segunda-feira, 16 de junho de 2008
Dinheiro fácil
Algumas redes de supermercados vêm adotando um modelo de loja expressa de compras, como é o caso da Americanas Express, Extra Fácil, entre outras. A maioria, localizada em pontos deficitários de oferta de consumo rápido ou próxima a nichos de pessoas que moram sozinhas. Uma boa salvação da lavoura para os que esquecem algum artigo emergencial das compras do mês, ou mesmo para quem não tem muita paciência de enfrentar longas filas no caixa e se perder nos corredores e nas gôndolas. São estabelecimentos que perceberam o crescimento instantâneo de concorrentes como O Dia (da rede Carrefour) e Econ, ambos voltados basicamente a atender uma população de baixa e média renda. Apesar de suprir essa necessidade básica e imediata, em alguns casos com bons preços, variedade não é o forte desses minimercados (ou megaquiosques), que têm de nada um pouco. Mesmo assim, encontram um público crescente que já adotou esse mecanismo fast de compras. E, com essa demanda, veio junto o oportunismo. O Extra Fácil da Av. São João, bem próximo à Ipiranga, coração caetanesco de São Paulo, estava cobrando até a quinzena passada R$ 1,25 por uma lata de Coca-Cola. Este valor subiu para R$ 1,27, desde que o produto esteja em temperatura ambiente. Acréscimo aceitável, tendo em vista a tímida volta da inflação. As latinhas geladas desta mesma mercadoria, todavia, custam agora R$ 1,49. Ainda é um valor competitivo com os demais bares e lanchonetes da região, mas nada justifica este aumento abusivo: cerca de 20% em relação ao valor absoluto. Talvez isso se deve ao fato de que a rede percebeu o consumo deste produto não em domicílios solitários, mas em pré-baladas ou viradas culturais que não encontram nada aberto depois de determinado horário. Como eu não ando muito notívago em relação às imediações da Praça da República, deixo registrado meu indignado manifesto e convoco a todos para um coletivo boicote. Nas proximidades da Praça dos Correios, há uma quitanda pedindo esta mesma quantia para o melhor refrigerante do mundo.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Rua Augusta
E por falar em Rua Augusta, que bom que ela voltou a ter vida própria. Já foi reduto de dondocas e motoqueiros, mas ultimamente amargava a má fama de concentração de puteiros. Hoje a coisa se misturou, lupanares se infiltraram nas patuscadas etílicas e vice-versa. Olhando de longe, não dá mais pra saber quem tá indo pra onde fazer o quê. E cada vez mais proliferam novas casas alternativas, inauguradas em progressão geométrica. Isso é muito bom pra região. O notívago não precisa mais optar somente pelo Vegas, Outs ou Inferno. Hoje no cardápio constam Roxy, Studio SP (que era na Vila Madalena) e outros tantos que desconheço. Todos, ou a maioria deles, com aquela fachada totalmente preta sem demão. Mudança do visual em alto estilo.
Filme de terror
Dessa vez eu vou falar de cinema mas não é de filme nenhum. Muito estranha essa história das adolescentes que foram ao Espaço Unibanco na última sessão do dia, pegaram carona de madrugada até a Barra Funda, alegando que iam pra Monte Verde juntar grana pra ir pra Argentina. Essas moças, estudantes do outrora revolucionário Colégio Equipe, infelizmente estão desaparecidas. Ou foi um plano muito bem arquitetado, que não deixou vestígio algum, ou alguma fatalidade no percurso. E agora começam a aparecer na mídia relatos complementares, como a discussão de uma delas com a mãe-atriz. Torcemos para que esse caso não se transforme numa nova Isabella ou num João Hélio. Vai dar tudo certo.
terça-feira, 10 de junho de 2008
A Valsa das Solitárias
Muito estranha a programação da Casa das Rosas, no começo da Av. Paulista. O pequeno espaço improvisado para espetáculos (na verdade, um dos ambientes do casarão), somado ao fato de não cobrar ingressos, faz com que normalmente haja lotação bem antes do início da peça. E, como se não bastasse, a divulgação positiva da programação contribui ainda mais para essa concorrida disputa por lugares. Todavia, desde que passou a cobrar ingressos para teatro (R$ 15 inteira), parece que não conseguiram manter a programação no mesmo patamar. AValsa das Solitárias é um bom exemplo de que o exercício dramático não é nada se não houver o mínimo de entendimento do texto e o mergulho na obra. Trata-se de um compêndio de três textículos da derradeira fase de produção do dramaturgo argentino naturalizado chileno Jorge Diaz, morto no ano passado aos 77 anos. A primeira atriz, protagonista do monólogo Um Negócio de Peso, parece que não entendeu nada da voracidade do texto, por sinal bem bom. Sua fala mansa e seu olhar acolhedor em nada corroboram ou destoam de uma construção narrativa ácida e irônica. Tem-se a impressão de que sua vagarosidade lingüística tentam a todo instante fazer a atriz não se esquecer das falas. Já a segunda atriz, do monólogo O Jardim das Delícias, é bem melhor e mais convincente em seu papel. Estes dois trabalhos são um bom recorte do grupo, que escolheu o contraponto por meio das ambigüidades do ser humano. Um é quase o oposto do outro. O primeiro traz frases e períodos desconexos, às vezes com pitadas de trocadilhos, diante de uma situação perfeitamente factível: o complexo de obesidade. Já o segundo trecho apresenta orações gramaticalmente corretíssimas, não fosse o ridículo humor negro do contexto e do sentido dessas frases. Um retrato bem-intencionado das contradições humanas, algo na linha meio Cortazar que dispensa grandes explicações lógicas, coeso com a proposta do teatro do absurdo. E com uma boa intervenção de corte: um saquinho de batatas fritas. Já a terceira fração, Casta Diva, não diz a que veio. Uma atriz decadente, que não consegue se recolocar no mercado de trabalho, diante de uma entrevista com um cruel diretor (esse, por sinal, péssimo. E olha que ele empresta somente sua voz). Um exercício ralo de metalinguagem, que não consegue interagir com os outros fragmentos, ficando este pedaço ainda mais solitário diante dessa equivocada dramaturgia.
Caldo
Caldo
domingo, 8 de junho de 2008
Caminho para Meca
Todo caminho para longe é árduo, pelo menos no começo. Nesta peça que reestréia no Renaissance, é mais ou menos isso também. Uma visita inesperada, e aí temos o conflito de gerações entre uma moça ambiciosa e uma senhora mais ou menos acomodada. Cleyde Yáconis, ótima. Já Lúcia Romano demora um pouco pra encontrar seu timing, começando espalhafatosa e encontrando o ponto certo da tônica dramática mais pelo fim do texto. A curta aparição de Cacá Amaral como o pastor é correta, apenas isso. Caminho para Meca é forte graças a Yáconis. Montagem bem clássica, lembra um pouco alguns trabalhos do Grupo Tapa, sem o mesmo vigor do tal. A iluminação ajuda, mas também tem um começo bem esquizofrênico, com contrastes e escurecimentos não muito coerentes. Um trabalho apenas razoável, um pouco chavão pra se tornar memorável.
2 lentilhas
2 lentilhas
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Nasce uma estrela
O Cinemark Eldorado que se cuide. São Paulo acaba de ganhar mais um complexo de salas de cinema à altura dos preferidos da Vejinha. O Espaço Unibanco Pompéia, inaugurado semana passada no recente e desconhecido Shopping Bourbon, nada deve aos concorrentes no que diz respeito a conforto e variedade de programação. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que o shopping em si difere um pouco dos demais. Poltronas escuras e discretas nos corredores ao invés daqueles bancos com estacas de madeira achata-bunda. Lojas relativamente descoladas, nem tão yuppies quanto o Iguatemi, nem tão qualquer-nota quanto o Center Norte. Largos corredores, que evitam a muvuca (pelo menos enquanto o shopping ainda não foi descoberto pela massa de manobra consumista e paqueradora). Ambiente de estilo, sem aqueles excessos que fazem os claustrofóbicos quererem voltar rápido pra casa. Mas voltemos ao cinema. É incomum vermos Spielberg ser lançado lado a lado com Glauber Rocha. O Espaço pretende, talvez, enquanto houver cash-flow disponível, fazer uma grade de programação semelhante ao Frei Caneca (uma das melhores da cidade, tendo em vista os improváveis lançamentos que tem feito ultimamente). E ainda vem com agradinhos a mais pro paulistano. Bilheterias abertas, sem aquela redoma amparada por um microfoninho sempre quebrado. Espaço de convivência (é esse o nome?), ou lounge cinema, amplo e agradável. Preços competitivos, principalmente às quartas-feiras (R$ 10 inteira, mais barato que as outras salas da rede). Isso sem falar no maior diferencial: as confortáveis e enormes poltronas de veludo azul da sala 10, com amplos espaços entre as fileiras. Conforto demais, às vezes, pode ser um problema. E se o filme for ruim? Os dorminhocos do Cinesesc que o digam.
sábado, 24 de maio de 2008
Corra,trouxa, corra
A cidade de São Paulo (talvez uma parceria entre a Prefeitura e o CET) ganhou um novo dispositivo para preservar a segurança no trânsito. Em alguns semáforos estratégicos, foi implantado em fase de teste um temporizador simultâneo ao sinal eletrônico de pedestres. Excelente notícia, ainda mais em uma metrópole que corre contra o relógio. Essa iniciativa amplia o escopo de uma medida já adotada em outras cidades e municípios (que eu conheça, Osasco é um exemplo de sucesso). Tem tudo para dar certo, pois não me parece que instalar um cronômetro regressivo básico junto aos principais faróis vá onerar substancialmente o município dos túneis e fura-filas. Esse moderno sistema auxilia os cidadãos para saberem com maior precisão se devem ou não devem dar o primeiro passo sobre a faixa de pedestres. Além disso, previne-os daquele sustinho imediato e instantâneo quando um infame (pra dizer o mínimo) motoqueiro dá aquela aceleradinha, mesmo quando o sinal ainda está vermelho para ele. Eu, confesso, por reflexo condicionado, sou um daqueles que acredita que o sinal já está prestes a abrir para os motoristas quando ouço esse ruído enganoso. Mas a questão não é a medida em si. O tempo concedido à travessia é o mínimo possível. Não estamos diante de um complexo organizado de maratonistas quenianos disputando a São Silvestre. Doze segundos para ir de um lado a outro (distância de cerca de 8 a 10 metros, dependendo da via, ou mais ou menos meia dúzia de listras brancas coladas ao pavimento), só mesmo os office-boys e os pernalongas. Certamente o tempo concedido aos automóveis é muito maior, o que comprova que nossa cidade está sim, de fato e cada vez mais, priorizando o indivíduo motorizado. O verde brilhante, típico de produto novo instalado na cidade, é realmente uma idéia brilhante. Mas 20% de minuto como brecha para nos locomovermos, isso tá parecendo esmola de farol de trânsito.
domingo, 18 de maio de 2008
Congestionamento virtual
Tô cada vez mais cansado e impaciente com o trânsito de São Paulo. Não, não me refiro aos mais de 6 milhões de automóveis andando a passos de tartaruga e entupindo as vias arteriais e asfálticas da cidade. O meu estado possesso refere-se a uma questão indelicada, que fere a ética e o bom senso. Não existe mais vaga para eu estacionar a flechinha do meu mouse nos grandes portais do ciberespaço. A cada milimétrica movimentação surge, de modo às vezes inconveniente e inoportuno, a clicável mãozinha. Se um dia os filhotes de Bill Gates nos prometeram que a Internet seria o caminho mais fácil e democrático para a liberdade de escolha, onde está então a conquista desse direito? Em vez de notarmos um movimento que vai cada vez mais ao encontro das tendências e necessidades do internauta, vemos, em alguns casos isolados mas não menos insuportáveis, a prática espertinha de se tentar fugir dos bloqueadores de pop-up e demais ferramentas de segurança oferecida pelos browsers. Se a propaganda vale-se de sua qualidade única e inquestionável de despertar a curiosidade, de modo criativo e diferenciado porém respeitoso para gerar negócios, por que então um monte de pentelhos ficam azucrinando nossa navegação? Ninguém liga a TV para assistir aos comerciais, isso é fato. A propaganda é uma espécie de interferência ou interrupção do propósito inicial do consumidor em potencial. Mas nesse engavetamento caótico virtual que se transformou a web, tem neguinho acando que chamar a atenção é furar fila, falar mais alto que os outros, fazer o buzinaço em plena nova ponte de Água Espraiada totalmente parada. Quase que eu aciono o PROCOM quando havia no meu portal principal de navegação um banner, que conseguiu escapar ileso e incólume das estacas virtuais, que espalhava um monte de letrinha por toda a tela, impedindo a boa leitura e a escolha criteriosa dos demais links. Hoje é quase impossível achar o "xisinho" que fecha essa janela comercial. Isso sem falar nos constantes "banners-persiana", aqueles que depencam sobre a tela quase cheia quando você simplesmente escorrega neles. É dessa maneira que as grandes empresas vão conseguir me convencer a comprar seus produtos? Muito pelo contrário. A única coisa que esses malas que se acham "modernos" conseguiram foi encabeçar minha lista do ódio. Woody Allen é franzino, Paulo Francis também foi. Caetano Veloso é magérrimo. Quando há bom humor e inteligência, não há por que fazer força para aparecer. Na Internet, infelizmente, tem muita gente querendo ser Elke Maravilha.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
TV chata
Ainda está em fase de aprendizado a programação (se é que se pode chamar assim) dos canais de TV exibidos dentro de alguns novos ônibus da cidade de São Paulo. Pelo menos existe uma certa concorrência, o que é saudável. Um dos canais faz questão de divulgar que seus programetes são silenciosos, o que derruba aquela chatice da freadinha do microônibus toscamente ilustrado no canal concorrente. Sinal de respeito aos que gostam de cochilar dentro do coletivo ou não fazem questão de ruído sonoro algum, já que a cidade tá entupida deles. Uma ou outra idéia até é válida, como piadinhas, dicas culinárias e historinhas (des)animadas. Mas ainda falta muito para se chegar ao patamar de excelência. Ficaria mais interessante com a inclusão de videoclips, filmes (por que não?), notícias e até mesmo dicas de itinerários, ou quem sabe roteiro cultural (como bem faz o Metrô, no mesmo espaço). As centrais de mídia estão dormindo, pois essa é uma outra maneira de correr atrás de anunciantes. Com o tempo, acho que esse canal vai amadurecer. Por enquanto, ainda destoa da nova frota que acha que exala modernidade.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Bodas de cansaço
Quem for assistir ao novo filme do Kim-Ki Duk, Fôlego, exclusivamente no Reserva Cultural, irá perceber que o trailer de Bodas de Papel, novo filme dirigido por André Sturm, aparece duas vezes. Tal duplicidade talvez se deve ao fato de que ambos são distribuídos pela Pandora Filmes, empresa do diretor citado. É provável que um trailer conste na programação habitual do Reserva, inclusive nas outras salas do complexo, e outro esteja colado ao filme exibido. Deve ser mesmo uma questão de falha logística, pois não há nele nenhum mérito que justifique o repeteco. Um interminável diálogo entre um casal, ele plantando uma muda, ela explicando que dizem que dá azar plantar depois das 10 e meia da manhã. Tudo meio duro, meio travado, sem appetite appeal. Ouvi dizer que o filme propriamente dito nem é tão ruim assim. Vamos ver o que essas bodas de azaléas nos têm a dizer.
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