segunda-feira, 16 de março de 2026

Enzo

Abrindo a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes do ano passado, Enzo é um filme que mais paira em dúvidas do que estabelece certezas. O título refere-se ao nome do protagonista, um garoto de 16 anos em busca de respostas para sua vida. Enquanto mergulha numa espécie de crise existencial, traduzida em cena por uma aparente apatia, inicia um trabalho como trainee de assistente de pedreiro.

Não se trata exatamente de descobertas. A vida de Enzo é nitidamente tumultuada. Cada nova situação o coloca em possíveis situações de pânico, que superam o deleite do carpe diem. O convívio mais próximo com Vlad, um ucraniano que também trabalha na mesma empreiteira de obras, é mais contraditório do que pacífico.

Essa inércia do personagem, resultante de seus dilemas, faz o filme parecer imoto. Fica a sensação de que pouca coisa acontece. Não é verdade. Existe uma carga de tensão, seja ela nas relações familiares, na quase-namorada, no trabalho. Enzo apenas personifica os dilemas típicos da idade, sem que o filme pareça uma cartilha da adolescência. Nesse sentido, o diretor Robin Campillo consegue diferenciar muito bem o personagem abúlico da obra em que ele está inserido. 

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