sexta-feira, 12 de abril de 2019

Inutilia truncat


Chega um momento da nossa vida em que a gente precisa cortar o açúcar, cortar o carboidrato e, principalmente, cortar as pessoas indesejadas. Elas não fazem falta. E, pode acreditar, você também não faz a mínima falta a elas.

Exemplos, existem vários. Só vou citar um. Aqueles cinéfilos, costumeiros frequentadores de salas alternativas de mostras e filmes de arte. Tudo bem, eu já passei por situações em que precisei de algum favor. Um nome na lista de convidados, uma indicação pra se fazer alguma escolha, uma cortesia pra garantir a entrada numa sala lotada, enfim, práticas e atitudes comuns para quem frequenta esse tipo de evento. Mas sempre procurei ser muito cordial na maneira de agradecer ou retribuir a gentileza. Afinal, entendo que isso seja uma relação de troca. Que, invariavelmente, começa com um “boa noite” e termina com um “obrigado”. No mínimo. O que estou querendo relatar aqui é sobre aquelas pessoas que, com sua avidez de zumbi, invadem conversas alheias, pedem dicas, pedem ingresso, pedem pra entrar na fila, pedem, pedem, pedem. Nem fazem aquelas perguntas retóricas do tipo “tudo bem?”. Eles estão cagando pra você, pro seu estado de saúde e de espírito. O objetivo deles é entrar na sala, ver um bom filme e não pagar nada.

Sempre tive muito orgulho de cada minuto em que fui crítico de cinema. E prazer na grande maioria desses minutos. Mas essa função trouxe-me junto uma sina como parte do pacote. Por um motivo qualquer, algumas pessoas acham que eu tenho a obrigação de lhes fornecer todas as informações necessárias, fazer uma cotação de um filme pretendido, dar nota, dizer se vale a pena o risco e o esforço. Como se eu fosse o Waze da Sétima Arte. Nada contra iniciar longos e saudáveis debates com os amigos. Afinal, a arte começa na tela e acaba no imaginário das pessoas. Mas o que me incomoda, de verdade, é esse comportamento exploratório e extrativista dos pidões das filas. Filas que até podem ser intermináveis. Bem diferente da quantidade de verdadeiros amigos, que olham pra você e não pro brinde que você vai oferecer a eles. A estes sanguessugas, passei a adotar a forma estilística predominante do movimento literário Arcadismo, em contraposição ao rebuscado Barroco: cortar o inútil.



quinta-feira, 21 de março de 2019

ENEM


O (novo) Ministério da Educação vai criar uma comissão para avaliar as questões do ENEM. Com base nessa notícia, trouxe a você, em primeira mão, as perguntas que vão cair na prova deste ano. Comece a estudar e boa sorte.

1.       Qual livro é o marco da sociedade moderna?
a)       O Ser e o Nada, de Jean Paul Sartre
b)      O Capital, de Karl Marx
c)       Assim Falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche
d)      Bíblia

2.       Estudiosos concluíram, em Genebra, que o mundo foi criado...
a)       Após uma explosão cósmica e congelamento das partículas
b)      A partir de uma explosão cósmica e aquecimento das moléculas de carbono
c)       Há cerca de 4,5 bilhões de anos
d)      Em 7 dias

3.       Qual é a causa mais provável da morte do poeta brasileiro Casimiro de Abreu?
a)       Tuberculose
b)      Sífilis
c)       Tifo
d)      Vontade de Deus


4.       A goiabeira (Psidium guajava L.) é uma espécie de árvore:
a)       Tropical das Américas
b)      Frutífera do clima equatorial
c)       Comumente encontrada em regiões de clima frio e úmido
d)      Onde se pode ver a imagem de Jesus Cristo

5.       Quem é o atual Presidente da Venezuela?
a)       Nicolás Maduro
b)      Juan Guaidó
c)       Donald Trump
d)      Qualquer um, desde que não seja comunista

6.       Qual é a forma mais aproximada do planeta Terra?
a)       Redonda
b)      Oval
c)       Arredondada de modo disforme e com rupturas na superfície
d)      Plana

7.       Um automóvel custa hoje R$ 60.000. Qual será o valor de mercado deste mesmo veículo daqui a exatos 60 meses, considerando-se a taxa de juros constante de 1,2% ao mês, sem se levar em conta a depreciação do produto?
a)       R$ 180.000
b)      R$ 415.760
c)       R$ 248.750
d)      Não sei. Pergunta pro Paulo Guedes

8.       O (“dialeto secreto”) pajubá é um conjunto de expressões associadas a qual minoria de gênero?
a)       LGBTQ
b)      Transgêneros e cisgêneros
c)       Gays, lésbicas e transexuais
d)      Tudo coisa de viado

9.       A ditadura militar ocorreu em que período da nossa história?
a)       De 1964 a 1985
b)      De 1936 a 1945
c)       De 1500 a 1822
d)      Nunca ocorreu


10.   Qual foi o maior horror da Humanidade na História recente?
a)       Holocausto
b)      Genocídio dos armênios
c)       Bomba de Hiroshima
d)      Golden Shower



quarta-feira, 20 de março de 2019

Deus, pega leve


Deus, ó meu Deus, sabe que não acredito em você. Nunca acreditei. E tenho plenas convicções de que essa atitude é coerente. Pois, diante das coisas, chego à conclusão de que, se você de fato não existe, tudo isso é obra do acaso. Mas, se existe, está numa fase de querer zoar da minha cara, fazer bullying. Portanto, prefiro ficar com a primeira opção.

Ontem fez 6 anos que meu pai faleceu. Foi descansar eternamente nas terras do Senhor. Ele era sim uma pessoa brava, rígida, severa. Mas não merecia passar o último ano de sua vida à base de uma fileira interminável de remédios. Uma quantidade de doenças que mal cabia no campo descritivo da certidão de óbito. Isso não se faz com um ser humano. Olha só, quão irônico você foi. Justamente no ano em que ele conseguiu sua suada e merecida aposentadoria, época em que poderia viver o melhor da vida, sem as preocupações da rotina, você só faz agravar seu estado de saúde numa escala geometricamente progressiva.

Mas o requinte de crueldade não acabou aí. Moro na mesma casa praticamente minha vida toda. Ela sofreu o desgaste do tempo, já foi pichada na fachada externa, mas nada muito mais grave. Sempre me senti seguro dentro dela. Nunca fomos assaltados. Ela sempre foi uma espécie de fortaleza no meio da bandidagem periclitante das redondezas. E veja só, a que ponto chegou seu sarcasmo. Alguns anos após a morte do meu pai, nosso porto seguro foi arrombado. Coisa que nunca aconteceu em mais de quatro décadas. Os pivetes da favela, nunca encontrados, jamais sequer procurados pela polícia, estilhaçaram a fechadura da porta principal e fizeram a festa. O que levaram? A nossa dignidade. A nossa crença no ser humano. E parou por aí? Tsã, claro que não... dois anos depois, outra invasão. Desta vez, feita por engravatados que nem precisaram arrombar a porta. Uma cagada da família, somada à incompetência de um advogado inerte, fizeram com que a gente ganhasse alguns cabelos brancos tentando resolver essa pendenga na Justiça. Nem vou entrar em detalhes, ó meu todo-poderoso, pois tem mais gente lendo esse desabafo. Mas você, na sua onipresença, onisciência e prepotência, sabe do que estou falando. Você lê pensamentos. Pra falar a verdade, acho que você nem é aquele Deus-profeta de barbas brancas que imaginamos. No máximo você deve ser o Xavier, sentado em sua cadeira de rodas, escondido em algum pilar, adivinhando tudo o que vou escrever. Foi só meu pai morrer pra você decidir amaldiçoar nosso lar amargo lar. Minha mãe, por exemplo, tá fazendo mais exames médicos. Trocou o cinema pelo SUS. Nunca mais fez uma viagem decente. Tudo isso por culpa sabe de quem? Sua.

Sempre aprendi que a gente não pode falar mal de você. Não pode questionar, criticar. Tem que aceitar e pronto. Caso contrário, pode soar como insulto, blasfêmia. “Deus castiga”, é o que sempre ouvi. A gente é obrigado a ter fé, acreditar, orar, aceitar tudo o que você decide de cabeça baixa e olhos fechados. É a sua vontade e ponto final. Você jamais vai ser convidado a participar do programa Roda Viva e responder as perguntas dos jornalistas. Você é autoridade máxima. Devemos temer a Deus. Respeitar a Deus. Subordinar-se a você. Meio autoritário isso, não acha?

Bom, então já que você não existe, posso continuar, certo? Porque, se existisse, talvez daria um “control Z” de arrependimento em alguns comandos recentes. Então, vamos lá. Vamos falar um pouco de mim. Claro, deu pra perceber que esses últimos 6 anos foram definitivamente os piores da vida deste ancião de meio século que vos escreve. Nada, mas nada meeesmo, tem acontecido de relevante que me faça pensar o contrário. Tá bom, OK. Passei a trabalhar numa empresa que tem ar-condicionado e frutinha todo dia, num momento econômico em que quase metade da população ativa está preenchendo fichas de emprego. Mas só isso. O resto tá um desastre. Após a morte do meu pai, fui obrigado a voltar a fazer terapia, e encarei temas pesados. Os dissabores do dia a dia vieram como uma avalanche. É erro atrás de erro. Não venci na profissão. Não encontrei o tal amor verdadeiro que fosse capaz de substituir os 9 anos de relacionamento (encerrados, diga-se de passagem, no dia em que comemoraríamos os tais 9 anos, junto com aquele turbilhão de acontecimentos relacionados à doença do meu pai). Existe toda uma configuração astral que faz com que eu não sinta saudade alguma desta década, e tenho certeza de que os anos 2010 serão lembrados por mim como os piores da minha reles existência.

Deus, fala sério! Não fode! Como se não bastasse tudo isso até agora, o que você me apronta pra 2019? Um mundo que entortou pra extrema direita. Ataques terroristas quase que diários. O chafurdamento de Brumadinho. Um Presidente que só fala merda a toda hora. E esse verão então? Porra! Só chove, caralho! Ainda bem que acabou. Nada contra, a gente precisa de água pra encher os rios e trazer os peixes que Vossa Senhoria criou. Mas você forçou a barra. Esqueceu que aqui não tem arca de Noé? O máximo que a gente tem é um prefeito incompetente, tentando consertar semáforos apagados e nivelar pontes. Alagamentos, árvores caindo, não são da nossa natureza. Esse cenário triste e cinzento em nada contribui para qualquer perspectiva. Vivemos na insegurança econômica e social. Minhas investidas amorosas são uma sucessão de fracassos. Cada nova descoberta, um banho de água gelada. Até levar uma marretada na cabeça pelo Thor iria doer menos.

É isso o que tenho a dizer, meu divino Deus. Você não me dá outra alternativa a não ser blasfemar e reprovar todo seu deboche, sua pilhéria. Ou continuar acreditando que você não existe. Reafirmar categoricamente meu ateísmo. Achar que você é um golpe de marketing, uma criação pra deixar a Igreja mais rica e o Silas Malafaia mais famoso. Assim encerro toda essa maravilha. Passar muito bem.


sexta-feira, 15 de março de 2019

Pra mim chega


Ataques terroristas a mesquitas, em Nova Zelândia, deixam 49 mortos.

É fato, não dá para nos autorreverenciarmos, olhando para o nosso próprio umbigo, como protagonistas únicos da violência em massa. A decadência é mundial. A modernidade está nos levando ao ápice da barbárie medieval nas idades das trevas e da peste negra. Tempos atrás, temíamos as ruas, os becos, os morros e as favelas, os pontos perigosos e pouco habitados de uma metrópole. Hoje, devemos temer inclusive os lugares seguros e fechados, as casas de Deus, os centros de compras, as instituições do saber. Corríamos o risco de perder a vida diante da posse de supostas riquezas mal distribuídas. Numa espécie de permuta troglodita, diante de um assalto bastava dar a bolsa em troca de um alargamento de nossa perenidade. Hoje, como diziam nossos avós, para morrer basta estar vivo. Basta estar no lugar errado na hora errada. Basta ser alvo da mira de um psicopata, que escolhe aleatoriamente suas vítimas em nome de um Alá transgênico ou de uma hipnótica frase de efeito dos esquadrões suicidas de WhatsApp.

Seria presunçoso demais tentar entender as motivações que levaram ao ato criminoso lá na terra dos cangurus. Não quero levantar hipóteses rasas e levianas que discorrem sobre fatores psíquicos mais complexos. Mas aqui, na república das bananas, precisamos urgentemente levantar a voz e carregar as recentes atrocidades ao debate. É o mínimo que devemos fazer se quisermos conviver com uma sociedade melhor. Marielle Franco completou seu primeiro aniversário de morte e ainda falta muito para ser investigado. E o massacre na escola de Suzano deixou claro que educação e porte de armas são faces de uma mesma moeda.

Não dá para se afirmar categoricamente que o liberou geral da posse de armas facilitou o atentado. É bem provável que ele teria acontecido de qualquer jeito, mesmo se a lei não fosse promulgada. Podemos aqui tecer laudas e laudas para se tentar entender o passado. Mas, antes de tudo, é necessário discutir propostas para o futuro. Nesse sentido, o nosso governo tem pisado feio na bola. Armas não combatem armas. Pelo menos não nas mãos de pessoas erradas e despreparadas, os tais “cidadãos de bem”. Livros é que combatem armas. Educação de Primeiro Mundo, não essa patacoada baseada no ensino à distância, no obscurantismo religioso, no menino azul e menina rosa, na cantoria do Hino Nacional e no terraplanismo. É inadmissível nosso país ter como ícones dos propedeutas o Olavo de Carvalho e o Alexandre Frota. Estão querendo destituir a classe professoral de suas funções básicas. Professor não pode nem deve andar armado. Nem o bedel dos corredores. Nem o motorista da perua. Muito menos o dono da cantina. Quem tem que andar armado, e muito bem armado, é a polícia que faz rondas escolares. Que deveria ser muito mais ostensiva. Assim como os equipamentos de segurança da escola deveriam ser muito mais modernos e eficientes.

Quem se beneficia com a legalização das armas, ao contrário do que se possa imaginar, não é a população. É o grupo de milicianos que contrabandeia fuzis falsificados de grande porte. Que, por uma terrível coincidência, moram no mesmo condomínio da família presidencial. E, por uma outra grande coincidência, foram condecorados no passado por essa mesma família devido aos serviços prestados. E, por uma coincidência maior ainda, são acusados de matar aquela vereadora cujo pôster foi rasgado por essa mesma família real. Assim o ciclo se fecha. A máfia bélica atendendo a interesses econômicos pessoais e a interesses políticos da horda que assume o poder. Um clã determinado a eliminar o terrorismo comunista de nossas terras verdes e amarelas, utilizando justamente o terrorismo clandestino. E com o aval de porta-vozes da democracia, os generais e coronéis.

A concomitância do aniversário de uma morte anunciada com um ataque de esquizofrênicos haters não veio por acaso. Existe sim um paralelo muito cristalino entre esse autoritarismo permissivo e a nossa sociedade senil. Desarmar o povo, portanto, não se trata mais de uma questão de opinião. Esse assunto, somado a tantos outros que nos arrebatam quase todo dia, mostram que nosso ilustríssimo presidente caminha na contramão. Presenciamos uma sequência infinda de declarações atabalhoadas que nada condizem com as falsas promessas de preservação da ordem e retomada do progresso. Nosso representante-mor divide seu tempo alternando polêmicas nas redes sociais e cabeçadas nos decretos assinados por sua caneta Bic. Golden shower é marchinha de Carnaval perto de posicionamentos sobre temas muito mais sérios.

O que sobrou? Essa sensação generalizada de desgosto e desespero. Ânsia de vômito premeditada para cada ataque terrorista, como por exemplo acabar com o financiamento do Sistema S. Não dá mais. É pouco mais de um bimestre com a dolorosa e letárgica sensação de mais de uma década. Não se trata astrologicamente de ano ruim. É relação direta de causa e efeito de um governo mambembe, cujo líder nos envergonha na ONU lá fora e tenta domar seus filhos aqui dentro: o Dedé Bolsonaro, o Mussum Bolsonaro e o Zacarias Bolsonaro.

Até o mais ingênuo dos otimistas há de concordar comigo: a tragédia de Suzano foi só a ponta do iceberg. Muita coisa pior ainda vai acontecer.

Acaba logo, 2019. Já deu, porra.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Sete vidas


Dizem que o gato tem sete vidas.
Essa expressão vem do Inglês, “nine lives”.
Aliás queria saber quem foi que traduziu isso. Vai ver foi um estudante do nível básico do Yázigi. Parou o curso na terceira aula. Não aguentou o tranco do ‘the book is on the table” e desistiu. Aí deram esse freela pra ele fazer.
Ou vai ver trata-se apenas de uma defasagem cambial. Nine lives, em dólar, equivale a sete vidas em reais, se convertidas pela cotação do dia.
Ou então, essa diferença foi parar na conta de algum empreiteiro que se beneficiou com as negociações de importação. Um político assina documentos para facilitar as transações, recebe um apartamentinho, os donos da empreiteira ganham bilhões e a coisa fica por isso mesmo. Gatos brasileiros, sem acesso à saúde e educação, com duas vidas a menos do que os similares importados. Talvez até esse saldo devedor tenha ido parar em alguma conta bancária de motorista de parlamentar. Sei lá.
Enfim... consideremos então, por uma questão de padronização adotada pelo sistema de pesos e medidas brasileiro, que o gato tenha sete vidas. Eu, particularmente, nunca vi um gato passar de uma vida pra outra. Tipo fase de videogame. Tipo reencarnação. Nunca vi um gato sobreviver a um atropelamento. Aliás, nunca vi um gato ser atropelado. Nem sobreviver a uma queda da sacada de um prédio. Nem ataques de cachorro. Nada.
Talvez, coincidentemente, nessas situações em que o gato não sobrevive é porque, em algum momento do passado, já tenha usado as demais seis vidas. E com matemática não dá muito pra brincar de Deus. Sete vidas são sete vidas e ponto final. Não tem como entrar no especial, pedir aumento de limite, nada disso.
Portanto, a eufêmica expressão “o gato subiu no telhado” me deixa um pouco confuso. Estaria ele brincando de super-herói e desperdiçando algumas vidas, só pra sentir o efeito da morte? Ou essa expressão não tem o significado que imaginamos que tenha, já que existem seis possibilidades de se evitar o pior?
O que dizer então da música infantil “Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to não morreu-reu...”. É ÓBVIO que ele não morreu. Com um saldo desses, ele só viria a falecer depois de levar muita porrada. Precisaria da família Gracie inteira chutando o saco do felino. Aliás, essa cantiga é bem politicamente incorreta, não é mesmo? Sei lá, a gente cantava umas coisas na nossa infância, achando que era tudo letra inocente, mas não. Nana Neném, por exemplo. Repare na chantagem emocional. Até onde eu me lembre, quando assistia ao Sítio do Picapau Amarelo durante os fins de tarde, a Cuca era um bicho horroroso, um jacaré de pano mais antissocial que o Jason.
Eu duvido um pouco dessa lenda de que gato tem sete vidas. Por que ele e não o cachorro, que é mais corajoso e sem-noção ao defender o dono dos iminentes perigos? Já pensou se os porcos tivessem sete vidas, a quantidade de bacon que nos seria servida? Barata tem sete vidas. Você não consegue matar nem por um caralho de asa. Dizem que só arrancando a cabeça, tipo Highlander. Caso contrário, mesmo esmagada, ela continua respirando por aparelhos. Chinês tem sete vidas. Duvido que um país consiga abrigar quase dois bilhões de indivíduos. Pra mim a grande maioria é réplica. Ou efeito de computação gráfica. E já que é tudo igual, não tem como a gente saber. Vela de aniversário tem sete vidas. Você apaga e ela ressuscita. Mais fácil o aniversariante morrer de apneia do que realizar algum desejo.
Bom, é isso. Não sei como terminar esse texto. Amanhã eu penso num final bem bacana. Ou ano que vem. Ou na minha próxima vida.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O dia em que fui campeão de supino


Essa história é velha, verídica e, até então, restrita a alguns amigos. Mas agora eu faço questão de compartilhar.
Primeiro, vamos contextualizar. Meados dos anos 80. Eu estava entrando na faculdade. Naquela época não tinha nada disso que a gente vê hoje: diagnóstico de taxa de bioimpedância, exames ergométricos, personal fitness, Pilates, Apple Watch. Tudo era mais orgânico, mais raiz, mais na raça mesmo. Os aparelhos de ginástica eram raros. A maioria dos exercícios era feita com aqueles pesos de chumbo cujo formato lembra os balões amarrados de festa infantil. Ou um osso de frango, o que sua imaginação permitir.
Ah, só um parêntesis. Pra quem ainda não sabe, nunca pisou numa academia, supino é uma modalidade em que o atleta fica deitado numa mesa estreita e precisa erguer uma barra com pesos colocados nas laterais. Não tem nada a ver com aquela barrinha comestível de doce de banana. Aliás, nem sei por que tal guloseima leva esse nome.
Voltando à contextualização. O clube em questão é a Hebraica. Comecei a fazer musculação (na época chamavam isso de modelagem) quando tinha mais ou menos 15 ou 16 anos. Fiz só alguns meses. Parei. Voltei. E parei de novo. Que nem gente adulta de hoje. Paga a anuidade na Companhia Atlética e só frequenta o primeiro trimestre. Eu não tinha muita paciência com esse esporte solitário. Não aguentava ficar me olhando no espelho por mais de 1 hora tentando levantar um cachorrinho da Cofap em cada braço. Mal consigo me olhar no espelho por 30 segundos, quando escovo os dentes. Era muito narcisismo pra mim. E outra: ao ver os demais frequentadores exibindo seus músculos avantajados, ficava imaginando que demoraria umas 3 décadas pra ficar igual a eles. Dizem que com o tempo seu corpo se acostuma e infla mais rápido, que nem fermento. Mas eu não quis esperar. Preferia passar essas horas dentro do cinema. Ou no Mc Donald’s.
Quem dava aula pra gente era o Roberto. Ele era muito bom. Só que não tinha lá muito saco pra compartilhar seus conhecimentos. Com sua protuberante barriga que escapava da minúscula camiseta regata, preferia ficar na sua salinha lendo jornal. Seu nível de humor, entretanto, era inversamente proporcional ao seu proeminente abdômen. Perto dele, os propedeutas de Harry Potter eram uns anjos. Com aluno novato como eu então, nem se fala. Errar uma série o deixava mais emputecido do que dono de Mercedes quando bate o carro. Só que com o pessoal que treina ele era mais dedicado. Treino de verdade. Aquele povo que passava metade do dia na academia, participando de campeonatos. Eram os halterofilistas do clube. Nossa, faz muito tempo que não ouço essa palavra... enfim, esses atletas se emporcalhavam de giz e faziam aquela cara de quem está defecando pra tentar levantar uma barra com discos de chumbo que parecem rodas de caminhão. Nós, mortais que não nascemos em Asgard, não temos muita noção do peso dessa engrenagem a não ser quando ela cai no chão. A cada término de exercício desses bárbaros, ouvia-se um estrondo. Parecia que estavam implodindo a Hebraica. Eu não sabia se estava em Pinheiros ou em Cabul. E o carrancudo Roberto é quem treinava esses discípulos como se estivessem indo pra guerra.
Aí anos depois eu tava em casa, sossegado, e um amigo meu me liga. Ele me fala do campeonato de supino que a Hebraica iria realizar entre seus sócios. Claro que declinei do convite, alegando estar destreinado. Pode parecer irônico ou patético. Afinal, 2 bimestres de academia não treinam ninguém. Além daquele papo todo do espírito esportivo, ele tentou me convencer de que, caso eu vencesse, iria ganhar uma medalha e um vale-sanduba e refri. Conseguiu.
Outro parêntesis. Naquela época eu era magro, magro, muito magro. Eu até comia bem. O problema era engordar. Uma vez ouvi alguém dizer que eu era o Rei Momo de Biafra. Tudo bem, naqueles tempos não existia bullying, era tudo frescura. E as categorias desse tipo de competição eram divididas por peso. Não por idade, nem por tempo de prática esportiva. Por peso. Como nos anos 80 não tinha isso de ergonomia o cacete a quatro, uma das táticas dos competidores pra perder peso rapidamente e mudar de categoria era mascar chiclete. No meu caso, a única forma de pular de categoria seria me botar no rodízio do Grupo Sérgio antes da prova.
Então lá estava eu, na tenra flor da idade, 18 anos, recém-aprovado na Escola Superior de Propaganda e Marketing, estudante das teorias da Comunicação, leitor assíduo de Camus e Kafka, diante de meus mais temerosos rivais: o Abrãozinho, de 11 anos; o Isaquinho, de 14 anos; e o Jacozinho, de 12 anos, assíduo discípulo das aulas de bar-mitzvah. Fazíamos parte da categoria que leva algum nome associativo à magreza dos candidatos: pena, mosca, pulga, bactéria, sei lá.
Na plateia, só havia 2 tipos de pessoa: as menininhas, que pagavam pau pros levantadores de Fiat Palio; e as tiazonas, aquelas gorduchinhas senhoras mães, tias e avós dos atletas mirins. Eu, portanto, não tinha nenhuma torcida organizada. Muito diferente dos áureos tempos em que ganhei um troféu de judô e conseguia levar uma galera pra me assistir, sem grandes esforços. Aqui, sentia-me como o Rocky Balboa antes da fama, um sujeito desconhecido e pouco amistoso entrando em algum clandestino campo inimigo. Como o melhor do torneio sempre fica para o final, obviamente a categoria peso hidrogênio é que começou o campeonato. Devo ter sido o segundo ou o terceiro a disputar o consagrado prêmio. Tanto faz. Ninguém estava prestando atenção mesmo. De longe, pra quem estava meio perdido com o que acontecia, eu era nada mais do que a visão de um sorvete de coco no palito tentando erguer o pandulho de algumas sacas de arroz.
Até que não fiz feio. Comparado aos atletas que enchiam de orgulho os sócios da Hebraica, eu era poeira cósmica. Mas, pelas leis da Física, consegui elevar praticamente outro Érico. Em termos absolutos, coloquei no alto muito mais quilogramas do que os demais infantes arqui-inimigos judaicos. E, ao final da competição, veio a recompensa: medalha de bronze.
Eu tinha duas coisas a fazer. Ficar quieto, deixar por isso mesmo, e fazer a alegria dos jovens promissores e toda a sua horda presente. Afinal, o que conta é o espírito esportivo. Eu não poderia ali estragar o momento, o início de uma carreira em ascensão. Ou então, lutar pelos meus direitos, denunciar a fraude, fazer valer a ética e a justiça desportiva, sem levar muito em conta a possível decepção da torcida alheia.
Quer saber? Se hoje eu tô cagando e andando pra boa parte da colônia semita, imagina há mais de 3 décadas atrás, no auge da minha rebeldia pré-adulta. Eu era um contestador, e tive de levar isso às últimas consequências, principalmente nas horas em que isso poderia afetar a folgada classe dominante. Pensei em fazer aquilo que é certo e justo, ainda mais quando o que estava em jogo era uma das coisas mais significativas pra mim: a medalha de ouro, um sanduba e um refri. Chamei um dos membros da comissão técnica: “Senhor membro da comissão técnica... errr... acho que houve um equívoco...”.
Agora imagina o miniestádio da Hebraica, quase inteiro, olhando fixamente pra você, com aquela cara de ódio. Imagina o mimado do Jacozinho aos prantos. Quer saber? Foda-se.
- Moço, me vê um cheeseburger e uma Coca, por favor.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Réveillon 2019


RÉVEILLON COM HADDAD
Festa fechada em seu apartamento, somente para os familiares e amigos mais próximos.
Clima intimista, luz baixa e incenso.
O ex-prefeito usa uma camisa branca e recebe os convidados na porta.
Festa americana: cada um traz seu prato de aperitivos.
Vai até a janela e acena para os bikers que gritam seu nome na rua.
Cumprimenta, uma por uma, as amigas de sua esposa que vão chegando. Maior concentração de mulheres por m2 do bairro.
Comunica a todos que está se tornando vegano.
Ouve de uma das amigas de sua esposa um discurso sobre os efeitos terapêuticos da quinoa. Faz um esforço danado pra não dormir durante a conversa.
Lamenta a ausência da Marilena Chauí.
Liga o toca-discos e coloca o primeiro álbum do grupo Tarancón. Em vinil.
Vai até a cozinha pra pegar mais gelo e sente um cheiro forte de baseado. Dá um pega só pra não ficar chato. Somente um trago.
Quando se aproxima a meia-noite, reúne todos à mesa central da sala. Entram os garçons contratados, que servem pratos encomendados do Saj.
Cita versos de um poema hindu que fala sobre prosperidade.
Explica resumidamente o mjadra, prato típico árabe à base de lentilhas.
Durante a contagem regressiva, abre uma garrafa de champagne Taittinger Brut Reserve branco que trouxe de Paris.
Pede para a brigada servir um sorbet de limão siciliano e um licor de sobremesa.
Vai até a vitrola e coloca Araçá Azul, de Caetano.
Despede-se dos primeiros convidados que começam a se retirar.
Vai até a área de serviço e pega um balde com pano para limpar o vômito na sala de alguém que excedeu nas bebidas.
Chama um Uber para a amiga fã de quinoa.

RÉVEILLON COM BOLSONARO
Churrasco na área coletiva de um condomínio fechado.
Festança para mais de 100 convidados: parentes, amigos, parentes dos parentes, apoiadores políticos e todo o pelotão do 23º Batalhão Militar de Petrópolis.
Entrada pelo condomínio mediante identificação e revista dos pertences.
O futuro presidente recebe os convidados vestindo uma bermuda preta e a camisa alviverde do Ademir da Guia, de 1974.
Bate continência para o segurança do condomínio.
De brincadeira, faz o gesto de uma facada nas costas do churrasqueiro, numa alusão ao ataque que sofreu durante a campanha.
Tira selfies com alguns convidados, à frente da churrasqueira e da cabeça de boi pendurada na parede que orna o local.
À medida que as carnes vão sendo servidas, faz tudo quanto é piadinha possível de duplo sentido em relação à gastronomia da ocasião: linguiça, picanha, maminha, e por aí vai. “Vou enfiar meu espeto no seu lombo!” é sua frase mais singela que dirige a um correligionário presente.
Ri de suas próprias piadas.
Bota pra tocar o CD do Negritude Júnior em um aparelho portátil.
Diz se sentir injustiçado em relação ao fato de ter sido acusado de racista durante sua campanha. “Eu até ouço música de preto!”.
O CD começa a pular. Fica com raiva e bota a culpa no filho pelo estrago.
Troca por um CD do Agnaldo Rayol.
Dá um tapão na bunda de uma amiga de sua esposa que serve alguns convidados.
Faz cara feia quando um dos garçons lhe serve salada e maionese. Ao recusar, diz: “Maionese é coisa de baitola, tá OK?”.
Joga a gordura da picanha para a tropa de pitbulls espalhada pelo terreno. Faz sinal de joinha.
Minutos antes da contagem regressiva, reúne os convidados à mesa e chama um padre contratado para celebrar a ocasião com algumas orações.
Coloca a mão no peito, olha pra cima e chora quando o padre recita o versículo 35 dos Salmos em sua prece.
Ordena aos garçons servir as dúzias de garrafas do espumante La Chamiza Mendoza Brut, compradas no Carrefour.
Faz o gesto air gun de metralhadora a cada rolha de plástico que estoura.
Faz um vídeo pelo WhatsApp e manda uma mensagem de feliz ano novo pelo Twitter.
Acompanha até o carro os primeiros convidados que começam a se retirar. Pisa num cocô de cachorro e bota a culpa no outro filho por ser tão relapso com os animais.
Volta para a festa e, num gesto peculiar de delicadeza, pede pra sua esposa Michelle: “Amoreco, traz logo a sobremesa que o pessoal já tá querendo ir embora, pô!”.
Encerra o momento único com uma célebre frase: “É pavê ou é pacumê?”.


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Bubblekill


A gente sabe que o país está em crise quando vê várias lojas fecharem. Nem estou falando das paleterias, coqueluche de 3 anos atrás que tinham sua morte certa e decretada. Ou das livrarias, que não acompanharam as tendências de consumo. Bares, boates, baladas, restaurantes, têm seus ciclos: fecham e abrem a toda hora. Tem também os lugares micados, cujos estabelecimentos duram menos do que uma estação do ano. Mas acho preocupante quando você vê um local abandonado, com a placa “aluga-se”, de um tipo de negócio no auge do seu modismo. Hamburgueria gourmet, por exemplo. Se fechou, é porque a carne é ruim. Ou os sócios não souberam trabalhar, não tinham o dom pro comércio. Ou abriram o negócio certo, só que no lugar errado. Ou aquilo lá era fachada de doleiro ou contrabandista.

Dias atrás, vi uma placa “vende-se” na porta da Bubblekill ao lado do metrô Ana Rosa. Uma rede coreana de drinks exóticos, estilo do it yourself. Você escolhe um tipo de água ou chá, depois escolhe o sabor que acompanha a bebida e, por último, o sabor de umas bolinhas que finalizam o acepipe. Como você percebeu, um longo processo até o preparo final. Se perder no meio do caminho é tiro e queda. É tipo um Subway líquido. E essas bolinhas coloridas é que dão o toque, que são o diferencial. Para se ter uma ideia, na unidade da 24 de Maio, dentro da Galeria do Rock, a loja estava bombando nos primeiros meses de sua inauguração. Isso deve fazer pouco mais de 1 ano. Havia uma fila enorme competindo com os espaços das lojas de tênis e dos camelôs. De longe, não dava pra saber direito o motivo de tanto movimento. A casa parece uma balada techno, uma rave urbana, com suas luzes em tons de azul, verde-limão e aquele púrpuro típico de luz-negra. Deve ter algum tipo de cocaína ou alucinógeno dentro dessas bolinhas, só pode. Ninguém sai de casa e enfrente fila pra tomar soda com sagu.

Muito estranho, portanto, a loja da Ana Rosa falir. Primeiro, porque essa modinha é recente. Não deu tempo de ficar obsoleta. Segundo, porque leva a marca coreana. Samsung e Hyundai são coreanos. Não tem como dar errado. E terceiro, muito difícil um lugar que vende ecstasy disfarçado de vitamina sucumbir aos tempos.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A oitava


- Pois não, senhor. Em que posso ajudar?
- Bom dia. Eu queria uma oitava.
- Oi??
- ... Tava. Eu vim retirar uma oitava que está faltando.
- Desculpe, não tô entendendo...
- Eu comprei este CD de ópera aqui na loja faz 2 semanas. “La Solitudinem”, regida pelo maestro Klaus Von Rochmann, durante um concerto beneficente que a Orquestra Filarmônica de Estocolmo fez em Paris. Repare que no Opus 6, segundo ato, movimento allegro, tá faltando uma oitava do violoncelo, assim que ele faz a introdução para a entrada das outras cordas. Um pouco antes do coro.
- Um momentinho só, eu vou verificar com meu gerente. Me empresta o CD, por favor.
(Minutos depois).
- É, realmente tá faltando mesmo. O senhor tem razão.
- Sim, eu sei... e como vamos resolver? Que tipo de oitava tem aí na loja?
- Olha, senhor... na verdade a oitava tá em falta. Tem muita procura. Na semana passada vieram os meninos da Orquestra de Heliópolis, precisavam fazer um ensaio, e levaram tudo o que a gente tinha no estoque. Eu tenho aqui algumas unidades da oitava de flauta, pode ser?
- Não vai adiantar muito, né? Na verdade eu queria mesmo é a oitava do cello.
- Me passa seu telefone, eu entro em contato assim que chegar.
- Então, moço... é que eu queria levar pra casa hoje mesmo. Vocês sempre ficam de entrar em contato e nunca ligam. Eu moro longe, não queria perder a viagem.
- Aí fica meio difícil.
- Bom, já que não tem, me vê aí o que você tiver. Pode ser um bemol, sustenido, uma clave, um Lá maior...
- É que tem um custo adicional... vou ver com meu gerente se ele autoriza. Momentinho.
(Minutos depois).
- Então... o problema é o seguinte: a gente recebeu uma quantidade limitada desses itens. São artigos importados e vieram numerados. Não tem como a gente repor.
- Bom, se vira... na falta de algum item, eu tenho direito a levar outro item semelhante que estiver disponível na loja, sem ter que arcar com a diferença. Tá no Código do Consumidor.
- Se o senhor quiser, nós temos algumas colcheias, fusas, semifusas... o senhor pode levar sem precisar pagar.
- Mas isso custa uma ninharia. Pelo preço de uma oitava eu compro uma dúzia dessas. Eu sairia perdendo.
- O senhor pode levar duas.
- Eu quero minha oitava! Agora! Senão eu vou ligar pro Procon!
(Gerente percebe a confusão e vem correndo. Intervém na conversa. Estende a mão ao cliente).
- Olá, boa tarde. Meu nome é Ricardo, tudo bem? Então, eu analisei seu caso, o senhor tem toda razão. Infelizmente ocorreu uma lacuna nessa gravação, que é original. Uma gravação única, de ótima qualidade, que realça bem os graves. Sem chiados. Eu tenho esse CD em casa, ouço direto. Muito estranho acontecer isso com o senhor... Mas infelizmente no momento não temos nenhuma oitava disponível, então eu peço a sua compreensão que eu entrarei em contato diretamente com o maestro para ele gravar essa oitava que está faltando. Pode ser?
- Vocês já foram melhores. Hoje em dia o cliente não tem direito a mais nada. Fazer o que, né? Um absurdo isso. Só me diz uma coisa: gravação de estúdio ou em auditório?


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TinderChef


Se existisse o TinderChef, meu perfil seria:
- Filé bem passado
- Ovo de gema dura
- Tudo bem passas no arroz
- Batata palha é pra misturar com o strogonoff
- Feijão sempre por cima do arroz
- Arroz-feijão com macarrão, nunca
- Ketchup na pizza, jamais
- Hot dog, só o básico: mostarda e, de vez em quando, ketchup ou purê. Nada de maionese, catupíry, milho, batata palha, queijo ralado (?) ou qualquer outra tranqueira
- Queijo ralado, só se for parmesão vendido em pedaço. Esses pacotinhos de queijo curado que parece farofa, nem pensar
- Dispenso palmito
- Odeio maracujá
- Maionese em hamburger, de preferência de fabricação própria e servida à parte. Em todo caso, um item totalmente dispensável, que encobre o sabor dos ingredientes e faz o pão parecer um tobogã
- Mortadela, sempre fatias finíssimas. Fatia grossa é motivo de denúncia
- Sim, fritas podem ser chuchadas na casquinha do Mc Donald’s e fazem uma boa combinação
- Gosto de frutas cristalizadas e acho chocotone bem insípido
- Camarões miúdos melhores que graúdos
- Manga na salada, melhor não
- Bolo de frutas vermelhas muuuito melhor que torta de morango
- Não me venha com salgadinho feito de massa podre, tipo empada
- Osso de frango é pra se jogar fora e não pra se chupar
- Gordura da picanha, corta
- Tanto faz chamar de biscoito ou de bolacha: só cai bem na larica