Em Tatame, a tensão se evidencia logo no início. Leila (Arienne Mandi) é uma judoca iraniana disputando o Campeonato Mundial. A atleta vai muito bem, vence as primeiras lutas, mas é orientada por forças superiores do regime a desistir para evitar o derradeiro confronto com a judoca israelense.
Filmado em preto e branco e com câmera móvel, Tatame usa esses recursos para esticar a corda dramática. Além de Touro Indomável, são raros os filmes sobre esporte que abrem mão do colorido. Essa força estilística coloca a obra em outro patamar. Como se os golpes e contragolpes não fossem tão primordiais quanto o que se vê através deles. Ou fora deles.
Dirigido por Guy Nattiv, Tatame sugere conflitos maiores bem além do ringue. O que está em jogo são relações diplomáticas, guerras em potencial no Oriente Médio. Tudo isso é retratado em off, com vozes de ligações telefônicas de pessoas que a gente não vê.
Por outro lado, Tatame também não precisa recorrer a paisagens sujas, ambientes precários e pessoas pobres para retratar a difícil realidade do Irã. Existe uma plástica em cada quadro. O que não quer dizer (longe disso) que a equipe tenta colocar a sujeira por debaixo do tatame. Ou passar detergente nas lentes de câmera. Muito pelo contrário.
