentador Rafinha Bastos fez uma piada nessa linha ao vivo, durante o programa CQC, e o alvo foi a cantora Wanessa Camargo. Embora com palavras mais polidas do que a piada original existente, o tom “irreverente” foi mais ou menos o mesmo. Mal sabia a pessoa mais influente do Twitter que estaria mexendo num vespeiro. A cantora se ofendeu. Seu marido, empresário de uma agência, e Ronaldo Fenômeno, amigo do empresário e garoto-propaganda de uma operadora de telefonia móvel, também se ofenderam. Marco Luque, companheiro de Rafinha no programa e também garoto-propaganda da mesma operadora do jogador, repudiou o comentário infeliz. Resultado: cedendo às pressões, a Rede Bandeirantes de televisão, numa atitude hipócrita e covarde, decidiu afastar o apresentador por tempo indeterminado. Bastou uma ligação telefônica (de Claro para Claro?). Ele está de molho, está de quarentena, aguardando um parecer de uma escala maior do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com outras notícias que enfatizam a desgraça, como as rebeliões na Síria, a crise na Europa, a alta do dólar, a soltura do atropelador assassino e seu carro de luxo e as contínuas greves, essa também foi uma das mais comentadas. Rafinha, de ídolo dos nerds, passou para o banco dos réus deste mesmo eleitorado. De capa da Info, da RG ou da Rolling Stone, que enalteceram seus atributos físicos e intelectuais, passou a figurar, em questão de semanas, na capa da Vejinha, sob a alcunha de “O rei da baixaria”. Sua piada até pode ter sido um soco no estômago, um chute no ventre da famosa prenha. Mas é certo dizer que Rafinha foi nocauteado, sem nenhuma chance de se defender. Quem saiu perdendo? Ora, todos nós. Esse comentário apressado teria sido uma ótima oportunidade para a sociedade promover debates sobre a ética do humor e sobre seus limites e critérios. O apresentador deveria, no mínimo, ter um espaço condizente com seu maldizer para se retratar publicamente. Que nada. Vivemos no país da censura velada. A atitude da emissora, evidentemente, reflete muito mais a obediência servil a um jogo de interesses de quem tem influências na mídia do que a punição por uma falta de decoro propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que soube da notícia do afastamento dele, no domingo à noite, publiquei a matéria no meu perfil do Facebook. As primeiras reações, talvez as mais imediatas e menos elaboradas, foram de amigos meus (prefiro não cometer a indelicadeza de citar nomes) pelos quais exerço uma profunda e sincera admiração. Pessoas com uma invejável erudição, clareza de raciocínio e capacidade de organizar ideias. Amigos de longa data, que me concedem a liberdade e me deixam suficientemente confortável para eu manifestar opiniões contrárias quando for o caso, se for o caso. Não quero fazer generalizações precipitadas, mas, coincidentemente, ambos regem uma preferência ideológica mais de acordo com o pensamento de esquerda, se é que isso ainda existe com a mesma coerência dos tempos de liberdade e luta. Talvez numa resposta movida mais pela urgência e pela emoção do que pela razão (talvez!), a primeira reação que vejo é a de que, na opinião deste cordial colega, todos os integrantes do CQC poderiam ser expulsos para o programa acabar de vez, e que ele (o CQC) não faria a mínima falta. Não foram exatamente essas as palavras, mas o sentido foi algo assim. Bom, é notória a precária qualidade dos programas de TV, isso ocorre faz muito tempo. Mesmo eu sendo assinante de TV a cabo, a quantidade de programas que vejo não passa de meia dúzia. Da mesma maneira que meu amigo se expressa, eu também não sinto a mínima falta dos humorísticos rasos, dos reality shows, das novelas açucaradas, das mesas-redondas, dos programas matinais, dos noticiários sensacionalistas, dos seriados enlatados. Mas, no meu entender, não vejo que a solução seja a eliminação pura, simples e rápida dessas porcarias que emanam dos eletrodos dos tubos magnéticos e empesteiam nossos indefesos neurônios. Aniquilar a televisão atual com um tiro letal de bazuca pode até erradicar seus efeitos nocivos, mas dificilmente irá chegar à causa do problema. E, mesmo que as intenções do inofensivo comentário madrugal de um post sejam apenas fazer rir ou polemizar sem um grande contexto, elas revelam no fundo uma súbita vontade tirana. Outro comentário que recebi, de uma amiga pela qual nutro uma admiração maior do que nossas afinidades, dizia que, dada a quantidade de merda que o Rafinha fala, a conta até que saiu barato. Algo nessa linha. Ou seja, seu temporário período de carceragem até que é um castigo justo pelo mal que ele faz à humanidade. Respeito ambas as opiniões e tenho certeza de que existe um embasamento lógico e elaborado por trás delas. Mas não posso deixar de ficar indignado ao perceber que o confinamento, a reclusão, a iconoclastia pura e simples, tenham vindo de pessoas com posições ideológicas que, historicamente, derramaram sangue pela democracia e pela liberdade de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro texto que me chamou a atenção, nesse mesmo grupo de comentários do post em questão, foi o link do blog da professora-doutora Lola Aronovich, Escreva Lola Escreva, intitulado “Politicamente incorreto não é transgressor, Rafinha”. No texto, a professora defende o uso do politicamente correto, algo condenado por quem se diz subversivo. A professora tem razão em alguns aspectos do artigo. Não podemos tratar o estupro, por exemplo, um assunto sério e traumático, um crime hediondo, com a leviandade e a expiação de culpa de quem simplesmente conta uma piada e sai andando. Lola cutuca na ferida ao apontar um paradoxo: se o humorista diz que fala “as verdades do cotidiano”, como é que ele pode rapidamente se justificar de uma polêmica saia-justa alegando que o que falou “é apenas uma brincadeira”, encerrando a questão e colocando o assunto no nível utópico e intangível da inverossimilhança? E mais: se a professora optou por trocar o “aleijado” pelo “portador de deficiência física”, o problema é dela. Ou o “mongolóide” pelo “possuidor de síndrome congênita da Trissomia do Par 21”. Ou, ainda, o “burro” pelo “cidadão dotado de reduzidas e obtusas faculdades mentais”. A professora tem plena consciência de que, ao substituir palavras que venham a ter uma conotação pejorativa, possa se distanciar do repertório popular. Não vejo problema algum, é um direito soberano e irrevogável. E se ela acha mais conveniente substituir o “humor negro” pelo “humor afro-descendente”, fique à vontade. Entretanto, como ela bem sabe, o humor ácido, corrosivo e sarcástico não vive às custas dessa boa educação no palavreado. E o que me incomodou no artigo foi a maneira como ela ataca alguns comediantes do CQC, principalmente os mais atingidos pelo mal-estar que geram com seus comentários. De cara, a blogueira confessa que pouco conhece esses personagens. E, ao que me parece, não faz questão alguma de conhecê-los, embora sustente suas críticas a eles mesmo navegando nesse perigoso vazio. No decorrer do texto, ela trata essas figuras públicas como “um tal de Danilo” e, mais pra frente, “Rafinhas e afins”. Não é a ironia do desprezo que dará sustentação ao seu ponto de vista. Eles não são pessoas quaisquer, surgidas no meio de diversos caça-talentos cuja razão social é a falcatrua. Embora o CQC vem demonstrando sinais de desgaste, isso é notório, é bom lembrar que o programa foi um dos pioneiros a invadir gabinetes de deputados, a exigir satisfações dos representantes do povo que ignoram o povo. Num determinado contexto histórico, político e televisivo, o CQC inovou. E recrutou comediantes da melhor espécie. Hoje o programa estampa um tipo de humor osteoporótico, visivelmente corroído, que trocou a irreverência pela caricatura de si próprio. Mas não é por isso que Lola pode afirmar que o humor stand-up é tudo uma coisa só, um balaio de gatos oriundos de uma geração espontânea, como se os “afins” do Rafinha fossem um bando de cordeiros seguindo seu pastor. A única “afinidade” que tenho com o Rafinha é a de subir aos palcos e dar a cara para bater. Entre outras coisas, estou me iniciando no stand-up, nem sei ainda se por hobby, vocação ou como um plano de previdência. Estou para o stand-up, metaforicamente falando, assim como o feto da Wanessa Camergo está para o mundo. E não pretendo, em hipótese alguma, acomodar minha comédia na zona de conforto do clichê ou das saídas fáceis e situações genéricas. Quero, e vou lutar pra isso, me destacar no mercado pela diferenciação. E ficaria muito ofendido se alguém me tratasse como um “afim” a mais de outro comediante, quem quer que seja. Claro que existem tácnicas comuns e estilos que inspiram gerações. Mas Lola dá a entender que os humoristas se reúnem periodicamente, como se estivessem num Concílio de Trento, e lá decidem as piadas que todos vão contar, com os mesmos recursos e as mesmas doses de preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é um país emergente. Sediar uma Copa do Mundo, emprestar dinheiro pra Europa, fazem do Brasil um país emergente. E, da mesma forma, o povo brasileiro também é emergente. O Brasil hoje é um país que “se acha”, e isso, embora refresque nossa auto-estima, cria um problema sério para o desenvolvimento. Somos relativamente estáveis no bolso, mas continuamos pobres de espírito. Ainda temos muito o que aprender no que diz respeito à liberdade de expressão, à luta por direitos, ao debate, ao esclarecimento. O humor stand-up não deixa de ser, ainda em última instância, a nossa forma orgânica de dialogar com o mundo e com esse caos, nem que seja ¡à base do riso. É por meio das mais absurdas mentiras que chegamos às mais contundentes verdades. E quem conhece o Danilo (Gentili) sabe que ele já fez stand-up falando sobre o Sarney e a censura. E quem conhece o Rafinha sabe também que ele não é um moleque intempestivo e inconsequente. Ele já gravou uma série de episódios em que testa piadas novas e pede conselhos aos amigos de profissão. Como se fosse um raio-X, ele mostra no vídeo os bastidores da comédia, um constante exercício de tentativa e erro. É essa a verdadeira função do comediante. Socar, socar, socar. Cair, levantar-se. Pedir desculpas pro adversário? Quem sabe. Mas eu tô meio cansado das lutas mornas, das piadas voláteis, das generalizações. E fico muito triste com a resolução que deram ao caso Rafinha. Já que o Brasil pode virar um credor em relação aos países europeus, poderia pelo menos pegar como moeda de troca a ousadia da Holanda, um país que coloca em prática questões avançadas pra ver depois a reação da sociedade e, se for o caso, retrair um pouco. É desse tipo de irreverência, de preparo e de amadurecimento que precisamos. Podemos até ser a bola da vez mas, em relação à comédia stand-up, ainda somos da época e dos costumes dos talibãs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3447057273624043328?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3447057273624043328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3447057273624043328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3447057273624043328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3447057273624043328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/10/estupro-democracia.html' title='Estupro à democracia'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2659742125994250416</id><published>2011-08-01T13:31:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T13:32:03.854-07:00</updated><title type='text'>Cutucada inútil</title><content type='html'>Tem muita coisa que não entendo, mas também nem sei se quero entender. A velocidade das informações hoje em dia, por exemplo, tá mais com cara de pressa do que rapidez. Pensar que essa agilidade e efemeridade de conteúdo pode gerar transformações sociais e culturais, no entanto, é dar um passo maior do que a perna. Terrível engano. Eu me vejo num contexto social muito mais estanque do que, por exemplo, de 20 anos atrás. A capacidade de proliferação da mensagem é ilimitada, fato. Mas a capacidade de retenção é limítrofe. E não param de espocar paradigmas que desafiam nossa inteligência, nesse sentido. O Youtube, por exemplo, é uma ferramenta dinâmica para compartilhar imagens. Teria tudo para ser, em princípio, uma gigantesca biblioteca de registros do cotidiano ou uma compilação das mais variadas vertentes de exploração das artes visuais. Mas a realidade webcameragráfica não mostra exatamente isso. Até tem um vasto acervo de videoclips, programas de TV, etc. Entretanto, o que se sobressai é algo tão fútil que foge à minha razoável compreensão. Apenas para citar alguns exemplos do que foi recentemente considerado “fenômeno” do Youtube, temos a Banda Mais Chata da Cidade. Temos o travesti Luisa Marilac em uma piscina de hotel, tomando “uns bons drink” e falando que deu a volta por cima. Temos um moleque que se diz “polêmico” ao mostrar seus mamilos. Sim, ele só faz isso. E, ainda mais recentemente, temos uma pérola saindo do forno que já virou febre no que se refere à quantidade de acessos: um bêbado, travado de tão alto seu grau de alcoolismo, tentando achar a chave do carro. Segurando uma latinha de cerveja Cristal, o ébrio motorista fala pro amigo que está filmando a cena que não tem ninguém que o “tucuta” no Facebook. Nada demais nesse vídeo. Nada demais mesmo. Esse moço é apenas um em um milhão, um caso típico de um bêbado chato, que troca algumas letras e entra naquela fase deprê quando toma umas a mais. E o Youtube parece que virou isso mesmo. Não sei por qual motivo, elege como se fosse um sorteio de loteria aqueles vídeos que entram pra história ou amargam o fracasso do esquecimento, sem critério algum de diferenciação. Como sintoma sociológico, merece até uma certa atenção, mas sem muito interesse. Saiu da moda a grande produção do videoclipe, bem como as trapalhadas flagrantes tipo videocassetadas. O que funciona nessa rede é o registro das coisas mais banais do planeta. Culturalmente falando, trata-se de um fenômeno nulo, irrelevante. É deprimente acompanhar esses rumos culturais. Depois do pós-Modernismo, assistimos à sociedade caminhando pra era pré-Antiga. Compartilhar esses vídeos que propagam o niilismo cibernético é alimentar um paradoxo: quanto maior o acesso à tecnologia de gravar e de filmar, pior é a peneira que filtra a baixa qualidade. Esses vídeos-coqueluche até promovem um ou outro gracejo, mas são infames demais no quesito comicidade. A maioria já nasce com o intuito de se tornar celebridade virtual, pois mostra o protagonista olhando pra câmera, tratando o interlocutor desconhecido como se fosse um amigo íntimo. Já o último, o do bêbado solitário, é feito de uma maneira bem cruel e que fere a ética: o personagem pergunta se está sendo filmado e o iphoneman diz que não. Se as redes sociais nada mais são do que glorificar a mediocridade, fico então com a desaceleração que não leva a lugar algum, na espera e na inerte espreita de que daqui a alguns anos iremos encontrar o verdadeiro sentido do maior site de imagens do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2659742125994250416?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2659742125994250416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2659742125994250416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2659742125994250416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2659742125994250416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/08/cutucada-inutil.html' title='Cutucada inútil'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2988508538314370793</id><published>2011-06-10T13:47:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T13:49:20.216-07:00</updated><title type='text'>O Eduardo, a Mônica e a África</title><content type='html'>Particularmente, tenho algumas ressalvas em relação ao comercial da Vivo, criado pela agência África, produzido pela O2 e dirigido por Nando Olival. Aquele que mostra cenas de um casal jovem nos dias de hoje, com a música Eduardo e Mônica, do Legião Urbana, ao fundo e na íntegra, em homenagem aos 25 anos da canção que marcou uma geração. Essa homenagem de oportunidade, produzida especialmente para o Dia dos Namorados, estendia a mensagem para outros casais, aos tantos outros Eduardos e Mônicas espalhados pelo país que precisam de um celular para comunicar suas afinidades e suas diferenças. O filme até que é bonitinho, com boa fotografia, um jogo de luzes e contrastes legal, muito bem editado. Mostra que o povo discípulo de Fernando Meirelles entende do riscado. Mas eu acho que, se por um lado sobra beleza, por outro falta inteligência. A música que a gente ouvia no rádio ou no disco de vinil sugere situações que cabe à nossa fértil imaginação enriquecê-las. Cada ouvinte construiu o seu Eduardo e a sua Mônica de acordo com sua vivência e seu repertório. Traduzir em imagens o ritmo e a ginga de uma música que mais parece letra cantada faz perder um pouco desse encanto imaginário. Como se não bastasse, o clipe se pauta única e tão somente pelo significado dessas imagens. Ou seja, é nada mais do que uma decupagem traduzida de cada verso, como se fosse uma fotolegenda em constante processo de animação. Eduardo e Mônica, by O2, reduz o sentido da música ao invés de ampliá-la. Mas tudo bem, opinião minha. O fato é que o clipe foi um fenômeno da internet, com milhares de “curtir” e encaminhar, além de depoimentos emocionados que corroboraram esse repasse viral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, alguém não sei quem espalhou um outro comercial em formato de videoclipe, de uns 10 anos atrás, com a mesma música do Legião ao fundo dando ritmo às situações cotidianas de um casal de jovens. E o que é pior, a venda anunciada também era de um serviço de telefonia móvel. A agência África é, indiscutivelmente, uma das maiores, melhores e mais respeitadas do país. A Vivo, uma das principais operadoras. Não é o caso de se fazer um filme, que custa milhões de reais entre produção e veiculação, de qualquer jeito. Mas, assim como outros tantos exemplos de propaganda parecida, fica difícil dizer se a réplica é o resultado de uma simples e infeliz coincidência ou de plágio. Claro que a “vítima” poderia se defender dizendo que os contextos são diferentes. Enquanto na referência mais antiga a música servia apenas para ilustrar um conjunto de situações, nessa versão remodelada a música é o protagonista, e as imagens giram e funcionam em torno dela. Mas mesmo assim, a coisa tá muito descarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse episódio, um em um milhão, reitera um achismo meu, mas que pode dar margem a estudos e debates mais sérios, quem sabe talvez. Com internet não se brinca. Hoje, é o fenômeno mais midiático no que diz respeito à opinião pública. Aquele que um dia causou comoção virtual transformou-se, em menos de 24 horas, num dos agentes mais odiados da comunicação, justamente por uma suposta ação de má-fé. Se a internet não tem dono, se o meio virtual virou um mercado de putas, onde tudo aquilo é de todos e ao mesmo tempo não é de ninguém, por outro lado esse xerox visual deveria ter tomado certas precauções. É muito perigoso, e agora ficou provado, exibir algo com cara de quem quer ser original. Se a intenção de se fazer referência ao passado é clara, aí tudo bem. Não foi o que ocorreu com a África nesse caso específico. A rede mundial de relacionamentos tem esse poder de gerar amor e ódio com a mesma velocidade e intensidade. O problema é essa história toda depois de tudo isso cair no esquecimento, maculada pelo copy-paste que não passou despercebido. Quem irá dizer que não existe razão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2988508538314370793?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2988508538314370793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2988508538314370793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2988508538314370793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2988508538314370793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/06/o-eduardo-monica-e-africa.html' title='O Eduardo, a Mônica e a África'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2146169983018632320</id><published>2011-05-20T12:21:00.001-07:00</published><updated>2011-05-20T12:21:38.870-07:00</updated><title type='text'>Que saco!</title><content type='html'>Alarmistas de plantão: o mundo não vai acabar em 2012. Tá certo que o ser humano já fez muita merda e a natureza está revidando. Tá certo que as maiores potências mundiais são as que mais poluíram o ambiente no decorrer da história. Isso sem falar na extração clandestina de madeira na Amazônia, extinção de espécies de animais, etc. Tem também a questão do aquecimento global, mas é sabido que esse trágico fenômeno ocorre de tempos em tempos, independentemente da ação do homem. Não sou exatamente um entusiasta dos assuntos ecológicos. Mas noto que existe uma onde de discursos em prol da sustentabilidade, que mais parecem modismo do que abraço à causa. Cuidar do nosso jardim chamado planeta Terra é um dever, uma obrigação. Todo mundo de bom senso sabe disso. Mas essa coisa toda ficou muito chata e demagógica. As instituições que mais prejudicam o meio ambiente são as que menos fazem para reverter a situação. Eu acredito na força individual, como é o caso do voto. Mas duvido que, se sair plantando uma mudinha de pé de feijão, vou contribuir para um mundo mais verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, essa é a lógica que reina na cabecinha das pessoas. Pra variar, tudo muito na base do improviso, do fazer de qualquer jeito. Cada minuto conta em relação ao relógio do planeta? Começamos a nos mobilizar tarde demais? Talvez sim, talvez não. O resultado concreto disso tudo são atitudes e iniciativas inócuas. De repente, não mais que de repente, as impressoras passaram a ser o inimigo número 1 da ecologia. Nunca fui a favor do desperdício. Na minha casa, separávamos material reciclado muito antes de existir o serviço de coleta seletiva de lixo. Mas não acho que, da noite pro dia, eu tenha que ficar contabilizando o número de folhas que meu texto exige pra existir, tudo em prol de uma irrisória economia de recursos que poderá, quiçá, contribuir para uma improvável melhoria do meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Prefeitura de São Paulo acaba de sancionar uma lei que proíbe os supermercados de distribuírem sacolas plásticas a seus clientes. Sim, o plástico é um elemento de altíssima periculosidade para a nação. E os administradores da cidade tomaram esta ríspida decisão provavelmente motivados por um arquivo de Power Point que circula na internet há mais de uma década. E eles provavelmente foram implacáveis na atitude por se sensibilizarem com aquela imagem, descaradamente montada em Photoshop, que mostra um saquinho do Pão de Açúcar no focinho de um urso polar, como se isso fosse a coisa mais plausível de acontecer num mundo globalizado como o nosso. Sim, é claro que o plástico, vindo da principal fonte de renda do Oriente Médio, boa coisa não deve ser. Pelo cheiro que solta quando é queimado dá para ser ter uma noção de seus estragos à pureza do ar. Se pegarmos aquela ampulheta da natureza, aquela tabela de contagem regressiva que indica quantos anos cada matéria-prima demora para se decompor, o plástico certamente é um vilão, já que ocupa uma das posições de lanterninha nessa corrida contra o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A restrição é claríssima, mas as opções são poucas. Primeiro, a mais dolorosa: as sacolas alternativas, aquelas produzidas em tecido cru e docemente chamadas de “ecobags”, são cobradas à parte. Ainda que existam alguns modelos graficamente artísticos, não vou andar por aí com uma sacola dessas, como se eu fosse um eterno cliente de supermercado. E, mesmo que suas estampas sejam muito mais fashion do que propaganda de oculista ou de candidato político, elas suprem somente a necessidade de carregar as compras. Eu, particularmente, costumo atribuir uma outra utilidade para as sacolas plásticas, que é a de embalar lixo. Não me enquadro exatamente no modelo de desperdício. E, com essa nova norma, não sei mais como improvisar. Como se trata de uma medida pública, isso tá me parecendo conchavo com alguns setores industriais, aos moldes da obrigatoriedade (que deixou de ser obrigatória logo em seguida) do kit de primeiros-socorros nos carros, das cadeiras infantis e de qualquer outro utensílio compulsório que possa mover determinados segmentos da economia. Respeitar a natureza, faço com o maior gosto. Respeitar a hipocrisia, de jeito nenhum. Enquanto eu puder burlar essa regra pseudoecológica, farei com todas as minhas forças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2146169983018632320?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2146169983018632320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2146169983018632320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2146169983018632320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2146169983018632320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/05/que-saco.html' title='Que saco!'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-5092905037124827059</id><published>2011-05-20T11:08:00.000-07:00</published><updated>2011-05-20T11:09:16.968-07:00</updated><title type='text'>Boa Reserva</title><content type='html'>Tenho que confessar um heresia: não gosto do Reserva Cultural. Quer dizer, ele dá de 10 a 0 nos Cinemarks da vida. A programação é muito boa, a região é ótima e tudo. Claro que é melhor ter um cinema em atividade em plena Av. Paulista do que remoer as saudades das salas que já se foram, cada vez mais numerosas. Conheço o Jean Thomaz, cumprimento sempre que o vejo. Mas, apesar de tudo isso, lá eu não me sinto exatamente “em casa”. Talvez por causa dessa coisa de ficar no meio-termo: tem pães e doces mas não é boulangerie, tem restaurante mas não é restaurante, apenas fica na tentativa de ser bistrô. Se eu tenho vontade de ir a um bistrô, vou a um bistrô. Lá, tenho a impressão de que a coisa fica apenas na degustação, no modelo “demo”. Se eles oferecem essas opções, ótimo. Melhor do que não tê-las. Mas acho que lá as coisas são um pouco caras, a relação custo X benefício não é das mais vantajosas. Por isso, vou ao Reserva apenas para ver filmes. E o valor do ingresso lá também é alto. R$ 22 a inteira, inclusive durante a semana, é nível Shopping Iguatemi. Ou seja, lá eu vejo filmes que são lançados com exclusividade e, em alguns casos, por uma questão de conveniência da localização. Não é exatamente um ícone do conforto, já que a maioria dos filmes lançados por eles são em digital, e aquela projeção com nível máximo de saturação me dá dor de cabeça. Os banheiros muitas vezes estão fechados, em reforma, em fase provisória de transição. Enfim, o Reserva é uma ótima solução para se salvar o cinema de rua e oferecer uma programação diferenciada, mas longe de ser o paraíso da arte. E, mesmo que o espaço finge que te faz se sentir em Paris, alguns senões te mostram claramente que você está nada mais do que em São Paulo, ao lado da muvuca do Objetivo. As salas 3 e 4, por exemplo, nos porões do estabelecimento, parece que caíram no esquecimento. Você nunca sabe se pode entrar, se a sala está aberta ou não, se a fila que se forma no corredor condiz com a do filme que você pretende ver. Como as portas destas salas são liberadas no último minuto de intervalo (os últimos da fila, inclusive, só conseguem entrar com a projeção dos comerciais já iniciada), tem-se a sensação de vãos perdidos, monumentos precocemente abandonados. E, tirando um ou outro profissional exemplar (como o antológico senhor negro de cabelos grisalhos), sinto que a maioria está ali única e exclusivamente pela necessidade de salário no fim do mês. Diferente de outras salas da região, mais calorosas no corpo a corpo, lá no Reserva o tratamento tem um quê de arrogância e frieza, atendimento protocolar, lacônico. Talvez eu seja exigente demais, ou não esteja num bom dia, ou esteja sendo preconceituoso com o lugar que cheira a café do introito ao cabo. Mas é o que sinto. Ou sentia, até semana passada, quando uma situação me chamou a atenção. Ao assistir ao documentário VIPs, numa dessas recônditas salas, fui abordado por um funcionário que parece ser novo da casa. Seu visual era nada convidativo: cabeça raspada, barba mal-feita, cavanhaque embrionário. Visualmente, parecia ser um dos integrantes do Ratos de Porão. Mas as aparências enganam. O cara é superatencioso e simpaticíssimo. Faz as boas-vindas para cada espectador, abre as portas da sala num delicado e apoteótico gesto, reitera a exata localização das cadeiras numeradas. Parecia mais um comissário de bordo, um conciérge. Ali eu não me sentia entrando no cinema. Parecia o início de uma ópera. Amor pela arte? Vontade e necessidade de se manter no emprego? Ou o Reserva vem apostando e investindo num outro tipo de marketing? Não sei, não sei. Mas se esse profissional se configurar a partir de agora como regra e não como exceção, o Reserva tem tudo para mudar a imagem que alimento por ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-5092905037124827059?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/5092905037124827059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=5092905037124827059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5092905037124827059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5092905037124827059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/05/boa-reserva.html' title='Boa Reserva'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8671847438759408085</id><published>2011-05-13T13:29:00.001-07:00</published><updated>2011-05-13T13:29:46.408-07:00</updated><title type='text'>A última estação</title><content type='html'>Na quarta-feira 11 de maio, ao abrir a Folha de São Paulo e procurar a Ilustrada no meio daquele monte de cadernos amontoados, como costumo fazer toda manhã, passei pelo caderno Cidades e vi uma nota de página sobre a desistência do Governo de São Paulo de se construir uma estação de metrô na Av. Angélica. Embora o mapinha desenhado da futura Linha Laranja (Brasilândia - São Joaquim) tivesse me chamado a atenção, não dei muita importância à notícia. Preferi continuar minha busca pelas críticas de filmes, discos e restaurantes, ou me orientar com a programação do circuito de cinemas. Na minha modesta opinião, o Centro de São Paulo já está suficientemente bem abastecido de metrô. O que precisa se resolver com urgência é o caos do que já existe no dia a dia. Situações que aos poucos desgastam a imagem daquele transporte que um dia já foi referência na América Latina. O que precisa se pensar, de imediato, é como voltar a oferecer transporte de qualidade a uma população de usuários que triplica a cada década. Como atender à crescente demanda de maneira satisfatória, ao invés de se improvisar soluções paliativas, como aqueles cordões de isolamento nas estações de maior fluxo, desligamento de escadas rolantes e filas nas catracas para segurar o contingente. Acho mais sensato, por exemplo, trazer de volta a pontualidade e eficiência de um transporte que hoje mais para do que anda, com justificativas nos alto-falantes dando conta de que o veículo inerte está aguardando a movimentação dos comboios à frente. A meu ver, é muito mais deprimente ver um mapa adesivado nas estações em que a maior parte dos traços coloridos está pontilhada, indicando que as obras não estão concluídas ou sequer saíram do papel. É mais vergonhoso tomar conhecimento de que as obras na Zona Sul, notadamente carente de transporte público decente, estão interrompidas por causa de descoberta de fraudes em licitações. É mais triste ainda lembrar que a Linha Amarela, construída às pressas em um determinado período, fez uma van chafurdar em suas areias movediças, na região de Pinheiros, com quase uma dezena de pessoas a bordo. Causa-me ainda mais espanto tentar entender por que a citada Linha Amarela e as estações Tamanduateí e Vila Prudente operam em uma reduzida jornada, diferenciando-se do conjunto. Pra mim, a ordem de prioridades é pensar no metrô como um projeto de extensão para chegar à periferia e bairros desprovidos de acesso, ao invés de tumultuar o meio-de-campo, transbordar a malha e oferecer ainda mais alternativas numa região suficientemente abastecida de trilhos. Mas tudo bem. Em se tratando de iniciativa pública, é melhor pecar por excesso do que pela falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha surpresa maior foi acompanhar, pelas mídias eletrônicas, a repercussão da amarelada do Governo, mais pelo efeito do que pelo conteúdo da matéria da Folha. Vasculhei um link ou outro e, haja visto que eu não tinha uma opinião formada sobre o assunto até o momento, alguns textos me pareceram bem convincentes e estruturados. Um deles apresenta, com argumentos e uma certa ironia, mas deixa de lado as ofensas, alguns motivos razoáveis: o alto custo de desapropriação dos imóveis no entorno do supermercado Pão de Açúcar (coração da ex-futura estação), a relativa fartura de estações de outros ramais nas imediações, a curta distância entre a proferida avenida e o futuro escoadouro ferroviário Higienópolis-Mackenzie. O internauta ressalta também que a  polêmica estação, caso seja sediada perto do estádio do Pacaembu, atenderia ao projeto como foi inicialmente concebido. E, principalmente, o autor do comentário reitera que as manifestações de associações de bairro são um direito legítimo. Pra mim, pareceu tudo muito lógico. Em breve, teremos uma Consolação atendida pelo Metrô, e a Consolação tem um fluxo maior do que a Angélica. Melhor então deslocar uma estação para o vazio do estádio, da FAAP e dos piscinões, região precária de transporte.&lt;br /&gt;Como o assunto é embrionário e o registro do jornal foi pontual e não estrutural, o assunto merece, de fato, um debate mais amplo e com uma parcela maior da sociedade, já que mostrou-se ser tão suscetível a divergências ideológicas e pragmáticas. Não foi exatamente o que aconteceu. Infelizmente, o brasileiro ainda está um pouco cru em relação ao exercício da democracia. Em vez de se mergulhar no tema, optou-se por ampliar e alardear a superficialidade e o sensacionalismo de seu apêndice: uma declaração infeliz e descontextualizada de uma moradora do bairro, extraída de uma matéria do meio do ano passado, que diz que a construção de uma linha do metrô na região pode trazer mendigos, drogados, “gente diferenciada”. Foi o estopim. No dia a dia, eu me deparo com muitas pessoas insatisfeitas com as gestões administrativas de Alckimin e Kassab. Trazer uma notícia que desfavoreça seus governos, qualquer que seja, é motivo suficiente para essa galera entrar na onda de protestos. Algumas pessoas do meu círculo próximo, confessos desconhecedores do teor da matéria, foram as primeiras a aderir à campanha no sentido de se ridicularizar essas gestões executivas. E aí, na pressa de se expressar comentários tão indignados quanto rasteiros, sobrou para os moradores de Higienópolis. Um dos trending topics do Twitter dos últimos dias, a questão gerou manifestações de diversos tipos, das mais razoáveis às mais preconceituosas. Pagaram com a mesma moeda. A discriminação aos imigrantes nordestinos provou de seu próprio veneno e recebeu outra discriminação, com o mesmo tom de baixaria. O povo judeu, predominante na região, também foi alvo de acusações. E tão predominante quanto os semitas foi a falta de conhecimento sobre o assunto. Aos desavisados, que mais conhecem a lenda do que o bairro, ficou parecendo que os rabinos, com suas malas cheias de diamantes contrabandeados, tocaram a campainha do amigo e vizinho FHC exigindo a proibição de transporte público em suas cercanias, a fim de se evitar a contaminação virótica da presença diferenciada. Aos olhos desses twitteiros, a elite cafeicultora paulista, que manda e desmanda nas leis e na ordem, desenhou a cidade trancafiando suas disneylândias e afastando a população de suas redomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o Brasil é o país do pão e circo, exemplo de governança secular de todas as instâncias, a transformação de um potencial debate sério em uma festança alegórica e ridicularizada foi um processo natural. Afinal de contas, quem faz parte do Facebook já está se acostumando a “participar” de eventos fictícios, como foi o caso dos recentes casamento do príncipe William, velório do Bin Laden e chá de bebê do filho do Neymar. Nesse sentido, a criação bem-humorada de um churrasco em frente ao Shopping Higienópolis (que outrora também foi alvo de manifestações dos moradores... mas ninguém se lembra disso) foi interpretada como uma atitude saudável de protesto. Criticar o governo com beberranças e patuscadas é mais simpático do que fazer greve ou parar o trânsito da Av. Paulista, por exemplo. E já que a politização cedeu lugar à farra, a divulgação de uma festa regada a quitutes e adereços considerados populares soou até engraçada. Mas nem mesmo os organizadores, que criaram o evento em tom de brincadeira, esperavam adesão tão expressiva. Foram quase 50 mil possíveis confirmações de presença. E aí, temendo que o tiro saísse pela culatra e que a marcha carnavalesca tivesse um efeito negativo contrário, o pessoal declinou da ideia e trocou a farra do churrasquinho de gato por um ato simbólico mais contido e mais consistente. Também, pudera. Colocar a população de um estádio lotado do Pacaembu nas ruas do shopping seria o mesmo que fazer uma Virada Cultural dentro de seus banheiros químicos. Melhor desistir da iniciativa. No blog do Luís Nassif, ele finaliza seu texto dizendo que a elite paulistana venceu. Eu sou mais cético. Tivemos um churrasco cancelado, uma chuva de xingamentos na internet, um decide-não-decide das autoridades e uma obra absolutamente estagnada. A meu ver, perdemos todos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8671847438759408085?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8671847438759408085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8671847438759408085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8671847438759408085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8671847438759408085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/05/ultima-estacao.html' title='A última estação'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4565018964625014252</id><published>2011-04-04T13:10:00.000-07:00</published><updated>2011-04-04T13:13:54.731-07:00</updated><title type='text'>Restaurant Weak</title><content type='html'>O poder de compra do brasileiro aumentou. Os preços estão congelados desde a primeira edição. A cobertura e a divulgação do evento foram ampliadas, bem como a quantidade de estabelecimentos participantes. Tudo isso contribuiu para popularizar o Restaurant Week, que contou com quase 1 milhão de pessoas em suas 300 casas, e fazer com que essa iniciativa passasse a fazer parte do calendário da cidade. Mas, junto com essa febre toda, vieram também os senões típicos dos festivais concorridos e muvucados, fazendo com que o resultado geral final fosse apenas mediano, inferior a algumas edições anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo está minha avaliação sobre o recorte que fiz desta edição. Os restaurantes estão por ordem cronológica de visita. E, pra lembrar você, aqui vai a legenda de cotações que costumo fazer no blog:&lt;br /&gt;Caldo = péssimo; 1 lentilha = ruim; 2 lentilhas = fraco/regular; 3 lentilhas = bom; 4 lentilhas = ótimo; mjadra = excelente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Becco 388&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lugar agradável, que tem potencial.&lt;br /&gt;Ambiente: aconchegante, porém pequeno e pouco funcional. Lembra os casarões antigos, o que dá um clima de intimidade. A arandela com velas já foi destaque da Vejinha, mas os corredores são estreitos, o banheiro é minúsculo e a área para a fila de espera é concorrida. 2,5 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: os garçons são simpáticos e atenciosos, mas o serviço ainda está um pouco atrapalhado. Era comum vê-los se esbarrando nos corredores, o que mostra que a coisa não flui. A dona chamou a atenção de um deles ao nosso lado. Foi servida uma sobremesa com um intervalo de mais de 15 minutos em relação à outra. Destaque para a hostess, simpática, prestativa e eficiente para organizar a fila e conduzir as pessoas às mesas. 2 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: o melhor da casa. Entradinha honesta, que serve como um bom tiragosto. O prato principal (linguini com lascas de salmão) muito bem preparado. A sobremesa nada deixou a desejar. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 2,5 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Per Paolo - Vila Mariana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fui conhecer essa casa num esquema meio diferente, com um grupo de pessoas da agência onde trabalho. Então o clima era outro, mais despojado, mais “bagunça”. A casa vende massas prontas e frascas, molhos, compotas, patês, etc. Transformá-la em restaurante parece ter sido uma adaptação de espaço. O lugar, ao lado de uma Lojas Americanas Express, num minicomplexo de lojas de um conjunto de prédios, nem parece fazer parte de tão badalado roteiro.&lt;br /&gt;Ambiente: nada de especial. Parece um café com mesinhas um pouco mais arrumadas. Não havia um banheiro para homens e outro para mulheres, apenas um aposento único para as necessidades, com porta sanfonada. Faltou charme e estilo. 1,5 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: de boteco. Os garçons apenas anotavam os pedidos, sem tomar qualquer iniciativa fora dos padrões. Um deles não sei dizer se estava mal-humorado ou se é lacônico mesmo. Só faltou a caneta atrás da orelha e o bloquinho de anotações em papel cor-de-rosa. O couvert foi colocado à mesa sem nos consultarem se queríamos ou não. 1 lentilha.&lt;br /&gt;Comida: honesta, apenas honesta. A saladinha de entrada não disse a que veio. Pedi um gnocchi de tomate seco ao molho ementhal. A porção estava satisfatória, relativamente farta até, mas fiquei procurando por muito tempo onde estava o sabor diferenciado do prometido queijo. 2,5 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 2 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Fillipa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É a segunda vez que vou ao lugar, que mantém sua proposta de cozinha contemporânea, misturando estilos e origens culinárias. As receitas são bem criativas e elaboradas, mas faltou diversificar um pouco mais em relação à edição anterior.&lt;br /&gt;Ambiente: clean, organizado, correto. Sem muito luxo. O Fillipa é mais objetivo, mas não deixa de ser convidativo para um bate-papo um pouco mais longo. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: mais prestativo e atencioso em relação à visita anterior. Rápido e eficiente, os garçons mostram que estão preparados para atender à demanda extra do evento. 4 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: muito bem preparada. A entradinha seguiu a linha exótica. Como eu já tinha pedido o salmão ao curry na outra visita, optei desta vez pelo filé com penne feito com vodca, um prato mais conservador. Apesar de tradicional e simples, o sabor residual acentuado fez a diferença. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 3 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Dui&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fomos conhecer a badalada casa da chef Bel Coelho. Eles não fazem reservas e as pessoas se acomodam por ordem de chegada.&lt;br /&gt;Ambiente: a casa é bem espaçosa, acomoda bem os frequentadores. Tudo muito confortável. Os toilettes são pequenos. Tem uma área verde que traz um respiro a mais e contrasta com os tons da estética moderna da casa. 4 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: equipe muito bem preparada para atender essa demanda. O atendimento flui. Não existem aquelas esperas desnecessárias, nem garçons que fingem que não te veem.  4 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: de entrada, uma saladinha simples, mas muito bem preparada. O prato principal gerou opiniões opostas. Eu pedi um filé de St. Peter com tabule, que estava irretocável. Minha namorada pediu um risoto (muito bom) com steak de fraldinha, mas a carne estava dura, algo inadmissível para um restaurante deste calibre. Pela média, 2,5 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 3 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Félix Bistrô&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Somos frequentadores deste restaurante e seu ambiente rústico. Eles sempre capricham nas escolhas do SPRW. Dentro da casa, o ambiente é mais familiar. Do lado de fora, à beira da piscina, o ambiente é mais romântico ou próprio para um bate-papo com amigos contemplando a natureza selvagem. Fomos lá no sábado da “hora do planeta”. Durante o período, o local funcionou à luz de velas, o que deu um aspecto visual bem agradável. Mas, infelizmente, nesse mesmo dia um grupo enorme reservou várias mesas para a comemoração de um aniversário, e essa farra de bebedeira e de cantar parabéns, além de destoar completamente do clima intimista do local, comprometeu a qualidade dos serviços.&lt;br /&gt;Ambiente: um atrativo à parte. Você não sabe se está num sítio ou num patrimônio tombado, e essa dúvida é saudável. No inverno ou em dias de baixa temperatura, uns algodões nas escadas aumentam a sensação de cortejo. Mjadra.&lt;br /&gt;Serviço: sempre muito rápido e prestativo, mas desta vez, por causa da pândega vizinha, deixou a desejar. Foi mais lacônico do que de costume, e os garçons estavam visivelmente incomodados com a imprevista baderna. Faltaram pães na entrada de um casal de amigos nossos. 2 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: também ficou abaixo da média. O Félix costuma ser impecável, mas, desta vez, cometeu um deslize. Estávamos em 4 pessoas, e todos pediram o entrecôte com puré de mandioquinha. O purê estava especial, mas 2 filés do conjunto de pedidos apresentavam excesso de nervos e de gordura. 2 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 2,5 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Govinda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fomos conhecer essa famosa casa de comida indiana, já que a gente costuma frequentar uma outra, o Tandoor. Como existem pouquíssimos restaurantes do gênero, fica mais fácil fazer a comparação. Aqui eles não são tão ortodoxos, pois fogem do trivial cordeiro e frango e colocam no cardápio opções com frutos do mar e até cometem a heresia de oferecer pratos de carne bovina.&lt;br /&gt;Ambiente: o paraíso das novelas. O lugar é enorme e não faltam objetos e ornamentos da região. Exótico é pouco para descrever o complexo de restaurante, loja, sala de estar e uma vasta área desativada que deve funcionar apenas para eventos. Dá para se sentir um coadjuvante de uma produção bollywood. Mjadra.&lt;br /&gt;Serviço: o mâitre foi bem receptivo e nos acomodou num ambiente com ar condicionado, no meio do salão. O serviço, de um modo geral, foi correto. O garçom que fez o pedido da sobremesa estava muito mal-humorado e nos atendeu de um modo destoante do restante da equipe. 2 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: a entrada vale a visita. uma vasta roda de temperos e potinhos com condimentos típicos. Deixa pra trás os concorrentes. O único senão é que a cesta de pães era bem pequena. O prato principal era um combinado mais pra linha fast-food, sem a mesma apresentação colossal da entrada. A sobremesa é bem pequena e sem-gracinha. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 3 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vintage&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fomos conhecer essa casa anexa à loja Ville Du Vin. Foi nossa melhor experiência do SPRW.&lt;br /&gt;Ambiente: a casa de vinhos é um espetáculo, com aquele ar sombrio e cheiro de madeira. O restaurante segue a linha tradicional. Uma janela acima das escadas deixa à mostra a cozinha e os bem-humorados cozinheiros. O mâitre nos reservou uma mesa na varanda, longe do movimento da sala principal, e isso trouxe uma harmonia e tranquilidade quase zen-budista. Mjadra.&lt;br /&gt;Serviço: excelente. O mâitre tinha um sotaque levemente carregado e parecia conhecer muito sobre os pratos, os vinhos e as harmonizações. Me senti num bistrô de Paris. Logo nos perguntou que tipo de água gostaríamos de beber, a fim de evitar qualquer tipo de leviandade como, por exemplo, pedir cerveja ou Coca-Cola. Mjadra.&lt;br /&gt;Comida: de primeiríssima qualidade. O restaurante segue a linha tradicional, mas resolveu trazer ao cardápio promocional as receitas mais criativas. O filé de peixe ao molho de capim estava excelente. Só não leva a nota máxima porque a entrada, o prato principal e a sobremesa vieram em diminutas e contidas porções. Entre as sobremesas, a gelatina de mel com sorvete foi superior à mousse de chocolate. 4,5 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 4,5 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Bassi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fazia muito tempo que eu não visitava essa churrascaria. Da última vez, ainda era em outra casa, menor, um pouco pra baixo da 13 de Maio. Por indicação, fugimos um pouco da rota bistrô/cozinha contemporânea e fomos comprovar se esse resgate conservador à marca que já foi patrocinadora do Maguila valeu a pena.&lt;br /&gt;Ambiente: como chegamos bem cedo, antes de abrir, a sala de espera parecia só nossa, o que trouxe a sensação de conforto e bem-estar. O espaço é amplo e as mesas se acomodam bem, o que a faz se distinguir das churrascarias comuns. A decoração fica no meio-termo entre o cafona e o sofisticado. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: atencioso, politicamente correto. O mâitre foi bem prestativo. O garçom demorou um pouco para nos servir as bebidas. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: cumpre o que promete. Indo na direção oposta da maioria dos estabelecimentos participantes, o Bassi não investe na variedade nem na criatividade dos pratos mas, em compensação, abusa da fartura. Aqui não tem essa de menos é mais. A entrada é o couvert da casa, um mix de pães, pimentão, berinjela, abobrinha, cenoura. O prato (único) é um caprichado bombom de alcatra com arroz carreteiro e farofa. De sobremesa, um protocolar sorvete crocante. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 3 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Crêpe de Paris&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em dúvida sobre qual restaurante iria nos fazer fechar a maratona com chave de ouro. O Voilá foi cotado, mas optamos por este pela descrição do cardápio e pela localização. Aos poucos, pudemos perceber que o lugar deixa clara sua opção de bistrô light, indo num caminho mais econômico que alguns similares: guardanapo de papel, talheres que não são trocados entre a entrada e o prato principal, e por aí vai.&lt;br /&gt;Ambiente: o bistrô fica ao fundo de uma charmosa galeria a céu aberto e tem todo aquele charme sugerido pelas fotos. Apesar da viela ser estreia, o lugar é relativamente amplo. Um belo convite a um almoço ou jantar agradável. Portanto, esse clima mais intimista dispensa a música ao vivo, totalmente desnecessária para um ambiente que pede aquela conversinha ao pé do ouvido. 3 lentilhas.&lt;br /&gt;Serviço: a hostess foi bem atenciosa e os garçons foram receptivos, mas o serviço ainda precisa de ajustes. Na mesa de trás, percebi que o garçom foi claro ao explicar ao cliente que, durante o SPRW, o bistrô não estava preparando outros pratos. Na hora de pedirmos a sobremesa, a garçonete não nos trouxe novamente o cardápio, tampouco soube explicar as opções. Quando pedimos a conta, a mesma garçonete nos explicou item por item cobrado, pois a máquina estava com defeito, mas foi meio grossa nesta explanação. O couvert artístico (opcional) foi cobrado, mas optamos por não pagar. 2 lentilhas.&lt;br /&gt;Comida: a grande decepção. A entradinha, simples, prometia. Mas quando veio o prato principal, todas as expectativas foram por água abaixo. O filé de peixe estava insípido, frio e semicru por dentro. Imperdoável. Nem a sobremesa (um trivial crepe de doce de leite) salvou este fiasco. 1,5 lentilha.&lt;br /&gt;Avaliação geral: 2 lentilhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4565018964625014252?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4565018964625014252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4565018964625014252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4565018964625014252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4565018964625014252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/04/restaurant-weak.html' title='Restaurant Weak'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6949821262381176536</id><published>2011-03-29T12:14:00.000-07:00</published><updated>2011-03-29T12:15:34.634-07:00</updated><title type='text'>Gelo e limão</title><content type='html'>Outro dia um amigo meu colocou no Facebook que sente saudades de encontrar nos supermercados a batata sabor batata. Concordo plenamente com ele. Hoje a capacidade inventiva é tão grande que a famosa batata chips considerada “original” limita-se a ocupar uma pequena porção do fundo de uma gôndola, sem tarja de preço, com poucos saquinhos disponíveis de marcas genéricas e prazos de validade beirando o vencimento. O monopólio territorial cabe aos transformistas, tubérculos processados que querem se sentir sabor queijo, ervas finas, presunto, churrasco. Alguns exemplares são ainda mais pretensiosos e nutrem uma admiração ainda maior pelo luxo da esquizofrenia: presunto parma, peito de peru, picanha. Outros tentam se aproximar ao gosto popular, como se fossem convidados da festa da cerveja com pagode, e perdem a noção do ridículo: frango à passarinho, calabresa, cheddarburger. Coitadas das batatinhas quando nascem. Reféns de uma indústria que precisa a toda hora se reinventar, se reciclar, criar metabolismos transgênicos para dar vida ao nada. A Ruffles até lançou um concurso para premiar os autores das ideias mais mirabolantes de se tentar disfarçar a mesmice. Já tô imaginando os rompantes de criatividade: batatas ao pesto, à carbonara, sabor queijo brie, salmão, ovo de codorna, chester. Não sou exatamente um ortodoxo, mas fica difícil engolir essas mutações gustativas que tentam encobrir a crise de identidade das fábricas: oferecer uma infinidade de sabores para os produtos sem sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um tempo atrás, em algum lugar do planeta, algum infeliz teve a brilhante ideia de alterar o sabor da irretocável Coca-Cola, deus-sol de todos os refrigerantes. Para dar um sabor extra, ou talvez para reduzir os possíveis efeitos colaterais do néctar escuro gaseificado, o herege sugeriu adicionar uma rodela de limão. O que era pra ser um agradinho ao chato, ou um diferencial de um determinado estabelecimento, passou a ser modinha. De uma década pra cá, é praticamente impossível se tomar a Coca como ela veio ao mundo, em seu sabor “original”, Coca-Cola sabor Coca-Cola. Mesmo que você peça, pausadamente e com ênfase nas suas preferências, dificilmente irão atender o seu pedido. Na linha de produção dos bares e restaurantes, a famosa “Coca com gelo e limão” é default de fábrica. E se você fizer um pedido ainda mais personalizado, suscetível a confusões ainda maiores, como por exemplo sem gelo e com limão, pura com gelo, com limão espremido, torça para que a pessoa do lado de lá do balcão seja um Ph.D. em Física Quântica. A exceção virou regra. Todo estabelecimento, independentemente da região ou da classe social que pretende abrigar, coloca em seus refrigerantes algum pedaço de fruta, como se isso fosse o exótico chamariz de vendas. É o limão na Coca, a laranja no guaraná... próximo passo seria o quê? Fanta Uva com gelo e acerola? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível compreender a vontade do tal consumidor se sentir exclusivo. Além do sabor acentuado da fruta, a acidez do limão é capaz de quebrar algumas propriedades da Coca, um produto predominantemente alcalino, tornando a bebida mais suave ao paladar. Mas isso é uma hipótese, a meu ver, sem muito sentido. Não vejo muita lógica nesta fórmula de equilíbrio gástrico. Pedir Coca-Cola com gelo e limão é o mesmo que ver um filme pornô com a Pamela Anderson e o Tiririca. Existe aí uma relação de contrapesos que não se sustenta. Sei que é pedir muito a volta da pureza e da inocência dos ingredientes das mercadorias de antanho, mas o que vemos hoje é um bacanal de quitutes e leviandades. De complicado, já chega o marketing. Quero voltar a me embriagar com a simplicidade borbulhante da equação primitiva da Coca-Cola e seus 418 compostos químicos. Não preciso mais do que isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-6949821262381176536?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/6949821262381176536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=6949821262381176536' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6949821262381176536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6949821262381176536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/03/gelo-e-limao.html' title='Gelo e limão'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3001527667812410443</id><published>2011-02-23T09:51:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T09:52:58.011-08:00</updated><title type='text'>Verão dos infernos</title><content type='html'>O verão é legal. O verão revitaliza, traz novas energias. As pessoas emanam felicidade, descontração e alto-astral nessa época do ano. Verão traz a exuberância das cores, das formas, dos corpos. O verão está diretamente ligado à sexualidade do povo tropical. É a melhor tradução imagética do Brasil. Metáforas poéticas associam o raiar do sol a um estado voluptuoso de alegria. Fabricantes de bronzeadores e de cerveja riem à toa com o expressivo aumento do consumo de suas marcas. Enfim, historicamente, o verão sempre esteve associado a coisas boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os acontecimentos dos últimos verões fizeram a brincadeira perder a graça. Junto com a sua beleza alaranjada, o verão traz também o desabastecimento, as chuvas fortes e todas as consequências e desgraças desse caldo azedo. E não se trata de um fenômeno-surpresa não, como alguns alegam. Chuvas torrenciais têm dia e hora certa para acontecer. Uma série de fatores contribui para que esses espasmos meteorológicos assumam dimensões tão grandes e desastrosas. Por uma questão de comodidade, autoridades políticas alegam que se trata de acontecimentos anômalos, atípicos, cuja rápida propagação não permite medidas prévias de contenção das águas. Por causa do desequilíbrio ecológico, talvez a intensidade pluviométrica recente até justifique tal proposição. Mas é vergonhoso o país inteiro assistir a esse tipo de depoimento que dá a entender que os executivos do poder estejam de mãos atadas. Estamos vivendo isso tudo não somente por causa da fúria divina, mas também devido ao descaso em realizar obras de emergência que não dão votos, como a construção e manutenção de piscinões, um mutirão sério e efetivo de limpeza de bueiros, maior rigor na fiscalização de construções clandestinas em áreas de risco e uma série de outras medidas que poderiam atenuar os efeitos dramáticos dessa calamidade pública. Mas não. O jogo de empurra-empurra continua firme e forte. A culpa é histórica, cidades que cresceram sem planejamento. O progresso é inimigo das manifestações da natureza. A culpa é das pessoas que jogam lixo na rua e de sua falta de conscientização ambiental. A culpa é nossa. E devemos pagar caro por essa penitência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver esse pandemônio todo na TV e a sensação de impotência da população mais frágil e vulnerável a essas intempéries causa uma sensação mista de comoção e indignação. Mas a raiva aumenta quando a chuva e o dar-de-ombros atinge o nosso curral. Só nessa temporada, chamei o técnico de informática três vezes para trocar equipamentos que pifaram por causa de um sistema energético igualmente pifado e falido. O governo prometeu acabar com o apagão e colocar o país na era da modernidade, mas tudo o que consegue nos oferecer é uma energia podre e suja. Em pleno Século 21 somos obrigados a nos cercar de estabilizadores e a tirar e colocar fios na tomada como baratas tontas. A cada dia que passa, fazemos figas para que nenhum mal maior aconteça nos nossos doces lares. Como se estivéssemos nas trevas da Idade Média, época em que se acreditava que o mundo ia acabar num dilúvio. Na segunda-feira passada, talvez o pior dos dias, fatídica data em que o dia virou noite, caiu uma árvore numa travessa da minha rua (é a segunda árvore que cai nesses últimos meses), bloqueando o trânsito. Soube depois que essa foi apenas uma das 180 ocorrências de caso semelhante, isso sem contar as centenas de milhares de alertas sobre semáforos mudos ou insandecidos. Chega! Não dá mais para conviver com esse caos. Como se não bastasse, questão de minutos após o desabamento de tal copa fiquei sabendo que uma vizinha nossa perdeu todos os seus bens (geladeira, móveis, colchões, computador, tudo) por causa da inundação em sua sala. Perdeu em minutos o que demorou a vida inteira para construir. Os pingos d’água caindo sobre a cara desolada da vizinha, cercada pela solidariedade dos outros vizinhos, foi uma cena indescritível. Um gesto que simboliza toda a vergonha da incompetência do engenheiro das obras da casa ao lado e da omissão da Prefeitura. Sei que essa angústia minha parece redundante e inócua para resolver os problemas da cidade, mas escrevo mais por uma questão de desabafo. A água está batendo na nossa bunda. Do jeito que as coisas vão indo empurradas com a barriga de esquistossomose, é bem capaz que no verão do ano que vem, o apocalíptico ano de 2012, pouco antes de o mundo acabar, a gente consiga fazer nossa última refeição de modo digno, cantando e dançando sobre a balsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3001527667812410443?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3001527667812410443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3001527667812410443' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3001527667812410443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3001527667812410443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/02/verao-dos-infernos.html' title='Verão dos infernos'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2901329238689057218</id><published>2011-02-22T07:11:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T07:13:10.229-08:00</updated><title type='text'>Great Place to Work</title><content type='html'>Recentemente, foi criado um meteórico blog, arrancado do ar no dia seguinte, que expunha um espaço aberto para que internautas anônimos fizessem suas avaliações sobre os principais diretores de criação do país. A brincadeira acabou de forma abrupta por causa do nível de qualidade dos comentários, em sua maioria vazios, ofensivos e que pouco demonstravam julgar as características profissionais dessa linha de frente das grandes agências. Mas não dá para tapar o sol com a peneira. Algumas verdades foram ditas, ainda que de maneira truculenta e rasteira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa desmistificação de alguns ícones do mercado me chamou a atenção para ressuscitar uma pesquisa inédita do fim do ano passado, realizada pelo instituto Great Place to Work, especialista em ambientes de trabalho. Não sei exatamente quais foram os critérios e a metodologia da pesquisa, Só sei que foi adotada por profissionais que interagem com a área de Recursos Humanos e teve como principal universo os funcionários e colaboradores efetivados nessas agências. Entraram na base de avaliação agências com no mínimo 3 anos de mercado, 30 colaboradores permanentes, e credenciadas por alguma instituição representativa (CENP, ABAP, ABEMD, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado foi uma grande surpresa para todo mundo. Na época, fiz uma espécie de quiz com as pessoas da agência onde eu trabalhava. Os palpites iam pro aparentemente óbvio, que levavam em conta a projeção no mercado das agências consideradas mais criativas: Almap, F/Nazca, Talent, África, e por aí vai. Todos erraram. Se fosse um volante de loteria esportiva, eu diria que aquele ranking foi uma grande zebra do primeiro ao último colocado. Das agências que conseguem conciliar faturamento, criatividade e best place to work, só a Fischer/Fala entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse resultado espantoso serve como indicador para as agências reverem seus conceitos e suas posturas no mercado. Primeiro, o ranking evidenciou uma tendência: muitas agências below-the-line, de comunicação integrada, marketing interativo e afins: Bullet, New Style, E/Ou, Netza, F/Biz, Biruta, entre outras. Isso denota que não é pelo fato de que a verba total destinada ao advetising convencional esteja diminuindo progressivamente que faz com que as empresas que comem pelas beiradas tenham que entrar de maneira predatória. Essas 15 agências provam que é possível oferecer qualidade de vida mesmo quando o core business não é (ou pelo menos não era até uns 10 anos atrás) dos mais almejados quando se ingressa na profissão: o anúncio de página dupla, o comercial de 1 minuto no Fantástico, o outdoor com aplique banido pelo nosso alcaide e sua Lei Cidade Limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o ranking de faturamento não andava necessariamente junto com o ranking de prêmios e estatuetas, isso já podia ser constatado há algumas décadas. No decorrer dos tempos, algumas megagências líderes em arrecadação mostraram-se criativamente acomodadas, caretas, com uma estrutura pesada e um alinhamento com marcas que não permite alçar altos voos, tendo que se submeter aos policies rígidos e engessados de seus clientes robóticos. Mas a grande novidade agora é que a criatividade nem sempre está alinhada ao prazer de trabalhar. Como explicar a ausência das agências que um dia foram sonho de consumo? Eu corro o risco de lançar algumas hipóteses. Os pesquisados pelo RH optaram pelo trabalho harmônico em equipe ao invés da competitividade das duplas. Assim como no futebol ou em outras profissões de grande visibilidade e vida profissional curta, os altos salários tornaram-se uma realidade para os esmeraldas do mercado e um mito para a grande massa de obra que está começando ou que ainda não encontrou uma grande oportunidade de mostrar seu valor. Muitos recém-nascidos submetem-se ao trabalho semiescravo em troca de estar numa agência de grife. É sabido que a carga horária nas agências tidas e projetadas como criativas é quase desumana. O que chega a ser um contrassenso, pois o publicitário precisa de referências externas tanto quanto oxigênio. Não bastasse a carga horária massuda, todos sabem que o stress impera nas empresas que fazem de tudo em busca de uma grande ideia. Alguns bem-aventurados pagam esse preço alto para se manter colocados nessas agências. Mas, graças a essa pesquisa, nota-se que uma boa parte está desiludida ou cansada desse discurso moderno e irreverente mas que, na prática, pouco difere do feudalismo medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também não vamos generalizar. Existem agências tradicionalmente criativas que ainda valorizam o sangue humano. Empresas que entendem que seu maior patrimônio são as pessoas, e que oferecer a elas condições dignas de trabalho só faz aumentar a produtividade e a inspiração. O que não quer dizer que dá para se levar a sério tudo quanto é medida paliativa. Desde que o computador mostrou ser um grande vilão à saúde humana, algumas agências passaram a contar com serviços de massagem e shiatsu, instalaram mesas de bilhar e de pebolim, puffs, lounge, o diabo. Mas essa parafernália toda é só um disfarce, um aparato estético para agradar visitas e impressionar clientes. Dessas agências best to work, algumas até podem ter lá o seu recanto do lazer, porque afinal de contas ninguém é de ferro. Mas entraram no ranking porque provavelmente têm muito mais a oferecer para sua equipe. Chegaram low profile, mas foram chegando. E ficaram. E tomara que continuem agradando cada vez mais seus colaboradores. E que as demais sigam esse modelo para pensarem criativamente como poderão, quem sabe um dia, voltar a ser uma das melhores agências para se trabalhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2901329238689057218?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2901329238689057218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2901329238689057218' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2901329238689057218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2901329238689057218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/02/great-place-to-work.html' title='Great Place to Work'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8031767766550423804</id><published>2011-02-15T10:59:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T11:00:47.386-08:00</updated><title type='text'>Oscar, a rede social</title><content type='html'>O cinema não deve acrescentar, deve subtrair. Pelo menos é o que eu penso e espero de um bom filme. Um filme consegue ser definitivo quando eu entro na sala com certezas e saio com dúvidas. Quando ele desconstrói ao invés de revigorar. Filmes que provocam, que incomodam, não são apenas aqueles que tocam em temas polêmicos ou mostram cenas ditas “fortes” sem pudor. São aqueles que, de alguma maneira, me consomem aos poucos com uma certa intensidade e insistência. Como se fossem uma cefaleia. Entro na sala com um organograma mais ou menos encaixadinho e saio dela com o quebra-cabeça todo desmontado. E olha que não é fácil desmontar um quebra-cabeça. Não basta apenas criar um roteiro todo confuso, hermético e onírico, como em A Origem, e sugerir desfechos múltiplos. Às vezes, a complexidade à qual me refiro está na pureza da simplicidade, como é o caso do macaco de olhos vermelhos do Tio Boonme, que Pode Recordar suas Vidas Passadas. O bom cinema não precisa me jogar na cara a minha profunda ignorância em solucionar epílogos mirabolantes. Eu não sou o Sherlock Holmes da Sétima Arte. Claro que o cinema de emboscada pode ser muito bom, às vezes uma obra-prima, como é o caso de boa parte dos trabalhos do Kubrick ou do Lynch. Mas eu me identifico mais com os filmes que me fazem repensar os valores de vida, os conceitos sobre a arte, sobre planos e espaços, sobre a linguagem, sobre o código. Filmes que, ao invés de me edificarem, me mutilam, que fazem me sentir bem pequenininho pra entender esse caótico mundo que nos assola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, volto a reforçar, com uma certa redundância, que a cerimônia do Oscar em nada me atrai ou me empolga. Além da premiação em si ser um porre, de tão demorada e enfadonha que é, já faz alguns anos que me desligo de torcer ou acompanhar a celebração dos favoritos indicados. Primeiro, porque é claro que o Oscar fica muitos passos atrás de outros festivais mais sérios e plurais, como Cannes, Berlim, Veneza. Estes (ainda) conseguem trazer um pouco daquele cinema que eu coloquei no começo do texto, talvez por aceitar melhor o corpo crítico e compor um quadro mais heterogêneo nas fases pré-seletivas. Mas a mediocridade do Oscar está mais em todo esse glamour, essa cafonice de estender tapete vermelho, discutir quem é que tá bem vestido ou não para a entrega da estatueta. Isso não tem nada a ver com cinema. Fora essa babaquice toda, os filmes candidatos ao mais aclamado prêmio mundial até que são razoáveis, bons, assistíveis. O problema deles é que, na maioria dos casos, não são filmes suficientemente fortes para ficar retidos na memória. Passada a euforia, voltam a figurar apenas nos arquivos do imdb.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a explicação dessa seleção de filmes voláteis, efêmeros, facilmente esquecíveis, esteja no processo como um todo, mas recai principalmente nos nomes. Tirando alguns exemplos raros de diretores queridinhos da América que se inspiram no próprio cinema para fazer sua obra, como Clint Eastwood, os irmãos Coen e mais algum outro caso que não me ocorre no momento, os demais indicam e são indicados pelo coleguismo, tudo na base do QI e da política da boa amizade. O Oscar nada mais é do que uma versão reduzida e estilizada do Facebook, um compêndio cinematográfico de uma rede social. Só falta os integrantes da Academia darem seus votos clicando no botão “curtir”. E os nomes em voga ultimamente têm claros indícios de que frequentaram a mesma escola e foram pré-aprovados pelo mesmo Concílio de Trento: Darren Aronofsky, Christopher Nolan, David Fincher, Sam Mendes, e por aí vai. Assim como a cerimônia, esses diretores abusam de seu cinema-desfile, em que pecar por excesso não é pecado, mas sim uma virtude. Trata-se do novo cinema de firulas, de malabarismos cênicos, câmeras rodopiantes, roteiros vertiginosos. Um tipo de cinema que vangloria o rococó do mise en scéne disfarçado de filme-problema. A Academia tem caído nas armadilhas desses truqueiros e seus filmes afetadinhos, onde tudo parece artisticamente belo e irretocável, onde não há espaço para as impurezas e as imperfeições da arte que imita a vida. Já se foi o tempo do cinema em perspectiva, que usa o próprio cinema como matéria-prima. Hoje parece que todos esses jovens cineastas vieram de uma geração espontânea, com suas regras e seus estilos determinantes. Acabou o cinema-conjunto, pensado como unidade e exercitado como uma somatória. Hoje os filmes que recebem os holofotes do Oscar (até talvez por uma questão de facilitar a premiação) são aqueles divididinhos, filmes pensados e realizados por camadas, onde fica fácil enxergar quando termina o trabalho de um profissional e começa o do outro. Essa celebração por categorias, se não chega a ser criminosa, no mínimo quebra o paradigma estrutural do cinema no que diz respeito à sua coerência. Um ator não está ali nas telas necessariamente para traduzir as intenções do diretor, que conduz sua câmera a serviço de uma ideia. Para um ator levar pra casa o prêmio, ele tem que se entregar fisicamente ao papel, mudar a voz, perder vários quilos, quebrar a unha do dedo do pé, esborcinar-se para exibir a dificuldade e a sofreguidão de estar em cena, ao invés de simplesmente... estar em cena. Entre outras fragilidades, o Oscar contempla meramente o resultado estético, o imediatismo do impacto. Valores menos contemplativos e mais substanciais dificilmente são colocados em questão. Isso pra mim não é simplicidade, é simplismo. Filmes candidatos ao Oscar são bonitinhos, mas ordinários. Nada me acrescentam. E pior: nada me subtraem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8031767766550423804?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8031767766550423804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8031767766550423804' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8031767766550423804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8031767766550423804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/02/oscar-rede-social.html' title='Oscar, a rede social'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3823688881446238061</id><published>2011-02-10T12:24:00.001-08:00</published><updated>2011-02-10T12:24:45.452-08:00</updated><title type='text'>Go home</title><content type='html'>A vida urbana traz também situações praticamente impossíveis de se conciliar. Tudo é muito rápido, tudo muito ágil. Comida não pode demorar mais que 20 minutos, textos não podem ter mais do que uma lauda, reflexões sobre a vida não podem ter mais do que um link. Com a vida ultrapassando o limite de velocidade, contudo, não sobra mais tempo para, numa jornada enquanto o sol ainda mostra o ar da sua graça, realizar todas as tarefas da sua profissão, levar os filhos pra escola, ir ao banco, fazer um curso extracurricular, academia, etc. Deve haver algum tipo de sacrifício: corta daqui, corta dali, estende-se o horário daquilo, e por aí vai. Vivemos um paradoxo: quanto mais rápido somos no que fazemos, menos tempo temos para fazer o que queremos ou o que precisamos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas medidas de emergência, no decorrer dos poucos anos deste século, foram pensadas para se tentar diminuir este caos moderno e transferir a propagada agilidade do discurso para a realidade. Uma delas é aproveitar a internet como ferramenta e utilizá-la no sentido que ela proporciona: comunicação à distância. É o que se chama comumente de home office. Uma prática aparentemente boa e viável, já que dispensa horas de congestionamento, a presença física em ambientes de trabalho insuportáveis e pessoas mais insuportáveis ainda. Trabalhando de casa, ganha-se uma flexibilidade de horários relativamente maior, além do fato de que o profissional encontra todo o conforto do seu habitat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ler que a agência de publicidade DM9DDB está pensando em adotar o modelo home office. Não li a matéria, portanto, não fiquei sabendo em que casos e situações esta solução se aplica. A DM9 é uma agência do primeiro escalão, antenada com novidades e tendências. Oferecer esse tipo de mobilidade, para uma agência tão up to date como esta, é algo que veio até tarde. Mas, diante da necessidade, tal medida faz todo sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vem o outro lado da coisa. O mercado publicitário, stricto e lato sensu, conhece a DM9 e seu principal capitão, Nizan Guanaes. Seja por convivência direta, seja pela familiaridade com as lendas urbanas que correm soltas. De preguiçoso, o baiano não tem nada. Entre outros, ele foi um dos responsáveis por mitificar e desmistificar a profissão, com a mesma intensidade, a mesma paixão... e o mesmo desgosto. Para se alcançar o sucesso, os prêmios, a glória, o ápice da inspiração criativa, ou até mesmo para atender a necessidade pontual, imediata e urgente de um cliente esquizofrênico, na DM9 o pessoal passa dias e noites e dias e noites trabalhando. Dizem que o soteropolitano é intolerante com atrasos. Feriados sagrados? Só se for no calendário da sua terra de origem. No final da Brigadeiro Luís Antônio, palpita-se à boca pequena que a labuta é quase ininterrupta. Mas o Nizan não é o único culpado disso tudo. O mercado ficou mais complexo. As agências, como um todo, acostumaram mal o cliente. A DM9 é apenas o porta-voz de que o modelo das atuais normas trabalhistas está ultrapassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso me ocorre uma dúvida. Alguma coisa nesta conta não está batendo. Como uma empresa de comunicação, tão vanguarda em suas ideias e tão caxias em seus horários, permite-se conceber o home office? Onde foi parar o rigor semiescravista? Será que a cúpula executiva está pensando em novas fórmulas para apagar esta má impressão no mercado e trazer de volta o estímulo dos grandes profissionais? Será que 8 a 10 horas de trabalho no conforto do lar equivalem a 14 horas (ou mais) no hostil ambiente de escritório, em termos de produtividade? Será que o tal home office nada mais é do que uma mudança de endereço do stress? Ou será que a DM9 soltou essa notícia apenas como forma de estar mais uma vez na mídia, antes que seu nome seja esquecido junto com essa imagem borrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da vil Propaganda, torço para que a notícia seja ampla e verdadeira, e não mais um boato que se transforma em fofoca e que se transforma em maldade na velocidade da internet. Será muito bom para todos nós que a DM9 seja uma das pioneiras a levar a descontração da home para a turbulência do office. E não o contrário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3823688881446238061?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3823688881446238061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3823688881446238061' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3823688881446238061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3823688881446238061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/02/go-home.html' title='Go home'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7497620852919666872</id><published>2011-01-14T09:33:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T09:34:22.711-08:00</updated><title type='text'>Entre o Haiti e a Austrália</title><content type='html'>Detesto essa tal de nomenclatura BRIC. Me dá enjoo até pra pronunciar essa palavra besta. Parece que estou cuspindo. Mas o que eu mais odeio é a razão pela qual algum economista míope e, provavelmente, sem ter mais o que fazer, criou esse status mentiroso de ascensão econômica. Melhor seria continuarmos “emergentes”, igual constava nos obsoletos alfarrábios ginasiais de Geografia. Eterno gerúndio que assume moderadamente a nossa inquestionável condição de pobreza. Mas não. É economicamente correto e poliano fazer com que as nações gigantes pela própria natureza, no que diz respeito aos números e cifras, encostem nos Estados Unidos, na Alemanha, no Japão. É que nem campeonato de futebol, ou liga de boxe, ou algum atributo desportivo similar. Para mascarar um desclassificado no ranking, os mecenas do esporte criam outros parâmetros e fazem com que este subalterno do pódio se considere um campeão. E o que me traz mais aborrecimento não é essa maquiagem produzida para se elevar a auto-estima do subdesenvolvido. Essa sigla dadaísta cria a falsa sensação de que os quatro países fazem parte de um mesmo grupo, homogêneo e planificado, sem levar em conta suas causas e diferenças históricas. A Rússia passou por uma ditadura do proletariado e agora está tirando o atraso de uma demanda reprimida. A China utiliza mão-de-obra escrava para sua linha de produção ser competitiva com a América do Norte e o Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos falar de Brasil. Chega de viajar. Brasileiro é bipolar, isso é notório. Durante a ditadura, o período inflacionário, o povo brasileiro se acostumou a conviver com o pessimismo. Com a crise da Argentina, muitos chegaram a acreditar que o efeito da vodka Orloff “eu sou você amanhã” iria aterrissar por aqui. Afinal, o país que vai pra frente puxou o freio de mão e ficou à deriva do FMI e dos mandamentos internacionais. Teve até quem pensasse que vender a Amazônia seria a solução para quitarmos nossas dívidas com o mundo. E aí, de repente, não mais que de repente, surge Luís Inácio da Silva, o cara. Ele, que trouxe sua Bolsa-Esmola para acabar com a pobreza da nação. O homem que sabia de menos. O homem que ganhou os holofotes da imprensa internacional porque, no início de seus discursos, se preocupava mais com o resultado do jogo do Corinthians do que com o repúdio que o mundo exerce sobre Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez. O presidente mais popular da história entupiu o povo de Prozac. Fomos dormir pobres e acordamos ricos. Como num passe de mágica. Como nos tempos do overnight. A crise mundial que soterrou a Islândia e quebrou a General Motors soou aqui como uma grande mentira. Crise, que crise? Somos auto-suficientes, temos o Pré-Sal, sediaremos as Olimpíadas e a Copa do Mundo numa tacada só. O Brasil ficou bonito na foto. E o brasileiro continua sedado, ainda sob o efeito do torpor alucinógeno da droga “boa noite Cinderela”, que nos assalta enquanto sonhamos. Com a volta do conforto da classe média, a autoconfiança evoluiu pra arrogância. O caipira da era FHC agora é country. Saímos às compras como quem vai à guerra. Afinal, somos os endinheirados do continente, a bola da vez. Temos orgulho de poder comemorar um Natal por mês. Podemos agora ter ar-condicionado em casa e ir ao exterior. Podemos mostrar no país das Torres Gêmeas como o palhaço Mazzaroppi de Garanhuns prosperou. Estamos confundindo estabilidade temporária com euforia megalomaníaca. Olhamos para o nosso próprio umbigo, mas não fazemos a mínima questão de cuidar da micose dele. Temos os maiores shopping centers e as maiores favelas. Compramos mais carros novos do que os alemães, mas também somos campeões invictos de acidentes de trânsito. Temos mais de um celular por habitante e um médico para cada 600 habitantes, metade do mínimo recomendado pela ONU e pela OMS. Somos um dos países que mais acessa a Internet e que menos lê livros. Falando nisso, temos a pior banda larga (e a mais cara) e o pior serviço de telefonia móvel do mundo. Estamos no G8 da economia, do futebol, da propaganda e da corrupção política. Somos pentacampeões no esporte mais popular do século passado, mas ocupamos o 85º lugar na Educação. Somos imbatíveis na quantidade de processos encalhados. Temos os médicos mais bem qualificados e o pior serviço de saúde pública. Na lista dos melhores países para se viver, ocupamos o modesto 50º lugar. Mas OK. Lula is the man.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz um ano que houve os terremotos no Haiti, orifício retal do mundo, um dos piores lugares do planeta pra se viver. Vendo as imagens pela TV, parece que agora a situação tá ainda pior do que nos momentos da catástrofe. É triste ver as ruínas de uma cidade que reconstruiu apenas 5% do necessário, as pessoas na rua passando fome, a malária dominando o visual feio e enrustido de uma população que não sabe mais a quem recorrer. Isso sem falar no exército de prontidão nas ruas, figura de força psicológica bruta e soberana para tentar coibir saques e manifestações. O Haiti é escombro do passado, miséria esquecida da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ler uma manchete que diz que, devido a uma gestão mais planejada, o número de mortes na Austrália, decorrentes das enchentes, é menor do que no Rio de Janeiro. Não li a matéria, não fiz questão de ler. O próprio título já anunciava uma obviedade. Claro que morte, uma única que seja, é sempre algo a ser lamentado, independentemente das causas e do lugar. É igualmente comovente a situação da Austrália, e também a história do menino que morreu afogado ao tentar salvar seu irmão mais novo. Mas o Rio de Janeiro chora mais de 500 vítimas soterradas. É meio milhar que vem a faltar nessa órbita por causa de São Pedro, da força netuniana das águas e, principalmente, por causa da incompetência administrativa e do descaso político. O Brasil sempre se vangloriou de ser a terra da fartura e da abundância de recursos, do clima favorável, da quase inexistência de acidentes geográficos. Se São Pedro realmente quisesse testar seu rebanho aqui embaixo, não seria tão previsível assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem percebe que essas sucessivas tragédias no país não são uma anormalidade meteorológica nem uma vontade divina, provavelmente deve concordar que ainda temos um longo caminho a percorrer até sermos reconhecidos como potência. Frente a essas duas realidades apresentadas, ocupamos o largo vácuo da coluna do meio. Não atingimos o nível zero do Haiti, mas estamos bem longe de poder provocar os vizinhos hermanos como se fôssemos reis da cocada preta. O Brasil tem, sim, capacidade de atrair investimentos estrangeiros e de melhorar a qualidade de vida de sua população. Mas os deslizamentos recentes atestam que, por enquanto, devemos nos contentar apenas com o ranking meramente mediano. Somos mornos, somos mais ou menos. Somos emergentes, tal qual a classificação que nos foi dada pelos livros de Geografia de 40 anos atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7497620852919666872?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7497620852919666872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7497620852919666872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7497620852919666872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7497620852919666872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/01/entre-o-haiti-e-australia.html' title='Entre o Haiti e a Austrália'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2669525742034812816</id><published>2011-01-10T06:08:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T06:09:34.473-08:00</updated><title type='text'>A arte foi bela</title><content type='html'>Sonhar é preciso. Sonhar faz bem. Imagine conviver com uma sociedade organizada, numa metrópole-modelo, referência para os padrões internacionais. Encerrar a sua jornada diária num cinema que nada mais é do que a extensão de sua casa ou de seu trabalho e, portanto, localizado na própria rua em que você está acostumado a habitar. Suponha que sejam as ideias que movem e transformam o mundo. Ideias valem mais que dinheiro. E é no cinema que você vai se alimentar delas, pra depois descarregar seu esforço cíclico ao se reunir com seus amigos num bar de esquina em frente ao cinema. Uma taverna famosa por congregar os mais entusiasmados artistas, intelectuais, cientistas e manifestantes políticos. É o cinema que provoca, desconstrói e reformula suas ideias. É o cinema que te traz insumos para travar as discussões homéricas com estes amigos nas rodadas de cerveja. E é neste bar que você irá, por causa do filme que acabou de ver, tentar entender melhor o ser humano ou traçar os rumos pra consertar a desordem deste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante deste quadro que beira o absurdo, seja pela utopia de sua proposição ou pelo desbotamento descritivo de suas linhas, fica fácil concluir que o cine Belas Artes morreu por causas naturais. Infelizmente, o templo heptagenário da cinefilia paulistana estava praticamente falido depois que perdeu o patrocínio do banco HSBC. O bar de esquina (Riviera) fechou faz tempo, não existe mais. A intelectualidade então, nem se fala. Tirando os eventos de relativo sucesso (Noitão e Sessão Cineclube, dependendo do filme) e os dias da semana com valores dos ingressos mais convidativos (segunda e quarta-feira, R$ 10), foram poucas as vezes que vi o Belas Artes movimentado. Já faz um tempo que o cinema se afastou de seu(s) público(s). A população considerada “média” prefere os blockbusters que não passam ali. Para essas pessoas, o cinema está mais para a diversão do que para a reflexão. Nada mais rentável então do que fazer apostas seguras, considerando-se que filme é como uma bolsa de investimentos e de cotações e não objeto de análise da matéria. Este nicho prefere a segurança dos shoppings, redoma e cárcere do consumismo, e a Sétima Arte ali se mistura ao odor homogêneo das batatas fritas, dos perfumes de marca, ao som irritante dos bipes das senhas e do poperô das lojas, ornada com o visual sinestésico e multicolorido Flicts, amálgama acinzentado do nada. Cinema de shopping não tem cara, não tem gosto, não tem vida. Mas se é ali que se depositam os trocados que fazem a diferença nos relatórios semanais de bilheteria do Filme B, resta pouco a se criticar. Mas o Belas Artes não perdeu a guerra somente em relação a essa cultura rasteira. Os próprios cinéfilos de rua andaram preferindo outros redutos vizinhos. Para eles, o Belas Artes ficou devendo a reforma que nunca houve. Com o patrocínio bancário, realizou apenas uma maquiagem nas suas instalações, mudou o visual, trocou assentos, tirou o mau cheiro e tal. Mas faltou uma reformulação em sua estrutura. Em tempos de dolby surround e 3D, a qualidade de som permaneceu discutível até os últimos dias. E a projeção também deixou a desejar, se comparada à concorrência. Isso sem falar na projeção em formato digital, que nem vou mais entrar nessa seara. Na verdade, as salas que valiam a pena frequentar eram as superiores, numa tentativa de se colocar a arte mais próxima ao culto e à adoração divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verter lágrimas para o Belas Artes é mais um ato simbólico do que uma manifestação sincera de tristeza. No ano passado, o Gemini também fechou suas portas e não conseguiu trazer nenhuma comoção maior do que o caráter saudosista que embalava os farrapos descosturados das salas decadentes. Esse tipo de manifestação em caráter de luto traduz apenas um sintoma de que o cinema de rua, como um todo e não especificamente este ou aquele caso citado, está morrendo aos poucos. Houve uma mudança cultural, uma migração progressiva e inerente de hábitos. O download internético e individualista é um processo irreversível, assim como as fitas VHS também um dia foram uma ameaça ao cinema em película. De um modo geral, 2010 foi festejado com um aumento de bilheteria, mas isso causou pouco impacto à sobrevivência do Belas Artes. A esquina da Paulista com a Consolação (nome de rua bastante apropriado ao momento) vai ficar na memória por causa de sua carga cinematográfica histórica, como a exibição exclusiva de Godard e a confusão que seu Je Vous Salue Marie gerou, a polêmica em torno de O Último Tango em Paris, as intermináveis sessões de O Carteiro e o Poeta, Cinema Paradiso, As Bicicletas de Beleville e, recentemente, Medos Privados em Lugares Públicos, os festivais de cinema russo, a nouvelle vague, o período Gaumont, a Mostra de Cinema, etc. É bom lembrar que o charme dessa esquina nada mais é do que um imóvel para fins comerciais. Seu destino ainda é uma incógnita, mas tudo aponta para um templo do comércio, do pagamento a prazo, do atendimento frio e impessoal que nada lembra o aconchego da sala escura. Não adianta chamar o seu Maluf de mesquinho ou insensível à causa. O prédio do Belas Artes foi colocado em leilão. Ganha quem oferecer mais pelo espaço. No contexto capitalista que permite a proliferação de cultura em shopping, essa atitude é até natural. Se o verdadeiro cinéfilo ama o Belas Artes só que à distância dele, em nada adianta o proprietário amargar prejuízos mensais em nome do luxo de oferecer à cidade um patrimônio da belle époque. A única maneira de manter o Belas Artes vivo, ainda que respirando por aparelhos, seria uma intervenção da Prefeitura ou alguma medida judicial proibindo a mudança de sua trajetória. Amor platônico não é forte o suficiente para manter a arte viva. Numa sociedade em que o cinema é pensado como produto, amor que sustenta a arte é o amor pago. É o amor prostituto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2669525742034812816?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2669525742034812816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2669525742034812816' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2669525742034812816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2669525742034812816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2011/01/arte-foi-bela.html' title='A arte foi bela'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4639989559234494583</id><published>2010-12-21T06:10:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T06:12:01.097-08:00</updated><title type='text'>À prova de Godard</title><content type='html'>Detesto projeção digital. Nunca escondi isso. Quem me conhece melhor já sabe o quanto eu reclamo sobre essa aberração. A última Mostra de Cinema, por exemplo entre outros exemplos, foi a prova concreta do quanto esse tipo criminoso de exibição compromete o produto artístico final. Mas eu e meia dúzia de gatos pingados somos voto vencido. Os heróis da resistência simplesmente abandonaram a luta. A resposta da assessoria de imprensa do festival sobre o assunto (por acaso, publicada no Guia da Folha), dentre inúmeras justificativas indefensáveis no decorrer dos tempos “modernos”, funciona como um atestado de óbito. Algo como “é o que temos”. Sabe quando você entra no boteco, pede uma esfiha e uma Coca-Cola, e o atendente mal-humorado avisa que só tem Pepsi e coxinha amanhecida? Pois é. Então você entendeu. Não sou contra avanços tecnológicos ou tendências de formato, pelo contrário. Também não sou a favor. Se o digital veio para democratizar o meio, reduzir custos e trazer o poder de ampliar a arte a um maior público, perfeito. Mas o que me incomoda muito é o jeitinho brasileiro de fazer tudo de qualquer jeito. Do jeito que dá. Do jeito que interessa somente a quem produz, comercializa e detém o monopólio de mercado (pensou em Auwe Digital, ex Rain Network? Acertou!). O cinema dito “de arte” (melhor seria dizer “de pouca bilheteria”) perdeu feio essa batalha. Resta aos felinos aspergidos o deleite de  contemplar essa morte lenta e agonizante.&lt;br /&gt;Enfim... sobre essa questão, faço uma reflexão retrospectiva que me chamou a atenção, particularmente em dois casos. Duas boas e duas más notícias, ou quem sabe dois problemas sérios inevitáveis e dois atenuantes. Nem vou entrar no mérito da qualidade de projeção, da fidelidade de cores e de tamanhos, definição e nitidez de imagem, ajuste de contrastes, nada disso. O buraco é mais embaixo. Depois de um tempão de promessas não cumpridas, de um atraso homérico, de vencimento de contratos e burrices estratégicas da distribuidora, eis que o tarantinesco À Prova de Morte é lançado em circuito neste ano. Aleluia. Todavia, a película limitou-se a apenas uma sala. Isso não poderia ter acontecido. O filme não só faz uma homenagem ao cinema de rua e reverência aos gêneros considerados trash de décadas passadas, mas também se vale da forma para fazer este retrato. Exibir em digital as trocas malfeitas de rolo, a bolinha no canto do quadro, as distorções cromáticas que nos fazem embarcar numa viagem ao tempo, os hiatos e delays na sonorização, tudo isso não faz sentido algum no formato citado. É o mesmo que limpar os chiados do vinil, justamente nas músicas que precisam deles para expressar sua arte. À Prova de Morte não foi concebido para ser equalizado ou remasterizado. Fazer por conta própria esse tipo de remixagem é, literalmente, uma prova de morte despejada em Tarantino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caso que merece particular atenção é o recente lançamento de Filme Socialismo, em homenagem aos 80 anos de Godard. Na melhor interpretação de “não se pode ter tudo”, esse trabalho foi lançado em duas versões: uma em película, porém com uma legendagem especial, a pedido do próprio diretor, que traduz apenas fragmentos do texto original. Para quem não entende lhufas de Francês, essa tradução torna o filme ainda mais incompreensível do que realmente é. A outra versão contempla a legendagem integral, porém, foi lançada em digital. Como muitos sabem, Godard faz a desconstrução do cinema usando o próprio cinema. Suas imagens (independentemente da beleza embutida ou não) não servem apenas para ilustrar o roteiro, mas são o artifício principal para essa conhecida iconoclastia. Godard faz o cinema da reflexão, e a metalinguagem é um dos mecanismos para defender (ou quebrar, ou até mesmo reinventar) suas ideias e proposições. Transformar a imagem originalmente pensada, neste caso, não significa apenas esmaecer seu vigor estético e deturpar sua concepção final. É muito mais que isso. É validar uma incoerência sobre a qual o filme não trabalha. Podemos até não gostar do filme, ou questionar a validade de sua desordem narrativa. Mas pensar em Filme Socialismo no formato digital é levantar a bola de uma ruptura que não existe. Isso é mais do que um descaso. A meu ver, está mais para o deboche.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4639989559234494583?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4639989559234494583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4639989559234494583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4639989559234494583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4639989559234494583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2010/12/prova-de-godard.html' title='À prova de Godard'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7947389173324752022</id><published>2010-11-24T14:52:00.001-08:00</published><updated>2010-11-24T14:52:23.886-08:00</updated><title type='text'>Hora extra</title><content type='html'>Tem gente que anda dirigindo na contramão. Inclusive em Propaganda. O último comercial do Honda City é bonitinho, tem um ritmo legal, mas, do ponto de vista social, traz uma mensagem repugnante. A começar pelo tiro no próprio pé: prova-se que o carro é caro pra caramba. Quem quiser ter um vai precisar fazer muitas horas extras. Até aí, nenhuma mentira. O sucesso tem um preço, e este aqui ultrapassa os R$ 50 mil. Mas o pior de tudo é ver que, enquanto se discute uma maneira mais saudável e prazerosa de se encarar a labuta diária, enquanto algumas nações estudam afrouxar a carga horária trabalhista, enquanto as empresas ditas de vanguarda procuram oferecer mecanismos para trazer maior qualidade de vida à sua equipe, o Honda City toca no ponto que os trabalhadores engravatados menos toleram: viver pra trabalhar, e não o contrário. Alguns setores (e muito provavelmente a agência que criou este filme) estipulam como regra a exploração com cara de produtividade. Nelas, sair no horário, deixar “cair o lápis”, como se diz popularmente, enquanto a dia ainda está claro neste horário de verão, é visto como sinal de preguiça, de acomodação, de estopim para uma rebelião sindicalista exigindo direitos rasurados na Carteira de Trabalho. Alguns empreendedores míopes creem que a pessoa que tranca as portas da empresa e apaga as luzes antes de sair é o exemplo de dedicação a ser seguido. Mas, podem acreditar, existe vida inteligente além dos biombos e dos tapumes que acobertam os laptops. Ainda mais nos dias de hoje, em que as referência para a inspiração no trabalho podem surgir no convívio com outros elementos mais divertidos do que uma planilha de Excel ou uma apresentação de Power Point. Torço muito para que os bipolares do ofício executivo comprem um Honda City antes de todo mundo. Mas o que me incomoda é o cinismo do comercial. Concordo que a Publicidade tem o dever de experimentar o novo, dizer coisas que ainda não foram ditas, e para isso valem ideias abomináveis como o riponga que se apaixona por uma ovelha, uma família que se comunica por telepatia, só para ficar em alguns exemplos do segmento. Mas este filme, especificamente, não traz avanço algum. Apenas reitera um modo de produção que até mesmo os donos de Vemaguete pensam em aposentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7947389173324752022?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7947389173324752022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7947389173324752022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7947389173324752022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7947389173324752022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2010/11/hora-extra.html' title='Hora extra'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8054878250961179160</id><published>2010-10-24T18:52:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T18:53:38.603-07:00</updated><title type='text'>A culpa é da Nicole</title><content type='html'>Se você alimenta uma certa admiração ou interesse pelos primeiros filmes de Todd Solondz, Neil Labute, Greg Araki, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Paul Thomas Anderson e toda a turminha do fundão do cinema norte-americano, certamente irá apreciar esse Sentimento de Culpa e toda a mesquinhez humana que ele incita. A cena inicial, closes de seios de idosas sendo submetidas a mamografias, com um fundo musical alegrinho que faz uma alegoria ao sul dos Estados Unidos, já denuncia boa parte das intenções da diretora Nicole Holofcener. Não existe, nem com muito boa vontade, um parecer que possa justificar a gratuidade desse registro, pois o que está em questão no filme não é o envelhecimento ou algum tema congênere, e a personagem que acompanha esses exames tem um papel secundário. Esse fetichismo sádico permeia o restante do roteiro e traz muitas semelhanças com a ironia física e leviana evocada pelos ícones da desgraça alheia citados no introito. É certo que a potência estadunidense hoje nada mais é do que um acúmulo de carboidratos e de desajustes sociais e familiares, e discutir a crise dessas relações pós-Obama seria algo bem-vindo. Mas o olhar cínico e superficial de Nicole, maquiado de cinema provocativo, não dá margem a essa leitura. Temos uma adolescente com complexo de peso e de espinhas, um casal acomodado com a rotina, um pai ausente, uma relação extraconjugal envolvendo uma alcoólatra frustrada, uma relação de ódio e de submissão envolvendo uma avó esclerosada, e por aí vai. Ninguém se salva. Apple city está contaminada por maçãs podres. Você acha que estou exagerando? Então tente encontrar uma justificativa plausível para a cena de uma equipe de jovens com Síndrome de Down treinando basquete. Sentimento de Culpa é a condensação frívola dos novos seriados da Warner, que tratam o ser humano como um aperitivo descartável para o talk show do horário nobre da televisão. E se você imagina que o título sugere uma redenção autopiedosa dos personagens, pode incorrer em erro. A única protagonista que se sente culpada pelo status quo da miséria social instaurada é Kate (Catherine Keener, a musa-coringa do cinema independente), que dá generosas esmolas a mendigos porque não consegue conviver harmoniosamente com a parasitose de sua profissão, que é a de comprar móveis e cacarecos das casas das pessoas que acabaram de morrer para revender como objetos de arte. Nesse contexto, tem-se a impressão de que a culpa é mais da Nicole do que de Kate (vocês se lembram da cena final de As Confissões de Schmidt?). No filme, os personagens estão acomodados no conforto de seus conflitos. Não há espaço para suas angústias. Estender a mão ao economicamente excluído, além de mostrar um falso altruísmo que o filme não questiona, talvez seja uma maneira terapêutica da diretora transferir seus remorsos à personagem. Está claro que o cinema low profile de hoje não precisa de donativos. Não é a esmola que vai curar a maneira sórdida e astigmática de Nicole enxergar seu mundo e as fraquezas de suas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 lentilha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8054878250961179160?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8054878250961179160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8054878250961179160' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8054878250961179160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8054878250961179160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2010/10/culpa-e-da-nicole.html' title='A culpa é da Nicole'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4585839096921997593</id><published>2010-08-31T14:35:00.001-07:00</published><updated>2010-08-31T14:35:58.919-07:00</updated><title type='text'>Cala a boca</title><content type='html'>No meio da mais esquisita Copa do Mundo das últimas décadas, um grito soou mais forte do que qualquer vuvuzela distante dos solos africanos: “Cala a boca, Galvão”. Era mais do que um coro ululante. Era a voz de protesto e de indignação de mais de 150 milhões de pessoas (o novo Censo nos trará um algarismo mais exato) diante da mediocridade dos comentários do jornalista citado. Galvão Bueno e Dunga se merecem. São o fruto colhido de uma autarquia monástica e imperialista do futebol brasileiro, sem a arte e o tempero que caracterizam a beleza de nossa cultura e nossa ginga plural. A Era Dunga, graças ao bom Deus, acabou. Junto com ela, vão-se embora os Zagalos e os Parreiras que preconizaram o ludopédio pragmático, aquele ditame de passes feitos em nome do tão questionado futebol de resultados. Felizmente, esse fast-food insosso da bola não vai mais estar com a gente em 2014. Dunga e os zangados partiram, mas o mala-sem-alça da Rede Globo, campeão das bobagens e dos salários, continua rígido em seu altar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, as redes sociais não foram apenas a mídia, mas também o palco dessa passeata virtual. Já que o brasileiro anda tão abúlico quanto à política palhaça que invade nossos lares, pelo menos quando o assunto é paixão nacional alguma coisa se mobiliza neste país. E já que essas redes se beneficiam do marketing viral, do buzz ou de qualquer nomenclatura que defina esse contágio instantâneo, pode-se dizer que o grito de guerra antigalvanizador funcionou muito bem. Tanto é que, tempos depois, uma nova onda inflou os internautas em prol do silêncio de Tadeu Schmidt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí tudo muito legal. De fato, a alegria dos inflados 140 caracteres é bem mais interessante do que as análises científicas dos filósofos da futebologia. Mas essa irreverência toda, essa descontração típica de um país sacolejante se não é hipócrita, quem sabe esconde algo pior. Hoje um dos tranding topics (pra quem não está acostumado a esse jargão, significa um dos assuntos mais comentados) do Twitter é “Cala a boca, Sabrina”, uma alusão à desastrosa entrevista que a apresentadora do Pânico teve com o teen idol Justin Bieber. Arranhando um Inglês mais torto e truncado que o do Joel Santana, a caipira nipônica não sabia de onde vinha e pra onde ia. E o galã imberbe deixou muito clara a sua impaciência com aquele improviso com cara de pegadinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que reagir e manifestar sua opinião é um direito de qualquer cidadão. Mas é bom lembrar que a sociedade brasileira em tempos de individualismo online não se caracteriza por sua atividade contestatória, muito pelo contrário. Mandar alguém calar a boca, mesmo que num tom jocoso e imediato que é a marca registrada do Twitter, reflete um comportamento autoritário que resgata, ainda que em fogo brando, os regimes de governo mais conservadores que já tivemos. Se a massa formadora de opinião se mostra tão indiferente sobre assuntos de máxima importância que poderão nortear os rumos do país, não acho que ela tem o direito de cercear ou travar essas aparições públicas da TV, por mais tacanhos e ingênuos que sejam seus pontos de vista. Ter o Galvão, a Sabrina, o Tiririca e a Pera calados faz bem aos nossos ouvidos, mas faz um mal danado e irrecuperável à democracia. Está certo que vivemos numa sociedade darwinista que só cede lugar aos bem-humorados, aos “espertos”, aos carismáticos que abrigam milhares de seguidores nas redes. É nosso direito de escolha aplaudir o Rafinha Bastos, a Bárbara Gancia, o Léo Jaime, a Rita Lee e tantos outros queridinhos da web. Mas não se esqueçam, retaliadores de plantão, que a melhor arma para combater a ignorância desses emergentes é mudar de canal, dar um unfollow, deletar de suas vidas. Querer angariar público para amordaçar essas pessoas é dar ainda mais força à censura que está louca procurando brechas pra voltar. E vocês entraram no Twitter justamente por causa da “liberdade de expressão” que a ferramenta estimula, correto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4585839096921997593?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4585839096921997593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4585839096921997593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4585839096921997593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4585839096921997593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2010/08/cala-boca.html' title='Cala a boca'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6041184636384080418</id><published>2010-05-20T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T12:16:28.131-07:00</updated><title type='text'>Permanecer correndo</title><content type='html'>Quem me conhece sabe que eu tô sempre correndo. É normal. Meu passo é naturalmente acelerado e, não sei por que cargas d’água, tô sempre atrasado pra alguma coisa. Não foi diferente da última vez em que pisei no shopping Center 3, na esquina da Paulista com a Augusta. Como não poderia deixar de ser, a grade de programação dos filmes das salas do Bristol foi planejada com horários ingratos e, como é de praxe, eu quis correr atrás do prejuízo imaginando as costumeiras filas que se formam diante da lerdeza das bilheterias. Acelerando um pouco mais o passo, eu conseguiria, talvez, nessa angústia metropolitana no pique de Fórmula 1, ultrapassar uns dois ou três possíveis interessados em ver algum filme. E, como rege a Lei de Murphy, certamente se trataria de pessoas que perguntariam os filmes, o gênero, a duração, não teriam dinheiro trocado ou tentariam passar seus cartões de crédito/débito no sistema congestionado ou inoperante. Sei que a culpa é 100% minha. Eu é que não consegui me livrar dos afazeres em tempo hábil e fui obrigado a fazer essa compensação de minutos na boca do caixa. Quis dar uma de esperto, na tentativa de perder o menor número possível de frações de tempo de um filme previamente começado. Foi durante essa maratona relativamente taquicárdica que ouvi de um daqueles seguranças vestidos de urubu me dirigir a palavra. Aquele tipo de profissional que não faz nada a não ser te proibir de fazer qualquer coisa, sabe? Em tom parcialmente austero, ele me chamou a atenção, dizendo que era proibido correr. Nem dei bola. Fui até o fim da fila, que dobrava a bilheteria e quase encostava o quiosque de alguma marca qualquer de celular. Percebendo a abordagem mal-feita, ele se retratou e voltou a mim dizendo, de uma maneira mais polida e condizente com sua função, mais ou menos isto: “O senhor me desculpe pelo modo como falei com o senhor, mas é proibido permanecer correndo aqui nas dependências do local. Muito obrigado”. Ponto para o segurança. De fato, eu não dei motivo algum para ser tratado como um meliante. E o arrependimento, a retratação, são atitudes louváveis e bem-vindas na nossa cultura cristã. OK, tudo bem, a mudança de comportamento, a abordagem mais branda, o modo educado de falar, tudo isso conta pontos a favor do distinto. Nem vou entrar no mérito linguístico em relação ao erro semântico da frase. Mas me incomoda muito essa confusão de valores que se faz em todas as esferas sociais. Por um lado, temos o faroeste da terra-de-ninguém das metrópoles, a selvageria bandida que nos amedronta. Isso questão de uns 20 passos do ponto onde ele me repreendeu. Mas o descaso policial do lado de fora em nada justifica essas proibições gratuitas em ambientes mais fechados, ou que, pelo menos, procuram causar impacto com uma suposta e falsa imagem de organização. Isso pra mim não é o exercício da cidadania, muito pelo contrário. Seria precipitado de minha parte afirmar que se trata de um ranço da ditadura, mas a atitude do indivíduo de fazer questão de mostrar quem manda em nada condiz com os riscos do ato acelerado em si. É bem provável que o tal funcionário não tem a mínima noção do que faz, e foi treinado por empresas e equipes que não deram a ele o mínimo preparo nesse sentido. Eu não ofereci riscos à segurança de ninguém. Não me foi apresentado nenhum estatuto interno do shopping de rua determinando o que se pode e o que não se pode fazer. Provavelmente essa “lei interna” nem existe. Certamente o guarda me chamou a atenção pelo simples fato de eu fugir dos padrões da maioria circulante. Pessoas como ele, que precisam muito do dinheiro pouco, aceitam empregos, cargos e determinações sem ao menos questionar esses tais valores sociais. Vestidos de farda, sentem-se tão autoridades quanto os milicos do nosso país. E, na cabecinha deles, inventar normas e procedimentos e abusar do poder nada mais é do que valorizar o seu trabalho. Se o Brasil está, do ponto de vista ético, de cabeça pra baixo, não é esse ato arbitrário do nosso soldado raso em questão que vai desentortar as coisas. Muito pelo contrário. São atitudes pequenas como essa que me fazem ter a plena convicção de que vivemos numa nação ridícula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-6041184636384080418?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/6041184636384080418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=6041184636384080418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6041184636384080418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6041184636384080418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2010/05/permanecer-correndo.html' title='Permanecer correndo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-943095078453250610</id><published>2009-12-02T17:53:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T17:57:12.353-08:00</updated><title type='text'>Violência genuína</title><content type='html'>Triste do país que tiver como modelo icônico da liberdade de expressão um programa televisivo como o CQC. Mas não tem jeito. Diante de uma programação pífia e medíocre que nos é oferecida como prato principal desse “micro-ondas de informações”, é talvez a melhor opção de um cardápio ralo e repleto de gororobas do entretenimento. Os canais abertos não saíram da década de 70, no pior sentido da comparação. Falar que os discípulos evangélicos e globais do SBT são pura baixaria é algo tão lugar-comum quanto eufêmico. Em compensação, os enlatados da TV a cabo nos dão a sensação de que estamos diante daquelas televisões de cachorro de padaria, todas idênticas no domingo à tarde, em que o frango assado gira ininterruptamente, numa mesma cena, num mesmo eixo. Se programa de TV virou commodities, ao menos o CQC estabelece um mínimo diálogo com a linguagem cibernética, lacônica e infame do público massivo de hoje. Seja pelo imediatismo da matéria, pela suposta irreverência ou pela aproximação com algumas tendências da comunicação, como as redes sociais, por exemplo. Diferentemente dos siberianos, enfadonhos e retrógrados Altas Horas ou Amor e Sexo, por exemplo, que expõem a moçada como figurantes, usam gírias mas não passam de cartoons colorizados da época de Gil Vicente. O Custe o que Custar é palco publicitário para os aspirantes a ator de stand-up comedy. Toca nas feridas políticas de modo tão sintético e limítrofe quanto a capacidade de armazenamento do Twitter. Ainda assim, rende os assuntos mais saborosos das conversas de escritório das manhãs de terça-feira, já que o período matutino de segunda e quinta é monopolizado pelos bocejantes comentários futebolísticos. E, depois de tantas voltas, é sobre ele que eu me proponho a falar. Voltando ao tema: a democracia no Brasil consolidou-se de forma tardia, capenga e burra. Quase todo dia, encontramos provas mais do que evidentes, em todos os níveis possíveis e nas mais diversas esferas sociais, do autoritarismo do poder de expressão, da coibição sobre a pluralidade de pensamento, da restrição ao diálogo aberto. O povo brasileiro, de um modo geral, ainda não está acostumado ao confronto sadio de ideias. Não sei dizer, e seria arrogante da minha parte, atribuir a culpa sobre esse regime social stalinista, obtuso e intestino à política e aos políticos brasileiros. Talvez o problema seja muito maior e a raiz, muito mais profunda do que isso. Mas séculos e séculos de um sistema patriarcal, de sucessivos governos em que o líder de uma nação é considerado o “pai do povo”, aquele que dá pirulito à criança que se comporta direitinho e palmadinha no bumbum dos mais rebeldes, fomentaram esse comportamento patológico pouco flexível ao pluralismo ideológico. Fazemos parte de uma massa sem vontade própria, regida pelos mandos e desmandos de um tutor-coronel da república do café e das capitanias hereditárias da macaxeira. E isso se reflete até mesmo na escala zero da pirâmide hierárquica. Basta entregar a um desdentado uma arma, um coldre e um colete à prova de balas com o bordado “segurança” nas costas que o indivíduo já se sente “toridade”, com poderes atribuídos por ele próprio de tapar com a mão as lentes da câmera e falar pro repórter “vai trabaiá, vagabundo”. Não, não é descrição preconceituosa da minha parte não. É um fato registrado pelo VT da Rede Bandeirantes que, em última instância, é o resíduo podre e caduco dos tempos da ditadura. Se esta atitude milica, muito mais uma vontade de provar a ascensão social do que ter a plena consciência do seu exercício do autoritarismo, ocorre já nas camadas de base, imagina então como se dá esse comportamento numa laia mais graúda. José Sarney, bastião das alianças espúrias que o governo do PT andou fazendo, também foi protagonista de um episódio vexatório que envolveu um entrevistador do referido programa. Ao tentar abordar o ex-Presidente e pedir explicações sobre os escândalos do Senado, o repórter Danilo Gentili foi fisicamente agredido pelo seu segurança pessoal. O bigodudo marimbondo de fogo dos maranhões esquivou-se da saia justa, mas as imagens constrangedoras renderam ao programa uma série de notícias, manifestações de repúdio ao sistema e votos de solidariedade ao apresentador. E, ao jagunço esclarecido do agreste, o delito rendeu, de acordo com o âncora Marcelo Tas, um processo judicial que, espero, não termine em pizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a história ao menos nos ensinasse que os fatos mais hediondos pudessem servir de escadaria para a maturidade, seria menos mal. Pagaríamos um preço – alto – pela apostila do crescimento e do desenvolvimento. Não é bem o que ocorre. A história se repete justamente pela recorrência de seus erros. No programa CQC do dia 30 de novembro, o repórter Rafael Cortez, novo integrante do quadro Controle de Qualidade, passou por uma situação semelhante e igualmente imperdoável quando foi dirigir uma pergunta a outro José, dessa vez, o Genoíno. Sinceramente, sou novato em matéria de CQC. Não sei se, nos primórdios, houve alguma rusga entre o deputado e a equipe do programa, ou algum tipo de situação mal-esclarecida. O fato é que o nobre constituinte, que já havia caído no meu conceito devido às suas recentes posições políticas, parece que enterrou de vez minha credibilidade depositada sobre ele e sua carreira de guardião da democracia. Um dos mais contumazes lutadores da resistência contra o regime militar, ex-preso político, torturado, participação ativa na questão Araguaia, talvez tenha saboreado o gostinho de estar do outro lado do poder. Em inúmeros programas anteriores, o ilustre parlamentar, no seu legítimo direito, jamais abriu a boca para conceder entrevistas ao CQC. Sempre sisudo, o político escapava das pegadinhas assim como os mensaleiros fogem da CPI. Tudo bem, confundir seriedade profissional com antipatia é perfeitamente perdoável. Sempre imaginei que esse semblante carrancudo fosse a caracterização de um Genoíno personagem de si mesmo. Mas dessa vez seu mau-humor foi longe demais. Em suas próprias palavras, o petista acusou o programa de pregar a violência (!?!), sem especificar com maiores detalhes a chegada a essa leviana conclusão. Até aí, talvez o atarefado e veterano deputado tenha confundido o imberbe repórter com o pessoal do Pânico, um programa semelhante no seu formato, mas muito mais apelativo, invasivo e campeão de piadas de mau-gosto. O quadro Controle de Qualidade é apenas uma espécie de Enem do Congresso, em que são testados rapidamente os conhecimentos mais elementares possíveis do dia-a-dia da política brasileira. Ainda que o gagá congressista tenha se exaltado e se sentido moralmente violentado no calor da situação, o que não passa de uma hipótese bastante precipitada pelo que as imagens indicam, nada justifica sua reação: uma discreta cotovelada em Rafael, daquelas feitas para a câmera não captar. Num país dito democrático, e com um partido que usou essa bandeira panfletária como alicerce para chegar ao poder, uma suposta “violência” não se rebate com violência. Pagar com a mesma moeda, nesse caso, só faz inflacionar o efeito negativo da situação. Ainda que proporcionalmente deselegante, o tal do “te pego na saída” seria mais sincero do que a cotoveladinha lateral, praticada em partidas de futebol por jogadores de mau caráter, que usam do golpe baixo pra levar vantagem e não ser vistos pelo juiz. Nos exames escolares realizados no país, recusar-se a responder a pergunta do professor é digno de nota zero. Fazer uma jogada violenta contra o adversário é algo pra cartão vermelho. Lembre-se disso na próxima vez em que praticar o exercício democrático do voto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-943095078453250610?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/943095078453250610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=943095078453250610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/943095078453250610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/943095078453250610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/12/violencia-genuina.html' title='Violência genuína'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3645438220231120416</id><published>2009-10-25T19:05:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T19:08:05.752-07:00</updated><title type='text'>A Todo Volume</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUSER%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Do blues ao white&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um toco de madeira, arame esticado e fixo por pregos nas pontas, uma garrafa vazia de Coca-Cola e um amplificador. Pronto, pra que guitarra? Mais do que um prólogo, essa apresentação sintética e questionadora é a própria desconstrução do filme. A partir deste texto que leva ao risível estranhamento, toda a verdade absoluta cai por terra. Sim, uma terra vazia, árida e caipira. O cidadão provinciano que acompanha a montagem deste simplório instrumento é tão extraterrestre quanto o espectador diante da mágica de se poder extrair som do nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esse preâmbulo ao mesmo tempo insólito e cativante demarca ou outro documento mais recheado, o filme propriamente dito. Trata-se de um registro do encontro entre três guitarristas, símbolos de suas gerações, realizado no começo do ano passado, com a finalidade de discutir este instrumento elétrico e, claro, tocar. Jimmy Page, ex-Led Zeppelin, é o ácido lisérgico dos anos 70. The Edge, principal coadjuvante do U2, é o grito de sobrevivência dos efêmeros anos 80. E Jack White, &lt;i style=""&gt;chef&lt;/i&gt; de cozinha do White Stripes, Racounteurs, Dead Weather e tantos quantos forem os seus futuros projetos, é a síntese dessa colcha de retalhos, desse copy-paste myspace musical que é o rock atual. Page é a página virada da história do rock. É a lenda-viva, e sua imagem até certo ponto icônica e distanciada é preservada como tal. É nos toscos registros de sua participação nos Yardbirds que podemos perceber que o mestre não só foi um dos principais conectivos entre o blues de raiz e o rock de arena, mas também é dele que vêm os primeiros verbetes do que podemos entender por música que faz a cabeça adolescente. Page é a referência intocada, a enciclopédia, é o papa de quem resiste e ainda prefere aprender música por meio de partituras de conservatório. Trazê-lo ao sarau elétrico e distorcido é nada mais do que fazer uma homenagem ao mestre de cerimônias que trocou as drogas pela alimentação vegetariana, o niilismo hippie pelo zen-budismo e Londres por Marrakesh e Porto Seguro. Já The Edge é a representação da escalada mais saborosa do punk ao pop. Ao ver o U2 tocar num estádio lotado, num show com aquela parafernália megalomaníaca, centenas de milhares de pessoas cantando suas músicas de cor e salteado, chega-se à conclusão de que o rock é tão incoerente quanto dissimulado de suas origens e de suas revolucionárias propostas. O hino de protesto das gerações sucumbiu aos downloads. Rock dá dinheiro, muito dinheiro, e The Edge não esconde seu comodismo em relação e esse confortável &lt;i style=""&gt;status quo&lt;/i&gt;. O guitarrista assume descaradamente sua afeição pelos programas de computador que reproduzem os acordes e as escalas. Se Jack White, lá no intróito, enterrou a guitarra, aqui The Edge enterra a figura do próprio guitarrista. Para a massa da multidão vibrar, basta o competente trabalho de um engenheiro de som e seu mais moderno software de fazer barulho. Já White, &lt;i style=""&gt;the last but not the least&lt;/i&gt;, muito pelo contrário, é talvez a figura mais emblemática porém a mais sincera do documentário. É quase a antítese minimalista de The Edge. A marcação do compasso de suas músicas é feita com o pé, dispensando qualquer aparato tecnológico. Em sua primeira banda, na verdade um dueto, o White Stripes, Jack descreve sua irmã Meg White como dotada de poucas habilidades artísticas, algo assim. Mas pra ele, não precisa mais do que isso. White demonstra ser o mais purista e sectário a navegar pelos primórdios do blues-rock. Isso sem falar no bônus track que ele nos apresenta. Introspectivo, de poucas palavras, recriando o gênero de si próprio, White é mais personagem do que compositor. Em seu chapéu-coco preto, em contraste com seu pálido rosto pó-de-arroz e sua camisa branca, lembra muito aquilo que Johnny Depp nos mostra no realismo fantástico de seu cinema. É o humor mal-humorado desse Buster Keaton das guitarras que nos reserva os momentos mais impagáveis. Se para reproduzir a história do Led Zeppelin são necessárias incontáveis páginas de arquivos do rock, se para entender melhor o U2 deve-se recorrer a pesquisas no Google, já o White Stripes pode ser resumido em uma tirinha de HQ. A concepção gráfica desta banda restringe-se repetidamente a três cores básicas (preto, branco e vermelho). O bumbo da bateria, visto de longe, parece pirulito de criança. Os Listras Brancas provam que o rock talvez não seja sincero, mas é no mínimo cômico e caricato. E esse desfecho pouco ortodoxo sintetiza as contradições inerentes ao trio convidado. Mas para não correr o risco de cair em hermetismos acadêmicos ou tornar o documentário enfadonho aos ouvidos iniciantes, o diretor Davis Guggenheim faz a aposta segura de contar histórias. Ir direto ao assunto, ou seja, ensaiar durante horas num galpão e discutir rumos musicais é o cerne do documentário, algo tão essencial e &lt;i style=""&gt;inutilia truncat&lt;/i&gt; quanto a música crua e lacônica de White. Mas o diretor opta por preencher espaços narrando e trajetória das bandas que trouxeram fama aos músicos, e isso não é uma questão ao filme. Não está em jogo o malabarismo do baterista John Bonham ou o início de carreira do U2, banda despretensiosa que nasceu nos subúrbios da Irlanda em meio à crise econômica e política do país. &lt;i style=""&gt;A Todo Volume&lt;/i&gt; é, em sua essência, a entrega de White e seus riffs das artérias, que faz sangrar suas mãos ao dedilhar a guitarra, colorindo de vermelho o branco-e-preto de sua comportada indumentária, em detrimento ao automático apertar de botões de The Edge. Pensar o filme como uma coletânea de hits é um equívoco. Ele é muito menos do que isso e, portanto, muito mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;2,5 lentilhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3645438220231120416?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3645438220231120416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3645438220231120416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3645438220231120416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3645438220231120416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/10/todo-volume.html' title='A Todo Volume'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7057635628909454808</id><published>2009-10-04T21:34:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T21:36:09.918-07:00</updated><title type='text'>Tirania semântica</title><content type='html'>A língua de um povo não é apenas uma forma de manifestar suas ideias e sua cultura, mas é também uma maneira de expor a distinção de classes sociais. Igual a roupa de shopping; calça de griffe é mais bem-vista do que artigo do Largo da Concórdia. O uso incorreto da língua, tal qual o uso incorreto de uma roupa, sofre a mesma discriminação. A norma culta, como o próprio nome diz, é um mecanismo seletivo para determinar quem, do ponto de vista linguístico, irá para o Céu ou para o Inferno. “Nós foi”, expressão dada como modelo do “falar errado” da classe mais baixa, é algo ridicularizado pela elite dita culta. Muito embora o emissor da mensagem consiga se fazer entender. Afinal, lá no enunciado “errado” consta exatamente quem fez a ação, o que fez e quando fez. Verbo concordar com sujeito, de acordo com a regra gramatical castiça, é apenas um capricho da Flor do Lácio. Uma redundância capaz de reprovar alunos, apesar da plena compreensão do seu significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, essa mesma língua que nos faz capaz de se comunicar na sociedade também pode nos ser traiçoeira. Estamos, afinal, diante de um tribunal de Justiça? Parece, porque pelo que vejo existe nos alfarrábios léxicossociais o “pouco errado” e o “muito errado”. A sociedade, cruel ao condenar o verbo singular de um sujeito plural, é a mesma que pode perdoar o uso incorreto de infinitivos, por exemplo. Mais por ignorância do que bom-mocismo, talvez. “A nível de”, um erro considerado “classe média”, não sofre as mesmas represálias. O tão-falado gerundismo, modinha de sarcasmo, virou algo condenável só porque se lançou uma corrente em algum lugar do país condenando o uso deste tempo verbal. Duvido que tenha havido algum tipo de consulta antes de sua reprovação. “Ele vai estar fazendo”, frase generalizadamente atribuída aos operadores de telemarketing, sabe-se que está incorreta do ponto de vista erudito. Mas “ele deve estar chegando” está correta. Alguém me explica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente a essa tolerância classista não posso deixar de citar os comerciais da campanha sobre a fusão Banco Real / Banco Santander, com uma série de testemunhais aprovando a junção dos benefícios. Em um dos depoimentos, uma moça aparentemente de classe média, moderna, descolada, gestual descontraído, me solta: “uma matematicazinha”. Diante do contexto, a frase até que soou apropriada e toda a sua performance, bem-vinda. Mas os puristas linguísticos, aqueles mesmos que colocariam o suposto caipira do exemplo acima na guilhotina, não poderiam aceitar essa agressão vernacular. Matemática é uma ciência, um estudo, um assunto tratado no singular por sua grandeza e por sua incompatibilidade semântica em se enumerar. É o mesmo que dizer “vou à feira trazer umas biologiazinhas”. Se a astronete tivesse dito “umas continhas” ou algum sinônimo, vá lá. Mas a Língua Portuguesa, cada vez mais, está virando passarela verborrágica: lança uma novidade, chama a atenção, exibe-se diante dos curiosos holofotes e depois sai de cena. Nossa língua pátria é móvel, é dinâmica, é corrente, sujeita a alterações sem prévio aviso, tal qual o pensamento do nosso povo. Mas é inaceitável acatar com esse comportamento de segurança de bar: deixar entrar alguns erros VIP, barrar outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7057635628909454808?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7057635628909454808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7057635628909454808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7057635628909454808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7057635628909454808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/10/tirania-semantica.html' title='Tirania semântica'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-5214726674026018874</id><published>2009-10-04T21:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T21:34:12.732-07:00</updated><title type='text'>Tirania estética</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CUSER%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cá estou eu novamente a falar de um comercial de cerveja da marca Schin. Melhor pra eles; falem mal, mas falem de mim. Antes uma empresa que impõe conceitos sem medo de errar a uma empresa acomodada, que só veicula apostas seguras. Trata-se de um comercial de um jovem comum, desses que trabalham em um escritório comum, e que se submete cegamente aos mandamentos de uma voz em off pra ficar com uma melhor aparência e, portanto, conquistar as mulheres. Por trás de uma suposta filosofia de vida democrática “seja você mesmo” existe uma falsa premissa. Ao trabalhar com a ironia para mostrar que toma partido do lado oposto, o filme-fariseu apenas reforça a ideia de que os homens têm total liberdade para se lixarem para o seu físico. Nesse sentido, redunda estereótipos ao invés de combatê-los. Sim, o franzino protagonista ficaria ridículo se fizesse bronzeamento artificial, mudasse o corte de cabelo, entrasse em uma academia. Afinal, o típico bebedor de cerveja, tal qual o concebemos, gordo e careca, não pode se submeter a essas déspotas regras sociais. Mas esse liberalismo estético, no filme, só é concedido aos homens. A mulher, que aparece somente no final, e num ângulo notadamente machista, não recebe essa alforria. Ou seja, a cerveja Schin, escancaradamente dirigida ao “sexo forte e macho”, oferece ao desleixado portador de testosterona a oportunidade ilusória de, sem precisar fazer qualquer tipo de esforço físico que não seja o de esvaziar um copo goela abaixo, conquistar o par de pernas torneadas do escritório. Bem como qualquer outro tipo de comercial do gênero.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-5214726674026018874?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/5214726674026018874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=5214726674026018874' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5214726674026018874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5214726674026018874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/10/tirania-estetica.html' title='Tirania estética'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2532419174504301341</id><published>2009-09-14T12:33:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T12:37:12.977-07:00</updated><title type='text'>Restaurant Week 2</title><content type='html'>Finalizando o roteiro, seguem minhas impressões desta terceira edição do evento. Posso dizer que a experiência como um todo foi bastante positiva, deixando saudades e um pequeno rombo na conta bancária. Mas pelo menos foi um gasto pra lá de saboroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Júlia:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O forte da casa é a culinária que mistura o contemporâneo com a comida típica regional. E eles não fazem feio. Comida muito bem estudada e preparada. Pena que não é muito pro meu paladar. Os destaques do cardápio são lula, polvo, pato e galinha d’Angola. Tortinha de cupuaçu pra dar o toque final. Tudo muito caprichado. O serviço é impecável; a gerente veio até a nossa mesa umas 3 ou 4 vezes. Tudo perfeito, não fosse a distância que separa as especialidades da Júlia ao meu gosto. Mas aí o problema não é deles, é única e exclusivamente meu. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;3,5 lentilhas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Boa Bistrô:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Na entrada, mais uma vez houve uma pequena confusão com reserva de mesa, mas a hostess rapidamente contornou o problema. Comida honesta, decente. Um caprichado ceviche de peixe de entrada, truta como prato principal e sorvete de gianduia pra finalizar. Tudo politicamente corretíssimo, do atendimento à gastronomia. O nome da casa faz jus ao seu produto: uma boa experiência. Nem péssima, nem ótima. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;3 lentilhas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Félix Bistrô:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O local é bastante agradável, com plantações de algodão (?!) cercando o caminho e uma piscina no centro do ambiente. O atendimento é ótimo, prestativo e pró-ativo. Comecei com um crepe de alho-poró, bastante saboroso não fosse uma camada de molho de tomate que destoou da proposta. O salmão estava leve e saboroso. A sobremesa, uma torta de pera, foi o melhor da noite. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;4 lentilhas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Casinha de Monet:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Quisemos fechar o roteiro com chave de ouro e, por causa disso, bateu aquela dupla sensação: a ansiedade pelo ótimo misturada ao medo da decepção, conforme ocorrido no encerramento de edições anteriores. E essa última aventura ficou mais próxima do excelente do que do terrível. A decoração da casa, bem feminina, é de quadros floridos e paredes de tons pasteis. A entrada do cardápio, rodelas de queijo de cabra quente sobre torradas e rúcula, está entre as melhores. O prato principal, filé mignon com risoto de queijo brie e abobrinha picada, embora convencional, estava bem caprichado. Pra encerrar, a sobremesa, pera ao vinho sobre camadas de massa folhada, era mais criativa do que saborosa. O único senão foi o serviço da casa, um pouco demorado e conduzido por garçons de pouca experiência no ramo da alta gastronomia. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;4 lentilhas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2532419174504301341?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2532419174504301341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2532419174504301341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2532419174504301341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2532419174504301341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/09/restaurant-week-2.html' title='Restaurant Week 2'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7991115857891638817</id><published>2009-09-07T20:36:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T21:26:08.324-07:00</updated><title type='text'>Restaurant Week</title><content type='html'>Seja para prestar um serviço de utilidade pública ou apenas para satisfazer a curiosidade, achei uma boa ideia dar meu parecer sobre o "primeiro tempo" dessa terceira temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas para registro retroativo, os campeões campeoníssimos das edições anteriores foram Chakras e Obá. Gardênia, Caroline, Blú e Butique (ausente nesta temporada) foram bem avaliados. La Table e Forchetta foram as grandes decepções. Vamos lá ao resultado parcial nesta primeira semana, por ordem cronológica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Quintal da Madalena:&lt;/span&gt; começamos bem mal. Houve uma confusão na reserva de mesa, demora demoradíssima em todas as etapas do processo: limpeza da mesa, entrega do cardápio (o menu Restaurant Week nos foi dado após o menu da casa, e não simultaneamente), anotação do pedido, entrega das bebidas (o gelo veio quase todo derretido no copo, o que deixou a bebida aguada), entrega da entrada (servida separadamente ao casal), encerramento da conta, etc. Nem o simpático e atencioso porém solitário garçom conseguiu suprir as falhas e dar conta do movimento. A saladinha de entrada estava honesta, porém o prato principal (miolo de alcatra) estava extremamente duro e, finalizando, o protocolar sorvete com profiteroles era bem sem-gracinha. Uma hora e meia de desgosto. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Caldo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Obá:&lt;/span&gt; já conhecíamos a casa, mas quisemos provar o jantar. Novamente, a cozinha contemporânea brasileira-mexicana-tailandesa não fez feio. Eu experimentei a pescada-amarela com legumes, levemente condimentada. A única ressalva é que houve um erro na conta (rapidamente corrigido) e na entrega da (maravilhosa) sobremesa, o que não atrapalhou a eficiência da casa. Pena que a demora do almoço nos fez "conversar com o estômago" até tarde da noite, portanto, nossa sugestão é contrabalancear o Obá com uma refeição bem leve. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;4 lentilhas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Maria Lima:&lt;/span&gt; uma grata surpresa que vem da emergente Vila Leopoldina. Serviço rápido, organizado e eficiente, culinária boa, dá vontade de repetir. Bem diferente do almoço de sábado. O filé de avestruz muito bem preparado. A sobremesa, caprichada. E o carpaccio de truta de entrada é campeão. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;4,5 lentilhas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Le Poéme:&lt;/span&gt; a grande surpresa. Excelente em tudo. Dá pra se notar que é bistrô de profissionais de primeira linha. O pargo com purê de mandioquinha e ovas de salmão dispensa comentários. E a sobremesa (crepe de avelãs com calda de tangerina e sorvete de framboesa) vai ficar pra história. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Mjadra&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Santa Gula:&lt;/span&gt; o local (uma viela botânica num casarão rústico da R. Fidalga) é bem agradável, o serviço é correto, mas... e a comida? Bom, vamos lá. Antes de mais nada, é bom avisar que a casa trabalha com a marca Schincariol, portanto, seja bem específico ao pedir sua bebida e sua marca de coração. A entrada, um crepe de salmão, estava honesta. Já o prato principal me deu a impressão de que o estabelecimento estava se aproveitando da "onda" Restaurant Week e oferecendo bem pouco aos fregueses. O filé de frango ao molho mostarda tinha o tamanho das porções dos tradicionais restaurantes franceses e o sabor de um comum restaurante por quilo. No cardápio, onde se lia "batatas rústicas" de acompanhamento, trocou-se o preparo por batatas chips. A sobremesa (uma colher de suflê de chocolate) estava just OK. Não quero ser preconceituoso, mas essa dupla experiência consecutiva reforçou a minha impressão de que a Vila Madalena quer ser algo que não é. Tô cansado de ser enganado. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;1 lentilha&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7991115857891638817?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7991115857891638817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7991115857891638817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7991115857891638817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7991115857891638817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/09/restaurant-week.html' title='Restaurant Week'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3427864858098665526</id><published>2009-07-11T21:03:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T21:04:14.632-07:00</updated><title type='text'>A mosca da Folha</title><content type='html'>A Folha de São Paulo vem trabalhando sistematicamente para arrancar uma certa imagem estigmatizada de seu produto. Embora muito mais careta em relação aos saudosos anos 90, época em que havia um saboroso embate publicitário entre ela e seu principal concorrente, a campanha de uns anos pra cá vem focando a diversidade e a pluralidade de seus cadernos. Essa mensagem traduz que o jornal do Século XXI procura atingir a todos os públicos e, diferentemente do passado, é mais acessível e mais inteligível. Já o recente comercial de TV, entretanto, é um retrocesso nesse sentido. Pretensiosamente poético, o filme é uma compilação de citações que não querem dizer absolutamente nada. Um verdadeiro caô linguístico. Tendo como mote o primeiro verso de uma famosa cantiga folclórica, que até virou inspiração para música de Raul Seixas, o sarau publicitário é um moscardo em sua mais pura forma, tão niilista quanto fétido. Se por um lado o crédito dado aos principais colunistas em lettering dá credibilidade ao produto, por outro aquele amontoado pós-dadaísta coloca em xeque as suas opiniões e reflexões. Se estivéssemos enfrentando a ditadura militar, os himenópteros e tautológicos versículos até poderiam soar irreverentes. Mas não temos mais nem tempo nem vontade de ressuscitar o Pasquim. Com esta campanha, a Folha volta a resgatar a ingrata imagem que cultivava nos anos, 80, época em que tinha Matinas Suzuki como principal comandante. Tão amada quanto odiada, a Folha alimentava em suas neossintaxes a impressão de que era um órgão culturalmente elitista, hermético e centrípeto, modernoso e rabugento, produzido apenas para o deleite da inteligenzia brasileira. Ingenuamente, pensei que fosse aplainar seu semblante blasé por muito mais tempo. Terrível engano da minha parte. Eis que surge do nada a sopa de leguminosas concretistas, palatável somente para quem venera o pedestal do distanciamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3427864858098665526?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3427864858098665526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3427864858098665526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3427864858098665526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3427864858098665526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/07/mosca-da-folha.html' title='A mosca da Folha'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2119691352835038231</id><published>2009-07-11T20:56:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T21:03:25.823-07:00</updated><title type='text'>Jackson, é óbvio</title><content type='html'>Quando ouvi a faixa cover Black or White do CD ao vivo do McFly, RadioActive Live in Wembley, pensei se tratar de uma puta coincidência. Afinal, o disco foi lançado aqui faz pouco mais de um mês. Premonição? Não creio. Se fosse, tal atitude mediúnica também deveria ser atribuída ao Fall Out Boy, que colocou Beat It como faixa bônus de seu último trabalho, também lançado este ano, ou até mesmo a esquisitíssima versão de Billy Jean que o ex-grunge Chris Cornell fez em carreira-solo há dois anos. No mundo do rock, atualmente, não sei por que cargas d’água é comum fazer versões de bandas ou artistas prestes a cair no esquecimento; nem tão recentes, para não parecer chupinhação descarada, nem tão antigos, pro disco não ficar com aspecto de obsoleto. Mas estes três exemplos contemporâneos dão uma boa ideia de como Michael Jackson estava sendo visto no universo da música pop. As dívidas do mito eterno não deixam dúvidas de que o astro já não era assim tão lembrado pelos seus fãs, o que estava se refletindo diretamente na vendagem de discos. Estes três grupos citados estavam apenas no seu papel de fazer o que a indústria fonográfica sabe fazer muito bem: reciclagem. A banda inglesa McFly talvez tenha dado mais sorte, por fazer o tributo em data tão próxima à morte do ídolo, o que talvez possa contribuir para o aumento de vendas do CD/DVD. Mas essa sincronicidade toda, creio eu, está longe de refletir poderes psíquicos paranormais dos conjuntos atuais. É mais uma remodelagem necessária ao ostracismo que os mecenas do rock evocam, que só ganha ares de reviravolta quando alguém vem a faltar nessa ciranda capitalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2119691352835038231?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2119691352835038231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2119691352835038231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2119691352835038231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2119691352835038231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/07/jackson-e-obvio.html' title='Jackson, é óbvio'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8322482779832732717</id><published>2009-02-20T11:13:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T11:14:04.997-08:00</updated><title type='text'>Perdendo a calma</title><content type='html'>Me causou uma certa tristeza ver a galeria Nova Augusta, ao lado do Cinesesc, com as portas fechadas. O espaço não vingou. Era vazio, tinha boas opções de comida, lojas mais ou menos alternativas e o culto declarado ao veganismo. Não tinha o aspecto desleixado de outlet, tampouco era pernóstico quanto os vizinhos da Oscar Freire. Uma pena. Rola uma boataria de que vai haver uma reforma para abrigar salas de cinema. Aguardemos ansiosamente. Falando em cinema, uma boa e atrasada notícia. O vizinho Cinesesc deixou um pouco de lado aquela formalidade burocrática toda e descontraiu seus músculos faciais. Aquele monte de sinalização obrigatória e restrição aos fumantes ficaram tímidos e apagados diante de algumas melhorias. O hall de entrada, além de comportar fotografias deslumbrantes, ficou mais com cara de lounge. Os banheiros foram transformados em camarins: lâmpadas ao redor dos espelhos e nomes de atores (atrizes, no feminino, segundo me disseram) nas portas dos sanitários. Faltou o nome de Daniel Filho em uma das batentes: ele só faz merda. Mesmo assim, Mastroiani e outras lendas receberam suas devidas homenagens. Mas a melhor mudança ficou por conta da vinheta obrigatória no início da projeção. Em vez de começar falando dos extintores de incêndio, porta antipânico e aquela baboseira toda, já vai direto ao ponto: a conversa paralela durante o filme. Em tom mais brincalhão do que a vinheta anterior, o novo produto satiriza quem usa o celular como lanterna ou fica a sessão inteira no maior falatório. Uma modificação bem-vinda, bem mais interessante do que aquela tenebrosa locução “Mantenha a calma”, facilmente confundida com “Não tenha calma”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8322482779832732717?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8322482779832732717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8322482779832732717' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8322482779832732717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8322482779832732717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/02/perdendo-calma.html' title='Perdendo a calma'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1795020165834358989</id><published>2009-02-20T11:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T11:13:24.736-08:00</updated><title type='text'>Lentilhas murchas</title><content type='html'>Mais uma vez, peço desculpas aos leitores pelas teias de aranha aqui no blog. Foram dias intensos, reviravoltos, com crises de ressaca, infernos astrais e a determinação forçada do fim de um ciclo. Mas vamos que vamos. O recomeço não deixa de ser um instigante desafio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1795020165834358989?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1795020165834358989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1795020165834358989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1795020165834358989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1795020165834358989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/02/lentilhas-murchas.html' title='Lentilhas murchas'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-912809727774386036</id><published>2009-01-29T06:15:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T06:19:52.409-08:00</updated><title type='text'>Obama</title><content type='html'>Ainda no pique de reciclar piadas antigas, lá vai mais uma em homenagem ao novo presidente norte-americano. A frase abaixo é uma síntese pra definir o cérebro de George W. Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The right side has nothing left.&lt;br /&gt;And the left side has nothing right.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-912809727774386036?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/912809727774386036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=912809727774386036' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/912809727774386036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/912809727774386036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/obama.html' title='Obama'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4758625589992556828</id><published>2009-01-29T06:06:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T06:15:27.803-08:00</updated><title type='text'>A fome no mundo</title><content type='html'>Essa é meio antiga. Mas quando a piada é boa, merece se perpetuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial com diversos líderes dos principais países. A pergunta era: "Por favor, diga honestamente qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo". O resultado foi desastroso, um fracasso total. Ninguém entendeu direito a pergunta.&lt;br /&gt;Os noruegueses e dinamarqueses não entenderam o que é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"escassez".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os africanos não sabiam direito o que era &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"alimentos".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os norte-americanos foram consultar no Google o significado de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"o resto do mundo".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"opinião".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Os argentinos não sabiam o significado de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"por favor".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E o Congresso Nacional ainda está debatendo sobre o que significa &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"diga honestamente".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4758625589992556828?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4758625589992556828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4758625589992556828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4758625589992556828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4758625589992556828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/fome-no-mundo.html' title='A fome no mundo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4413330418375018975</id><published>2009-01-29T06:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T06:06:24.122-08:00</updated><title type='text'>Trabalho</title><content type='html'>Fiéis leitores, desculpem-me o sumiço. Tô com excesso de trabalho e alguns posts acumulados. Fiquem calmos, já listei meus futuros comentários e em breve atualizarei a página.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4413330418375018975?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4413330418375018975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4413330418375018975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4413330418375018975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4413330418375018975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/trabalho.html' title='Trabalho'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-5861223101480166833</id><published>2009-01-09T12:00:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T12:03:59.323-08:00</updated><title type='text'>O peso da fama</title><content type='html'>Jogador de futebol pesando mais de 100 quilos e Rei Momo carnavalesco com "apenas" 91 quilos. Tá certo isso, ou eu perdi alguma coisa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-5861223101480166833?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/5861223101480166833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=5861223101480166833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5861223101480166833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5861223101480166833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/o-peso-da-fama.html' title='O peso da fama'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2632008824636847232</id><published>2009-01-09T11:59:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T12:00:48.384-08:00</updated><title type='text'>Chamando o Hugo</title><content type='html'>Ontem foi o dia do vômito. Voltando pra casa, quase meia-noite, deparo-me com aquela taturana gosmenta sedimentada no piso do ponto de ônibus. Ao adentrar o coletivo, descobri mais uma utilidade do saquinho de papel do Mc Donald’s. O passageiro regurgitante, sentado sozinho no assento duplo superior, ao lado de uma caixinha vazia do cheeseburger da marca, soltou aquela eructação líquida dentro do invólucro que segurava. Nunca vi antipropaganda tão convincente. Ao descer na estação Vila Mariana para fazer baldeação, a coincidência suja e porca me perseguiu. Sobre o ladrilho do terminal de ônibus havia outro rastro com pedaços amarelados da substância azeda, interrompido em seus contornos pelas estrias do solado de algum pisante. Ou os restaurantes da cidade fizeram um motim geral para vender comida estragada com vencimento em 2008, ou os bebuns paulistanos exageraram na birita e voltaram de bumba pra casa pra respeitar a Lei Seca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2632008824636847232?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2632008824636847232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2632008824636847232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2632008824636847232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2632008824636847232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/chamando-o-hugo.html' title='Chamando o Hugo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1696784388775889539</id><published>2009-01-08T10:56:00.001-08:00</published><updated>2009-01-08T10:56:38.052-08:00</updated><title type='text'>Inspeção de araque</title><content type='html'>A idéia parece boa. A prática já é adotada em alguns países e funciona. O motivo primordial da implementação do rodízio de automóveis foi este: reduzir a poluição ambiental. Mas é bom lembrar que a gente está no Brasil. E, como em quase tudo o que se adota neste país, a divulgação é parcial e tendenciosa, a regularização é confusa, os procedimentos são burocráticos e a realização é lenta, muito lenta. Tudo para favorecer determinados interesses, não sei se dos despachantes, das indústrias montadoras ou do funcionalismo público de base. Parece uma dedução leviana da minha parte, mas acho que não é. A inspeção veicular dos automóveis e caminhões, adotada na ressaca do começo do ano, sem a infra-estrutura para atender a toda a demanda, já começou com problemas. Ao que parece, tudo na base do bom e velho jeitinho. Mal entrou em vigor, já fiquei sabendo que alguns caminhoneiros driblam a fiscalização, deixando seus empoeirados e venenosos veículos nos conformes durante os minutos da inspeção e, aprovados seus brutamontes poluentes, eles voltam aos mecânicos para refazer a adulteração de acordo com o estado inicial das máquinas, para obter maior rendimento e economia de combustível. Diante deste cenário pouquíssimo animador, pode ir se preparando para maus serviços, focos de propina e atitudes de má-fé no futuro próximo. Isso sem falar na incoerência da norma em si. Não dá pra se levar a sério uma lei que controla apenas os carros produzidos a partir de 2003, quando as montadoras já começaram a instalar equipamentos antipoluentes e catalisadores mais modernos, de acordo com critérios mais exigentes. É óbvio que quem espirra sujeira no ar são as latarias velhinhas ou mal-conservadas. Não soube da fonte, mas ouvi dizer que alguma eminência parda explicou a medida alegando que proprietários de automóveis mais antigos mal conseguem pagar suas taxas em dia e quitar suas dívidas, quanto mais se submeter ao pagamento compulsório de R$ 52 pra avaliar as condições de seu bem físico. Uma justificativa no mínimo preconceituosa. Sabemos que existe uma minoria que opta pelo tão sonhado carro zero e, para essa realização, entre num poço sem fundo de dívidas. Eu, por exemplo, tinha um carro senil, com mais de 10 anos de uso, e nunca levei uma multa, nunca deixei uma pendência em aberto, sempre paguei em dia e à vista todos os tributos. Se é para o governo fazer caixa num ano potencialmente crítico nas finanças, que pelo menos saiba fingir direito. Ninguém agüenta mais cair no conto do kit dos primeiros-socorros. Se existe uma segunda intenção por trás da camisa de um ar mais respirável, isso mostra o quão poluído está o ambiente dos nossos representantes políticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1696784388775889539?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1696784388775889539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1696784388775889539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1696784388775889539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1696784388775889539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/inspeo-de-araque.html' title='Inspeção de araque'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4157412715937026477</id><published>2009-01-07T11:45:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T11:48:02.810-08:00</updated><title type='text'>Tecnologia por água abaixo</title><content type='html'>Uma boa e uma má notícia. A boa é que, finalmente, no dia 16 de janeiro, será inaugurada a primeira sala de cinema da América Latina com a tecnologia IMAX. Essa inovação acontecerá no Espaço Unibanco Pompéia, Shopping Bourbon. O projeto conta com um exclusivo sistema de movimento de filme, o &lt;em&gt;rolling loop&lt;/em&gt;, em que duas faixas de filme correm simultaneamente, evitando aquelas tremidas ou imagens borradas. Uma tela de design específico, a maior do mundo, e um sistema de som &lt;em&gt;surround sound&lt;/em&gt; numa sala geometricamente criada para dar o efeito de “estar dentro do filme” completam a novidade. A má notícia é que a programação inaugural será com um biodocumentário canadense, dublado, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fundo do Mar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, dirigido pelo ilustre desconhecido Howard Hall. Quem esperava ver ali a estréia de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Spirit&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, o relançamento de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Batman&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ou até mesmo um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Coração de Tinta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; da vida, rico em efeitos especiais e pobre de densidade cinematográfica, vai se decepcionar um pouco. Ninguém merece tamanho investimento pra conferir de perto os golfinhos e as algas marinhas de um National Geographic qualquer. Ainda que a experiência valha a pena, os curiosos devem ir preparados: ingressos a R$ 30 (meia, R$ 15) de sexta a quarta e, não sei por quê, valores diferenciados na quinta-feira, R$ 20 / R$ 10. Se o cinema é pura ilusão, esse acontecimento cultural desilude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4157412715937026477?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4157412715937026477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4157412715937026477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4157412715937026477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4157412715937026477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/tecnologia-por-gua-abaixo.html' title='Tecnologia por água abaixo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7795843978662439175</id><published>2009-01-05T06:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T06:26:27.992-08:00</updated><title type='text'>Inferno astral</title><content type='html'>Começou meu inferno astral. Na virada de sábado pra domingo a sensação era bem estranha. Deprê de fim de festa, de balada mal-acabada. Começo de ano é sempre aquele mistério, aquela cartomante que visualiza mudanças, aponta pra gente lições de otimismo mas não indica exatamente o que vai acontecer. E exatamente um mês depois dessa chuva de promessas vem meu aniversário, cuja contagem regressiva se embala em dias cinzentos que não sabem se querem ser de sol ou de trovoadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7795843978662439175?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7795843978662439175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7795843978662439175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7795843978662439175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7795843978662439175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/inferno-astral.html' title='Inferno astral'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1598425710137235283</id><published>2009-01-05T06:23:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T06:25:45.733-08:00</updated><title type='text'>Snif</title><content type='html'>Fim de ano é mesmo uma época de chororô. No cinema eu vi &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, há um tempo atrás. Depois veio &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Menino do Pijama Listrado&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. E nesses dias eu me debulhei com &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Marley e Eu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sete Vidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Desse jeito, vão ter que montar um quiosque só pra vender lencinho de papel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1598425710137235283?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1598425710137235283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1598425710137235283' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1598425710137235283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1598425710137235283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/snif.html' title='Snif'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7776512734690535279</id><published>2009-01-01T15:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T15:53:11.148-08:00</updated><title type='text'>Perspectivas 2009</title><content type='html'>Sem sair do lugar-comum, depois da retrospectiva vêm as perspectivas. Aí vai minha lista das previsões para o ano que chega, uma mistura de vontades, desejos, perspectivas e metas, tanto minhas quanto do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comprar panetones em janeiro, metade do preço&lt;br /&gt;- Driblar a crise econômica com estilo e sabedoria&lt;br /&gt;- Fazer uma festa legal de aniversário&lt;br /&gt;- Prorrogar o frila, quem sabe rumo a uma efetivação&lt;br /&gt;- Voltar a escrever sobre cinema em profundidade e perspectiva&lt;br /&gt;- Itaunibanco: uma força para a economia, sem escândalos financeiros, atendendo o cliente da maneira que ele merece&lt;br /&gt;- Frilas, muitos frilas: mais dinheiro e menos trabalho&lt;br /&gt;- Concurso cultural: vamo que vamo, a iniciativa deu super certo&lt;br /&gt;- CDs argentinos, já que o mercado brasileiro tá escasso&lt;br /&gt;- Voltar a freqüentar as baladinhas do Centrão&lt;br /&gt;- Shows: faz tempo&lt;br /&gt;- Perder peso&lt;br /&gt;- Pegar aquele CD com arquivo zipado e treinar o curso básico de DJ&lt;br /&gt;- Ganhar o reembolso do Google pelos links patrocinados no meu blog&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7776512734690535279?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7776512734690535279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7776512734690535279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7776512734690535279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7776512734690535279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/perspectivas-2009.html' title='Perspectivas 2009'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8489216253174786344</id><published>2009-01-01T15:51:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T15:52:26.284-08:00</updated><title type='text'>Balanço 2008 - continuação</title><content type='html'>Com um certo atraso, queria dar uma turbinada na lista de 2008. Fiquem à vontade para acrescentar outros itens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Piores:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;- Ataques de Israel na Faixa de Gaza&lt;br /&gt;- Seqüestro e morte de Eloá&lt;br /&gt;- Fechamento da Nuvem Nove&lt;br /&gt;- Protestos na Grécia (fim de ano é jogo duro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Melhores:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;- Akinator.com (atendendo a pedidos. Deve ser mais ou menos isso. É o site do gênio adivinhão)&lt;br /&gt;- Redução do IPI para os carros novos&lt;br /&gt;- Vendi o meu carro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8489216253174786344?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8489216253174786344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8489216253174786344' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8489216253174786344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8489216253174786344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2009/01/balano-2008-continuao.html' title='Balanço 2008 - continuação'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-5582322633140963901</id><published>2008-12-23T09:31:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T09:32:38.774-08:00</updated><title type='text'>Omnilever</title><content type='html'>Concordo com o que uma amiga minha disse na mesa de algum almoço da semana passada: é praticamente impossível passar um dia inteiro sem se deparar com algum produto da Unilever. Ela tem toda razão. A empresa, que antes era notória por fabricar o sabonete Gessy, parece que ao longo das décadas foi comprando tudo o que via na frente, com a fome devastadora de um trator sem freio. Hoje a multinacional fabrica desde produtos de higiene e limpeza até sorvetes de palito. Menos mal. O fabricante de picolés em questão um dia foi propriedade de uma conhecida empresa de cigarros. Com esse domínio de mercado e monopólio das marcas, a empresa praticamente faz o que quer. Desde o lançamento de tendências até o sumiço de determinadas categorias de produtos. A Unilever é onipresente, onipotente e, não duvido, onisciente de todos os bastidores da economia dos supermercados. Vem investindo pesado em segmentos que prezam o bom-gosto e uma melhor qualidade de vida. Lança constantemente produtos considerados inovadores e, não raro, faz que faz para extinguir determinadas espécies ameaçadas pelo Homem. Às vezes acerta em cheio. Outras, nem tanto. Acabei de experimentar uma versão de sabonete cremoso, digamos, um pouco estranha. Claro que é inerente a nós oferecer uma certa resistência para o novo. Mas vai demorar um pouco pra eu me acostumar a esse modelo de banho. Não é líquido nem sólido. Aliás, estou convencido de que a poderosa multi está fazendo de tudo pra acabar com o sabonete em pedra. A novidade tem um perfume excessivamente forte e me trouxe um certo incômodo para a pele. Cremosidade ou suavidade é uma coisa, sensação melequenta é outra. Nesse sentido, 1 a 0 para a versão líquida, que se dissolve rapidamente em contato com a água, traz o frescor necessário e não exige o trabalho dobrado de retirada do produto debaixo do chuveiro. Dentifrício é outro setor que parece estar passando por uma revolução. Daqui a alguns anos, é certo que o creme dental não vai mais existir. Há uma nova apresentação de higiene bucal, em gel, que acho que ainda não pegou. Comprei um kit com três unidades, mais uma &lt;em&gt;nécessaire&lt;/em&gt; grátis, e paguei uma bagatela pelo pacote. O lado bom disso tudo é que o oligopólio que toma conta das 24 horas do nosso dia pode arriscar mais, ousar, avançar, fazer tentativas e erros. Por outro lado, se eles resolverem acabar com o papel higiênico de uma hora pra outra, só pra citar um exemplo, seremos raquíticos demais pra reclamar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-5582322633140963901?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/5582322633140963901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=5582322633140963901' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5582322633140963901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5582322633140963901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/omnilever.html' title='Omnilever'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1191011030945387237</id><published>2008-12-22T10:32:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:43:44.360-08:00</updated><title type='text'>Saudades da MTV</title><content type='html'>Por incrível que possa parecer, ver videoclipes na MTV é uma atividade saudosista. Hoje quase não passa esse formato musical naquela que foi a pioneira do gênero. Com o Youtube arrasando e a proliferação dos reality shows e programas besteirol, o clipe perdeu sua razão de ser. Mas ainda há brechas. No sábado à noite, eu "estava mudando de canal" (aquela velha desculpa pra quem não quer admitir que sintonizou determinado programa) e achei um tal de Lab Clássicos. Pois é, meus amigos, videoclipe já pode ser chamado de clássico. E a seleção musical não era ruim não, muito pelo contrário. Daria muito bem pra voltar a ser pano de fundo de baladinhas alternativas. Logo que entrei, peguei um repertório anos 90 calcado em bandas &lt;em&gt;indie shoegazer&lt;/em&gt;, como Pixies, Dinosaur Jr. No bloco seguinte o &lt;em&gt;pot-pourri&lt;/em&gt; focou os anos 80: Human League, The Mission, Sisters of Mercy. Acabou o programa. Logo depois veio o Lab Trash que, entre outras coisas, tocou J. Geils Band. A idéia foi ótima. Mas eu, como deixei de ser madrugador há um certo tempo, adormeci rapidamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1191011030945387237?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1191011030945387237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1191011030945387237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1191011030945387237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1191011030945387237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/saudades-da-mtv.html' title='Saudades da MTV'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4437862081905662308</id><published>2008-12-22T10:24:00.001-08:00</published><updated>2008-12-22T10:32:48.729-08:00</updated><title type='text'>São Paulo, São Paulo</title><content type='html'>Apesar da chuva e das instabilidades (quaisquer que sejam), fim de ano traz coisas boas. Não é só presente não. De um modo geral, o trânsito tá bem mais tranqüilo. A cidade fica mais gostosa, sem aquele frenesi que a caracteriza. Muita gente já saiu de férias, as compras já foram feitas, agora vem a calmaria. Existem os que não abrem mão de viajar, mas quem prefere ficar em São Paulo nessa época do ano pode aproveitar melhor a cidade. Ela fica menos caótica. A taquicardia é substituída por passeios de maior respiro. Em dezembro e janeiro, São Paulo se entrega, se deixa ser observada. O esvaziamento de carros nos permite enxergar a cidade em seu próprio esqueleto, como se fôssemos notívagos à espreita do nascer do sol. Nessas horas, temos de admitir que São Paulo tem sua beleza própria, mesmo que enclausurada em sua feiúra encardida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4437862081905662308?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4437862081905662308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4437862081905662308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4437862081905662308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4437862081905662308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/so-paulo-so-paulo.html' title='São Paulo, São Paulo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3580494926399572756</id><published>2008-12-22T10:17:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:21:53.586-08:00</updated><title type='text'>O Renascimento de Paris</title><content type='html'>Talvez você não se lembre, mas a distribuidora Paris Filmes já foi relativamente grande aqui no Brasil. Isso nos anos 80. Dominava os lançamentos de filmes-B e tinha circuito exibidor próprio, concentrado principalmente em shoppings. Ficou fora de atividade no começo dos anos 90 e renasceu das cinzas há cerca de quatro anos, com novas propostas, nova presidência e uma nova gestão comercial. Hoje a distribuidora mantém seu foco em filmes de ação ou terror, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rogue&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os Estranhos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quebrando Regras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Nevoeiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e por aí vai. Normalmente lança seus filmes na rabeira dos concorrentes. Não dá pra se dizer que tem a preferência dos exibidores. Seu discutível acervo e algumas de suas apostas equivocadas levam a crer que a Paris é daquelas que disputam um espacinho nos cinemas sem o mesmo poder de fogo de uma Fox, Warner ou Paramount. Às vezes, comete alguns acertos de relativo sucesso, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Perfume&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Clã das Adagas Voadoras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Foi a primeira a acreditar na franquia &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Jogos Mortais&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que hoje mudou de mãos e tá na Buena Vista. A Cidade-Luz do circuito cinematográfico começou 2008 de forma apática, mas no segundo semestre despejou uma série de filmes acumulados. A maioria deles, voltada para o público cinéfilo da região da Paulista, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fay Grim, Caótica Ana&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Na Mira do Chefe&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eu Sou Juani&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Nesta semana de feriados, a quantidade de lançamentos foi bastante tímida diante da média: somente dois filmes. E ambos da tal distribuidora. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Gomorra&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é um peso-pesado sobre a máfia italiana e ocupa todos os cinemas com uma programação mais diversificada. Bastante recomendado. Mas a grande coqueluche é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, creio eu o maior lançamento de toda a história da Paris. Devido ao estrondoso sucesso lá fora, ele veio aqui com força toda, ocupando até três salas em alguns shoppings. Um lançamento comparável, em cópias, a Harry Potter, Batman, Homem Aranha. O filme em si não tem nada demais. Começa insosso e melhora um pouco no final. Mas existe uma explicação para o fenômeno. É também uma adaptação de best-seller publicado em vários livros, como uma saga. Tem apelo voltado especificamente ao jovem, o que mostra quem realmente vai ao cinema. Mas o principal é perceber a releitura shakesperiana da obra vampírica, o que comprova que o célebre escritor inglês não ficou obsoleto. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; traz uma roupagem &lt;em&gt;emo&lt;/em&gt; a uma família de dráculas &lt;em&gt;vegan&lt;/em&gt;, algo assim. Diante de hábitos seculares gastronomicamente corretos, há um amor impossível. Lendo assim parece brega demais, mas o filme trata disso sim senhor. O efêmero e o imortal travando um dilema de escolhas e os Montecchio e Capuleto pra atrapalhar esta decisão. Se você achava que Johnny Depp estava pálido demais pra fazer o papel de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Edward Mãos de Tesoura&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, prepare-se pra quantidade de talco esparramado na pele dos licantropos hematófagos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3580494926399572756?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3580494926399572756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3580494926399572756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3580494926399572756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3580494926399572756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/o-renascimento-de-paris.html' title='O Renascimento de Paris'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7305802959926970492</id><published>2008-12-22T10:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:17:33.131-08:00</updated><title type='text'>Mc Zero</title><content type='html'>Não me canso de falar mal do Mc Donald’s. Nem sei por que continuo indo a tal lanchonete, mas sei por que continuo falando mal dela. Que a comida tem gosto de plástico e o padrão de atendimento deixa bastante a desejar, isso todo mundo tá calvo de saber. Já se foi o tempo em que uma rede de fast food servia food na velocidade fast. Não sei se o negócio é comigo, se há alguma estampa na minha testa, mas em praticamente 90% das vezes em que vou lá há algum tipo de problema com meu pedido. Ou eu peço algum sanduíche que não consta em estoque e o prazo para preparo é mais demorado (sou obrigado a adivinhar qual lanche é a bola da vez), ou o atendente erra meu pedido ou esquece algum item. Não sei se acontece com todo mundo, mas assim que me perguntam aquela decorada frase “qual seu pedido?” e eu vou responder, a pessoa olha pro lado, dá atenção pro ajudante, muda de assunto, volta a atender a pessoa que estava antes de mim na fila, repõe o estoque de canudos, sei lá. Claro que, com essa “atenção”, só pode dar coisa errada. Ainda mais quando peço pra trocar o acompanhamento ou faço alguma solicitação fora do script. Amigos leitores, conselho de &lt;em&gt;heavy user&lt;/em&gt;: evitem mudar alguma coisa do cardápio, como por exemplo mudar o acompanhamento para saladinha, refri sem gelo, hambúrguer sem picles, sanduba sem maionese. Pode ter certeza de que sua experiência será bem sofrida. Já é muito difícil para os pouca-prática seguir aqueles risquinhos das comandas de papel. Mas o meu dessabor dessa vez não foi com a gastronomia, mas com a Álgebra. Na sexta-feira passada pedi no quiosque de sorvete do centro de Alphaville um produto que, com adicionais e tudo, custa R$ 6,25. Quis ajudar, quis mostrar meu lado samaritano. Dei à prestativa porém sonsa atendente uma nota de R$ 10 mais uma moeda de R$ 0,25. Se eu lascasse da carteira uma nota de R$ 50, capaz de sair tudo certo. Mas não, comigo as coisas têm de ser bem diferentes. Havia ali uma cara de interrogação típica de estudante despreparado para a prova de vestibular. Eu não estava colocando a pessoa contra a parede, exigindo dela o raciocínio rápido para extrair raiz quadrada, nem a lógica metafísica da Teoria do Caos. Sim, ali havia um certo caos, mas o motivo era outro. Após três ou quatro tentativas e erro, quis pedir de volta o dinheiro e separar as migalhas do valor exato, numa mistura de se prontificar para a agilidade do serviço ou demonstração de irritação com o baixo nível intelectual da funcionária. Num país em que se exige ginásio completo para vigias de empresa de segurança, é improvável que a maior multinacional de pronto-a-comer feche os olhos para este requisito classificatório. E não foi a primeira nem a segunda vez em que isso ocorreu comigo. Já teve um caso em que eu tive de rabiscar com caneta uma simplíssima equação matemática no verso de um papel-bandeja, pois a atendente nessa ocasião teimava em não me dar o troco correto. Essa falta de sabedoria é maior do que um problema específico do Mc Donald’s. Num país em que se idolatram jogadores de futebol e pagodeiros como símbolos do sucesso profissional, é óbvio que está se dando cada vez menos importância à cultura e ao exercício do saber. Infelizmente, a tendência é só piorar. O vexame no quiosque foi revoltante, mas é a prova de uma realidade triste. Tá na cara que não é interesse de governo nenhum investir em Educação. Uma sociedade culturalmente mais rica tem maiores condições de derrubar o poder, o que não é bom para quem domina estas capitanias. Enquanto isso, essa camada da população que ironicamente faz bico na lanchonete pra pagar os estudos alimenta nossas bocas com junk food mal-servido e alimenta as aviltantes estatísticas que colocam o Brasil entre os piores do mundo nos critérios básicos de desenvolvimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7305802959926970492?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7305802959926970492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7305802959926970492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7305802959926970492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7305802959926970492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/mc-zero.html' title='Mc Zero'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1551308347136242910</id><published>2008-12-22T10:15:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:16:06.875-08:00</updated><title type='text'>Like a... like a...</title><content type='html'>Quem é rei nunca perde a majestade. A eterna diva do pop, Madonna Ciccone Ritchie, escorregou na maionese no show do Rio de Janeiro mas não perdeu sua compostura. Parecia que o tombão fez parte do show. E em São Paulo deu uma engasgada na letra de Like a Virgin, alegando esquecer músicas “velhas”. Não é a maneira mais sadia de um artista encerrar sua turnê mundial. Mas ela pode. Ela é a madona de cedro. Como uma virgem que se inicia no mundo da fama, a diva dos anos 80 incitou a formação de filas nos portões do estádio a dias do show começar. Cindy Lauper, sua concorrente de um escalão menor, fez um show politicamente corretíssimo. E ninguém ouviu falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1551308347136242910?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1551308347136242910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1551308347136242910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1551308347136242910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1551308347136242910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/like-like.html' title='Like a... like a...'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3614524085724913449</id><published>2008-12-18T11:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T12:01:57.924-08:00</updated><title type='text'>Balanço 2008</title><content type='html'>Bom, tá na hora, né? 2008 indo embora, hora do balanço, momento de reflexão. Como é o primeiro que faço aqui, vou experimentar um modelo bem simples, começando pelos piores (de tudo quanto é categoria, sem ordem ponderada de importância) e encerrando com as chaves de ouro, à medida que vou me lembrando delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Piores:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queda da Bolsa&lt;br /&gt;Crise financeira&lt;br /&gt;Falência das montadoras&lt;br /&gt;Casal Nardoni&lt;br /&gt;Nelson Dantas&lt;br /&gt;George Bush&lt;br /&gt;Enchentes em Santa Catarina&lt;br /&gt;Furto das doações para as vítimas das enchentes&lt;br /&gt;Defenestração da família do pagodeiro&lt;br /&gt;Hugo Chávez&lt;br /&gt;Evo Moralez&lt;br /&gt;Playback do show Bloc Party&lt;br /&gt;Projeção digital&lt;br /&gt;Mostra de Cinema&lt;br /&gt;Amy Winehouse&lt;br /&gt;Morte do Bernie Mac&lt;br /&gt;Piti do Nizan Guanaes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhores:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Barack Obama&lt;br /&gt;Derrota da Marta&lt;br /&gt;Death Magnetic, do Metallica&lt;br /&gt;Batman&lt;br /&gt;Heath Ledger&lt;br /&gt;Zé do Caixão&lt;br /&gt;Lucros da Petrobras&lt;br /&gt;Chinese Democracy, finalmente&lt;br /&gt;Campanha da Oi celulares&lt;br /&gt;Fuerza Bruta&lt;br /&gt;A nova cara da Rua Augusta&lt;br /&gt;Salas de projeção 3D&lt;br /&gt;Frilas, muitos frilas&lt;br /&gt;Shopping Cidade Jardim&lt;br /&gt;Wall-E&lt;br /&gt;Leila Lopes&lt;br /&gt;Inauguração da praça Juceva&lt;br /&gt;Peter Brook no SESI Paulista&lt;br /&gt;Novas regras do call center&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3614524085724913449?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3614524085724913449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3614524085724913449' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3614524085724913449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3614524085724913449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/balano-2008.html' title='Balanço 2008'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6671243838817966030</id><published>2008-12-18T11:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T11:47:59.991-08:00</updated><title type='text'>Lula chulé</title><content type='html'>Não é à toa que a popularidade do nosso Presidente não cai. O PT está em ruínas, a crise econômica ameaça o Brasil, mas Luís Inácio continua firme e forte. Ele é quem realmente entende o povo, fala a língua do povo. Seus discursos são uma mistura de pregação de palanque político com bate-papo de chá da tarde. A empáfia collorida do pretérito, arrogante na mesma proporção de sua desonestidade, não colou. A retórica esclarecida do Mr. Sorbonne mostrava quão longa era a distância entre a plebe e o nosso Presidente Real. Já o Lula não se deixa intimidar por jargões burocráticos engravatados. É preciso ser homem de coragem para assumir que o país sifu e que ele se importa mais com o resultado do Curíntia no fim de semana do que com os indicadores econômicos. E coragem não significa necessariamente ter aquilo roxo ou comer buchada na feira. Agora El Rei provou que tem o dom para ser piadista. Aproveitou que a sapatada do Bush ainda é notícia quente para falar sobre o cheiro de chulé que poderia emanar da sala caso alguém resolvesse fazer o mesmo que o jornalista xiita. Lula é o retrato mal-acabado do Brasil: auto-irônico, repentista, espirituoso. É o apêndice do lado de cá das Tordesilhas. Mantém o bom-humor, mesmo durante esta inevitável queda vertiginosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-6671243838817966030?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/6671243838817966030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=6671243838817966030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6671243838817966030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6671243838817966030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/lula-chul.html' title='Lula chulé'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-780047058355918842</id><published>2008-12-18T11:42:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T11:45:35.308-08:00</updated><title type='text'>Obrigado, do crepúsculo do meu coração</title><content type='html'>Quando bem-feito e bem divulgado, um blog ajuda a ganhar dinheiro ou notoriedade. Algumas páginas pessoais recebem milhares de acessos diários. Clarah Averbuck, por exemplo, ficou conhecida graças aos seus relatos-crônica na Internet. Não é o meu caso. Comecei nessa jornada faz pouco tempo, tenho uma certa dificuldade (ou falta de tempo) em atualizar seu conteúdo com uma certa regularidade e não manjo muito de recursos que podem deixar a página mais atrativa. Fiz há pouco tempo atrás uma promoção (concurso cultural é o mais correto) com o objetivo primeiro de me desfazer de uma série de ingressos que recebi da distribuidora. Dá dó jogar fora, ainda mais quando o produto final está vinculado à arte. Mas esse &lt;em&gt;approach&lt;/em&gt; serviu também para eu conhecer um pouco mais quem me lê, quem me acha no meio de tanta informação, quem é que realmente está a fim de realizar um propósito e pra isso se dá ao trabalho de mandar e-mail, pensar numa resposta, ser criativo, estar inspirado. Tenho acesso para consultar uma página de dados, de hits, de cliques, etc. Mas esses números me dizem pouca coisa, até porque quem me lê não é a Álgebra. No começo, imaginei que apenas alguns amigos meus mais próximos é que acessavam esporadicamente as lentilhas vesgas, mais por comiseração do que por interesse. Mas fiquei surpreso com as respostas crepusculares que recebi. Nem tanto pela quantidade, que até que foi relativamente modesta. Mas foi providencial eu saber que meu público é composto por pessoas heterogêneas, de diversos perfis, idades, comportamentos. Recebi e-mails até de outros estados. Isso que é poder de alcance. Curiosamente, a maioria das participações foi feminina. Coincidência? Será que o filme ou o livro é voltado prioritariamente a elas? Quero agradecer de coração vampiresco a participação de todo mundo. Graças a vocês, a cota de ingressos disponíveis acabou, o que me deixa satisfatoriamente aliviado. Continuem assim. E sejam sempre bem-vindos. Suas visitas são muito mais importantes e prazerosas do que os mecânicos dados de acesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-780047058355918842?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/780047058355918842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=780047058355918842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/780047058355918842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/780047058355918842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/obrigado-do-crepsculo-do-meu-corao.html' title='Obrigado, do crepúsculo do meu coração'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2906498207034334785</id><published>2008-12-16T12:54:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T12:56:48.596-08:00</updated><title type='text'>Mobilização, invasão ou acomodação?</title><content type='html'>Existem propostas que chacoalham o mercado. E existem as &lt;em&gt;overpromises&lt;/em&gt;. Em todas as vezes que vou ao circuito Arteplex, aparece antes do filme um comercial, na minha modesta opinião, um tanto quanto pretensioso. A empresa MovieMobz parte de uma premissa verdadeira para vender seu peixe: mobilização é poder. Concordo plenamente. Essa ótima frase nos faz lembrar das revoluções, dos grandes movimentos culturais e dos palanques de grandes concentrações de pessoas. Da frase em diante, as imagens me decepcionam cada vez mais. Sem deixar muito claro (de propósito, talvez) que tipo de mobilização a empresa prega e qual poder é obtido com ela, sobe uma seqüência de imagens de filmes como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cheiro do Ralo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Escafandro e a Borboleta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Juno&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, entre outros. É o poder de mobilizar os cinéfilos? Mobilizar a programação de alguns circuitos? A proposta parece interessante: dar ao espectador-internauta a possibilidade de escolher um filme que será exibido em um horário exclusivo, substituindo o filme em cartaz. Em primeiro lugar, não se trata exatamente de uma liberdade de escolha propriamente dita. Existe no site uma quantidade relativamente limitada de filmes à disposição. E, pelo que vejo, nenhuma raridade ou filme que tenha ficado pouco tempo em circuito. Nada que traga aquela aura cineclubista. A maioria, filmes que não foram sucessos de bilheteria mas conseguiram ser apreciados pelo público assíduo por terem ficado um bom tempo em cartaz. Muitos deles, já nas prateleiras das locadoras ou em exibição na TV paga. Não vejo essa iniciativa como algo de fato mobilizador. Pra mim, isso nada mais é do que um pay-per-view em telona. E, por tudo o que já assisti até hoje via MovieMobz, suponho que seja também em exibição digital. Ou seja, essa “revolução cultural” nada mais é do que alugar um DVD e ver com os amigos em sala de cinema. E cada vez menos com cara de mobilização das massas intelectuais e cada vez mais com cara de ação entre amigos. Prova dessa exibição amistosa é o documentário do show &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Queen + Paul Rogers&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, prometido para o dia 18 próximo, à noite, em 33 salas de 16 cidades. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Shine a Light&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, documentário sobre um show fechado dos Rolling Stones (fracasso de bilheteria, abaixo das expectativas da distribuidora, segundo a própria), ainda se justificava em telona por ter sido dirigido por Scorcese. O show do U2 não tinha ninguém de ponta por trás das câmeras, mas pelo menos trouxe o aparato tecnológico do 3D, algo exclusivo da sala grande. Mas este aqui não tem razão para ser exibido de tal forma. Claro que um show visto assim fica mais legal e nas dimensões mais próximas do trabalho ao vivo da banda. Mas aquilo que a MovieMobz está chamando de revolução corre o risco de corromper um espaço que é próprio do cinema. DVD de show de rock pode rolar em bares, danceterias, galpões, no Jockey Club, no raio que o parta. E escolher musiquinha apertando botão é coisa de jukebox. Mas ocupar o espaço dedicado à Sétima Arte é invasão de domicílio. Ainda mais num conglomerado que se aperta diante de tantos lançamentos acumulados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2906498207034334785?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2906498207034334785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2906498207034334785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2906498207034334785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2906498207034334785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/mobilizao-invaso-ou-acomodao.html' title='Mobilização, invasão ou acomodação?'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7773716652436401418</id><published>2008-12-15T12:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T13:10:10.954-08:00</updated><title type='text'>Tchop-tchura</title><content type='html'>Pra onde caminha a Humanidade é uma pergunta que vou fazer até morrer. No meio de tanta carga informativa, que prega o que é moderno e o que é ultrapassado como doutrina e não como opção de escolha, surgem uns lapsos. Às vezes me sinto obsoleto diante de tanta quinquilharia lixoatômica. Daí começam os revivals. Não sei se por sentimento de culpa. Hoje, sabemos que a música ficou descartável. Uma banda dura tanto quanto a capacidade de armazenamento em um iPod. Lotou memória, deleta-se o grupo musical. Nenhum artista sobrevive enquanto não lançar um gafeclipe no Youtube, não participar de um reality show, não se apresentar ao vivo. E aí aparece de novo e de novo o bom e velho rock and roll. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Born to Be Wild&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, a única música conhecida do Steppenwolf, tema de um filme de 73, agora protagoniza um comercial de celular. Beatles é o pano de fundo de um comercial de uma empresa automobilística. Falando em montadora, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Happy Together&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, música do arco da velha, cantada por sei-lá-quem, acompanha o ritmo de um processo industrial automotivo. E o coração de vidro, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Heart of Glass&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (destas peças de museu, a que mais gosto), embala um vidro de perfume. Se o rock é eterno ou não, prefiro não entrar nessa polêmica. Se faltam símbolos musicais diante de tanta vaporização de artistas voláteis, não sei dizer. A Propaganda sempre se fincou em signos conhecidos, de fácil assimilação. E esses signos eram as músicas de bailinho, de discoteca, da casa dos amigos, da rádio FM. Baixar uma concepção artística musical como se estivesse baixando um ringtone é a prova de que os dias estão mesmo contados para essas novas tendências. E aí, o jeito é apelar para o que ficou. Sem o revanchismo da techneira, por mais tecnológicas que se apresentem essas empresas anunciantes. Mas é por fazer matar a saudade de algo que a gente gostou, que viveu. Que decorou. Que tatuou no cérebro. O resto é... que resto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7773716652436401418?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7773716652436401418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7773716652436401418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7773716652436401418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7773716652436401418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/tchop-tchura.html' title='Tchop-tchura'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6122937357683034100</id><published>2008-12-15T12:40:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T12:46:57.712-08:00</updated><title type='text'>Desvestir um santo</title><content type='html'>Coisa muito estranha. Acordei hoje normal. Logo após o banho, uma baita dor nas costas, do meu lado direito mais especificamente. Tomei um remédio, aquelas panacéias que prometem acabar com a dor e a febre, quaisquer que sejam. Paracetamol. E nada da dor passar. Minutos depois me veio aquela vontade de, digamos, defecar. E não é que a dor nas costas passou? Que raio de acupuntura é essa? Talvez o mais primitivo dos métodos analgésicos. E com o prefixo adjetivo dos mais adequados. O problema é que, após a evacuada do-in, me surgiu uma diarréia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-6122937357683034100?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/6122937357683034100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=6122937357683034100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6122937357683034100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6122937357683034100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/desvestir-um-santo.html' title='Desvestir um santo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2444770650074884697</id><published>2008-12-12T06:23:00.000-08:00</published><updated>2008-12-12T06:24:40.230-08:00</updated><title type='text'>Garoto desaparecido</title><content type='html'>Talvez poucos saibam, mas a indústria de chocolates Garoto lançou a versão do Talento em sorvete, em vários sabores. Descobri por acaso. Não fui atingido pela publicidade nem por algum tipo de marketing viral. Entrei no site para fazer uma outra consulta e me deparei com a novidade. Como eu gosto de sorvete, de chocolate e tenho um certo fascínio por lançamentos em edição limitada, mandei um e-mail para saber onde posso encontrar esses produtos. Recebi uma resposta dizendo que ele está sendo inicialmente comercializado exclusivamente no Parque do Ibirapuera, com previsão para ser vendido futuramente em outras praças, sem especificar exatamente a partir de quando e em quais regiões. E, já que admito ser uma pessoa curiosa e novidadeira, essa descoberta na verdade se deu porque quis saber onde encontrar o chocolate Talento Desejos, uma (outra) edição limitada &lt;em&gt;premium&lt;/em&gt; com ingredientes especiais: uma versão com frutas vermelhas, outra com macadâmia. Nesse caso, confesso que o anúncio em revista me conquistou. Essa busca foi totalmente influenciada por ele. O problema é que não acho o tablete adocicado em lugar algum. Mandei um e-mail pra Garoto, que me respondeu pedindo para eu entrar em contato com um distribuidor autorizado. Mandei outro e-mail para o tal distribuidor, com o mesmo conteúdo. Recebi uma resposta pedindo para eu entrar em contato com uma determinada pessoa, em um número de celular. Ora, meus amigos, o meu desejo pela edição especial e turbinada do produto em série é grande, mas nem tanto. Meu celular é pré-pago e na empresa onde trabalho as ligações são controladas. A tentação da gula seduziu o chocólatra que vos escreve, mas nada justifica tanto esforço em busca do garoto perdido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2444770650074884697?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2444770650074884697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2444770650074884697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2444770650074884697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2444770650074884697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/garoto-desaparecido.html' title='Garoto desaparecido'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4240673139891423130</id><published>2008-12-12T06:21:00.001-08:00</published><updated>2008-12-12T06:22:59.195-08:00</updated><title type='text'>O seqüestro das cantoras</title><content type='html'>O documentário &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cantoras do Rádio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; estreou em São Paulo hoje, sexta-feira, em uma única sala, num único horário: Frei Caneca Arteplex, às 19h10. Entretanto, recebi ontem um e-mail de última hora da assessoria de imprensa divulgando, sem maiores explicações, que essa sessão vai acontecer somente hoje, 12 de dezembro. A partir de amanhã, este mesmo horário será ocupado pelo filme &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Apalloosa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. É certo que o bangue-bangue do Ed Harris deveria, por suas qualidades, ficar mais um mês em cartaz da primeira à última sessão. Mas tirar uma estréia para substituir por um filme em cartaz que nem vem fazendo grande público me pareceu um pouco estranho. Venho notando que alguns documentários brasileiros conseguem se expor apenas nas frestas do circuito. Mas acho que este é um caso inédito. Nem na retrospectiva do cinema brasileiro do Cinesesc há tão pouca projeção para cada título. Deve ter havido algum problema logístico e, torço eu, semana que vem o filme terá seu devido lançamento em uma programação mais digna. Caso contrário, as cantoras afônicas e mudas entrarão pra triste história das estatísticas do cinema nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4240673139891423130?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4240673139891423130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4240673139891423130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4240673139891423130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4240673139891423130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/o-seqestro-das-cantoras.html' title='O seqüestro das cantoras'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2058775645398133694</id><published>2008-12-08T06:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T06:36:12.031-08:00</updated><title type='text'>Game over</title><content type='html'>Acabou a partida. Momentos de glória, agora só na memória. Lances inesquecíveis, vários tentos marcados. E também alguns frangos e vacilos. Mas é hora da torcida voltar pra casa. E carregar junto com sua chorada camisa a triste sensação de derrota para os dois times.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2058775645398133694?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2058775645398133694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2058775645398133694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2058775645398133694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2058775645398133694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/game-over.html' title='Game over'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1731828914072320216</id><published>2008-12-08T06:32:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T06:33:54.876-08:00</updated><title type='text'>Promoção Crepúsculo</title><content type='html'>Amigos leitores, vira e mexe recebo um par de convites para apreciar algum filme que entra em cartaz. Só que dessa vez a Paris Filmes me enviou um apanhado de convites para &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que estréia no dia 19 de dezembro em São Paulo e nas principais capitais. Para não deixar estes ingressos sobrarem, tomo agora uma atitude inédita de realizar aqui um concurso cultural. Só que um pouco diferente da maioria. Em vez de fazer alguma pergunta temática, o que eu espero é que o participante me surpreenda. Pode me mandar um texto sobre qualquer tema, desde que seja original, criativo e inteligente. Mantendo-se o bom senso, é claro. Não tem limite de espaço. Tá bom, tá bom. Se fica mais fácil pra você se nortear por algum tema pré-determinado, pode então responder a pergunta-divulgação do filme: “&lt;em&gt;Se você pudesse viver para sempre, para o que você viveria?”.&lt;/em&gt; Mande sua(s) resposta(s) no próprio corpo da mensagem, SEM ANEXOS, para o e-mail &lt;a href="mailto:ericofuks@ig.com.br"&gt;ericofuks@ig.com.br&lt;/a&gt; com seu nome, endereço, CEP, cidade, estado. No assunto, coloque Crepúsculo. Mas por favor, tente enviar no máximo até o dia 20 de dezembro. Sabe como é, nessa época do ano, Natal, agências dos Correios lotadas, etc. O convite é individual, válido de segunda a quinta-feira, exceto feriados, em todos os cinemas em que o filme estiver sendo exibido (exceto aqueles de sempre: circuito Araújo, circuito Estação, salas chiques do Cinemark), sujeito à lotação da sala e todas aquelas ressalvas que sempre aparecem em ingressos-cortesia. Boa sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1731828914072320216?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1731828914072320216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1731828914072320216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1731828914072320216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1731828914072320216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/promoo-crepsculo.html' title='Promoção Crepúsculo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1244703760950823246</id><published>2008-12-08T06:29:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T06:32:06.943-08:00</updated><title type='text'>Messias moderno</title><content type='html'>São poucas as lojas em São Paulo que ainda vendem coisas do passado. A não ser aquelas especializadas em relíquias. Mas é difícil vermos gravador e toca-fitas cassete à venda, bem como máquinas de datilografar, fitas VHS, discos usados de vinil, aparelhos de fax e quetais. Estes artigos é que costumam dar a cara da loja em que estão à venda: ou é um brechó que traz de volta o clima vintage, ou é um sebo que amontoa quinquilharias. Do universo da segunda opção, um dos mais conhecidos é o Sebo do Messias, que ganhou notoriedade por seu vasto acervo de livros jurídicos, pela política de baixos preços e por adquirir lotes grandes de quem está se desfazendo de seus antiquados pertences. Mas, para minha moderada estupefação, constatei que o relicário agora também faz comércio online. No começo, imaginei se tratar apenas de uma extensão do canal de divulgação: a web serve também de vitrine para quem não conhece ou não costuma ir à loja física. Mas não. Ao tentar fazer uma compra na própria loja, com prévia consulta ao site, fui informado de que alguns produtos são vendidos exclusivamente online. Uma novidade para um estabelecimento que costuma fazer pilhas de material gasto e empoeirado, sem medo de assumir seu aspecto ultrapassado e fazendo jus à alcunha pejorativa de sebo. Insisti na compra e acessei novamente o site. E olha que a arcaica loja não fez feio. A versão brasileira da Amazon.com possui um mecanismo eficiente de compras virtuais. Entrei na página na sexta-feira à noite e fui buscar os presentes que dei a mim mesmo no sábado de manhã. Tudo transcorreu normalmente. Pedido em ordem, produtos impecáveis. E nada de balconista subir as escadinhas para procurar mercadoria perdida na loja. Para quem é do tempo do telex, um avanço. E para quem costuma fazer essas compras vasculhando prateleiras de ferro entortado, uma saborosa e messiânica surpresa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1244703760950823246?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1244703760950823246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1244703760950823246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1244703760950823246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1244703760950823246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/messias-moderno.html' title='Messias moderno'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1438548789913080430</id><published>2008-12-03T10:12:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T10:19:40.038-08:00</updated><title type='text'>Espírito camaleônico</title><content type='html'>Parece que hoje em dia uma boa estratégia de marketing é aquela que procura falar com todo tipo de público. Ou utiliza códigos universais de entendimento, sei lá. Falam tanto em segmentação, mas eu cada vez duvido mais da eficácia deste tipo de abordagem. No âmbito cinematográfico, é comum vermos filmes étnicos, filmes equivocadamente chamados “de arte” ou aqueles famosos filmes para adolescentes, com humor e linguagem próprios. Por outro lado, algumas animações ou filmes considerados infantis vêm cada vez mais se apropriando de piadas um pouco mais evoluídos para a compreensão dos bebês de colo, quiçá para não fazer os pais dormirem durante a sessão. Se a tendência é o específico e a comunicação dirigida aos nichos, ou se é a retomada à massificação da mensagem e a globalização das aldeias, não tenho ainda uma opinião formada. E o que me ajudou a confundir ainda mais minhas convicções foi ver no domingo dois trailers diferentes do filme &lt;strong&gt;&lt;em&gt;The Spirit&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, previsto para estrear em janeiro. Está claro ali que a proposta é atirar para todos os lados, dançar conforme a valsa noturna. Um deles, o melhor na minha modesta opinião, traz aquilo que chamam de “fidelidade” ao universo dos HQs. Os nomes Frank Miller e Will Eisner (&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Avenida Dropsie&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;) aparecem em primeiro lugar, seguidos das referências &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;300&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Estamos então diante dos gibis em movimento e alta definição. O branco-e-preto em alto contraste, o detalhe do vermelho, a presença da chuva e o cenário de uma metrópole e suas edificações homogêneas. Parece um filme de papel, um origami chapado na tela, um apanhado de imagens sombrias moldadas em nanquim. Já o segundo trailer faz outro tipo de apelo, talvez mais voltado ao público teenager. Esboços gráficos beirando o minimalismo cedem lugar a personagens de carne e osso, levemente dourados por uma cor em tom de sépia com um pouquinho de rubor em determinadas nuances. Em cada cena do trailer, uma mulher sedutora. Neste aperitivo, que me agradou menos do que o anterior, começam a dar nomes aos bois. Figuras hollywoodianas como Scarlett Johansson, Eva Mendes ou Samuel L. Jackson parecem criaturas de circo procurando um lugar neste espaço caoticamente urbano de Eisner. Heróicos e ao mesmo tempo sorumbáticos, estes césares das tribos noturnas são o refresco apimentado para a estréia vindoura. Ainda prefiro o poder sugestivo dos contornos do trailer anterior. Vamos ver o que essa mistura pálida graficamente taoísta com gotículas de sangue tem a nos dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1438548789913080430?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1438548789913080430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1438548789913080430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1438548789913080430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1438548789913080430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/12/esprito-camalenico.html' title='Espírito camaleônico'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3064043447524641056</id><published>2008-11-30T17:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T17:41:44.302-08:00</updated><title type='text'>Adeus à Mostra de São Paulo</title><content type='html'>Manifesto-desabafo da minha mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a freqüentar a Mostra, isso faz 30 anos, já de pronto e espontaneamente comecei a ser divulgadora do evento. Naquela época, era só uma sala de projeção (MASP) e só dois filmes à tarde que se reprisavam à noite. O trânsito era bom e, logo após o segundo filme vespertino, conseguia pegar o ônibus vazio, chegava em casa antes das 7 da noite e já começava a ligar para os meus amigos cinéfilos (todos trabalhavam e só podiam assistir à noite). Aos poucos, a Mostra começou a crescer em número de filmes e de salas. As projeções aumentaram para quatro por dia, no MASP, que se repetiam à noite no Cine Premier (Av. Rio Branco) e no Palmela (R. Pamplona). Mesmo assim, eu continuava com os telefonemas aos amigos recomendando os filmes, os anos passando, as salas aumentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu relacionamento com a organização da Mostra era bem amigável, julgava eu, pois sempre que algum veículo (Folha, Veja, Estadão, Jornal da Tarde, Rede Record, Notícias Populares, TV Cultura, Rede Bandeirantes) entrava em contato com a Mostra para fazer uma matéria, eles recebiam o número do meu telefone, com a indicação de que era “um pedido do Cakoff”. Eu jamais recusei, mesmo não sendo nada narcisista, pois considerava isso não como um favor, mas sim um prazer de divulgar a Mostra, que era um símbolo da minha paixão por cinema. Os temas abordados dos filmes eram instigantes e profundos: preconceitos (racial, sexual), discriminação e outros bem diferentes dos filmes do circuito comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ganhando uma relativa notoriedade e cinéfilos que não conhecia pessoalmente vinham me pedir dicas e sugestões de filmes nas filas dos cinemas. Isso sem falar que, naquela época, não havia legendagem eletrônica, então o público tinha que saber ler (e ouvir) Inglês, Francês e Espanhol (no mínimo). Já assisti a filme húngaro com legendas em Alemão, filme alemão com legendas em Italiano, filme chinês com legenda em Chinês e Blood Simple, o primeiro filme dos irmãos Coen (na sala do Gazeta) com legendas em Japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes 30 anos, julgava que estava contribuindo para a Mostra crescer, melhorar. O meu círculo de cinéfilos amigos aumentava e jamais passou pela minha cabeça receber de presente alguma coisa material da Mostra, porque eu estava divulgando uma coisa de que gosto e queria que todos pudessem compartilhar do meu prazer. Este era o meu prêmio. Nunca recebi uma permanente grátis sequer, tampouco ingressos ou convites para as festas e quetais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia da Mostra, nossa turminha de cinéfilos se reunia em um restaurante ou na minha casa, para que a gente escolhesse os nossos melhores e piores filmes vistos. Até que surgiu a idéia (do Elie, do Dr. Sérgio e de mais algumas pessoas próximas) de constituirmos uma espécie de “associação dos amigos da Mostra”, mais tarde denominada Confraria Lumiére, que só foi possível se concretizar quando a Internet tornou-se viável. A essa altura, como alguns amigos jornalistas e críticos freqüentavam as cabines matinais de imprensa da Mostra, começavam a me convidar a ir, e, assim, eu poderia divulgar melhor os filmes pelo fato de poder assistir a eles com uma certa antecedência. Já no primeiro dia de retirar os ingressos na Central da Mostra, eu tinha visto cerca de uma dúzia de filmes imperdíveis para divulgar aos amigos que estavam na fila e, eventualmente, aos formadores de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pensamento e minha intenção sempre foram no sentido de fazer aumentar o sucesso da Mostra e o interesse por seus filmes. Inclusive eu estava estimulando a freqüência do público jovem com minhas recomendações sobre as Sessões da Juventude. Comecei a telefonar e a mandar faxes ao Prêmio Multicultural Estadão, indicando a Mostra para tal premiação. E nem me importava de ser atrapalhada nos afazeres domésticos (lembram dos bifes à milanesa que eu fazia para congelar?). Uma vez, uma funcionária da Mostra entrou na sala escura, no meio de uma sessão, para me procurar dizendo que, por um pedido do Cakoff, gostaria que eu me deslocasse até o Cinesesc e concedesse uma entrevista ao repórter do Bom Dia São Paulo (Rede Globo), durante a exibição do filme Ten (Kiarostami). É bom lembrar que parte da filmografia do diretor é distribuída pela Mais Filmes, propriedade do organizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem: eu dava minha contribuição e recebia em troca o prazer de ver 90 ou mais filmes. O prazer de encontrar minha turma de amigos cinéfilos, quando a gente debatia, discutia, concordava ou discordava. Era uma tribo com uma paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, neste último mês de outubro, na semana de 12 a 19, eu já tinha assistido na terça-feira a 2 filmes na cabine (inclusive o “Rumo a Meca”, que me fez recomendar a várias pessoas e recebeu um comentário elogioso na matéria que fiz ao site Cinequanon). Sofri uma lesão no pé e não pude comparecer à cabine de quinta-feira, dia em que o assessor de imprensa Marcos veio, mesmo na minha ausência, expulsar a nós 3 (eu, o Sr. Paul e o Dr. Sérgio de Oliveira) das cabines por ordem expressa do Cakoff, alegando que, caso não nos retirássemos da sala, ele estaria correndo o risco de perder o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém entendeu essa discriminação. Por quê? Por sermos idosos os três (justo agora que o Leon vai ser vovô)? Por não termos diploma de jornalista (mas uma porção de pessoas que vão às cabines também não têm)? Fui tentar esclarecer o fato com a Renata e o Leon e eles me alegaram o seguinte:&lt;br /&gt;(Renata): “A senhora é a “vedete” dos assinantes. Já imaginou se todos os outros assinantes reivindicarem a entrada nas sessões de imprensa?”&lt;br /&gt;(Cakoff): “Cada filme tem um contrato de exibição; se na sessão de imprensa estiver presente uma única pessoa que não é jornalista, fica caracterizada sessão para público.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, nas cabines da Mostra já encontrei várias vezes estudantes de cinema que não são jornalistas. E os 80 assinantes da permanente integral que conheço jamais iriam reivindicar a entrada nas cabines porque posso dizer que eles me consideram especial, única na história da Mostra. Afinal, não é todo ano que uma pessoa do público sobe ao palco para entregar o troféu de Melhor Filme (Cem Passos, de Marco Túlio Giordana). Não é todo mundo que tem a oportunidade de aparecer na homepage do site da Mostra prestigiando os convidados, no caso, trocando breves palavras com o diretor russo Alexander Sokhurov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, o Cakoff me disse: “não quero mais falar sobre isso, vamos pensar (e você pode me dar umas idéias) em como incrementar a presença do público nos debates (por exemplo, o do Nicolas Klotz tinha no máximo 10 pessoas na platéia, excluindo-se os jornalistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, pergunto, por que essa dupla mensagem em cima de mim? A Mostra me usa para ser divulgada nas várias mídias, para dar entrevistas, para dar subsídios aos debates e, por outro lado, me acha um estorvo nas cabines de imprensa? Por que a organização da Mostra só se lembra do número de telefone de casa quando é do seu interesse? Para me expulsar das cabines, manda um moleque de recados, mesmo eu não estando presente no dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros anos, o espírito da Mostra era o de apresentar filmes alternativos ao circuito comercial, de conteúdo, de autor, de geografias diversas. Isso gerava um interesse diversificado de públicos vários, levando estas pessoas a discussões e debates. Era o que acontecia com meu grupo heterogêneo de amigos cinéfilos, de diferentes profissões, gostos, opiniões, idades, religiões. Aos jovens de agora, “calouros” da Mostra, digo: vocês não podem imaginar como era efervescente o encontro de pessoas durante os filmes e as discussões. A boa conseqüência é que um abria a cabeça do outro, e nós todos evoluímos muito: aprimoramos nosso gosto, aprendemos a “enxergar” coisas nos filmes, crescemos e nos enriquecemos como indivíduos. Hoje, com a quantidade perversa de 400 e tantos filmes, o que acontece na real é: um bando de baratas-tontas cinéfilos correndo (com tênis do patrocinador Adidas?) de uma sala para outra, suando (repondo líquidos com a água do patrocinador Sabesp?), na esperança de descobrir um talento promissor. O resultado desse cansaço todo, infelizmente, é um balanço de um compêndio muito fraco. Com a Internet e o interesse das distribuidoras, entre outros fatores, o prazer da garimpagem deixou de ter sua razão de existir. Já se foi o tempo das “descobertas” de novos diretores com o gabarito e o frescor de um Tarantino (Cães de Aluguel), Hal Hartley (Confiança), Irmãos Coen (Blood Simple), Oshima (Império dos Sentidos), Jos Stelling (Homem da Linha). Não esses ilustres desconhecidos, como África Unite, Alvorada Sunset, Coyote, Harrison Montgomery, etc. A triagem era feita a dedo pelos organizadores, e não por atacado como agora (será que quantidade é uma exigência dos patrocinadores?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que existem filmes muito bons, de diretores consagrados. Mas a maioria deles é pré-estréia, então para vê-los não vou me estressar com correria, filas, salas cheias, atrasos, gente chutando minha cadeira nas costas, ou conversando, ou fazendo piquenique. E, citando Daniel Piza, em seu artigo publicado no Estadão, “quantidade gera... quantidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esses motivos é que estou dizendo ADEUS À MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO. Nunca mais ponho os pés em suas salas nem visto mais a camisa (já doei todas as camisetas que tinha ao meu pedreiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha paixão pelas artes não morreu. Vou continuar cultivando o prazer dos teatros, das óperas, dos concertos, dos recitais e, é claro, do cinema. Espero continuar encontrando outros apaixonados como eu nos cursos do SESC, da Cinemateca, festivais de Curtas, Documentários, Latinos, Retrospectivas e, quem sabe, se tiver saúde e dinheiro, nos festivais do Rio, Gramado, Brasília, Ceará, Paulínia, Recife, Buenos Aires, Toronto, Tóquio, Nova York...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anette Fuks&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3064043447524641056?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3064043447524641056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3064043447524641056' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3064043447524641056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3064043447524641056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/adeus-mostra-de-so-paulo.html' title='Adeus à Mostra de São Paulo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4802610547242469038</id><published>2008-11-29T17:13:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T17:19:37.859-08:00</updated><title type='text'>Democracia tardia</title><content type='html'>É histórico: toda democracia demora séculos para acontecer. Eu já estava desencanando, achei que fosse boataria da mídia. Até fiz uma aposta comigo mesmo: o que sairia primeiro? O novo disco do Guns and Roses ou o novo filme do Guilherme Fontes, &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Chatô&lt;/span&gt;? E não é que a primeira alternativa já se encontra nas lojas? Quase duas décadas adiando e adiando. Problemas pessoais até. Diversas formações da banda de apoio. Não deve ser fácil aturar o Axl Rose. Mas lá está ele: &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Chinese Democracy&lt;/span&gt;, 14 faixas, capa legalzinha, imagem de uma bicicleta. Ainda não ouvi, apenas alguns trechos aperitivos na Internet. Se a moda é presentear no Natal com quinquilharias chinesas, este CD vem a calhar. Já tô aguardando o meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4802610547242469038?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4802610547242469038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4802610547242469038' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4802610547242469038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4802610547242469038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/democracia-tardia.html' title='Democracia tardia'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-207022312004471445</id><published>2008-11-29T17:02:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T17:13:41.365-08:00</updated><title type='text'>Bilhete premiado</title><content type='html'>Já que não há medidas eficazes para diminuir o trânsito em São Paulo, o jeito é remediar. A prorrogação da validade do Bilhete Único, que passou a valer para três horas ao invés de duas, vem beneficiar principalmente quem mora na periferia e atravessa a cidade para chegar ao seu destino. Não é fácil enfrentar 100 quilômetros de congestionamento. Pelo menos, então, não se recobra a tarifa. Mas como não tem como controlar quem mora longe e quem mora perto, o tal Bilhete acaba favorecendo outros públicos também. Agora, este prazo ficou na medida certa para pegar uma sessão de cinema normal (filme de 1 hora e meia a 2 horas) e voltar pra casa sem desembolsar um tostão a mais. Se o valor do ingresso não ajuda muito, e o combo pipoca + refri acaba ficando mais caro do que o próprio ingresso, pelo menos essa economia viária ajuda a reduzir o valor final do gasto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-207022312004471445?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/207022312004471445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=207022312004471445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/207022312004471445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/207022312004471445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/bilhete-premiado.html' title='Bilhete premiado'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1391680587448307564</id><published>2008-11-27T09:47:00.002-08:00</published><updated>2008-11-27T09:48:36.113-08:00</updated><title type='text'>Sumiço da China</title><content type='html'>Não assisto novela. Detesto. A última que vi deve ter sido &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Roque Santeiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, e olhe lá. Mas não dá pra escapar dos comerciais. Bastou ligar na Globo, pronto. Somos infectados por esses indigestos aperitivos. Um que vi recentemente foi sobre a novela &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Negócio da China&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, em que o personagem de Fábio Assunção desaparece misteriosamente. Fora da ficção, soubemos que o ator alegou problemas pessoais e, por causa disso, vai interromper as gravações. Depois da matéria de capa da Veja, era de se esperar. Certamente não há mais clima para Fábio continuar encarando os bastidores. Instâncias superiores devem ter ficado preocupadas com a imagem do galã associada à toxicomania. Aqui a Chinatown é menos glamurosa. Melhor mesmo pro canastrão é sair de cena. Melhor ainda seria todo esse lixo televisivo ir na cola dele, pegar o banquinho e sair de fininho, inclusive a versão mal-feita de Mary Poppins. Tá todo mundo querendo se ver livre das drogas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1391680587448307564?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1391680587448307564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1391680587448307564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1391680587448307564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1391680587448307564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/sumio-da-china.html' title='Sumiço da China'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4673835574381013668</id><published>2008-11-27T09:47:00.001-08:00</published><updated>2008-11-27T09:47:44.676-08:00</updated><title type='text'>Legítima sacanagem</title><content type='html'>Promotor acusado de matar em Bertioga é absolvido por unanimidade e volta a ocupar o cargo que lhe dá rendimentos mensais de mais de 10 paus. Alega-se legítima defesa. Sem comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4673835574381013668?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4673835574381013668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4673835574381013668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4673835574381013668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4673835574381013668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/legtima-sacanagem.html' title='Legítima sacanagem'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1278783044334095857</id><published>2008-11-24T05:47:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T05:48:22.105-08:00</updated><title type='text'>Gelo magnético</title><content type='html'>Hoje os novos grupos musicais têm plena consciência de que dificilmente resistirão a um segundo disco. Que seus 15 minutos de fama estão cada vez durando menos do que 15 minutos. Hoje a quantidade de acessos no YouTube para determinada banda não reflete necessariamente a quantidade de CDs vendidos nas lojas. Muito pelo contrário, em alguns casos. Existem grupos que são a coqueluche virtual sem sequer lançarem um único álbum. Hoje a Tower Records chama-se My Space. Música é adquirida de graça e qualquer informação que possa ser compartilhada torna-se velha antes mesmo de sua divulgação. Mesmo assim, ainda existem os heróis da resistência. É prematuro dizer que a qualidade geral caiu, e que a volta às raízes denota falta de criatividade ou acomodação em relação aos novos rumos da música. Dois dos grandes lançamentos de 2009 são veteranos fazendo exatamente aquilo que sempre souberam fazer. Nada de revelações, nada de futuras promessas, novas sonoridades. O &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Death Magnetic&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (Metallica) e o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Black Ice&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (AC/DC) são bolachas republicanas, tamanho seu grau de conservadorismo. Repetem sua velha fórmula de agradar aos admiradores headbangers. E não fazem feio. Estão fortes, revigorados. São paus-pra-toda-obra com suas tosses e seus marca-passos. Se as atuais bandinhas de integrantes com cortes desiguais de cabelo e nomes impronunciáveis estão com os dias contados, a contra-reforma então vem pelo lado do bom e velho rock and roll. Isso sim é ser moderno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1278783044334095857?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1278783044334095857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1278783044334095857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1278783044334095857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1278783044334095857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/gelo-magntico.html' title='Gelo magnético'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2999605925935837792</id><published>2008-11-24T05:46:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T05:47:16.103-08:00</updated><title type='text'>Bola murcha</title><content type='html'>A figura do leiloeiro, aquela pessoa que dá marteladas na mesa após o lance final, que acompanha o levantar e abaixar das mãos nesta competição de dinheiro, virou peça de museu. A não ser que alguém acompanhe regularmente os leilões oficiais do governo. Caso contrário, o leiloeiro só é visto em filme. Todavia, cresce na Internet os leilões virtuais, desde os mais convencionais até os mais esdrúxulos. Mercado Livre, e-bay, são algumas versões fiéis desse tipo de compra e venda em que os valores absolutos são trocados pela lei da oferta e da procura. Agora existe um tal de leilão de menor lance, ainda não sei exatamente como funciona. Se a idéia é desvirtuar cada vez mais a maneira tradicional de se vender mercadorias no paralelo, estamos então chegando a níveis insuperáveis de arrojo criativo. Tá certo que um líder, uma figura pública e carismática, uma personalidade acaba despertando o desejo de posse de seus fãs. Seria considerado normal dar lances nos leilões dos óculos do Elton John, por exemplo. Mas leiloar chiclete mascado pelo ator global Cauã Reymond foge do meu limitado campo de compreensão. Isso faz parecer que o ator em questão é tão monumental que qualquer coisa dele tem valor, por mais minúscula e desprezível que possa parecer. Ou o povo brasileiro que se contenta com pouco, sei lá. Mas tudo bem, deixemos os trouxas pagarem fortunas por uma goma de mascar cheia de saliva. E que nem faz bola, ainda por cima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2999605925935837792?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2999605925935837792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2999605925935837792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2999605925935837792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2999605925935837792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/bola-murcha.html' title='Bola murcha'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4939996038234189584</id><published>2008-11-21T06:12:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T06:13:07.610-08:00</updated><title type='text'>Código desconhecido</title><content type='html'>Não nasci pra certas coisas. Não me considero um neoludita, não sou daqueles que ficam choramingando o revival dos tempos antigos. Meu tempo é hoje, por mais duro que possa ser pra mim. Mas tem coisa que não dá. Com a mais pura sinceridade que tenho para compartilhar com vocês, confesso não conseguir enxergar patavinas daqueles códigos secretos para identificar envio de spam. No Brasil todo mundo é culpado, até que se prove o contrário. E com a Internet, lógico, a mesma coisa. Não sou um hacker, não sou de enviar toneladas de e-mails falsos, não sou robô (embora às vezes eu pareça, devo admitir), a maioria dos meus amigos sabe disso. Entretanto, sou obrigado a provar para o ciberespaço toda essa minha carga de boas intenções. E confesso ficar possesso quando tenho que redigitar e redigitar os tais ideogramas parcialmente escondidos num emaranhado de cores e fios, dentro de um retângulo que é a porta de acesso para serviços eletrônicos. Se eu não consigo visualizar esses caracteres sobressalentes em cores esmaecidas, diferenciando as sutilezas (em alguns casos) das maiúsculas e minúsculas, não posso realizar nada nos sites. Mas o problema é comigo. Eu é que sou cegueta. Eu é que devo consultar o oftalmologista antes de ligar o micro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem, tentei participar de uma promoção de refrigerantes. Não me identifico com o Rogério Ceni, muito menos com o Luciano Huck, mas me identifiquei logo de cara com os prêmios. Mais uma vez, o burraldo dessa história toda sou eu. Eu é que não acompanho tendências, eu é que estou milênios atrasado em relação às novas visualizações tipográficas. Devo agradecer aos céus que a empresa promotora me poupou de ter de recortar o código de barras, colar um envelope, escrever frente-e-verso, enfrentar as filas decametrais dos correios. Peguei meu obsoleto celular (dois anos e meio de uso) e tentei enviar um torpedo SMS. Primeiro, um número correspondente à resposta correta da pergunta impressa no rótulo da embalagem, corpo 6 ou 8. Quem manda eu não andar com lupas no bolso? Seguido do número, uma seqüência de letras e números impressos no plástico da tampinha, provavelmente gerados por impressora matricial por causa da imperfeição de suas retículas. Eu é que sou o retardado de não conseguir detectar a diferença entre o Z e o 2, entre o G e o 6. Obviamente, após o envio, o zé-mané aqui recebeu a resposta dizendo que o código era inválido. Que paparicar o consumidor, que nada. Se o interessado pelo prêmio sou eu, então o iletrado, o apedeuta virtual aqui é que deve se esforçar ao máximo para concorrer. Que nem as filas nas casas lotéricas. Decifra-me ou devoro-te. Isso é ser bem moderno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4939996038234189584?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4939996038234189584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4939996038234189584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4939996038234189584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4939996038234189584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/cdigo-desconhecido.html' title='Código desconhecido'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8912851853136416955</id><published>2008-11-21T06:11:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T06:12:11.616-08:00</updated><title type='text'>Vingança</title><content type='html'>A vingança é um prato que se come frio. Pudera. Depois de um 2008 cinematograficamente morno, no que se refere ao conjunto de filmes brasileiros lançados em circuito, eis que surge uma célula viva nas telas. Se as frases elogiosas descontextualizadas das críticas impressas, colocadas no decorrer do trailer, servem para manipular o juízo de valores do espectador, por outro lado mostram que o filme teve uma boa aceitação prévia por uma considerável parte dos tais formadores de opinião. E o longa cumpre as expectativas. Filme de baixo orçamento, com captação em digital mas sem aquele frenesi típico do formato, sem aquela pressa em correr atrás do objeto filmado ou colocar a câmera na fuça dos personagens como se estivesse pronta para estourar suas espinhas. Há planos pensados, há uma seqüência lógica de imagens feitas com força, com paixão. Paulo Pons consegue construir um thriller-rodante com protagonistas com intensidade. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vingança&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; tem o famoso “roteiro bem-amarrado” (odeio essa expressão), abdicando das cenas gratuitas e trazendo sentido a cada movimento. É bem-sucedido em trazer as reviravoltas esperadas do gênero, e acrescenta a esse clichê a mudança paradigmática de peso dramático de cada ator. Quem estava em primeiro plano na trama se apaga no decorrer do filme, e vice-versa. Ou não. Um honesto destaque brasileiro do ano, não só por seus méritos mas também por se sobressair um pouquinho diante de um ano bem apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;4 lentilhas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8912851853136416955?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8912851853136416955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8912851853136416955' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8912851853136416955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8912851853136416955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/vingana.html' title='Vingança'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7739371204548050057</id><published>2008-11-20T11:16:00.001-08:00</published><updated>2008-11-20T11:16:35.001-08:00</updated><title type='text'>Piratas da Somália</title><content type='html'>Vai sonhando que pirata tem a cara e o carisma do Jack Sparrow. Isso é coisa da Disney. Pirata que é pirata anda com metralhadora. Esquece o Capitão Gancho, as garrafas de rum e os baús e tesouros escondidos no fundo do mar. Isso faz parte somente do imaginário coletivo. Pirata de hoje em dia não fica famoso pelo nome ou pela cara de mau, até porque parece que nenhum deles tem cara. O recente saque ao navio de petróleo feito por corsários da Somália é o retrato verdadeiro do mundo de hoje. Grupos terroristas em ações organizadas e ambiciosas. Magricelas do Terceiro Mundo invadindo a redoma naval que determina o preço da gasolina nos cinco continentes. Uma imagem que está mais para o apartheid social do que para aquelas simbólicas lutas de facas. A bandeira da caveira mordendo ossos em cruz não é negra por acaso. Esta apagada flâmula é o reflexo de um mundo raquítico em colapso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7739371204548050057?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7739371204548050057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7739371204548050057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7739371204548050057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7739371204548050057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/piratas-da-somlia.html' title='Piratas da Somália'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-194792276744446095</id><published>2008-11-20T11:15:00.001-08:00</published><updated>2008-11-20T11:15:58.678-08:00</updated><title type='text'>Janela indecente</title><content type='html'>É urgente que entre para o Código Penal um novo capítulo prevendo crimes por defenestração. Bastou o caso nardônico se tornar midiático para gerar inspiração. A recente tragédia de Guarulhos não conseguiu comover a opinião pública como o acontecimento anterior, mas é tão grave quanto. Mais do que a originalidade do crime em si, este fato revela uma série de fatores por trás disso, como a sensação coletiva de falta de segurança e de impunidade, o sistema penal arcaico, a falta de comando das instâncias, a ausência da Justiça e uma série de questões que não só ajudam a tornar notória uma situação hedionda como esta, mas também corroboram para impregnar a imagem de um país terra-de-ninguém sem soluções específicas enérgicas a curto prazo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-194792276744446095?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/194792276744446095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=194792276744446095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/194792276744446095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/194792276744446095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/janela-indecente.html' title='Janela indecente'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-337172049073644229</id><published>2008-11-20T06:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T06:35:40.501-08:00</updated><title type='text'>Ocupando a Imprensa</title><content type='html'>De 21 de novembro a 21 de dezembro, o Centro Cultural Grupo Silvio Santos recebe projetos em artes cênicas para participação em sua terceira edição do Vitrine Cultural 2009, no Teatro Imprensa. Os jornalistas Valmir Santos e Kil Abreu serão os curadores responsáveis pela análise e seleção dos projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada proponente poderá inscrever até dois espetáculos, inéditos ou não, compatíveis com os critérios de seleção do projeto: excelência artística, originalidade, currículo dos integrantes e compatibilidade técnica com o teatro e os recursos disponíveis. É uma proposta para dar espaço a artistas e grupos teatrais que desenvolvam trabalhos de pesquisa, com linguagem inovadora, além de fomentar um trabalho de cunho social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de 2009, serão contemplados e subsidiados 9 produções teatrais para a Sala Vitrine e 3 para o Teatro Imprensa. Serão R$ 36 mil para a temporada no Vitrine e R$ 20 mil para as sessões na Sala Imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grupo comprará as sessões dos espetáculos selecionados e, em contrapartida, no primeiro mês de cada temporada, será feita uma campanha (alimentos, agasalhos, livros, etc.) em troca do ingresso. Nos dois meses seguintes a bilheteria vai operar com preços populares (R$10,00 e R$ 5,00).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os projetos deverão ser postados ou entregues pessoalmente no Teatro Imprensa, na Rua Jaceguai, 400, CEP 01315-901, Bela Vista, São Paulo. Mais informações sobre o regulamento podem ser obtidas no hot site &lt;a href="http://www.projetovitrinecultural.org.br/" target="_blank"&gt;www.projetovitrinecultural.org.br&lt;/a&gt; . O resultado será divulgado no dia 27 de janeiro, no Teatro Imprensa. Dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail &lt;a href="mailto:projetovitrine@centroculturalgss.com.br" target="_blank"&gt;projetovitrine@centroculturalgss.com.br&lt;/a&gt; – no campo assunto, especificar Vitrine Cultural/2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-337172049073644229?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/337172049073644229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=337172049073644229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/337172049073644229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/337172049073644229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/ocupando-imprensa.html' title='Ocupando a Imprensa'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-287174737971138640</id><published>2008-11-10T13:51:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T13:55:24.360-08:00</updated><title type='text'>Machucando as teclas</title><content type='html'>Que teclado ergonômico, que nada. Meu negócio sempre foi a martelada. Não sei se é porque eu sou da geração das máquinas de escrever portáteis, mas me acostumei a sentir o peso de cada quadradinho do tablado escrito, a ouvir o som que a palavra produz em seu processo de gestação, como se fosse o grito de uma criança nascendo. Pessoas que digitam fazendo cosquinha no teclado certamente não viveram essa época mais suada, e dificilmente sentirão esse gostinho de escrever com os ossos. Soube que, numa agência de propaganda, costumavam chamar os módulos datilográficos de moedores de carne. A sensação era essa mesmo, ainda mais quando a agência em questão sugava até a alma de seus escribas. Imprimir idéias era uma carnificina, um trabalho não somente intelectual como alguns vislumbram. Metaforicamente falando, saía sangue dos dedos. Ser criativo era mais visceral, mais filme &lt;em&gt;gore&lt;/em&gt;. Mantenho o hábito de digitar como se estivesse esculpindo o texto. Eu, redivivo da Idade da Pedra Lascada, continuo talhando cada letra das minhas frases mentais. Quando fiz um teste  pra dar aulas em cursinho, havia na ante-sala um estoque interminável de giz. Sou marujo de primeira viagem, modestamente achei que um par de três resolveria meu problema. Que nada. Eu tinha me esquecido completamente de que costumo escrever forte, fixando a caneta no papel até quase rasgar. Uma vez, uma professora do ginásio me disse que meu caderno parecia ralador de queijo. E, por não ter sido aprovado pelo comitê que avaliou minha performance, fiquei ainda com mais inveja dos professores. Eu queria passar por esta experiência. Mestres e doutores completamente sujos de giz, como se acabassem de sair da lavoura arcaica. Operários do ensino que deixam as suas impressões digitais na camisa de quem conversa com eles. Aquilo sim é uma imagem prototípica do labor em prol do saber. O giz, calcário mineral que serve para instruir a nação, que faz arder os ouvidos no seu contato com a superfície irregular da lousa, nas mãos destes lavradores do conhecimento. Qualquer semelhança com o redator não é mera coincidência. O giz é a veia do propedeuta. Pulsa a cada matéria e culmina jorrando seu sangue de sabedoria no quadro negro tela pictórica renascentista. Isso sim é o grito primal e ululante do processo criativo. Mas tudo bem, vamos voltar a nos acostumar com aqueles sofisticados, insípidos e inofensivos &lt;em&gt;carpaccios&lt;/em&gt; de letrinhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-287174737971138640?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/287174737971138640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=287174737971138640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/287174737971138640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/287174737971138640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/machucando-as-teclas.html' title='Machucando as teclas'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-551975559144071070</id><published>2008-11-10T13:29:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T13:30:27.454-08:00</updated><title type='text'>Império romano</title><content type='html'>Parece que o novo investidor de pontos micados é a Vila Romana. Abriu recentemente uma filial no Shopping Paulista, ocupando o lugar da extinta Virtual Music. E, descobri ontem, está construindo mais uma loja, agora no Conjunto Nacional, coincidentemente substituindo outro estabelecimento de som/cine/vídeo, a Love Music. É notório que, com os downloads e a música de bolso, as lojinhas de CDs e DVDs tendem a sumir do mapa. E ainda não inventaram nenhum programinha para baixar roupas (no sentido tecnológico, é claro). Não sei se há uma agressiva estratégia de marketing ou a previsão de uma enxurrada de lançamentos por trás disso. Mas essa invasão romana é a constatação de que, nos tempos do Torrent ou do Lime Wire, não é mais necessário conquistar o mundo vestindo pesadas armaduras metálicas. Basta alguns apetrechos de moda masculina com um custo relativamente modesto e uma dose certa de bom gosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-551975559144071070?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/551975559144071070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=551975559144071070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/551975559144071070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/551975559144071070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/imprio-romano.html' title='Império romano'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-2156126547281918204</id><published>2008-11-10T13:26:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T13:29:12.842-08:00</updated><title type='text'>Mantendo a linha</title><content type='html'>Agora que a Mostra de Cinema acabou, é hora de lançar avidamente os filmes acumulados que não encontraram espaço no circuito dividido entre o referido festival e os demais lançamentos comerciais. Nesse bolo, inclui-se a enxurrada de filmes nacionais que, especificamente na sexta passada, veio às pencas: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pan-Air&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Orquestra de Meninos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;À Margem da Linha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Meu Nome é Dindi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, além da pré de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pan-Cinema Permanente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Frente a este cenário, resiste em cartaz dois outros longas, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Linha de Montagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Linha de Passe&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. O primeiro vai muito na linha (sem querer ser pleonástico) da dobradinha &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Peões/Entreatos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Documentário que mostra um outro tempo do sindicalismo, quando as reivindicações eram mais justas e menos políticas, as lutas salariais eram verdadeiras, a mobilização operária fazia todo sentido. Impressionante como o Lula, desde aquela época, tinha uma retórica tão convincente que conseguia fazer um número de pessoas equivalente a um estádio de futebol lotado ficar quieto e concentrado. Hoje as greves são coercitivas, motivadas por interesses de classes específicas. O movimento sindical resume-se a piquetezinhos atrapalhando o trânsito da Av. Paulista. Um filme que me incitou a fazer uma comparação histórica. Já o outro me trouxe outras reflexões. Funciona quase que como uma antítese do norte-americano &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quatro Irmãos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, pois aqui a figura materna não consegue dar conta de ser o elemento conectivo de uma estrutura familiar fragmentada. Um dos finais mais impressionantes do cinema brasileiro. Seja por causa do patriarca Luís Inácio ou da premiada Sandra Corveloni, tente encaixar um horário na sua agenda para qualquer um deles, antes que saiam de cartaz e cedam suas cadeiras para as cópias natalinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-2156126547281918204?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/2156126547281918204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=2156126547281918204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2156126547281918204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/2156126547281918204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/mantendo-linha.html' title='Mantendo a linha'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-7117379529929410290</id><published>2008-11-05T09:17:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T09:18:15.321-08:00</updated><title type='text'>Kassab Obama</title><content type='html'>Bem mais interessante o dualismo partidário estadunidense republicanos x democratas do que o enfadonho segundo turno na cidade de São Paulo. Confesso que, se tivesse a chance de optar, escolheria votar em Obama ao invés de ratificar o resultado da eleição chocha do alcaide aqui da minha cidade. Quem votou ontem se sentiu um coadjuvante da História. Venceu a transformação, o inconformismo, o basta-de-guerra. Entra em cena o novo, o sonho de reduzir a crise financeira, a vontade de rever uma economia saudável, a esperança. Obama, por si só, já é a síntese de uma quebra de paradigmas. Com certeza, ele vai fazer mais bem ao mundo do que o herdeiro das batatas fritas transgênicas. Aqui na Terra da Garoa, todavia, tivemos de apertar a tecla da continuidade. Nem tanto pelo legado kassabiano, que até que administrou a cidade com uma certa dignidade. Mas o pleito aqui foi marcado mais pelo anti-martismo. Devo admitir alguns acertos da ex-prefeita, mas ninguém sente saudades da taxa do lixo, das arvorezinhas na Faria Lima, dos CEUs de fachada, do trânsito entupido na Rebouças, do túnel da Cidade Jardim que liga nada a lugar nenhum. Da arrogância, do temperamentalismo, do PT de butique. No que diz respeito às urnas, aqui quase nada se mexeu. Vamos continuar discutindo se o Bilhete Único será válido para 3 horas ou 3 horas e meia. Já nos Estados Unidos, os eleitores vão poder guardar de recordação um tijolo daquele muro-de-berlim chamado Era Bush.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-7117379529929410290?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/7117379529929410290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=7117379529929410290' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7117379529929410290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/7117379529929410290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/kassab-obama.html' title='Kassab Obama'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-257225091199611191</id><published>2008-11-05T09:14:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T09:17:05.346-08:00</updated><title type='text'>Boa ação</title><content type='html'>Tava me sentindo meio preguiçoso e acomodado em relação às ações de responsabilidade social, tão em voga hoje em dia no mundo empresarial. Acho muito bonito o voluntariado, mas confesso que nunca me vi suficientemente motivado a tirar as nádegas da cadeira e fazer algo de bom ao próximo. Mas hoje bateu aquela coceira de deixar o individualismo um pouco de lado e ganhar pontos com o divino de lá de riba. Foi a história da Eloá e de sua família que me inspirou e me amoleceu? Não sei. Após o almoço, fiz o cadastro que me habilitou a ser doador de medula óssea. Preenchi um formulário e fiz a pequena coleta de sangue para análise laboratorial. O saguão do prédio estava bem cheio, prova de que a solidariedade ainda é marcante entre os brasileiros. Geralmente não costumo dar esmolas, alegando preferir ajudar uma instituição de caridade. Mas, na prática, isso também nunca faço. Hoje então foi o dia de eu reconsiderar essa postura e deixar meu esporádico altruísmo bater mais forte. Tomara então que ele seja útil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-257225091199611191?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/257225091199611191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=257225091199611191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/257225091199611191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/257225091199611191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/boa-ao.html' title='Boa ação'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-6141947593434822183</id><published>2008-11-03T12:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-03T12:50:34.192-08:00</updated><title type='text'>De coração</title><content type='html'>Quando era adolescente, gostava de hardcore. Depois passei a conhecer o metalcore. Hoje, só tenho condições de me ligar no Incor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-6141947593434822183?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/6141947593434822183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=6141947593434822183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6141947593434822183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/6141947593434822183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/de-corao.html' title='De coração'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8175503757074138545</id><published>2008-11-03T12:45:00.000-08:00</published><updated>2008-11-03T12:47:46.464-08:00</updated><title type='text'>Fim do ciclo</title><content type='html'>Ainda batendo na mesma tecla, mas longe de querer botar uma pá de cal no assunto, me pareceu bastante interessante minha experiência derradeira na Mostra deste ano. Em primeiro lugar, abrindo parênteses, quero reforçar que, para evitar parecer ressentido ou tendencioso, com alegações parciais e julgamentos passionais, a coletiva do júri foi bastante diferente da anterior que abriu o evento. Desta vez, houve um número menor de tietes e um foco maior ao cinema. Ficou mais clara a composição do júri, os critérios não pré-estabelecidos de premiação, a tentativa de se valorizar o documentário ou dar ênfase a este gênero com uma premiação diferenciada, enfim, estávamos lá numa mesma sintonia, falando mais em arte e menos em números. Justiça seja feita. Mas voltando. Em 96, meu primeiro ano de maratona com credencial, escolhi para mim mesmo o filme &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Kavafis&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, dirigido pelo desconhecido Yannis Smaragdis, visto no extinto Cine Paulistano,  como o melhor da Mostra daquele ano. Foi a partir dali que decidi eleger um número 1, um supra-sumo do festival nos anos seguintes. Isso me motivou a procurar por obras-primas escondidas, a garimpar por trabalhos excelentes sob meu particular ponto de vista, a eleger o Mr. Universo cinematográfico que foge aos padrões previamente estabelecidos nos demais festivais mundiais. Não sou, sob esse aspecto, alguém que faz questão de navegar contra a corrente. Mas entendo que a Mostra serve um pouco pra isso também. Se é Cannes, Veneza ou Berlim que ditam as regras do bom cinema, pra que então freqüentar insanamente as salas da região da Paulista? O fato é que, por razões mais minhas do que da Sétima Arte, eu queria encontrar um outro &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Kavafis&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Um filme no mesmo patamar do inspirador. Foi este trabalho que me motivou a ler os poemas do escritor grego, a criar minha primeira comunidade no Orkut enquanto eu ainda estava cadastrado nele, a me dar o prazer de entrar em contato com uma partícula da literatura grega, tão pouco difundida nos tempos do emoticon e do hai-kai. E eis que, uma dúzia de anos depois, tenho a oportunidade única de assistir a &lt;strong&gt;&lt;em&gt;El Greco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, do mesmo diretor, pagando a quantia irrisória de R$ 1 (Cine Olido). Pelo que ouvi da representante da distribuidora que compareceu à sessão, o filme fez mais de 1 milhão de pessoas em seu país de origem. Pelo que li, o diretor não produziu mais nada pra cinema nesse ínterim. Um ou outro que viu o filme em cabine não gostou, mas mesmo assim a expectativa era grande. E, infelizmente, El Greco não cumpriu em satisfazer essa ansiedade. Smaragdis envelheceu. Deixou de lado sua força subjetiva de trazer poesia às imagens e cedeu a um aparato eloqüente, de gosto duvidoso, voltado a lições didáticas. Essa roupagem rebuscada pode até ter dado dinheiro aos produtores, mas nada acrescentou ao cinema. E aquela sala apertada do Centrão, que me fez lembrar do Metrópole e do Arouche quando ainda comprava ingressos individuais, a decadência (do ambiente, do diretor, da Mostra), aquela sensação de fim de tarde de sábado quente era o invólucro mais apropriado para sintetizar o encerramento deste ciclo. Seria impossível continuar a cultivar a Mostra diante da angústia do ocaso. Melhor voltar pra casa e acreditar, tristemente, que este evento renascerá renovado no ano que vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8175503757074138545?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8175503757074138545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8175503757074138545' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8175503757074138545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8175503757074138545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/11/fim-do-ciclo.html' title='Fim do ciclo'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-5816891530774490905</id><published>2008-10-17T13:44:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T13:46:56.080-07:00</updated><title type='text'>Meu boicote à Mostra</title><content type='html'>“Que absurdo ver tanto filme em tão pouco tempo. Isso é coisa de maluco”. Essa era minha impressão resumida sobre os cinéfilos que freqüentavam e freqüentam, assiduamente, a Mostra de Cinema. Para sentir na pele o que é esse hábito viciado, fiz uma espécie de autoteste com toda a curiosidade de São Tomé que me cabe e comprei a permanente integral, que dá direito a ver todos os filmes do festival. Não teve jeito. Passei a encarar com a maior naturalidade aquilo que antes achava uma aberração. Como diria minha mãe, eu “fui picado pelo bichinho da Mostra”. Isso foi em 96. De lá pra cá, todos os anos, eu compro a permanente e mergulho nessa saudável insanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nesse ano resolvi fazer diferente. Como em tudo na nossa vida, existe um momento em que é necessário reciclar valores e repensar comportamentos. Adotei 2008 (32ª Mostra) como uma ano sabático, por diversos fatores que esmiuçarei a seguir. A maioria dos argumentos refere-se a questões meramente pessoais, mas é bom registrar também que, se não for tomada nenhuma atitude, pela lei da inércia tudo ficará exatamente como está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro deles é por uma boa causa. Está entrando dinheiro na minha conta bancária. Diferentemente de muitos amigos, que infelizmente se sentiram obrigados a abandonar a maratona para conter suas despesas pessoais, no meu caso andei acumulando uma série de freelas e trabalhos temporários. Adquirir a permanente para ver pouca coisa não compensa seu investimento. Graças a Deus, o mercado publicitário vive uma situação próspera. Como o susto da Bolsa irá trazer conseqüências desfavoráveis num futuro próximo, isso é inevitável, é bom aproveitar este curto momento de calmaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro motivo, de menor relevância mas que também contribui para meu sumiço, é que andei notando um certo cansaço do festival. Antes pra mim tudo era uma novidade, uma grande surpresa. Tenho saudades dessa época mambembe, em que prevalecia a experimentação e o rumo ao desconhecido era uma inerente regra. Com a minha profissionalização (se é que dá pra se chamar assim) em relação à arte, com a proliferação dos sites e geradores de conteúdo em primeira mão, a informação prévia passou a ser o mecanismo condutor dessa rota considerada alternativa. Aquilo que era tido como inédito foi aos poucos se submetendo a um crivo pré-determinado que foge aos conselhos dos amigos, ao bate-papo informal, à informação quente de boca-de-urna. A Mostra vem, cada vez menos, contemplando o novo, o obscuro. Com tanta informação à disposição, fica uma sensação de que o oculto cedeu lugar ao esquematizadinho. O imprevisível da Mostra perdeu seu brilho, seu encanto. Desde que comecei a fazer parte de organismos de divulgação cultural, tenho a impressão de que tudo o que penso e que todas as minhas sensações e impressões primeiras devem ser transformados em texto, em artigo, em matéria, em votação. Em alguns casos, numa desenfreada corrida contra o tempo, em que a análise amadurecida poderia ganhar ares de notícia velha. A Internet trouxe inúmeros benefícios, mas nada como a arcaica troca de experiências, sem esse pragmatismo mecanicista todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos aos critérios práticos e alheios. Uma parte bastante considerável do acervo acaba, mais cedo ou mais tarde, entrando em circuito. Os filmes mais aguardados, como dos irmãos Coen e Dardenne, com certeza absoluta. Alguns improváveis também. A Mostra tornou-se uma espécie de &lt;em&gt;avant-premiére&lt;/em&gt; de luxo. É preferível ver estas películas no conforto das salas vazias, sem a notória muvuca que caracteriza o evento, e ainda com a possibilidade de escolha (ainda que mínima, em alguns casos) de salas e horários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tendência que me desagrada bastante é a presença progressiva e massiva do digital. Mais de 200 títulos (quase a metade) serão exibidos neste formato, de acordo com o próprio organizador. Aquilo que foi colocado por ele em tom sorridente e positivo de modernidade pra mim soa mais como desleixo ou economia burra. Nada contra o digital em si. Muitos realizadores optam por esta tecnologia de captação de imagens para viabilizar seus projetos. Trata-se sim de um meio mais acessível, mais ágil e mais democrático. O que me incomoda é a baixíssima qualidade de reprodução destes trabalhos, equiparados nas bilheterias às grandes produções. Não há a mínima concessão, não existe a mínima distinção de valores de ingresso entre a boa e velha película e a exibição em digital, muitas vezes pecando por sua imagem tosquíssima e seus inúmeros problemas de sinal “aperte o play” vindo lá dos cafundós da sede da Rain Network. Numa sociedade que cada vez mais preza e sonha com o Blu-Ray, o HDTV, a câmera de 12 megapixels, é inaceitável assistir a filmes chapados, desbotados e esmaecidos, sem contraste algum, no mesmo patamar de qualidade dos DVDs de camelô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro dos tempos em que o cinéfilo era uma prioridade na Mostra. Nas aberturas do festival, por exemplo, os contratados praticamente estendiam um tapete vermelho aos freqüentadores de carteirinha. O convite à abertura era automático aos portadores de permanentes. E algumas destas sessões inaugurais foram memoráveis, como o show da banda do Kusturica. Entretanto, desde que este momento passou a ser realizado no auditório do Parque do Ibirapuera, cada vez mais o cinéfilo foi perdendo o seu direito credencial. Disputando lugar a tapa com celebridades e autoridades políticas, o assento do verdadeiro cinéfilo foi reduzido a uma cota de 10% dos lugares disponíveis, mediante inclusive à impressão do convite eletrônico e troca deste papel por uma senha na recepção. Não reclamo aqui do fato de que este evento ficou mais chocho, mais discursivo e mais enfadonho. Mas aquilo que era um benefício consagrado tornou-se objeto de disputa, algo totalmente desnecessário para quem foi tratado como VIP durante décadas, mesmo não sendo figuras socialmente tão relevantes quanto as beldades emergentes, a classe artística ou as sumidades públicas. A Mostra de Cinema não é baladinha da Vila Olímpia. Apesar de eu estar me referindo a apenas um único dia desta maratona, esse recorte é um registro claro e sincero de que o evento como um todo tornou-se cada vez menos cinéfilo e cada vez mais político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha atitude convicta foi planejada com uma certa antecedência. Tudo poderia mudar no início do jogo. Mas não. Um incidente razoavelmente constrangedor, resultado de uma postura lamentavelmente antipática e arrogante, comprometeu o nome de três freqüentadores assíduos, cujas participações só teriam a contribuir com o sucesso da Mostra. E, por atingir diretamente a mim, essa demonstração equivocada de seriedade e de controle absoluto só ratificou minha precipitada tomada de decisão. Superei a miguelagem das credenciais concedidas a críticos e jornalistas e continuei comprando a permanente. Superei a restrição recente em relação ao desconto de 15% do Clubefolha (algo em torno de R$ 60), agora válido somente para os assinantes titulares. Mas nada supera a petulância. É por meio deste meu boicote ao conjunto de filmes da Mostra e por meio desta minha atitude de repúdio ao atual estado das coisas que, depois de uma dúzia de anos, deixarei de comprar a permanente. Não sei ao certo se minha firmeza de propósitos acarretará numa insensatez de minha parte. Afinal de contas, os filmes propriamente ditos nada têm a ver com isso. E a gente sabe que, apesar de tudo, a Mostra carrega preciosidades irrecuperáveis. De um modo geral, as retrospectivas têm sido o grande acerto da organização do festival. Isso sem contar os filmes de lançamento improvável. Existe ainda uma chance de eu superar esta postura radical e ceder um pouco no que se refere aos trabalhos menores. Um ou outro, quem sabe, aqui e acolá. Mas, com toda segurança, a Mostra pra mim já não é mais a mesma. No mau sentido. Ela não está se renovando, muito pelo contrário. A balbúrdia dantesca continua livre, leve e solta. A Mostra está apenas se esquecendo de uma parcela que, durante toda a sua existência, só ajudou no seu sucesso. Se esta mudança de paradigma, se esta “transferência de papéis” faz com que os pratas-da-casa sejam tratados com descaso, então a Mostra não é mais o lugar pra mim. Que o patrocínio da Petrobras é infinitamente superior à somatória de bilheteria de todas as sessões, isso a gente sabe. Mas cinema não é feito para poço artesiano, é feito para o público. Para formar opiniões. Para debater e difundir idéias. Se o discurso ideológico foi trocado pelo discurso financeiro, algo comprovado na coletiva de imprensa, então a minha parte eu já estou fazendo. Se depender de mim, a Mostra ficará R$ 390 mais pobre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-5816891530774490905?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/5816891530774490905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=5816891530774490905' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5816891530774490905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/5816891530774490905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/meu-boicote-mostra.html' title='Meu boicote à Mostra'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8894394189396725067</id><published>2008-10-13T12:47:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T12:56:55.484-07:00</updated><title type='text'>Can$ei de $er Mo$tra</title><content type='html'>A maior surpresa da Mostra de Cinema é, até o momento, não ter havido surpresa alguma. Desde que freqüento as coletivas de imprensa, isso tem coisa de uns cinco anos, foi a primeira vez que nenhum jornalista fez perguntas antes do início da exibição do filme. Foi um evento atípico, justamente porque não tinha cara de evento. Os principais organizadores, Leon Cakoff e Renata de Almeida, não conseguiam esconder suas caras de cansaço. Após a patacoada de sempre dos convidados (inclusive fazendo uma menção superficial, irônica e inverossímil de que a crise financeira não iria abalar o cinema brasileiro), que pareciam ter acabado de acordar, a coletiva começou com Cakoff e Renata trazendo números sobre os custos de produção e de organização de um acontecimento de tal grandeza. Como se estivessem prestando contas à União, ambos exemplificaram, com rigor e cheios de detalhes, alguns gastos financeiros desde o valor da principal matéria bruta envolvida no processo (a equipe de colaboradores e profissionais terceirizados, que chega a valer durante este festivo período em torno de R$ 1 milhão) até pormenores que, no contexto, passam quase batido, como os subsídios e as despesas de legendagem eletrônica. Tudo muito translúcido, transparente, que confirmou a honestidade de quem aplica o dinheiro, a importância dos patrocínios e a necessidade de continuar a batalha de esticar o chapéu para que o evento oficialmente reconhecido pela Prefeitura de São Paulo como parte integrante do calendário cultural da cidade se perpetue. Tudo muito aberto, tudo muito bonito, não fosse por um aspecto: não era isso que os jornalistas queriam saber. Nosso papel ali não era de investigadores da Justiça, fiscais da Receita e auditores independentes. Se achamos abusivo o valor cobrado pelo ingresso individual (R$ 18 nos fins de semana), acharemos abusivo em quaisquer circunstâncias, independentemente dos fatores que levam à contínua e progressiva elevação do preço. E, embora sejamos convictos de que é necessário um recálculo dos valores ou uma readequação para um melhor encaixe ao orçamento dos cinéfilos, naquela manhã de sábado ensolarado estávamos ali para encontrar pessoas, ficar a par das novidades e, principalmente, falar de cinema. Este assunto, entretanto, passou quase que como um &lt;em&gt;trailer&lt;/em&gt;, um aperitivo. Fazer contas na ponta do lápis ao invés de esmiuçar a mais abrangente e a mais provocativa das artes na atualidade talvez seja um indício de que o caráter multiangular, investigativo e transgressor ficou lá pra trás. Aos 32 anos a careca, barriguda e chefe-do-lar Mostra de Cinema está mais preocupada em equilibrar o orçamento familiar. Muito embora se tenha mencionada a recente crise da Bolsa, em tom de pilhéria, nada se evoluiu em relação à polêmica levantada no ano passado pelo próprio organizador Cakoff – a crise da cinefilia. A jornalista, crítica de cinema e divulgadora cultural Maria do Rosário Caetano, neste ano, não esteve presente na coletiva. E ninguém a substituiu para fazer a pergunta de sempre: qual o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estado do Cão&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; deste ano? (Para quem não sabe, há mais de 10 anos este filme foi dado como o ícone, o representante máximo de filme atual e provocativo para os padrões da época). Sobre este apêndice chamado cinema, foi comunicada muito vagamente a escolha do diretor Win Wenders em sua carta branca para diretores e realizadores contemporâneos. Mais uma notinha ou outra, devidamente roteirizada e sem a menor capacidade de entreter. O fastio do casal-mor, presença outrora tão aguardada pelo público, era tão aparente que nem deu pra disfarçar o pouco entusiasmo sobre os improvisos previamente ensaiados. Só mesmo um pequeno acidente de verdade (quase que o protótipo do troféu Tomie Othake cai ao chão) para fazer acordar a platéia. Naquela manhã angustiada, me ficou a triste dúvida: é a Mostra ou são os atuais jornalistas desinteressantes? Talvez até, em decorrência dessa prévia enfadonha, a Mostra deste ano seja relativamente boa. Quando a expectativa é a mais baixa possível, qualquer resultado positivo, qualquer gol de pênalti já é o suficiente para empolgar. Já estamos mais ou menos escolados sobre isso, visto que na 30ª houve um grande auê sobre o evento e o balanço final foi bem aquém do esperado. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Horas de Verão&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de Assayas, filme que sucedeu a coletiva, é digno de participar dos festivais mais sérios e badalados. Ainda assim, a monetização pragmática da arte deixou um gosto amargo e uma sensação aborrecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8894394189396725067?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8894394189396725067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8894394189396725067' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8894394189396725067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8894394189396725067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/canei-de-er-motra.html' title='Can$ei de $er Mo$tra'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1794008152336847627</id><published>2008-10-13T12:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T12:47:04.582-07:00</updated><title type='text'>Bug de verão</title><content type='html'>Com tanta precisão tecnológica, é risível o que aconteceu neste fim de semana. Alguns sistemas operacionais de micros e operadoras de celular acertaram automaticamente seus hardware para o horário de verão. Máquinas e aparelhos foram incorretamente adiantados em uma hora. Se, da mesma forma que houve um acordo ortográfico, fosse sancionado um acordo cronológico para padronizar tudo quanto é maquinário movido a relógio, aí tudo bem. Ou todos estão certos, ou todos estão errados. Mas o problema foi, para os desprevenidos, saber qual quinquilharia estava no horário e qual estava adiantada. Nessa época do ano, há tempos atrás havia todo um procedimento, rotineiro e automático e quase artesanal, mas que pelo menos não dava margens a erros: acertar o relogião da cozinha que quase sempre fica parado, acertar todos os relógios de pulso que a gente quase não usa, acertar o fax/secretária eletrônica que certamente irá se desregular na primeira queda de energia, acertar o computador, relógio do carro, celular, etc. Hoje, algumas empresas que controlam o tempo de lá de longe querem facilitar nossa vida. Mas, no país das pororocas e dos diversos fusos e confusos, nem sempre conseguem.&lt;br /&gt;(A propósito, o horário de verão oficial terá início às 0h do dia 19 de outubro, próximo domingo).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1794008152336847627?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1794008152336847627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1794008152336847627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1794008152336847627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1794008152336847627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/bug-de-vero.html' title='Bug de verão'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1888377903911664331</id><published>2008-10-13T12:44:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T12:46:00.024-07:00</updated><title type='text'>Andando pra trás</title><content type='html'>Tá todo mundo se borrando de medo. Vai por mim. Trabalho há quase 20 anos em Propaganda. Já atendi em duas oportunidades contas de varejo do setor automobilístico. Escalar executivos da empresa anunciante para dar um testemunhal em benefício próprio pode parecer, para o mercado como um todo, uma iniciativa mercadologicamente correta para demonstrar seriedade, segurança e credibilidade. Mas, na linguagem dos bastidores, esta aposta segura nada mais é do que um cagaço empresarial para a ousadia. Nada contra usar os &lt;em&gt;chairmen&lt;/em&gt; como garotos-propaganda de suas fábricas. No lançamento do Corsa, o personagem velho ranzinza era na verdade um diretor do alto escalão da General Motors na época. Mas agora, imediatamente após a grande queda da Bolsa, trazer um engravatado para falar das promoções, preços e condições especiais da linha GM em tom sisudo e objetivo é sinal de que alguma coisa não vai bem. Caso contrário, a empresa investiria com mais tranqüilidade numa comunicação mais criativa, alegre, moderna, que falasse diretamente com o público jovem, na mesma língua e na mesma sintonia. Se a montadora quer anunciar da maneira mais clara possível suas ofertas para não correr qualquer tipo de risco, essa seriedade aparente pode significar uma faca de dois gumes. Normalmente, plantões informativos, boletins de última hora e discursos de oradores vestidos socialmente, além de chatésimos, são para trazer notícia ruim. Não quero ser pessimista mas, quando o cargo máximo de uma firma é convocado, isso quer dizer que soou o alarme vermelho do chão de fábrica. Não é o presidente da Chevrolet que vai acalmar o mercado. Não é o presidente da Citroën da América do Sul que vai reverter os investimentos e a confiança no Brasil e no Rio de Janeiro. Se até o segmento automotivo, que até há pouco estava rindo à toa, é o primeiro a recuar em irreverência e tomar atitudes retraídas, o que será então dos setores mais conservadores da economia? Torçamos para que esse u-turn frente ao novo não se reflita em resultados decepcionantes nos principais festivais de Publicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1888377903911664331?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1888377903911664331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1888377903911664331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1888377903911664331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1888377903911664331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/andando-pra-trs.html' title='Andando pra trás'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-3004935772839834454</id><published>2008-10-13T12:43:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T12:44:33.516-07:00</updated><title type='text'>Mc Min</title><content type='html'>Não se deixe iludir por um enorme banner e pelo texto que faz referência a um produto reformulado e gigantesco. O novo Mc Max, do Mc Donald’s, é resultado dos mais picaretas de propaganda enganosa. Fuja dele, a não ser que você seja adepto a comer pouco e gastar muito. O combo mais caro da rede (R$ 16, composto pelo sanduíche, porção média de batatas fritas e refrigerante de 500ml) é fajuto e decepcionante para quem está acostumado a consumir bem e pagar um preço justo. Se ainda houvesse algum ingrediente especial, diferenciado e exclusivo, vá lá. Mas o tal “imenso” lanche nada mais é do que um convencional cheese-salada, que fica sambando folgadamente na caixa em que é embalado. Se a sua fome pantagruélica é por justiça, opte então pelo assertivo Big Tasty ou procure os concorrentes mais leais. Caso contrário, sua frustração será max.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-3004935772839834454?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/3004935772839834454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=3004935772839834454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3004935772839834454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/3004935772839834454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/mc-min.html' title='Mc Min'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-1611548055163588590</id><published>2008-10-13T12:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T12:43:46.936-07:00</updated><title type='text'>Rebuceteio</title><content type='html'>Quando eu fazia parte do quadro editorial do Cinequanon, lembro-me de que o acesso ao site via ferramentas de busca subiu consideravelmente logo após a publicação de uma entrevista com Cláudio Cunha, diretor de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Oh Rebuceteio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Portanto, estou usando este expediente, com toda a gratuidade e falta de remorso que me cabe, com o único intuito de levantar os números de acesso às minhas estrábicas lentilhas. Com este recente susto financeiro, nunca se sabe como eu vou ganhar dinheiro daqui pra frente. Desculpe-me a falta de tato e de respeito, assíduo leitor, mas é uma questão de sobrevivência travestida de traquinagem. Se você está lendo os posts de cima pra baixo e veio parar aqui, pode pular o tópico pra não perder seu precioso tempo. Se você achou estas lentilhas por meio de algum google da vida, aproveite a barca furada e leia os outros tópicos que, garanto, são mais consistentes. E se você está acompanhando a atualização do meu blog com uma leitura de baixo pra cima dos posts, meu amigo, seja sincero. Mentir é feio. Ninguém em sã consciência vai procurar o que eu escrevi em agosto pra chegar aqui. A Internet atual pode até estar rebuceteada de um modo geral, mas nada justifica tanto esforço para se chegar ao nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-1611548055163588590?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/1611548055163588590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=1611548055163588590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1611548055163588590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/1611548055163588590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/rebuceteio.html' title='Rebuceteio'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-222297704412405177</id><published>2008-10-03T12:29:00.000-07:00</published><updated>2008-10-03T12:34:25.439-07:00</updated><title type='text'>A dança dançou</title><content type='html'>Diz a máxima que filme brasileiro não é lançado, é arremessado. Existem alguns casos de estratégia acertada, quando há investimentos em marketing e uma grande distribuidora por trás. De acordo com dados do Filme B, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Era Uma Vez&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, apesar das ressalvas, lidera a bilheteria do cinema nacional de 2008. Mais de meio milhão de pessoas já foram conferir o Romeu e Julieta das favelas cariocas. Um resultado lucrativo, mas ainda inferior ao longa de estréia de Breno Silveira, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dois Filhos de Francisco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. E nada comparado ao cinema nacional dos anos 70, à pornochanchada, à época em que um ingresso era equivalente a três dólares. O líder de bilheteria deste ano equipara-se a um blockbuster mediano. Esse afugentamento de público, essa distância que se criou entre a arte e as pessoas daqui não se justifica pela falta de opções cinematográficas. Toda semana, pelo menos um filme brasileiro é colocado em circuito. Pelo menos. Desde os mais abrangentes, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Casa da Mãe Joana&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Guerra dos Rocha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, até trabalhos mais específicos, normalmente apoiados pelo Projeto Folha Documenta do Cine Bombril, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Brigada Pára-Quedista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Musicagen&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Isso sem contar os “filmes para os amigos”, como é o caso de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cana Quente&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, dirigido pelo ex-gerente do Cinesesc, Luiz Alberto Zakir, que ainda não teve sua bilheteria contabilizada. Ou sucessos-relâmpago, filmes que abordam um tema específico, em geral voltado à religião ou às crenças, como é o caso da bomba-relógio &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Bezerra de Menezes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Os filmes ou documentários minúsculos normalmente ocupam a lanterninha do ranking. Em alguns casos, não chegam a 100 espectadores durante o ano. Mas não são filmes feitos pra encher salas. Desde a sua concepção, nota-se que são trabalhos desenvolvidos ou para fins acadêmicos, ou dirigidos prioritariamente a cinéfilos, estudantes de Cinema ou iniciados. E como a cinefilia já encontrou seu reduto, o lançamento no perímetro da Av. Paulista é decorrência natural desse processo. Mas o que me intrigou, nesta sexta-feira 3 de outubro, foi me deparar com um ilustre desconhecido, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dança da Vida&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, um obscuro documentário sobre a Terceira Idade. Esta pérola invisível ocupa, por enquanto, dois horários de uma sala do cinema do Shopping Penha e do Boavista. Por mais tímido que seja o lançamento nacional, é comum os jornalistas e a crítica receberem previamente um release da assessoria de imprensa. Neste caso, essa propagação informativa passou batido. Não faço a mínima idéia do que se trata o filme. Posso afirmar com segurança que não houve qualquer tipo de divulgação prévia, o que reforça a minha teoria de que alguns filmes são disparados como biribinhas em direção ao chão. Pode até parecer descaso e falta de respeito: com o público, com o crítico, com o programador cultural. Mas acho que, no fundo, isso é apenas o reflexo de uma pobreza tão grande de dinheiro, de visão de negócios, de noção cinéfila, que qualquer tipo de reclamação soa como chutar cachorro morto. Quanto mais filmes nacionais são despejados nas salas, menos o público torna-se cativo a eles. A dança da vida já nasceu morta, e agoniza na periferia à espera de seu enterro na vala comum da mediocridade. Depois, não adianta reclamar que o Macaco Tião da Sétima Arte ocupa a posição de rebaixamento no ranking.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-222297704412405177?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/222297704412405177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=222297704412405177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/222297704412405177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/222297704412405177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/10/dana-danou.html' title='A dança dançou'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-8975184673762825111</id><published>2008-09-30T15:26:00.000-07:00</published><updated>2008-09-30T15:27:25.768-07:00</updated><title type='text'>Acôrdo ortographico</title><content type='html'>Está aprovado: a partir de 2012, seremos todos iguais. Pelo menos o Brasil, Portugal, Angola e demais colônias lusitanas. Do ponto de vista lingüístico, iremos nos tornar equânimes e globalizados dentro do nicho lusíada. Nosso presidente Lula Molusco assinou a lei que unifica algumas regras da Língua Portuguesa. E, como toda boa polêmica, há o lado bom e o lado ruim. Em primeiro lugar, vem a consolidação escrita da darwinista lei do uso e desuso. O novo acordo tem a proposta de enterrar definitivamente a cauda, os pêlos lingüísticos e as mandíbulas primatas do ser humano. Mas o mais importante é o aspecto econômico. A unificação de algumas particularidades do idioma deixa este conglomerado de países mais coeso e, portanto, mais forte nesta questão. Trata-se de um mecanismo facilitador das relações comerciais internacionais, da viabilização da criação de um mercado comum. Eliminar acentos diferenciais, tremas, hifens e outros rabiscos textuais é mais ou menos como desindexar o vocabulário. Esta padronização escrita funciona como um tipo de dolarização, guardadas as devidas proporções. Se a criação de um denominador comum faz com que todo mundo se entenda, então não há maiores empecilhos nesse sentido. E não me venham falar em resistências formais. A língua inglesa, cartão de crédito para o mercado de trabalho, a verdadeira moeda verbal aceita no mundo inteiro, invadiu o Terceiro Mundo sem maiores problemas. Chamar futebol de ludopédio e milk shake de leite batido foi uma iniciativa quixotesca de alguns casos isolados preocupados em preservar a integridade eugênica da Flor do Lácio. A língua é móvel, a língua é mulata, suscetível a sincretismos e miscigenações. Não adianta congelar este material vivo e deixá-lo incólume a influências e modificações. Por essa razão, vêm as controvérsias em relação à eficácia dos efeitos dessa hegemonização por decreto. A língua é o músculo-reflexo de uma cultura, da tradição de um povo, da forma de pensar de uma sociedade. Tabelar e precificar essas idiossincrasias é podar essas particularidades, circuncidar sua irreverência e sua forma de se expressar no globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que aparar a grama e eliminar as tranqueiras gramaticais gere essas divergências ideológicas ou acadêmicas, o que mais me preocupa não é o que é cabido, o que é excessivo ou o que ainda poderia sobreviver. Com o tempo a gente se acostuma a isso, assim como nos adaptamos ao trabalho sem registro em Carteira, à urna eletrônica, à revisão ortográfica do Word, ao dicionário do Google. A extinção do trema não é uma questão, até porque a maioria da população não faz idéia do motivo do uso de tal rebuscado acento. O que me deixa aborrecido é que, em pleno Século XXI, o método de ensino do mecanismo máximo de expressão ainda se dá na base da decoreba. Os falantes do Português estão se lixando para os conceitos, princípios e noções diacrônicas (históricas) que regem o processo de formação de palavras, por exemplo. Uma teoria que parece inútil, mas que pode ajudar na compreensão da utilização ou não do hífen. Passar a lixa nos sinais gráficos, pura e simplesmente, continua sendo algo tão burro quanto acentuar tudo quanto é vogal que aparece na frente do escrevente. Essa reforma não veio para simplificar, como se imagina. Ela veio para estatelar o vigor da língua. Macaquear outros idiomas considerados “avançados” por seu poder de síntese. Sem acentos, somos mais parecidos com os norte-americanos. Existe uma preocupação coletiva voltada muito mais ao fato de se entender o quanto essas mudanças irão mexer com a rotina da escrita. Grande parte das modificações previstas centra-se nas vogais: acento diferencial, acento em ditongos abertos, trema, etc. Em contrapartida, a Internet está começando a criar um outro código lingüístico, recheado de imagens (emoticons) e de abreviações. Vc, tb, td, tks, abç, bjs, blz, vlw, são alguns significantes meramente consonantais. Como se pode perceber, para esta nova e estranha língua que há de ser inventada o valor semântico recai sobre as consoantes. As vogais são letras de ligação, vácuos anódinos. Então, por que tanto peso sobre as tais vogais nesta reestruturação vernacular? Pensar nesta padronização, ainda que tardia, não seria ir na contramão da comunicação dos novos meios e formatos? A meu ver, decepar essas manchinhas sobre as letras não é mutilar o idioma. Já não se pode dizer o mesmo sobre o descaso em relação a esse legado histórico, esse patrimônio nacional.  O que dizer então da maneira ditatorial e pouco saborosa de se ensinar o Português no Brasil? Num país em que ainda há analfabetos, discutir sobre a inclusão do k, w ou y é algo tão inócuo quanto hipócrita. Adequar-se ao novo é mais do que necessário, isso é óbvio. Mas eu quero ver é se esta língua mais enxuta, se este uniforme tamanho P vai servir para o físico do novo brasileiro. Ou se vai continuar bem largo para quem dá de ombros para as transformações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-8975184673762825111?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/8975184673762825111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=8975184673762825111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8975184673762825111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/8975184673762825111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/09/acrdo-ortographico.html' title='Acôrdo ortographico'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-251741218078334979</id><published>2008-09-22T11:37:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T11:46:59.672-07:00</updated><title type='text'>O perfil do blogger</title><content type='html'>Blog é coisa de nerd. Blog é coisa de viado. Quem não tem nada pra fazer cria um blog. Quem quer impressionar as meninas divulga seu blog. Blog é o consolo de quem não se acha suficientemente criativo pra publicar um livro. Se texto de blog fosse bom, não estaria disponível gratuitamente na web. Blog não dá dinheiro. Blog não se define como mídia. Blog não tem credibilidade de informações. Blog é só um diário bonitinho pra agradar os amigos. Blog é superficial. Blog se diz democrático, mas os números de acesso comprovam ser um meio tão elitista quanto a TV. Então, por que diacho continuar escrevendo um blog?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-251741218078334979?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/251741218078334979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=251741218078334979' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/251741218078334979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/251741218078334979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/09/o-perfil-do-blogger.html' title='O perfil do blogger'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7112623699855501149.post-4540484182407261431</id><published>2008-09-15T11:59:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T12:01:28.946-07:00</updated><title type='text'>Baby Love</title><content type='html'>Acaba de nascer uma modalidade de repartição cinéfila, a meu ver, um tanto quanto bizarra: a sessão materna. Tanto o Arteplex Frei Caneca quanto o Bristol foram pioneiros em São Paulo ao adotar esse filão, diariamente, por volta das 14h. As salas foram devidamente adaptadas para acomodar confortavelmente as lactentes e os bebês chorões: ar condicionado em temperatura mais branda, volume de som mais baixo, luzes laterais acesas durante toda a projeção, babás de plantão no lugar da brigada de combate a incêndio, etc. Só faltou o campo de golfe (vulgo regurgitódromo). Fico imaginando como seria a composição da &lt;em&gt;bonbonnière&lt;/em&gt;: super combo com 1kg de papinha Nestlé e 2 copões de Coca-Cola com leite quente dentro, festival de sopa de mingau, e por aí vai. Colher em formato de aviãozinho grátis. É certo que os recém-casados fogem da vida social ativa e deixam de fazer várias atividades que costumavam fazer quando solteiros, e essa iniciativa é uma maneira de fazê-los voltar aos poucos ao roteiro cultural da cidade. Mas não deixa de ser esquisito. Se eu já me incomodo com a presença de crianças pequenas na sala, aquele barulho todo, imagina uma sessão dedicada aos falantes e berrantes, em que os progenitores não conseguirão assistir ao filme sossegados porque deverão dar mais atenção às suas crias. Lembro que minha primeira experiência cinematográfica foi traumatizante: aquelas cores em movimento, a dimensão daquele pano alto na minha frente, imagens que eu não conseguia abstrair, enfim, incompreensão total. Acho que eu não estava preparado para adentrar esse estranho universo. Mas isso foi nos tempos de antanho. Hoje, com chocalhos e caixinhas de música, vai ser fácil, fácil os rebentos apreciarem o &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Violência Gratuita&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7112623699855501149-4540484182407261431?l=lentilhasvesgas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/feeds/4540484182407261431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7112623699855501149&amp;postID=4540484182407261431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4540484182407261431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7112623699855501149/posts/default/4540484182407261431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lentilhasvesgas.blogspot.com/2008/09/baby-love.html' title='Baby Love'/><author><name>Érico Fuks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16747549318284364793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_qqbo93TQayQ/R93_NuOFBWI/AAAAAAAAAAc/ABgt9oHcsd0/S220/caipira2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
