segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mc Min

Não se deixe iludir por um enorme banner e pelo texto que faz referência a um produto reformulado e gigantesco. O novo Mc Max, do Mc Donald’s, é resultado dos mais picaretas de propaganda enganosa. Fuja dele, a não ser que você seja adepto a comer pouco e gastar muito. O combo mais caro da rede (R$ 16, composto pelo sanduíche, porção média de batatas fritas e refrigerante de 500ml) é fajuto e decepcionante para quem está acostumado a consumir bem e pagar um preço justo. Se ainda houvesse algum ingrediente especial, diferenciado e exclusivo, vá lá. Mas o tal “imenso” lanche nada mais é do que um convencional cheese-salada, que fica sambando folgadamente na caixa em que é embalado. Se a sua fome pantagruélica é por justiça, opte então pelo assertivo Big Tasty ou procure os concorrentes mais leais. Caso contrário, sua frustração será max.

Rebuceteio

Quando eu fazia parte do quadro editorial do Cinequanon, lembro-me de que o acesso ao site via ferramentas de busca subiu consideravelmente logo após a publicação de uma entrevista com Cláudio Cunha, diretor de Oh Rebuceteio. Portanto, estou usando este expediente, com toda a gratuidade e falta de remorso que me cabe, com o único intuito de levantar os números de acesso às minhas estrábicas lentilhas. Com este recente susto financeiro, nunca se sabe como eu vou ganhar dinheiro daqui pra frente. Desculpe-me a falta de tato e de respeito, assíduo leitor, mas é uma questão de sobrevivência travestida de traquinagem. Se você está lendo os posts de cima pra baixo e veio parar aqui, pode pular o tópico pra não perder seu precioso tempo. Se você achou estas lentilhas por meio de algum google da vida, aproveite a barca furada e leia os outros tópicos que, garanto, são mais consistentes. E se você está acompanhando a atualização do meu blog com uma leitura de baixo pra cima dos posts, meu amigo, seja sincero. Mentir é feio. Ninguém em sã consciência vai procurar o que eu escrevi em agosto pra chegar aqui. A Internet atual pode até estar rebuceteada de um modo geral, mas nada justifica tanto esforço para se chegar ao nada.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A dança dançou

Diz a máxima que filme brasileiro não é lançado, é arremessado. Existem alguns casos de estratégia acertada, quando há investimentos em marketing e uma grande distribuidora por trás. De acordo com dados do Filme B, Era Uma Vez, apesar das ressalvas, lidera a bilheteria do cinema nacional de 2008. Mais de meio milhão de pessoas já foram conferir o Romeu e Julieta das favelas cariocas. Um resultado lucrativo, mas ainda inferior ao longa de estréia de Breno Silveira, Dois Filhos de Francisco. E nada comparado ao cinema nacional dos anos 70, à pornochanchada, à época em que um ingresso era equivalente a três dólares. O líder de bilheteria deste ano equipara-se a um blockbuster mediano. Esse afugentamento de público, essa distância que se criou entre a arte e as pessoas daqui não se justifica pela falta de opções cinematográficas. Toda semana, pelo menos um filme brasileiro é colocado em circuito. Pelo menos. Desde os mais abrangentes, como A Casa da Mãe Joana e A Guerra dos Rocha, até trabalhos mais específicos, normalmente apoiados pelo Projeto Folha Documenta do Cine Bombril, como Brigada Pára-Quedista ou Musicagen. Isso sem contar os “filmes para os amigos”, como é o caso de Cana Quente, dirigido pelo ex-gerente do Cinesesc, Luiz Alberto Zakir, que ainda não teve sua bilheteria contabilizada. Ou sucessos-relâmpago, filmes que abordam um tema específico, em geral voltado à religião ou às crenças, como é o caso da bomba-relógio Bezerra de Menezes. Os filmes ou documentários minúsculos normalmente ocupam a lanterninha do ranking. Em alguns casos, não chegam a 100 espectadores durante o ano. Mas não são filmes feitos pra encher salas. Desde a sua concepção, nota-se que são trabalhos desenvolvidos ou para fins acadêmicos, ou dirigidos prioritariamente a cinéfilos, estudantes de Cinema ou iniciados. E como a cinefilia já encontrou seu reduto, o lançamento no perímetro da Av. Paulista é decorrência natural desse processo. Mas o que me intrigou, nesta sexta-feira 3 de outubro, foi me deparar com um ilustre desconhecido, Dança da Vida, um obscuro documentário sobre a Terceira Idade. Esta pérola invisível ocupa, por enquanto, dois horários de uma sala do cinema do Shopping Penha e do Boavista. Por mais tímido que seja o lançamento nacional, é comum os jornalistas e a crítica receberem previamente um release da assessoria de imprensa. Neste caso, essa propagação informativa passou batido. Não faço a mínima idéia do que se trata o filme. Posso afirmar com segurança que não houve qualquer tipo de divulgação prévia, o que reforça a minha teoria de que alguns filmes são disparados como biribinhas em direção ao chão. Pode até parecer descaso e falta de respeito: com o público, com o crítico, com o programador cultural. Mas acho que, no fundo, isso é apenas o reflexo de uma pobreza tão grande de dinheiro, de visão de negócios, de noção cinéfila, que qualquer tipo de reclamação soa como chutar cachorro morto. Quanto mais filmes nacionais são despejados nas salas, menos o público torna-se cativo a eles. A dança da vida já nasceu morta, e agoniza na periferia à espera de seu enterro na vala comum da mediocridade. Depois, não adianta reclamar que o Macaco Tião da Sétima Arte ocupa a posição de rebaixamento no ranking.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Acôrdo ortographico

Está aprovado: a partir de 2012, seremos todos iguais. Pelo menos o Brasil, Portugal, Angola e demais colônias lusitanas. Do ponto de vista lingüístico, iremos nos tornar equânimes e globalizados dentro do nicho lusíada. Nosso presidente Lula Molusco assinou a lei que unifica algumas regras da Língua Portuguesa. E, como toda boa polêmica, há o lado bom e o lado ruim. Em primeiro lugar, vem a consolidação escrita da darwinista lei do uso e desuso. O novo acordo tem a proposta de enterrar definitivamente a cauda, os pêlos lingüísticos e as mandíbulas primatas do ser humano. Mas o mais importante é o aspecto econômico. A unificação de algumas particularidades do idioma deixa este conglomerado de países mais coeso e, portanto, mais forte nesta questão. Trata-se de um mecanismo facilitador das relações comerciais internacionais, da viabilização da criação de um mercado comum. Eliminar acentos diferenciais, tremas, hifens e outros rabiscos textuais é mais ou menos como desindexar o vocabulário. Esta padronização escrita funciona como um tipo de dolarização, guardadas as devidas proporções. Se a criação de um denominador comum faz com que todo mundo se entenda, então não há maiores empecilhos nesse sentido. E não me venham falar em resistências formais. A língua inglesa, cartão de crédito para o mercado de trabalho, a verdadeira moeda verbal aceita no mundo inteiro, invadiu o Terceiro Mundo sem maiores problemas. Chamar futebol de ludopédio e milk shake de leite batido foi uma iniciativa quixotesca de alguns casos isolados preocupados em preservar a integridade eugênica da Flor do Lácio. A língua é móvel, a língua é mulata, suscetível a sincretismos e miscigenações. Não adianta congelar este material vivo e deixá-lo incólume a influências e modificações. Por essa razão, vêm as controvérsias em relação à eficácia dos efeitos dessa hegemonização por decreto. A língua é o músculo-reflexo de uma cultura, da tradição de um povo, da forma de pensar de uma sociedade. Tabelar e precificar essas idiossincrasias é podar essas particularidades, circuncidar sua irreverência e sua forma de se expressar no globo.

Ainda que aparar a grama e eliminar as tranqueiras gramaticais gere essas divergências ideológicas ou acadêmicas, o que mais me preocupa não é o que é cabido, o que é excessivo ou o que ainda poderia sobreviver. Com o tempo a gente se acostuma a isso, assim como nos adaptamos ao trabalho sem registro em Carteira, à urna eletrônica, à revisão ortográfica do Word, ao dicionário do Google. A extinção do trema não é uma questão, até porque a maioria da população não faz idéia do motivo do uso de tal rebuscado acento. O que me deixa aborrecido é que, em pleno Século XXI, o método de ensino do mecanismo máximo de expressão ainda se dá na base da decoreba. Os falantes do Português estão se lixando para os conceitos, princípios e noções diacrônicas (históricas) que regem o processo de formação de palavras, por exemplo. Uma teoria que parece inútil, mas que pode ajudar na compreensão da utilização ou não do hífen. Passar a lixa nos sinais gráficos, pura e simplesmente, continua sendo algo tão burro quanto acentuar tudo quanto é vogal que aparece na frente do escrevente. Essa reforma não veio para simplificar, como se imagina. Ela veio para estatelar o vigor da língua. Macaquear outros idiomas considerados “avançados” por seu poder de síntese. Sem acentos, somos mais parecidos com os norte-americanos. Existe uma preocupação coletiva voltada muito mais ao fato de se entender o quanto essas mudanças irão mexer com a rotina da escrita. Grande parte das modificações previstas centra-se nas vogais: acento diferencial, acento em ditongos abertos, trema, etc. Em contrapartida, a Internet está começando a criar um outro código lingüístico, recheado de imagens (emoticons) e de abreviações. Vc, tb, td, tks, abç, bjs, blz, vlw, são alguns significantes meramente consonantais. Como se pode perceber, para esta nova e estranha língua que há de ser inventada o valor semântico recai sobre as consoantes. As vogais são letras de ligação, vácuos anódinos. Então, por que tanto peso sobre as tais vogais nesta reestruturação vernacular? Pensar nesta padronização, ainda que tardia, não seria ir na contramão da comunicação dos novos meios e formatos? A meu ver, decepar essas manchinhas sobre as letras não é mutilar o idioma. Já não se pode dizer o mesmo sobre o descaso em relação a esse legado histórico, esse patrimônio nacional. O que dizer então da maneira ditatorial e pouco saborosa de se ensinar o Português no Brasil? Num país em que ainda há analfabetos, discutir sobre a inclusão do k, w ou y é algo tão inócuo quanto hipócrita. Adequar-se ao novo é mais do que necessário, isso é óbvio. Mas eu quero ver é se esta língua mais enxuta, se este uniforme tamanho P vai servir para o físico do novo brasileiro. Ou se vai continuar bem largo para quem dá de ombros para as transformações.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O perfil do blogger

Blog é coisa de nerd. Blog é coisa de viado. Quem não tem nada pra fazer cria um blog. Quem quer impressionar as meninas divulga seu blog. Blog é o consolo de quem não se acha suficientemente criativo pra publicar um livro. Se texto de blog fosse bom, não estaria disponível gratuitamente na web. Blog não dá dinheiro. Blog não se define como mídia. Blog não tem credibilidade de informações. Blog é só um diário bonitinho pra agradar os amigos. Blog é superficial. Blog se diz democrático, mas os números de acesso comprovam ser um meio tão elitista quanto a TV. Então, por que diacho continuar escrevendo um blog?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Baby Love

Acaba de nascer uma modalidade de repartição cinéfila, a meu ver, um tanto quanto bizarra: a sessão materna. Tanto o Arteplex Frei Caneca quanto o Bristol foram pioneiros em São Paulo ao adotar esse filão, diariamente, por volta das 14h. As salas foram devidamente adaptadas para acomodar confortavelmente as lactentes e os bebês chorões: ar condicionado em temperatura mais branda, volume de som mais baixo, luzes laterais acesas durante toda a projeção, babás de plantão no lugar da brigada de combate a incêndio, etc. Só faltou o campo de golfe (vulgo regurgitódromo). Fico imaginando como seria a composição da bonbonnière: super combo com 1kg de papinha Nestlé e 2 copões de Coca-Cola com leite quente dentro, festival de sopa de mingau, e por aí vai. Colher em formato de aviãozinho grátis. É certo que os recém-casados fogem da vida social ativa e deixam de fazer várias atividades que costumavam fazer quando solteiros, e essa iniciativa é uma maneira de fazê-los voltar aos poucos ao roteiro cultural da cidade. Mas não deixa de ser esquisito. Se eu já me incomodo com a presença de crianças pequenas na sala, aquele barulho todo, imagina uma sessão dedicada aos falantes e berrantes, em que os progenitores não conseguirão assistir ao filme sossegados porque deverão dar mais atenção às suas crias. Lembro que minha primeira experiência cinematográfica foi traumatizante: aquelas cores em movimento, a dimensão daquele pano alto na minha frente, imagens que eu não conseguia abstrair, enfim, incompreensão total. Acho que eu não estava preparado para adentrar esse estranho universo. Mas isso foi nos tempos de antanho. Hoje, com chocalhos e caixinhas de música, vai ser fácil, fácil os rebentos apreciarem o remake de Violência Gratuita.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Massa

Hoje minha massa encefálica trabalha para produzir massa crítica para que eu não me transforme em massa de manobra.

Pegando pesado

Em relação a alguns assuntos e comportamentos, sou ainda um pouco ortodoxo, meio xiita. É por isso que eu condeno o novo comercial da cerveja Nova Schin. Nada contra o filme propriamente dito. Mas a mensagem transmitida não me desce redondo. Lá, existe uma tolerância dada a um espectador distraído que deixa o celular ligado na sala de cinema. Nem quero entrar no mérito dos motivos de tal desatenção, mas o afrouxamento implícito em relação ao respeito ao próximo é que me incomoda. Quando se fala em comunicação de massa, o tratamento e o efeito dado ao particular se alastra por metonímia ao conjunto. Ou seja, ali o subtexto diz que todo e qualquer espectador tem o direito de deixar o celular ligado. Afinal o freguês, aquele consumidor que se sente o dono do mundo, é quem sempre tem razão. Sou ainda do tempo das diligências. Neste exemplo específico, muito reticente quanto ao moderno, ao produto que se autodenomina "novo". Se para a companhia cervejeira de Itu pegar leve significa permitir sonoridade alheia no ambiente silencioso, conversar durante a sessão, chutar a cadeira da frente, passar o sinal vermelho e suavizar os pontos da escala etílica no exame do bafômetro, fico então do lado do bigodudo do faroeste. Antigo, poeirento, mal-humorado, mas que pelo menos tenta resgatar o desusado hábito do exercício da cidadania.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Votem em mim

Conheçam um pouco mais da minha plataforma política no que se refere à Sétima Arte:
- Ingresso Único: com o pagamento de apenas uma entrada, pode-se assistir a vários filmes num período de 6 horas, em qualquer sala, respeitado o limite de 3 filmes neste período
- Ingresso Amigão: as mesmas condições acima, só que com período estendido para 10 horas (aos fins de semana)
- Fura-Muvuca: passagem subterrânea do Cinesesc até o Shopping Frei Caneca, a fim de evitar o demoradíssimo semáforo da Paulista X Augusta e o congestionamento dos lerdíssimos pedestres deste trecho
- Leve Café: café da manhã gratuito e obrigatório em todas as cabines de imprensa, sem distinção de distribuidora, qualidade do filme ou horário da sessão
- Estréia Garantida: multa diária às distribuidoras que atrasarem seus lançamentos em circuito em relação à data de estréia prometida
- Cinema 4D e 5D: intensos investimentos em pesquisa para o aprimoramento desta nova tecnologia
- CEU: programa de Responsabilidade Social, voltado ao ensino, treinamento e aperfeiçoamento da atividade crítica, no sentido de se fazer inclusão social, profissionalização e preparo para o mercado de trabalho. Obs.: o programa começa com o estágio de alfabetização, a quem interessar possa
- Controle de zoonoses: distribuição ampla e gratuita de focinheiras aos freqüentadores que têm o hábito de conversar durante a sessão
- Tropa de Elite: combate à pirataria e multa às distribuidoras que lançarem seus produtos diretamente para o DVD
- Exclusão Digital: projeto para banir toda e qualquer cópia exibida no formato digital, padrão Rain Networks
- Lei Cidade Limpa: dispensa comentários, quando o assunto são os critérios de lançamento nos cinemas

Ghost Wilker

Odeio novelas. Nada contra quem assiste ou quem encontra algo substancialmente aproveitável em termos de linguagem televisiva, mas me incluam fora disso, por favor. Ainda assim, foi inevitável ver o comercial da próxima novela da Globo, Três Irmãs. Que, ao que tudo indica, deve ser pra lá de capenga. E nada mais apropriado do que escalar o canastrão José Wilker para fazer o papel de um fantasma, um ex-marido que assombra a ainda viva esposa da soap opera. Wilker (o personagem dele mesmo) morreu e ainda não sabe. Aquela dislalia, aquela fala molenga e aquele olhar vítreo e ébrio para o infinito, em todos os seus últimos papéis (isso sem falar dos comentários durante a entrega do Oscar), são a prova viva (ou morta) de que a ginga malandra de outrora há de ser enterrada logo, logo, indo rumo ao cosmo encontrar o também artisticamente falecido Patrick Swayze do outro lado da vida de ator.