domingo, 20 de novembro de 2016

O verdadeiro significado das expressões

Vou me atrasar um pouquinho = estou saindo de casa agora
Ficou diferente = ficou ridículo

O problema não é você, sou eu = você me enche o saco
Estamos otimizando recursos para a maximização da qualidade = a partir de agora, nosso produto vai ser uma merda
Estamos passando por um processo de reestruturação = vou ter que te demitir
Procuro um homem que me compreenda e me dê atenção = procuro um homem rico e de pau grande
Ah, legal = que cara mala
24 horas por dia, 7 dias por semana = só dá ocupado ou ninguém atende
Vou procurar no estoque = acabou
Precisamos conversar = acabou
Só mais um minutinho = comecei a fazer agora
Tudo joia, se melhorar estraga = tudo uma bosta
Tendi = muda de assunto
Pode deixar comigo = não vou resolver seu problema
Ambiente rústico = lugar decadente
Acabei de chegar = tô te esperando há mais de 20 minutos
Vou pedir uma segunda opinião = não faço ideia
Estamos trabalhando para solucionar a questão = não faço ideia
Pensa mais um pouco = refaça
Você faz mais o tipo exótico = você é feio
O resultado ainda não é conclusivo = fodeu
Estão te chamando lá na sala = fodeu
Vamos marcar um almoço = provavelmente nunca mais vou te ver
Precisamos fazer apenas alguns ajustes = precisamos mexer pra caralho
Acho que foi a bebida = não vou dar pra você


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Update de provérbios

Quem kkk por último kkkkkkkk melhor.

Mais vale um Pokemon na rua do que dois Angry Birds voando.

Deus ajuda quem cedo bota o Galaxy 7 pra tocar.

Em home office de front-end developer, mouse é de caneta esferográfica.

A agilização de processos é inimiga do padrão de excelência em qualidade.

Quem com Taurus RT 444 44 Magnum fere com Taurus RT 444 44 Magnum será ferido.

Em Playstation dado não se olha o console.

A trollagem tem dismetria dos membros inferiores.

Quando um tá na TPM, dois não fazem DR.

Para um geek, meio emoticon basta.

Diesel aditivado a R$ 0,99/litro não move Honda Civic.

Não adianta o emo chorar pelo zero lactose derramado.

Quem não tem carabina caça com pistola de pressão.

Ácido sulfúrico em porcelanato tanto bate até que dá PT.

Quem tudo quer foi criado com leite com pera.

Devagar se evita multa.

Não se faz um omelete sem assistir ao MasterChef.

Antes no 5 contra 1 do que nas roubadas do Tinder.

Caiu na net é phishing.

Errar é Ctrl + Z.

De MM’s em MM’s a criança sofre obesidade.

Em terra de deficiente visual, quem tem olho recebe foro privilegiado.

Filho de peixe é acusado de nepotismo no aquário.

Quem ama o feio é porque sofre bullying.

Quem espera sempre interrompe o download.

Onde há fumaça há detectores e brigada de combate a incêndio devidamente treinada.

Papagaio come milho, periquito é escalado pro The Voice.

Quem tem boca vai a Roma. E quem tem grana vai pros Alpes.


domingo, 6 de novembro de 2016

Coisas que você provavelmente nunca vai ouvir - parte 2

Desculpe o atraso. O trânsito estava uma maravilha, eu é que acordei uma hora mais tarde porque sabia que essa reunião vai ser um saco.

Adoro seu mau hálito matinal. Assim dá pra tentar adivinhar o que você jantou ontem à noite.

Pode jogar a fumaça do seu cigarro na minha cara. Fique à vontade.

Evite brócolis. Manera na cenoura. Doces e refrigerantes à vontade.

Aqui no templo do Senhor ninguém é obrigado a pagar o dízimo. Primeiro, quitem suas dívidas.

Continue parado aí na escada rolante. O aviso "deixe a esquerda livre" deve ser uma coisa mais pra política.

É exatamente isso que você está pensando. Eu te traí com sua melhor amiga. Também, quem mandou chegar mais cedo e não ligar?

É aqui mesmo. Três carrinhos lotados, fique à vontade. A placa "máximo 10 volumes" é meramente decorativa. Se quiser pegar mais 3 detergentes e 1 quilo de cebola, eu espero.

Inteira, moça. Eu tô te mostrando meu RG e comprovante de matrícula pra você me conhecer melhor.

Por que eu sou o candidato ideal pra vaga? Puxo o tapete de quem não vou com a cara, puxo o saco do chefe pra tentar ganhar um aumento e fico o dia inteiro enrolando fingindo que tô trabalhando.

Podem colar à vontade. O importante é a socialização com os nerds.

Para continuar ouvindo nossa selecionada música de espera, digite 1. Para falar mal dos nossos serviços, digite 2. Ação no Procon, digite 3. Solicitação de visita técnica que custa o olho da cara, digite 4. Para passar por todos os nossos atendentes que não fazem ideia de como resolver seu problema, digite 5 ou aguarde.

Pra quando? O tempo que você precisar. Eu falo pro cliente que o importante é a grande ideia. Deixa a inspiração fluir...

Vamos agora falar com o melhor jogador em campo, que provavelmente vai dar as mesmas respostas decoradas de todas as outras entrevistas, já que as perguntas que o estagiário criou também são as mesmas de sempre.

Procuro homens que não querem nada com nada, que só entraram aqui pra stalkear o perfil das mulheres e o máximo que podem oferecer é um papo chato de trabalho e uma trepada mal dada. Única coisa que peço é que dê carona até minha casa pra eu não precisar gastar com Uber.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Panetone

O ciclo de vida do panetone.
Em setembro, começa a aparecer no supermercado. Caríssimo. Tipo R$ 60 o quilo. Sensação deprimente. Não só pelo fator "caríssimo", mas também pela constatação de que o ano já acabou.
Em outubro, brotam os derivados. Panetone de Prestígio, panetone de Suflair, chocotone, moussetone, panetone de Kinder Ovo, panetone de Godiva. Também caríssimos.
Em novembro, eles estão lá, firmes e fortes. Dominando as gôndolas. Gritando nos seus ouvidos pra você comprar.
Bom, dezembro é um mês complicado... funciona meio que como a Bolsa de Valores, a cotação do dólar... começa com o preço nas alturas, pra compensar a liquidação do Black Friday, sobe mais ainda, cai, volta a valer peso de ouro, entra na lei da oferta e da demanda e, após o dia 25, passa a ficar acessível, ainda que não se justifique pagar R$ 30 por meio quilo de pão com pedacinhos de fruta que mais parecem gelatina congelada.
Em janeiro, o preço da iguaria vai lá pra baixo, já que todo mundo gastou suas economias com IPVA, IPTU e CVC. O nobre sabor do Natal passa a ocupar um tímido cantinho do supermercado, junto com vassouras, inseticidas e naftalina. Quem é que ainda compra naftalina?
No mês do Carnaval, o valor percebido da sobremesa tem um quê de mistério e de indecência. O que antes custava R$ 50 agora você leva por R$ 5. E ainda ganha aquela latona que, além de ocupar 70% do carrinho, te dá a chance de participar de um sorteio do cruzeiro marítimo do Roberto Carlos, ocorrido há 2 meses atrás.
Antes de valer menos do que um chiclete, o panetone é recolhido das prateleiras em março. Vai pro abatedouro da reciclagem. Chegando à fábrica, entra novamente numa forma. Só que não estamos mais falando de uma massa fofinha e fresquinha. O idoso pão doce precisa de uma verdadeira recauchutagem. Seu corpo é reconstituído à base da tortura do faz-caber. Entra na maca cirúrgica praticamente embolorado e transforma-se num amontoado de encaixes que bem lembram o jovem Frankenstein. Mas não tem importância. Essa época do ano precede a penitência cristã. Todo o sofrimento do corpo é compensado com muito jejum e muita reza. E, pra disfarçar a eletrizante agonia, um pouco de açúcar de confeiteiro por cima. Pronto: Colomba Pascal by Ivo Bauducco Pitanguy.
Já sem tanta ostentação glamourosa como em outrora, o recondicionado panetone sob nova alcunha bem que poderia voltar aos mesmos palcos. Está tudo ali: a massa, as frutas e os conservantes acidulantes. Só está um pouco fora de forma, é fato. O fabricante quer porque quer fazer parecer um pombo, mas o consumidor não vê ali nada mais além de um filhote do cruzamento de polvo com kikos-marinhos. A aberração genética em questão, portanto, passa a ocupar aquele pedaço do latifúndio do estabelecimento tão insignificante quanto indefinido. Um buraco negro entre os pães, as sobremesas, as geleias, os dietéticos e o material escolar. Um espaço amorfo, condizente com a estrutura óssea da criatura.
O amargo ostracismo se justifica. É a chegada dos ovos de chocolate, botados por coelhos. Não me pergunte como. Não sei. Mas que isso vende, vende.
E assim a Colomba Pascal lança seus últimos suspiros de vida. Em abril, maio e junho. O bromato ancião chora junto com os ovos que se quebram, vê passar as pipocas e amendoins das festas juninas, e também sente na pele o peso da idade do curau: de R$ 7,50 por apenas R$ 1,99.
Em julho, pode-se perceber a existência de um ou outro agonizante ser que um dia foi panetone. Uma espécie em extinção, direcionada única e exclusivamente para fins de pesquisa. É o enterro da raça. Em agosto, o panetone aparece somente em livros de história, para dar lugar a uma nova safra que irá nascer no mês seguinte. Tudo para provar a perfeição da natureza: nada acontece em agosto.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Resenha

(Dica de resenha para quem não entendeu nada daquilo que viu. Copiar e colar. De nada.)


Já fazia muito tempo que essa metrópole não era invadida por uma obra-prima tão sorumbática e armagedônica. Com um estilo pseudo-naïve, calcado nos minimalismos estéticos da nouvelle vague, o autor fez questão de registrar sua sintagmática incontinência catastrófica de provocar. Algo que nos remete ao ostracismo de Nietsche e Kafka, com texturas solfejantes de Carlos Gardel. Incompreendido até a medula, esse recorte social transita nas vestimentas kitsch de Almodóvar, sem perder a mão e a lúgubre consistência bergmaniana do subtexto. Não dá para ficar indiferente a essa regência silábica desorquestrada em seus paradigmas, quando a ruptura hitchcockiana desconstrói a leveza noir tão vulnerável quanto obsoleta. Uma epígrafe tarantinesca para ver, rever e anotar cada pormenor, inclusive seu flerte com os arcabouços da dodecafônica literatura de cordel. É ali que o trabalho ganha organicidade e escapa da diegese de seus antecessores, talvez uma influência maldita que o autor faz questão de abandonar. Na crueza de suas texturas, ou na arregimentação cromática de seus significantes e significados, essa obra definitiva mostra os claros ecos que o legado do primeiro álbum do Red Hot Chili Peppers deixou. Ou o segundo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Prender

- Amor... moreee... tô pensando numa coisa...
- O que é, benhê?
- Acho que vou prender meu cabelo.
- Como assim? Sem mais nem menos?
- É...
- Mas isso é uma atitude arbitrária.
- Por quê?
- Para prender, você precisa de provas concretas.
- Mas eu querooooo...
- Não me venha com convicções. Eu quero PROVAS. O que te faz pensar em prender o cabelo?
- Sei lá... Eles estão assim... meio rebeldes...
- Ah, então agora você é contra os rebeldes... sei... vai reprimir a força natural de seus cabelos. Uma fascista aqui em casa, era só o que me faltava...
- Quero mudar um pouco, só isso.
- OK, mudanças OK. Mas você quer prender algo que nasceu solto. Isso é autoritarismo. Você não deu oportunidades para seu cabelo se manifestar.
- Eu só queria a sua aprovação...
- Só a minha aprovação não basta. Você precisaria ter maioria.
- Então tá. Eu vou chamar minha mãe pra mostrar pra ela que fico melhor com o cabelo preso.
- Ah, vai chamar a sua mãe, então? Além de repressora, você quer fazer um espetáculo! Não basta prender, tem que ser midiática e sensacionalista, você!
- Você não está me ajudando...
- O que você quer que eu faça? Apoie essa atitude golpista?
- Não. Queria uma opinião, só isso.
- Eu não decido as coisas sozinho, você sabe disso. Eu sou um cara democrático.
- Então me dá um palpite. Se prender não tá bom, o que você acha que eu devo fazer? Cortar?
- Pronto, agora vai partir pra violência... não basta o abuso da autoridade, precisa usar armas de repressão. Além da tesoura, você quer também um spray de pimenta, um gás lacrimogêneo? Uma bala de borracha, talvez...
- Você não me entende (começando a chorar)... eu só queria ficar um pouco diferente... mas acho que não posso contar com você... vou dar um pulinho lá no salão da Cida, ela tem umas ideias ótimas pro meu cabelo.
- OK... vai... só não conta pros vizinhos... o pessoal das investigações tá caindo em cima... vai que eles aparecem aqui, vão querer saber de onde a gente arranjou dinheiro pra cabeleireira... se me perguntarem alguma coisa, vou dizer que não sei de nada...


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Xampu

Relacionamento é algo tão complicado quanto imprevisível. Você aposta todas as suas fichas para que dê certo, mas ao mesmo tempo precisa ser perito no incógnito campo das adivinhações. Tá mais pro improviso do jazz do que pro certinho 4X4 do rock. Tá mais pro repentista do que pra literatura de cordel. Um relacionamento pode durar tanto uma eternidade quanto mais ou menos 10 minutos. Para que se prolongue pela efêmera eternidade humana, alguns critérios e alguns cuidados são mais do que necessários.

Tomemos como exemplo a visita de sua namorada ao seu lar, doce e bagunçado lar. Ah, tá. Preâmbulo: vocês se conheceram num bar, trocaram ideias, trocaram mais beijos do que ideias, marcaram um segundo encontro, cineminha de mãos dadas, terceiro encontro, só depois do terceiro rolou sexo, talvez dê pra dizer que a coisa é séria a tal ponto de mudar o status no Facebook. Aí a gata vai conhecer seu território. Num relacionamento, essa fase é definitiva.
Na cabecinha oca masculina, a chegada de uma fêmea a um ambiente cheirando a cerveja e pizza requentada em micro-ondas soa como uma noite interminável de prazer. Você, homem, já começa a alucinar a visualização de sua futura esposa de cócoras sobre a máquina de lavar. Imagina a moçoila fazendo poses eróticas com o esguicho do chuveiro do boxe. Acha que vai transar com ela na cozinha, na sala, no quarto adjunto, sobre a coleção de DVDs do Scorcese. Sonha que vai transar com ela na garagem, sobre o capô do seu Honda Civic. Você, homem, na sua mentalidade ignóbil, acha que sua namorada vai, do dia pra noite, se transformar na Bruna Surfistinha do Tatuapé. Começa a imaginar sua residência como a Disneylândia do amor físico. Seu ouvido seletivo entende o “quero ir pra sua casa” como “quero dar loucamente pra você”.

Essa é a percepção masculina. A realidade feminina é bem diferente. A mulher decide conhecer sua casa pra conhecer você melhor. Em seu paranoico e obsessivo detalhismo, repara na cor cafona do tapetinho do hall. Mulher é pior que Sherlock Holmes. Consegue decifrar o ano em que a casa foi erguida só de olhar pelo batente descascado. Sua talvez quem sabe futura esposa adentra o recinto como se estivesse passando de fase do Criminal Case. Ali, nada acontece por acaso. Tudo tem uma relação de causa e efeito. Se tem marca de copo sobre a pia, aquela rodela de água que se forma sobre a superfície, é sinal de que alguém mais esteve na moradia. Se teve alguém mais na moradia, certeza que o cara tá traindo a moça. Mulher observa tudo com olhos de lince. As pessoas no porta-retrato. Os ímãs de geladeira. Começa a cheirar as camisas que o homem deixou sobre o móvel pra ver se precisa lavar. Repara se tem toalha molhada em cima da cama. Ou se a pasta de dente está apertada na ponta ou no meião do tubo. Faz minuciosas averiguações para descobrir se tem algum resto de pipoca ou de Ruffles debaixo do sofá da sala. Entregar seu corpo para o sexo é a última das prioridades. Mais importante é abrir o guarda-roupas pra ver se todas as cuecas estão dobradas. Para a pessoa do sexo feminino em questão, transformar a casa do namorado numa montanha-russa do prazer carnal é algo quase fora de cogitação. Melhor mesmo é ficar nesse jogo de investigações: o copo que deixou a marca sobre a pia pertence ao Coronel Mostarda, que pegou um candelabro e se dirigiu à sala de estar.

Divergências de postura acontecem. Diferenças dos níveis de expectativas, mais ainda. Tudo isso pode ser contornado. Basta um pouco de tempo e de paciência. Mexe-se ali, mexe-se ali, até que um se acostume às manias e costumes do outro. Apesar dos possíveis contratempos, esse mal-estar da primeira visita pode ser contornado e futuramente esquecido. Não fosse por um outro detalhe: o xampu. Na hora de tomar banho, seja antes ou depois do sexo, pra você, homem, qualquer fundinho de anticaspa em embalagem verde-escura com data de validade em agosto de 2009 tá valendo. Já os cuidados estéticos femininos são um pouco mais apurados. É ali, naquele momento embaçado pelo vapor aquático que se define se o amor é eterno ou volátil. A mulher exige do homem, no caso você, um pró-vitamina com polpa de abacate, creme de ácido retinoico reparador de pontas, redução de manga e partículas revitalizantes de cristais de berílio. Tipo um prato do Alex Atala, só que pra botar em cima da cabeça em vez de comer.

Meu caro, fica esperto. Se o relacionamento acaba, não é porque faltou amor, carinho e compreensão. Faltou apenas um pouquinho mais de cristais de berílio.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Por quê?

Por que as pessoas dão nome pra cachorro mas chamam ele pelo apelido?
Por que o limão nunca é da cor verde-limão?
Por que a gente dá parabéns quando a pessoa fica mais velha?
Por que a Av. Brig. Luís Antônio é conhecida por Brigadeiro e a Av. Brig. Faria Lima é conhecida por Faria Lima?
Por que paulista só dá um beijinho no rosto? E por que sempre do lado direito?
Por que os estabelecimentos com a plaquinha “facilite o troco” sempre têm mais troco do que os estabelecimentos sem plaquinha alguma?
Por que os postos de gasolina mais próximos sempre estão fechados quando o tanque tá na reserva?
Por que “um minutinho” demora muito mais do que 60 segundos? E por que “tô esperando há meia hora” é bem menos do que 30 minutos?
Por que as pessoas gritam quando acaba a luz durante o dia e cochicham quando acaba a luz à noite?
Por que a estação de metrô Consolação fica na Av. Paulista e a estação Paulista fica na R. da Consolação?
Por que a caixa preta do avião é da cor vermelha?
Por que mulher que diz “não” quer dizer “sim” e quando diz “sim” quer dizer “vou pensar”?
Por que a chave da porta de sua casa é sempre a última do molho?
Por que a pessoa que fala “aparece lá em casa” jamais quer que você apareça lá na casa dele?
Por que dizem que rir é o melhor remédio, mas vendem saco de gargalhadas em loja de mágicas em vez de vender em farmácia?
Por que a gente chama os amigos de “mano” e “brother” mas não chama os irmãos dessa maneira?
Por que as pessoas ainda falam “cair a ficha” sendo que ninguém mais usa ficha? E por que essas pessoas ainda falam “muda o disco”?
Por que ninguém sabe onde a R. Vergueiro começa e onde ela termina? E por que ela muda de nome num trecho bem no meio do trajeto?
Por que a gente costuma dizer que a grama do vizinho é mais verde, sendo que a casa dos nossos vizinhos não tem grama?
Por que a gente afina a voz quando conversa com bicho? Aliás, por que a gente conversa com bicho?
Por que quando a gente entra num motel a primeira coisa que faz é ver se o rádio funciona? E por que ele nunca funciona?
Por que a gente comemora o réveillon à meia-noite do dia 31, sendo que é horário de verão?


sábado, 6 de agosto de 2016

Tinder

Mais uma enquete. Mais uma pesquisa de opinião sobre o Tinder. Tô ficando repetitivo, mas até aí foda-se. Melhor do que ficar elogiando a abertura dos Jogos Olímpicos. Vamos ao veredito:

Entro no aplicativo, rola um match, trocamos algumas conversas, marcamos um encontro. Nada muito avançado ou pretensioso. Algo como um café, um sorvete, um cinema. No meio do papo, a pessoa solta um "acho que vou voltar pro meu ex". Daí você conclui que:

a) Ela de fato pretende reatar com seu ex. Em suas perambulações cibernéticas constatou que, apesar das inúmeras brigas, o ex é infinitamente superior a esse bando de loucos, drogados e putanheiros que frequentam sites de relacionamento.
b) Ela está apenas sondando o ambiente, fazendo uma pesquisa de mercado, avaliando tendências comportamentais. Um estudo antropológico. Não quer definir nada de imediato, por impulso. Prefere o amadurecimento das ideias. É que nem mulher que vai comprar roupa em shopping: JAMAIS ela fecha negócio na primeira loja que entra.
c) Ela está, digamos, "se fazendo de difícil". Valorizando seu passe. Trazendo mais elementos para que a conquista seja verdadeira e sua escolha seja mais assertiva. Incentivando o seu mecanismo propulsor das súplicas de amor. Mencionar o ex, neste caso, funciona como uma espécie de provocação para você sair de sua zona de conforto. Indiretamente, ela quer despertar o lado Jane e Herondi dentro de você: "Não se vááá... / Não me abandone por favooor...". Do ponto de vista prático: ela está pedindo nas entrelinhas para você escrever uma poesia, oferecer flores, declamar Rimbaud de cor e salteado, fazer um curso de Gastronomia e adotar um Labrador.
d) Ela simplesmente não sabe brincar. Entrou no Tinder só por curiosidade, gostou de algumas pessoas, se encheu, tentou sair, não conseguiu, voltou com o ex, tentou novamente apagar o perfil mas esqueceu a senha, brigou com o ex, tentou voltar pro aplicativo mas alguma coisa deu pau, voltou com o ex mas deixou o perfil invisível, esqueceu o celular na Linha Amarela do metrô, trocou de celular, perdeu todos os contatos, voltou pro Tinder sem os contatos, mudou o perfil, deu erro de configuração, foi pro POF, voltou pro ex antes do ex, saiu do POF e, hoje, sua vida é um erro de configuração. Não é à toa que ela demorou mais de 20 dias pra te dar um "oi". O encontro de vocês foi um sintoma de um delay. Entre uma passagem de cena e outra, muita coisa aconteceu.
e) Ela é uma mundana. Terminou com o ex mas de vez em quando tira o atraso com ele, arrumou um outro provisório mas não sente nada por ele, apaixonou-se por um inacessível do trabalho, casado e muito mais velho e, pra não tentar resolver a barca furada em que se meteu, usa o Tinder como um gancho de aventuras e um suporte para se autoafirmar. Tudo muito rápido e volátil. O hoje é diferente do ontem. Falar que vai voltar pro ex é mostrar que você foi lerdo. Não percebeu nem soube aproveitar a deixa de 4,5 segundos que ela te deu. Agora, meu caro, a fila anda. Seu número de sorte 387 expirou. É que nem senha do Spoleto em praça de alimentação, saca?
f) Ela é insegura, tem medo de tomar decisões, demora muito pra fazer escolhas, tem medo de fazer escolhas erradas, mas também tem medo de não fazer escolha nenhuma. Ela não sabe o que quer. Mulher nenhuma sabe o que quer.
g) Aquele selfie com cara de intelectual que você tirou na Livraria da Vila até que despertou nela um certo interesse. Mas, no mundo real das relações, ela não foi com tua fuça. Além de mala e coxinha, você não tem sex appeal algum. Ela nem se deu ao trabalho de caprichar na criatividade da desculpa. Usar esse eufemismo desgastado soa tão patético e improvável quanto "vou sair para comprar cigarros".

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Por Antonio Carlos C. Junior



Trata-se de um ótimo filme, com um inicio bem frenético. E um final surpreendente. Enredo bem amarrado, com uma breve descrição de cada personagem. Ótimo para quem não conhece o universo DC.

O carisma dos personagens também é muito bem explorado. Tive uma primeira impressão de terem focado muito no pistoleiro (Will Smith) achando que poderia rolar uma “willsmithzação” mas, no decorrer do filme, eles souberam dar bastante ênfase em todos os heróis/anti-heróis.

Como eu já imaginava, os dois protagonistas que souberam cativar bastante o publico com certeza foram o Coringa (Jared Leto) e sua namorada, Arlequina (Margot Robbie), trazendo uma pitada de insanidade e comédia à trama.

Sobre as especulações referentes ao filme, esqueçam. É um ótimo passatempo com alguns easter eggs dos próximos lançamentos do universo DC e também dos que já estrearam, como é o caso do Batman X Superman (um leve spoiler: no final pós-créditos, uma cena alusiva ao filme). Esquadrão Suicida é espetacular, com alguns momentos de adrenalina misturados a piadas e muita insanidade. Realmente, a DC vem se superando cada vez mais.