quinta-feira, 18 de abril de 2013

Homem de Ar

Walt Disney pode ser considerado por alguns como um visionário, um artista à frente de seu tempo. Todavia, essa fama não se prolonga nas extensões de seu monopólio, especificamente a assessoria de imprensa da Disney Company, representada no Brasil por meio de produtos, franquias e, no caso mais específico ainda, filmes. É notório constatar que, já faz alguns bons anos, esse canal de contato entre a empresa e a crítica jornalística sempre primou pela antipatia, pela arrogância e pelo desprezo na forma de tratamento profissional. Afinal, é viável se supor que, para esta assessoria, a crítica que sai nos jornais, sites, revistas e blogs pouco importa para o sucesso ou fracasso de seus filmes lançados por aqui. Portanto, defecar e andar para o que sai escrito tornou-se uma prática rotineira. Mas o que mais salta aos olhos é perceber que essa atitude imperial tem se agravado progressivamente, já que o número de interessados em fazer suas coberturas jornalísticas vem crescendo assustadoramente e, por outro lado, a influência da crítica sobre o mercado de consumo vem sendo cada vez menor. A Disney, infelizmente atual representante oficial das adaptações cinematográficas do selo de quadrinhos Marvel para os cinemas, nos faz ficar com saudades da Sony e da Paramount. Embora eu não estivesse presente, soube que na cabine de imprensa de Os Vingadores, no meio do ano passado, houve um show de constrangimento e com a famigerada muvuca como brinde. Renomados profissionais do mercado, críticos da mais alta confiança, revistados como se fossem supostos terroristas ou hackers de plantão. Neste ano, a coisa foi um pouquinho diferente. No momento do pedido de reinclusão no cadastro da assessoria (sim, fui sumariamente excluído do mailing deles pois na época não preenchi em tempo hábil um complexo formulário de recadastramento), isso já faz umas 2 semanas, recebi o aviso/convite de cabine de imprensa do filme Homem de Ferro 3 e, imediatamente, confirmei minha presença ao evento. Qual não foi minha surpresa ao receber ontem, quarta-feira, véspera da data da cabine, a 5 minutos do término de expediente do horário comercial, um e-mail coletivo, iniciado com um falso agradecimento pelo interesse de todos em participar da avant-premiére, que alegava lotação da sala e, por critérios no mínimo suspeitos, elencou uma lista de cerca de 140 profissionais que teriam o direito de ver em primeira mão o filme hoje de manhã. Como já foi supracitado, eu confirmei minha presença faz mais de 10 dias. E pude reparar que alguns representantes de importantes veículos também ficaram de fora. No caso de eventos como esse, que divulgam filmes de grande público, é comum haver uma grande procura e, com o aprendizado dos profissionais de empresas concorrentes e com a magia e o encanto do criador do Mickey, é perfeitamente possível tomar providências mais amigáveis e que procurem contornar a situação ao invés de expor a categoria ao embaraço. Enquanto isso não for feito, eu não poupo palavras que só ratificam minhas primeiras impressões. Tô cansado de fazer o papel do Pateta.

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