quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Bambi: Uma Aventura na Floresta

 Um dos pontos a favor desta produção francesa, escrita e dirigida por Michel Fessler, é que Bambi foi totalmente filmado com animais reais, sem o uso de CGI (efeitos de computação gráfica). Isso traz um certo respiro ao cinema, uma espécie de resgate aos alicerces do gênero.

A história já é conhecida: o nascimento e crescimento do cervo Bambi e sua tentativa de sobrevivência na floresta. Aquilo que a Disney já nos contou e que, pelo fato de ter perdido os direitos autorais, não detém mais o monopólio dessa fábula infantil. Mas é bom avisar: não é um filme de terror, ao contrário dos anteriores Cinderela, Mickey, Ursinho Pooh e quetais.

Apesar de uma certa falta de ritmo, o resultado até que é interessante. Cenas captadas do ambiente natural dos animais que, com o esmero de uma montagem precisa, passam a impressão de que os bichos estão "interpretando" personagens.

A grande falha fica por conta, entretanto, da narração dublada. Diferentemente dos igualmente franceses Migração Alada e Oceanos, ambos dirigidos por Jacques Perrin, o filme deixa claro tomar partido da história. Apesar de os comparados serem documentários e Bambi, uma obra de ficção, vale a pena mostrar essa correlação para provar que muito se perde quando é o recurso narrativo que tenta sustentar o roteiro. Aqui, ao contrário da valorização dos silêncios, temos uma quase torcida organizada, que não economiza adjetivos infantiloides para conduzir a trama. 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Atena

Logo de cara dá pra ver que Atena é um filme todo errado. Começa com a morte misteriosa de um suposto magnata e, no peito dele, está tatuada a inscrição "estuprador". No meio das reviravoltas e investigações, entra em cena Carlos, um repórter investigativo vivido pelo canastrão Thiago Fragoso. E, finalmente, aparece a personagem-título, vivida por Mel Lisboa, uma justiceira que recria o visual gótico-futurista de Charlize Theron em Atômica. 

Ostentando uma maquiagem carregada até a retina, de fazer inveja a qualquer Marilyn Manson, e ainda por cima mascando chiclete nas cenas mais "tensas", Lisboa imprime um retrato mais do que hiperbólico e caricato à protagonista. 

Mas o maior problema talvez não recaia na insossa Mel, que de doce não tem nada. O filme é dirigido por Caco Souza, que já nos agraciou com pérolas da ruindade do cinema brasileiro, como 400 Contra 1, Inversão e por aí vai. Bebendo diretamente da fonte de Rubem Fonseca, o diretor parece ter se apaixonado pelo gênero policialesco de folhetim, mas nada aprendeu com o tempo. Embora cuide de assuntos sensíveis, como abuso sexual e violência contra mulheres, Atena não passa de um arremedo de clichês absolutamente esquecíveis. De boas intenções... o resto você já sabe.

Filhos

Difícil imaginar um clima ameno em filme sobre o sistema prisional. Filhos, uma coprodução franco-dinamarquesa, até começa insinuando um ambiente pacífico. Eva, agente penitenciária de uma ala de condenados por crimes de baixa periculosidade, mantém uma rotina digamos, comum. Existe ali uma hierarquia, mas nenhum indício de que algo possa subverter a ordem.

O plot twist acontece quando Eva, pela imagem de uma câmera de segurança, observa a chegada de um jovem truculento entrando no presídio, na ala de segurança máxima. Ela pede ao seu superior que seja transferida para esse setor carcerário, a fim de cuidar do novo delinquente.

Temos, portanto, praticamente um outro filme. Menos romantizado e mais mundo-cão. Mais verossímil para obras que abordam esse tema. Além, é claro, de um tom de mistério no sentido de se matar a curiosidade do espectador: por que Eva optou por sair da zona de conforto e lidar com um suposto crápula?

Esse aspecto de thriller se reforça graças à atuação dramática da atriz Sidse Babett Knudsen. Contida e ao mesmo tempo expressiva, econômica nos gestos e olhares, mas sem deixar escapar todo um sentimento interno de mágoa e rancor. Filhos é um filme que segura a dureza do assunto, sem fazer concessões ou se deixar levar por sentimentalismos.