Aclamado com o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz de Drama para Jessie Buckley, Hamnet é uma das grandes apostas da Universal Pictures para o início de ano. Carrega boa parte dos ingredientes que saciam o público em busca de oscarizáveis: trama shakesperiana, elenco afinado, profundidade dramática.
Baseado no livro de Maggie O'Farrell, escrito e dirigido por Chloé Zhao, o longa acompanha Agnes (Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), enquanto enfrenta a dor da perda de seu filho, Hamnet. É justamente esse luto que revela o pano de fundo para a criação de “Hamlet”, a obra mais famosa do dramaturgo inglês.
O filme faz uma boa transição entre cinema e teatro. Nas cenas de tablado, percebe-se um rigor artístico digno de premiação. Os ensaios valorizam o processo de criação. Já as cenas mais "cinematográficas" valorizam não só o ambiente campestre, mas também a dor, o sofrimento. Tudo é muito carregado, dentro de uma lógica formal acadêmica. Nada parece ter sido construído por acaso.
Apesar da densidade, o filme parece ter prazo curto de validade. Ao contrário dos principais concorrentes de ocasião, como Pecadores e Uma Batalha Após a Outra, Hamnet não nos oferece algum elemento que permita retê-lo na memória. Não por falta de competência, mas talvez por falta de ousadia. É como se estivéssemos à deriva de um buffet self service. Ele nos traz a sensação de fartura, de êxtase. Porém, tudo momentâneo. Passados os instantes de impacto, tudo se evapora.

Nenhum comentário:
Postar um comentário