Um dos pontos a favor desta produção francesa, escrita e dirigida por Michel Fessler, é que Bambi foi totalmente filmado com animais reais, sem o uso de CGI (efeitos de computação gráfica). Isso traz um certo respiro ao cinema, uma espécie de resgate aos alicerces do gênero.
A história já é conhecida: o nascimento e crescimento do cervo Bambi e sua tentativa de sobrevivência na floresta. Aquilo que a Disney já nos contou e que, pelo fato de ter perdido os direitos autorais, não detém mais o monopólio dessa fábula infantil. Mas é bom avisar: não é um filme de terror, ao contrário dos anteriores Cinderela, Mickey, Ursinho Pooh e quetais.
Apesar de uma certa falta de ritmo, o resultado até que é interessante. Cenas captadas do ambiente natural dos animais que, com o esmero de uma montagem precisa, passam a impressão de que os bichos estão "interpretando" personagens.
A grande falha fica por conta, entretanto, da narração dublada. Diferentemente dos igualmente franceses Migração Alada e Oceanos, ambos dirigidos por Jacques Perrin, o filme deixa claro tomar partido da história. Apesar de os comparados serem documentários e Bambi, uma obra de ficção, vale a pena mostrar essa correlação para provar que muito se perde quando é o recurso narrativo que tenta sustentar o roteiro. Aqui, ao contrário da valorização dos silêncios, temos uma quase torcida organizada, que não economiza adjetivos infantiloides para conduzir a trama.
